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Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 109 :: Julho/2007 :: -

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ASTROLOGIA E A ARTE DO SABER INDICIÁRIO

A análise do ciclo de Marte

Carlos Hollanda

O caso de Tony Blair

Tony Blair - 06/05/53 - 06:10h - Edimburgo, Escócia.

Passemos agora ao caso Tony Blair. No dia 7 de julho de 2005, por volta das 08:50h., em Londres, ocorria uma série de explosões no metrô e uma num ônibus. O terror atingira a cidade em cheio, mormente em seu sistema de transportes urbanos, instaurando o caos na movimentação pela capital britânica. Estamos aqui diante de um caso comum em que um representante de poderes centrais numa empresa, país ou qualquer outra entidade coletiva funciona também como um representante de instituições e formas concretas de manifestação de uma sociedade. Os fatores dentro do mapa radical de presidentes, diretores de empresas, reis, ditadores, primeiros-ministros, guardadas suas respectivas diferenças e particularidades, têm a curiosa propriedade (várias vezes detectada em laboratório astrológico) de indicar o que se experimenta em nível coletivo. Quando trabalhamos com o significado dos planetas sob a ótica da astrologia mundana, vemos que a correspondência dos mapas dos dirigentes com os mapas das instituições que administram é bastante recorrente. No mapa de Blair, Marte em trânsito formara um ângulo de cerca de 90 graus (quadratura) com Urano, uma conjunção com Vênus e já vinha formando uma oposição com Netuno e Saturno. Igualmente, apesar da órbita larga entre Marte e o Mercúrio radical (órbita é a diferença em graus entre o ângulo real formado por dois planetas e o ângulo considerado exato para definir um aspecto), tudo indica que a conjunção entre aqueles dois planetas estava vigente. É ela, aliás, juntamente com a quadratura com o Urano radical localizado na terceira casa do mapa, o elemento de maior analogia com o ocorrido.

Tony Blair (círculo interno) vivencia o atentado terrorista em Londres
(planetas no círculo externo)

A concentração da explosão e do problema deu-se nas vias urbanas, que são associadas em astrologia mundana a Mercúrio e à casa 3 de um mapa astrológico. Vimos anteriormente que Marte está associado ao calor, a estados de conflito. Na verdade, esse "calor" de Marte, difere em intensidade do mesmo princípio atribuído ao símbolo solar. O calor marcial é o das queimaduras, o das explosões, o dos incêndios (Marte era tido como "maléfico", na terminologia medieval, em função de sua faceta destrutiva). Também é recorrente na literatura astrológica moderna a associação entre aspectos tensos de Marte (quadratura ou oposição) com Urano e acidentes, eventos repentinos e muito impactantes, talvez seguidos de explosões ou choques elétricos.

No nível pessoal, o premier também manifestou a conjunção de Marte com Mercúrio: realizou comunicações acerca do ato terrorista, enfatizando que os órgãos responsáveis pela segurança e serviço secreto reagiriam à altura.

Da mesma forma que no mapa de Di Caprio, não é em todos os casos de mapas de líderes que essas configurações do trânsito de Marte serão concomitantes a atos terroristas e explosões. Aqui também vale o princípio do leque restrito de possibilidades.

[14] Como, por exemplo, no caso das diferentes formas com as quais duas culturas podem enxergar o mesmo objeto, situação, época ou atitude. Para os afegãos, Alexandre o Grande, na verdade, era um conquistador terrível, algo muito próximo da noção ocidental de demônio, conforme o DVD Nos passos de Alexandre o Grande, produção de Maya Vision para a BBC de Londres, dirigido por David Wallace, produzido por Rebecca Dobbs, escrito e apresentado por Michael Wood. O material foi publicado no Brasil pela editora Abril, em 2004.

[15] Entre as diversas formas de catarse está a da leitura ou consumo de obras de cultura de massa, sobretudo lilteratura/filmes de aventura, epopéias e quadrinhos violentos, indo desde os pulps até os super-heróis. Num ensaio intitulado Comic strips and their adult readers (in Mass-culture - the popular arts in America. Glencoë: Free Press, 1957 p.189-198), o cientista social Leo Bogart examina as tiras de quadrinhos de meados do século XX quanto a seus efeitos catárticos sobre os leitores, sobretudo ao entendê-los como um recurso capaz de aliviar a "monotonia da existência". Os quadrinhos, portanto, seriam "redutores de tensão".

[16] Fonte: arquivo de mapas do software Solar Fire, com a classificação "AA", no sistema Rodden, consenso entre astrólogos do mundo inteiro, que corresponde ao grau de fidelidade e exatidão dos dados de nascimento. A classificação "AA" é dada quando as informações obtidas são provenientes de, por exemplo, registros ou certidões de nascimento.

[17] Fonte: site Lois Rodden's Astrodatabank - http://www.astrodatabank.com/NM/BlairTony.htm. Classificação "AA" (ver nota número 16).

Conclusão ou inconclusão

O grande problema dos procedimentos indiciários, quando não permeados por uma perspectiva crítica e uma análise rigorosa de resultados, é a falta de verificabilidade de afirmações do tipo "caiu uma porção de sal no chão: alguém irá morrer". Daí a grande necessidade de realizar uma investigação, ao menos na via astrológica, que reduza o quanto possível a tendência à condução/sugestão do sujeito observado. Tal investigação precisa ser feita com um grupo de pessoas que esteja disposto a fornecer informações detalhadas, como num diário, a respeito do que passarão num período delimitado pelo pesquisador, que já estará de posse dos respectivos mapas e trânsitos, a serem conferidos com os depoimentos. Esse mesmo grupo de analisados não pode estar ciente do que exatamente o pesquisador está observando em seus mapas astrológicos, do contrário o processo estaria comprometido pela possibilidade de uma ou mais pessoas no grupo sentir, seja lá por qual motivo, necessidade de identificar-se com aquilo que é dito a respeito do que passou. E tal necessidade não é invenção: muitas vezes em consultório, ao ouvir algo a seu respeito, o cliente, talvez querendo reiterar sua crença na prática da astrologia, pode concordar com algo que entendeu o astrólogo dizer, quando o mesmo tencionava dizer outra coisa [18]. E pode pensar que o astrólogo "acertou em cheio" algo que qualquer um com boa capacidade de observação poderia ter feito.

Esse método considera que é o discurso do analisado que tem que bater com a descrição geral de um trânsito que já ocorreu, sem que o sujeito saiba. A quantificação dos dados poderá ser crucial para a validação do sistema de analogias utilizado pelos astrólogos. Vale dizer que, para que algo desse tipo seja devidamente sistematizado, requer-se a dedicação de um corpo de pesquisadores e o acesso a recursos de que uma instituição como uma universidade ou uma empresa interessada no assunto pode dispor, ao contrário do trabalho isolado de um só intérprete. Este pode levar muito mais tempo e ser mais sujeito a falhas.

Mas mesmo o que aqui é chamado de "análise rigorosa" precisa obedecer a princípios que pertencem muito mais ao caráter das ciências humanas do que o das ciências naturais. Nenhum resultado em interpretações astrológicas (o discurso) pode ser tido como absoluto, como o poderia ser a operação 1 + 1 = 2 [19]. Apesar disso, nenhum discurso interpretativo sobre uma dada época da vida, usando este o aquele fator do mapa astrológico, foge de seu feixe de possibilidades. Parece uma afirmação pretensiosa? Na verdade é um estímulo à pesquisa segundo os parâmetros aqui apresentados.

Muito ainda precisa ser feito, muito há que pesquisar, daí no atual estágio deste estudo não consideramos ainda a astrologia como uma ciência, com base em todos os parâmetros atualmente aceitáveis. Ao menos não é objetivo deste trabalho chegar a essa conclusão, e sim demonstrar que o procedimento funciona e pode ser verificado com rigor. Contudo a astrologia, na ótica deste autor, baseada nestas observações, tem tudo para tornar-se um saber considerado científico, se puder estabelecer um corpo teórico consistente (embora não impermeável ou inflexível) e uni-lo aos seus mais variados métodos de verificação e interpretação. Estes últimos, aliás, são definitivamente o que não falta na prática astrológica (aqui foi demonstrado apenas um método). Daí ser preconceituosa qualquer afirmação contrária à astrologia sem a devida utilização desses recursos em seus próprios parâmetros. Por enquanto, apesar do profundo respeito pelas defesas da astrologia como ciência [20], prefiro ater-me a uma validação inicial da mesma como um saber indiciário. Válido, decerto, por suas aplicações práticas e pelo rigor do analista em verificar resultados, sem estar restrito exclusivamente à busca de um corpo teórico que o justifique perante a comunidade acadêmica.

Assim, tal sistema constitui um método de verificação periódica aplicável por qualquer pessoa que disponha de uma efeméride e de mapas astrológicos calculados, cujos sujeitos (pessoas ou instituições) sejam conhecidos do pesquisador ou de um grupo de pesquisadores, e capazes de fornecer um retorno aos experimentos realizados, mesmo sem terem conhecimento do que se trata. Esse método, que pode ser utilizado com todos os planetas em trânsito, em tese reduziria a incidência de conclusões distorcidas da parte dos pesquisadores-astrólogos, levados por concordâncias de clientes e entrevistados, motivados por necessidades subjetivas. [21]

[18] Uma situação possível é o astrólogo perguntar se o sujeito tem "problemas com os irmãos" e, antes de terminar a pergunta, o cliente responder que "sim, eu e meus irmãos sempre discutimos muito". Na verdade o "problema" que o astrólogo estava começando a levantar poderia referir-se a um possível uso de drogas por parte desses irmãos, problemas financeiros, doenças e coisas do tipo. A resposta dada pelo cliente não responde absolutamente nada, pois o número de casos de irmãos que simplesmente "discutem" é quase impossível de delimitar.

[19] Sem contar que perante a física quântica até mesmo algo simples, como a relação entre dois fatores que se encontram, pode não ter exatamente o mesmo resultado. Há que se considerar uma ampla gama de variáveis interferindo no modelo ideal, podendo esse resultado ser significativamente alterado.

[20] Uma das mais interessantes e atuais referências neste quesito é o trabalho de Cristina de Amorim Machado, Considerações acerca da cientificidade da astrologia à luz das idéias de Popper, Kuhn e Feyerabend, pesquisa realizada na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), no IFCH - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - Departamento de Filosofia, 2004.

[21] LIEBER, Arnold L. As influências da lua - os ciclos biológicos e as emoções humanas. São Paulo: Artenova, 1978. Arnold L. Lieber, na época da publicação do livro, era indicado como psiquiatra, com clínica particular em Miami, tendo trabalhado na Faculdade da Escola de Medicina da Universidade de Miami. É graduado pela comissão Nacional de Inspetores clínicos e pela Comissão Americana de Psiquiatria e Neurologia. Foi consultor psiquiátrico do Departamento de Polícia da cidade de Miami de 1972 a 1975 e é autor de numerosos artigos científicos (sic). O livro de Lieber não é sobre astrologia, embora em vários pontos a mencione e a discuta com relação às teorias que desenvolve sobre o comportamento humano e as fases lunares. Altamente recomendável para quem deseja verificar a simultaneidade do comportamento humano com um ciclo astronômico sob uma ótica inegavelmente científica e com dados demonstráveis. As indicações sobre o autor na obra (nas apresentações) também dizem que "suas descobertas sobre o efeito periódico da Lua sobre o comportamento agressivo do homem foram um momento histórico". Se foi realmente um momento histórico não é nosso objetivo aqui precisar, mas certamente seu trabalho evidencia o modo como algo inerentemente humano, como a agressividade, tem relação com ciclos naturais.

Mais dados e circunstâncias ligadas ao trânsito de Marte

Aqui estão indicações sobre o trânsito de Marte no Ascendente, Fundo do Céu e Meio do Céu e sobre alguns planetas. As informações pertencem ao banco de dados de clientes de Carlos Hollanda e são parte da pesquisa realizada.

Os nomes reais dos três clientes abaixo foram suprimidos visando a preservar a privacidade dos mesmos.

1- Mulher 1: 15/06/1964, 07:40h, Rio de Janeiro - RJ - Trânsitos para 29 de julho de 2005

Marte cruzava o Meio do Céu e transitava pela décima casa (chefias, reputação, vida profissional etc.). Relatou ter discutido acirradamente com superiores hierárquicos há poucos dias. Chegou no consultório tencionando mudar de emprego e área, de forma a agir mais autonomamente (busca por ação individualista e autônoma é procedimento análogo ao simbolismo de Marte).

2- Homem 1: 30/08/52, 11:10h., Rio de Janeiro - RJ - Trânsitos para 19 de maio de 2005.

- Marte transitava pela casa 4 (família, lar, vida privada etc.) e terminava de formar uma quadratura com o Ascendente (identidade, ação demonstradora de si mesmo, manifestação física/corpo). Relatou ter-se aborrecido com a atitude da ex-mulher, que, fora de controle, fizera em público exigências em altos brados, chegando até mesmo a jogar-se sobre o carro dele, sofrendo alguns pequenos arranhões. O episódio ocorreu na frente da casa onde o indivíduo residia com a ex-mulher.

3- Homem 2: 10/10/1958, 09:17h., Porto Alegre - RS - Trânsitos de 12 de janeiro de 2005 em diante.

Marte entrara em conjunção com o Ascendente. Retomada de atividades esportivas com a entrada em academia de Aikidô, arte marcial japonesa.

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