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 Edição 108 :: Junho/2007 :: -

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URANO EM PEIXES NA HISTÓRIA DO BRASIL

Ventania sobre Pindorama:
os antropófagos estão de volta

Fernando Fernandes

O "vulcão da anarquia"

1835-1843

Período Regencial

Risco de desintegração territorial - Revoltas sociais e separatistas:

  • Balaiada (MA) - 1830-41
  • Revolta dos Malês (BA) - 1835
  • Cabanagem (PA) - 1835-40
  • Guerra dos Farrapos (RS) - 1835-45
  • Sabinada (BA) - 1837-38
  • República Juliana (SC) - 1839

Comentários:

Nenhum outro período da história do Brasil pós-independência trouxe tantos riscos de fragmentação territorial quanto este, em que Urano cruzou o signo de Peixes entre os últimos anos do período regencial e os primeiros momentos do longo reinado de D. Pedro II. O próprio ano de 1835 marca a eclosão de vários movimentos quase simultâneos, em diversas partes do país: é a violenta Revolta dos Malês na Bahia, em que escravos de religião muçulmana chegaram a planejar em detalhes a tomada do poder em Salvador (os poucos sobreviventes foram deportados de volta para a África); é a Cabanagem no Pará, uma revolta popular pontuada por diversas chacinas e atrocidades; e é principalmente a Farroupilha no Rio Grande do Sul, onde uma confusa mistura de interesses de latifundiários locais e de ideais democráticos leva à proclamação de duas repúblicas, a Piratini e a Juliana, independentes do Brasil.

A conhecida frase do Regente Feijó sobre "o vulcão da anarquia que ameaça devorar o império" parece de uma atualidade preocupante. Insegurança, ameaça à integridade territorial e a enorme tarefa de como retomar o controle sobre o país, eis o desafio que tiveram de enfrentar os governantes do primeiro ciclo de Urano em Peixes do Brasil independente.

1919-1927

Epitácio Pessoa (1919-1922) e Artur Bernardes (1922-1926)

Governos conturbados
Estado de sítio quase permanente

  • "Tenentismo": 18 do Forte - 1922
  • Partido Comunista - 1922
  • Semana de Arte Moderna - 1922
  • São Paulo bombardeada - junho/1924
  • Coluna Prestes (1925-27)

Comentários:

Desde o início da era republicana até os dias atuais, jamais houve governos tão consistentemente conturbados, e por uma período tão longo, quanto os mandatos de Epitácio Pessoa e de Artur Bernardes. Contrapondo-se ao poder dos latifundiários que sempre controlaram a República, as classes médias urbanas, de um lado, e os movimentos operários, de outro, começam a organizar-se e a exigir representação política.

São anos de tirar o fôlego: revoltas militares (o episódio dos 18 do Forte de Copacabana, por exemplo), efervescência cultural (Semana de Arte Moderna, Manifesto Antropofágico, primeiras universidades), guerra civil (tropas federais promovem um bombardeio aéreo a São Paulo, em 1924, uma das causas da Coluna Prestes que agita o sertão, logo em seguida), surgimento do Partido Comunista... No governo, os escândalos se sucedem e a oposição critica impiedosamente. Artur Bernardes faz um governo inteiro em estado de sítio, perseguindo adversários e enchendo as prisões. O vendaval uraniano varre a face do país. Depois de uma breve calmaria durante o governo de Washington Luiz, a crise emerge outra vez, desembocando no fim da República Velha e na instauração da Era Vargas, em 1930.

Tudo isso nos dá melhores condições de avaliar os últimos quatro anos, desde o novo ingresso de Urano em Peixes. O resumo dos últimos acontecimentos - que naturalmente não fazia parte do material da palestra de 2003 - constitui o quadro extra, a seguir:

2003-2010 (observações de 2007)
  • Articulação do tráfico de drogas em grandes organizações criminosas, com conexões interestaduais e internacionais
  • Enfrentamento aberto entre organizações criminosas e forças policiais (Rio de Janeiro, por exemplo)
  • Desordem urbana e atentados terroristas (incêndios criminosos em ônibus, ataques a delegacias e órgãos públicos, assassinatos, chacinas etc.)
  • fortalecimento e aumento da agressividade de organizações populares, como os movimentos dos Sem Terra, Sem Teto, Desalojados por Barragens etc.
  • Aumento da violência imotivada em confrontos entre torcidas organizadas, gangs de jovens racistas, platéias de shows e outras concentrações humanas
  • Ascensão ao poder de um presidente de origem proletária e identificado com movimentos populares
  • Escândalos, corrupção, desmoralização da classe política e aumento do apoio popular a propostas radicais (fechamento do Congresso, por exemplo)

Comentários:

Em mais de 500 anos de história, os trânsitos de Urano em Peixes deram lugar a movimentos rebeldes da mais variada espécie. Quem incorpora Urano é sempre o insubmisso, o não integrado, o irredutível, o que não admite anular-se para dar lugar ao desfile triunfal dos vencedores. Ao longo da história colonial, Urano é o selvagem antropófago e pouco amigo dos portugueses. Vêmo-lo nos tamoios que combatem Estácio de Sá no Rio de Janeiro, nos caetés e aimorés que devoram sem qualquer cerimônia marinheiros, frades e burocratas a serviço d'El Rei. É também o cristão-novo que, na intimidade do lar, continua a cultivar os tradicionais valores da cultura judaica. Depois é o negro rebelado, que se refugia no quilombo e dali só sai para incendiar canaviais e aterrorizar os senhores de engenho. Mais adiante, é o bandeirante que se faz minerador e sonega impostos, o jesuíta que se organiza numa estrutura paralela à do Estado, o separatista que se rebela contra o poder imperial, o seguidor de Luiz Carlos Prestes que atravessa o país pregando a revolução. Para a sociedade organizada, este tipo uraniano é sempre o bandoleiro, o perigo a ser combatido. No atual trânsito de Urano em Peixes, os quatro anos que se passaram desde 2003 já nos permitem um claro vislumbre da roupagem moderna deste arquétipo turbulento: ele agora se manifesta na forma dos bandos armados que espalham o terror nas ruas de Rio e São Paulo, organizados em facções criminosas. Está presente também na violência dos grupos mais radicais dos sem terra e sem teto, com destaque para o MLST, que invadiu o Congresso Nacional e ocupou a Usina de Tucuruí.
Como reflexo da radicalização do período, basta abrirmos os jornais e lermos manchetes sobre as balas perdidas e seqüestros-relâmpago.

Urano em Peixes é o perigo que vem da massa, do inimigo sem nome e sem rosto. Os antropófagos estão de volta, e o alvo a ser atingido é tudo que Sol e Lua representam no mapa do Brasil independente: a família brasileira urbana, seus valores e crenças (Lua e Júpiter em Gêmeos) e as figuras representativas dos estratos superiores, que detêm o poder e a autoridade: o Sol em Virgem, sendo o Sol um símbolo de autoridade - o rei - e Virgem o signo da organização e do trabalho produtivo. Seria por acaso que a vítima mais emblemática da violência dos últimos tempos tenha sido um menininho carioca chamado João Hélio - literalmente João Sol?

A observação do passado mostra que os conflitos de Urano em Peixes acabam resolvidos de uma forma ou de outra, por um dos seguintes mecanismos:

  • o extermínio puro e simples dos "selvagens", como ocorreu com índios antropófagos, quilombolas de Palmares e negros malês;
  • o abafamento das insatisfações, que ficarão adormecidas por algum tempo para reaparecerem mais adiante, como ocorreu com os gaúchos da Farroupilha (meio século depois, seria a ver da Revolução Federalista);
  • a tomada do poder pelos revoltosos, que saem assim da esfera de Urano e passam a ser regidos por Saturno - caso dos grupos que combateram a República Velha nos anos 20 e acabaram no poder com Vargas.

O que falta na história do país é um ciclo de Urano em Peixes que resulte numa verdadeira inclusão social dos grupos que Urano representa. Enquanto não surgir uma política eficaz neste sentido - o que passa antes pela erradicação da corrupção (Peixes), mal endêmico do país - continuaremos expostos às balas perdidas (Peixes), aos seqüestros-relâmpago (Urano), à violência associada ao comércio das drogas (Peixes), ao susto (Urano) dos tiroteios e das vias públicas fechadas.

Urano em Peixes, no que tem de melhor, pode ser um símbolo de limpeza moral, da ventania renovadora que dispersa os gases tóxicos. Por pior que estejam as perspectivas, é tempo de resgatar as mais generosas utopias. Com Urano no sensível signo de Peixes, talvez esteja sendo gestado em algum lugar, sem que percebamos, um novo projeto para o país. Se assim o for, dentro de alguns anos saberemos.

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