Constelar Home
menu
Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 165 :: Março/2012 :: -

Busca temática:

Índices por autor:

| A - B | C - D | E - F |
| G - L
| M - Q | R - Z |

Explore por edição:

1998 - 2000 | 2001 - 2002
2003 - 2004 | 2005 - 2006
2007 - 2008 | 2009 - 2010
2011 - 2013 |

País & Mundo |
Cotidiano | Opine! |
Dicas & Eventos |

BIOGRAFIA ASTROLÓGICA

Bashar al-Assad, o lado escuro

de Harry Potter

Fernando Fernandes

Bashar al-Assad, o presidente da Síria acusado de massacrar a própria população do país, tem configurações muito semelhantes às de J. K. Rowling, criadora de Harry Potter. Contudo, em vez de enfrentar o mal, acabou por personificá-lo.

Bashar al-AssadQuem é Bashar al-Assad, o presidente da Síria que, pressionado por um movimento popular por reformas e liberdade, promove um genocídio contra os próprios cidadãos de seu país?

Com seis planetas no eixo Virgem-Peixes, Bashar é um tipo tímido e de olhar assustado, formado em oftalmologia e amante de computadores. Mesmo assim, seu governo tem conduzido um dos mais cruéis massacres do século XXI. Se Bashar não é o responsável direto, tem sido ao menos conivente com o que ocorre na Síria.

Para entender o mapa do tirano, é preciso recorrer à mitologia grega, onde havia dois deuses que destruíam os próprios filhos: o primeiro foi o insaciável Urano (o céu), que obrigava Gaia (a terra) a submeter-se a ele dia após dia. Dessas intermináveis sessões de sexo forçado nasceram inúmeros filhos, alguns deles de aparência terrível e disforme, como os Ciclopes e os Hecatônquiros (gigantes de cem mãos). Temendo o poder desses filhos monstruosos, Urano os encerrou novamente no útero de Gaia, que passou a sofrer dores atrozes.

Para livrar-se do flagelo, Gaia pediu ajuda aos filhos ainda livres, mas só um deles teve coragem para o enfrentamento. Tratava-se de Cronos que, com a cumplicidade da mãe e a ajuda dos irmãos, os Titãs, castrou o pai, separando o céu da terra e tornando-se o primeiro rei dos deuses.

Contudo, uma profecia vaticinava que Cronos seria destronado por um de seus filhos. Temeroso, Cronos passou a devorar todos as crianças gerados por sua mulher, Réia, até que esta conseguiu salvar uma delas, Zeus. Ao crescer, Zeus arrebatou o trono e obrigou o pai a vomitar os outros filhos, ainda vivos. Em seguida, expulsou Cronos do Olimpo para um lugar de sofrimento, o Tártaro. O temível Cronos, retratado na mitologia grega de forma tão negativa, foi reabilitado pelos romanos na forma de Saturno, deus da agricultura.

Aspectos tensos de planetas pessoais com Urano e Saturno podem trazer à tona os sentimentos e atitudes presentes nos mitos. No caso de Urano, a irresponsabilidade com relação aos próprios filhos (ou criações); no caso de Saturno, o medo de perder o trono para alguém mais competente. Em ambos os casos, o comportamento cruel aflora como uma decorrência da necessidade de autopreservação.

Bashar al-Assad, nascido em Damasco em 11 de setembro de 1965, horário não conhecido, apresenta o Sol e a Lua diretamente envolvidos na configuração mais tensa daquela década: a conjunção Urano-Plutão em Virgem, agravada pela oposição a Saturno em Peixes. Temos aí a problemática do rei que vê seus súditos como monstros ameaçadores (Urano), que os persegue por medo (Saturno) e que lança mão da censura e do aparato policial para mantê-los sob controle (Plutão).

Bashar al-Assad

A configuração mais tensa da carta de Bashar envolve os dois planetas comumente associados ao princípio da autoridade e ao papel de pai: o Sol e Saturno. Bashar foi filho de um ditador, Hafez al-Assad, o "Leão de Damasco", e é provável que tenha recebido do pai pouca atenção e afeto insuficiente. Na verdade, Bashar chegou ao poder quase por acaso. O filho que Hafez preparava para sucedê-lo era o primogênito Basil, de temperamento forte e mais preparado para o comando. Enquanto isso, Bashar levava uma vida mais adequada a seu temperamento Virgem-Peixes, interessando-se por informática, praticando windsurf e estudando medicina no exterior (formou-se em Oftalmologia em Londres).

Em 1994 o irmão Basil faleceu num acidente de automóvel. O presidente Hafez ordenou o retorno de Bashar à Síria e começou a prepará-lo às pressas para sucedê-lo. Ao assumir como presidente, aos 34 anos, Bashar era ainda um aprendiz de ditador - e pouco talhado para o cargo, ao que tudo indica.

Entrevistas com políticos sírios que conviveram de perto com Bashar e hoje estão no exílio revelam um quadro bem sintomático: na infância, o atual presidente costumava ser vítima de bullying de seu cruel irmão mais velho, Basil. O pai, que governou a Síria com mão de ferro por trinta anos, só dava atenção ao favorito Basil, relegando Bashar ao segundo plano. Algumas outras informações completam o quadro:

Ele é muito diferente do pai. Hafaz era um líder, o cabeça de todo o regime, enquanto Bashar jamais chegou perto desse perfil. Apesar de visto como líder, na verdade ele apenas segue o que outros integrantes do regime decidem por ele. (Rifaat, tio de Bashar, exilado desde 1984, citado no site whatnewstoday.net).

O problema de Bashar é que ele ouve todo mundo, mas depois nega e esquece. Você discute um problema com ele de manhã e à tarde vem outra pessoa e muda a cabeça dele. Bashar é ao mesmo tempo cruel e indeciso. (Abdel Halim Khaddam, ex-vice presidente da Síria, no mesmo site).

Além do mais, como lembra o tio Rifaat, existe o fator medo: a família Assad pertence à minoria étnico-religiosa dos muçulmanos Alauítas (12% da população) que impõem seu comando sobre a imensa maioria de muçulmanos Sunitas. Para a família al-Assad, a ameaça da deposição advinda de um movimento de massas seria um fantasma sempre presente.

Protestos na Síria

A repressão aos protestos populares na Síria atinge níveis de genocídio, incluindo bombardeios aéreos contra populações civis. Milhares morreram.

Bashar assumiu o poder demonstrando boas intenções quanto à liberalização do regime. Durante um ano, entre 2000 e 2001, permitiu e até mesmo estimulou a livre discussão de ideias políticas em toda a Síria. Dezenas de intelectuais aproveitaram essa abertura para organizar grupos de debate, dos quais começaram a sair propostas de mudança cada vez mais ousadas. Sentindo-se pressionado, Bashar al-Assad fez uma reviravolta: proibiu as discussões políticas, censurou a imprensa e em poucos dias mandou para o cárcere as principais lideranças intelectuais do país.

O terror de ser deposto é consistente com o mapa em que Sol e Lua aparecem diretamente envolvidos em aspectos desarmônicos com Urano, Plutão e Saturno. Não é difícil reconhecer aí manifestações de comportamento paranóide, a dimensão psicológica mais sombria dos contatos Saturno-Plutão.

Quanto à conhecida indecisão de Bashar e suas súbitas mudanças de opinião, basta observar a excessiva ênfase em signos mutáveis: nada menos que sete planetas, incluindo os luminares, sem contar o eixo dos Nodos.

Uma personalidade com mapa semelhante ao de Bashar al-Assad, mas que conseguiu lidar com a problemática da paranoia de forma absolutamente distinta, é a escritora J. K. Rowling, criadora das aventuras de Harry Potter. Rowling, nascida apenas cinco semanas antes de Bashar, tem a Lua conjunta a Plutão e oposta a Saturno. Ela criou um personagem que enfrenta adversários cruéis e perigos inimagináveis, mas sem deixar-se contaminar pelo ambiente sombrio em que vive.

J. K. Rowling, criadora de Harry Potter

J. K. Rowling, escritora - 31.7.1965, 14h (+01:00).
Bristol, Inglaterra - 002w35, 51n27.

J. K. Rowling (que também tem sete planetas em signos mutáveis) fez do seu universo Saturno-Plutão-Urano uma aventura estética e uma oportunidade de catarse para o público leitor. Já Bashar al-Assad, frente à mesma configuração, despencou no abismo dos próprios fantasmas que temia. Podia ter sido Harry Potter, mas preferiu incorporar o psicopata Voldemort, transformando-se no carrasco de seu próprio povo.

Assad e Voldemort

Outros artigos de Fernando Fernandes.

Comente este artigo |Leia comentários de outros leitores



Atalhos de Constelar | Voltar à capa desta edição |

Fernando Fernandes - Rio de Janeiro | Todos em uma só maré | A viagem de Estácio de Sá |
| Malandros e rebeldes | A alma carioca, casa por casa |
Fernando Fernandes - A crise da Síria | A guerra civil em quatro mapas |
| Bashar al-Assad, o lado escuro de Harry Potter |

Edições anteriores:

Fernando Fernandes - Cultura afro-brasileira | Iemanjá, a mãe de todos os peixinhos |
| Do Cristianismo medieval ao Rio de Janeiro |
Fernando Fernandes - Egito | O terremoto social |
Redação - Entrevista com Carlos Hollanda | Ipanema, Urgente: a Astrologia passou no vestibular |



Cadastre seu e-mail e receba em primeira mão os avisos de atualização do site!
2013, Terra do Juremá Comunicação Ltda. Direitos autorais protegidos.
Reprodução proibida sem autorização dos autores.
Constelar Home Mapas do Brasil Tambores de América Escola Astroletiva