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Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 165 :: Março/2012 :: -

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ASTROLOGIA URBANA

Rio de Peixes com Ascendente em Gêmeos

Fernando Fernandes

Uma comparação entre o significado das casas do mapa de fundação e a realidade carioca confirma: o Rio de Janeiro nasceu mesmo por volta do meio-dia, com Ascendente em Gêmeos e Peixes no Meio do Céu.

Para confirmar o horário da fundação do Rio de Janeiro, uma boa estratégia é confrontar o mapa com o cotidiano, verificando se os signos na cúspide de cada casa são concordantes com o jeito carioca de viver os assuntos correspondentes.

Casa 1 - Aparência, primeira impressão

Na virada do século XIX para o século XX, o Rio foi a segunda cidade mais fotografada do mundo, perdendo apenas para Paris. Essa ênfase na imagem, assim como o deslumbramento com a paisagem, são pontos em favor da presença de Netuno no Ascendente. Outro elemento netuniano é a onipresença do mar na vida carioca, onde a praia exerce uma atração especial sobre nativos e visitantes.

O maior símbolo da cidade, aquele cuja imagem é reconhecida em qualquer parte do mundo, é a estátua do Cristo Redentor. Existem muitas maneiras de representar o Cristo, sendo a mais comum a figura do Cristo cruxificado. A opção carioca por uma estátua de braços longos e livres (não há cruz), onde logo se destacam as mãos e os dedos compridos, fala imediatamente de Gêmeos, significador dessas partes do corpo. É um Cristo (um salvador, um mártir, uma figura netuniana) geminiano (de braços abertos sobre a Guanabara).

Rio de Janeiro, fundação

Fundação do Rio de Janeiro - 01.03.1565, 12h LMT - 043w10, 22s54.

Casa 2 - De onde vem a grana

Cais do Porto - rio de Janeiro

Na foto acima, de Marc Ferrez, o Cais do Porto do Rio no início do século XX.

Com a casa 2 em Câncer e a Lua em Peixes na casa 9, é natural que a riqueza da cidade venha principalmente das águas (o porto, os estaleiros, as praias) e do turismo (casa 9, dos estrangeiros). Na verdade, a cidade cresceu em torno da atividade portuária.

Casa 3 - Transportes

ônibus queimadoCom Saturno, significador de montanhas, obstáculos e impedimentos, na cúspide da casa 3 das vias públicas, não é de estranhar que o Rio de Janeiro tenha um trânsito tão complicado. Os bairros da cidade sobem e descem ladeiras, e as vias públicas são obrigadas a contornar ou a perfurar maciços rochosos. Além do mais, Saturno em Leão lembra a imagem de uma fortaleza num lugar elevado. A oposição com Marte remete de imediato aos constantes tiroteios envolvendo facções criminosas rivais, milícias e a polícia organizada. Muitos cariocas conhecem de perto o problema das balas perdidas (Marte) que trazem terror ao espaço urbano (casa 3). Nos últimos anos, têm sido comuns também os incêndios criminosos de ônibus e automóveis.

Ainda na casa 3 encontramos Júpiter retrógrado e em Virgem, um de seus signos de exílio. São os arredores da cidade (outro significado de casa 3), o subúrbio que Chico Buarque retratou na letra de Gente Humilde:

São casas "tristes".
Com cadeiras na calçada
E na fachada
Escrito em cima que é um lar
Pela varanda
Flores tristes e baldias
Como a alegria
Que não tem onde encostar

Aí temos ao mesmo tempo o lado saturnino da cidade - as favelas, as ruas estreitas, o casario empobrecido - e a expansão jupiteriana nas relações de vizinhança: por mais simples que sejam as casinhas, lá estão as "cadeiras na calçada" e as pessoas na rua, convivendo jovialmente (Júpiter).

Casa 4 - As raízes, o povo

Anos DouradosA casa 4 mostra o povo comum de uma cidade, em contraste com a casa 10, das elites e dirigentes. Com Virgem no Fundo do Céu, a família carioca é, no fundo, conservadora e voltada para o trabalho duro. Apesar da fama de bon-vivant, o trabalhador carioca trabalha uma hora a mais por semana do que o paulistano, segundo as estatísticas. Na casa 4 do Rio encontramos a vasta extensão suburbana, espalhada ao longo das vias férreas, e os bairros "nobres" da Zona Norte, especialmente a Tijuca do Instituto de Educação e do Colégio Militar. O ambiente da conservadora sociedade tijucana dos anos 50 foi tema, aliás, de uma minissérie de grande sucesso da Rede Globo, Anos Dourados (foto).

Não esquecer que hoje o Rio tem uma população evangélica de 1,5 milhão de habitantes. Os valores dessa comunidade (vida regrada, sem álcool, voltada para o trabalho e a família) são tipicamente virginianos. Os evangélicos se concentram na Zona Norte e nos subúrbios da cidade (as raízes profundas - casa 4).

Outro ponto a levar em consideração é que uma enorme quantidade de cariocas vive em apartamentos minúsculos, como quitinetes ou conjugados. Eles estão por toda parte, mesmo em bairros elegantes da Zona Sul. Em comparação com cidades como Belo Horizonte, Curitiba ou Porto Alegre, as residências cariocas são em média menores e mais apertadas. Vemos aí a tendência virginiana ao minimalismo, à simplificação e à miniaturização. Por outro lado, o carioca passa menos tempo em casa do que os nativos de outros estados, preferindo a vida ao ar livre e os ambientes públicos (Mercúrio, regente da casa 4, na casa 10!).

Casa 5 - Diversões e criação artística

Com Libra na casa 5 e Vênus em Aquário, a cidade define e impõe padrões estéticos nas áreas de moda e entretenimento. A arte produzida no Rio tende a ser requintada e esteticamente vanguardista, exercendo grande fascínio sobre o estrangeiro (Vênus na casa 9). Basta lembrar que o Rio é o berço do choro e da bossa-nova, dois gêneros musicais extremamente sofisticados, além de ter dado origem aos desfiles de escolas de samba, um espetáculo popular que mistura elementos de festa (casa 5) e de ópera.

A imagem da cidade também está ligada à beleza de suas mulheres e ao clima propício para o romance, o namoro, o lazer descompromissado e a "azaração". A maioria das telenovelas e filmes brasileiros usa a paisagem carioca como cenário. Tudo isso é Vênus em conjunção com Marte no descolado signo de Aquário, ambos em trígono com Netuno no Ascendente.

Casa 6 - A rotina produtiva

Com Escorpião na casa 6 e Plutão conjunto ao Sol na casa 10, o Rio sempre foi e continua sendo um paraíso do funcionalismo público - classe de trabalhadores que valoriza, antes de tudo, a segurança e a estabilidade (Escorpião, signo fixo). Em comparação com São Paulo, o Rio conta com um setor industrial bem mais modesto, mas continua tendo na área financeira um de seus pontos fortes. Outra atividade ligada a Escorpião é a petroquímica, uma das (poucas) áreas industriais em que o Rio leva vantagem sobre a maioria das outras capitais.

Casa 7 - Os inimigos e os parceiros

Sagitário na casa 7 e Urano neste signo, bem junto ao Descendente, mostram que:

  • os "parceiros" da cidade costumam vir de muito longe. São Paulo é o motor da economia, mas o Rio continua sendo a cidade que mais atrai estrangeiros (Sagitário);
  • os inimigos abertos da cidade têm perfil uraniano: ousados, imprevisíveis, criativos e turbulentos. No passado, foram os piratas franceses, que aqui aportaram em diversas ocasiões; hoje são as facções do crime organizados. Esse Urano de casa 7 rege a casa 9, mostrando que os adversários do Rio sempre têm conexões no exterior (narcotráfico e contrabando internacional de armas, por exemplo).

Casa 8 - A herança

Com Capricórnio na casa 8, dos recursos compartilhados, o Rio de Janeiro concentra o maior patrimônio brasileiro de construções oficiais de uso coletivo, herança do longo período em que foi capital do país. Na cidade estão grandes edificações públicas como o Teatro Municipal, a Biblioteca Nacional (maior acervo da América Latina) e assim por diante. São Paulo tem um número maior de equipamentos urbanos, mas deve boa parte deles à iniciativa privada, enquanto no Rio é mais forte a presença do Estado (Capricórnio). Por outro lado, Saturno na casa 3 recebendo oposição de Marte e Vênus mostra como a gestão de recursos públicos é sujeita a desvios e malversações.

Casa 9 - A propaganda, a fé e a difusão de ideias

Aquário na casa 9 lembra de imediato que o Rio abriga a sede e a maioria das operações de uma das maiores redes de TV do mundo - a Globo. A cidade é também o berço de diversas religiões de grande poder de difusão, como a Igreja Universal do Reino de Deus, do Bispo Macedo (a miliitância agressiva de Marte em Aquário) e a Umbanda, nascida na vizinha Niterói mas tendo no Rio seu centro irradiador (a preocupação com o social de Vênus em Aquário). O Rio foi também o polo difusor do rádio brasileiro, outra novidade aquariana. A mais importante emissora do país, a Rádio Nacional, funcionava aqui.

Casa 10 - O poder

Com Peixes na casa 10 dos governantes, o Rio jamais perdeu totalmente o vínculo com Portugal. Enquanto a aquariana São Paulo expressa a tentativa de criar uma identidade e um modelo de gestão realmente autônomos, Peixes no Meio do Céu do Rio fala de continuidade da cultura europeia e de cosmopolitismo. O Sol na 10 é um indicador da vocação da cidade para o poder, enquanto Plutão revela a capacidade de controle e de manipulação da opinião que o Rio sempre manteve mesmo perdendo a condição de capital federal.

Casa 11 - Os movimentos coletivos

Passeata dos 100 mil, 1968

Áries na casa 11, das associações, grupos políticos, esperanças e projetos coletivos, e seu regente Marte na 9, envolvido numa pesada oposição a Saturno em Leão (a autoridade), mostra por que o Rio tem estado na linha de frente dos protestos populares desde os tempos coloniais. A cidade tem uma forte tradição oposicionista. Na maior parte das vezes, ao longo da história, as lideranças cariocas estiveram do lado oposto ao do governo federal (o atual governador, Sérgio Cabral, é uma exceção - ao menos até o momento). No Rio ganharam força os grandes protestos contra o regime militar (na foto: a marcha dos 100 mil, em 1968), o movimento dos cara-pintadas em 1992, e confrontos ainda mais antigos, como a Revolta da Vacina, de 1904, e a Revolta da Chibata, em 1910. O Rio foi, aliás, um dos poucos lugares no Brasil onde Lula teve de ouvir uma sonora vaia (na abertura dos jogos Pan-Americanos de 2007).

Casa 12 - Por baixo do pano

Natal da PortelaO prático signo de Touro na discreta casa 12 mostra que na capital carioca o dinheiro costuma andar de braços dados com a contravenção. Os primeiros grandes problemas da cidade, desde o período colonial, foram a prática indiscriminada do contrabando e da sonegação. O honesto governador-geral Luís Vahia Monteiro (1725-1732), conhecido como "o Onça" (daí a expressão "no tempo do Onça"), desabafou uma vez dizendo que "nessa cidade todo mundo rouba, menos eu". No século XIX a contravenção se organizou em torno do jogo do bicho e, já no final do século XX, a criminalidade atingiu um poder de organização similar ao de um Estado dentro do Estado.

O regente da 12, Vênus, em conjunção com Marte (a violência) e em oposição a Saturno (a autoridade constituída) é bem o retrato de uma metrópole onde muita gente chegou a não acreditar que o crime organizado um dia pudesse ser controlado. Bem a propósito, cabe observar que Vênus é ao mesmo tempo regente das casas 5 (espetáculos, festas) e 12 (submundo). Nada mais natural que, durante muito tempo, o financiamento das escolas de samba (e hoje de alguns bailes funk) venha diretamente da contravenção. Banqueiros do jogo do bicho como Natal da Portela (foto) tornaram-se patronos da arte e figuras recebidas em camarotes oficiais.

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