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Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 110 :: Agosto/2007 :: -

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ASTROLOGIA E MOVIMENTO ESTUDANTIL

O horóscopo da ocupação da USP

Um astrólogo do movimento estudantil

A Justiça: uma balança a favor?

Não sei se devo fazer alarde em relação ao otimismo desse aspecto, mas o trígono exato entre Saturno e Júpiter pode ser muito favorável ao movimento. Júpiter está, além de tudo, domiciliado em seu próprio signo, o que torna o trígono Júpiter-Saturno algo realmente favorável: traz um aguçado senso de Verdade e de Justiça aos estudantes envolvidos na Ocupação. Nesse contexto, a inconstitucionalidade dos decretos de Serra é flagrante: primeiro, o texto original de Serra era nebuloso e não fazia menção à autonomia universitária garantida pela Constituição. Em segundo lugar, a criação de uma Secretaria do Ensino Superior, que por si só, já é altamente polêmica, criada pelo artifício legal da mudança do nome da Secretaria de Turismo, é igualmente inconstitucional. Mas apesar das brechas legais utilizadas pelo governador, o trígono favoreceria a mobilização judicial dos estudantes. No entanto, como o trígono se dá com o pragmático Saturno, creio que os estudantes estão subestimando as vias legais formais, que deveriam ser mais exploradas, e não apenas a mobilização da Ocupação em si. Esse, aliás, é um interessante exemplo de como, assim como um indivíduo, um movimento tende a negligenciar muitas vezes seus próprios "dons especiais" indicados pelos trígonos.

Problemas com a autoridade

Já as quadraturas, por outro lado, parecem captar mais as energias dos estudantes: enfatizando o briguento Marte de casa 5, conjunto ao Urano rebelde, e o confronto declarado (casa 7) com o Sol conjunto ao Descendente. A quadratura Sol-Saturno indica a tensa relação do movimento com as autoridades e as dificuldades de negociação, que provavelmente se refletem não apenas em Serra, em Pinotti (Secretaria do Ensino Superior, recém-criada) e na reitora da USP, Suely Vilela, mas também na negação dos estudantes em serem representados ou influenciados pelo próprio DCE estudantil e também por partidos como o PSTU e o PSOL, que sempre atraíram estudantes de esquerda da USP. O termo "estudantes independentes" (isto é, não ligados a partidos políticos), que já era usado em outras greves da USP, está agora mais forte do que nunca. A tentativa desses partidos em influenciar os rumos do movimento e da Ocupação tem sido bastante reprimida pelo coletivo dos estudantes mobilizados independentes. Tais características, e ainda outras, do movimento têm levado jornalistas a indicarem um "novo movimento estudantil".

Foto acima: conflito de 1968 entre estudantes da USP e da Universidade Mackenzie. O movimento estudantil da USP tem uma longa trajetória de luta.

Um Novo Movimento Estudantil?


Figura 2
Sétimo harmônico (mapa H7) do horóscopo da Ocupação (mostrado na figura 1).
Urano está em oposição exata a Netuno neste mapa:
fortes traços idealistas de um novo movimento.

Mas o que me leva a crer que, independentemente de qualquer resultado desse movimento, teremos novas e profundas idéias plantadas na cultura universitária e no movimento estudantil? Sem dúvida, a oposição Saturno-Netuno é muito significativa. Bem como a força agressiva da conjunção Urano-Marte e sua captação súbita, como vimos. Tão súbita que chamou a atenção (ainda que sutilmente) de toda a imprensa que cobriu o assunto. Mas uma parte importante da resposta está numa análise de Astrologia Harmônica, aquela que procura ampliar os ângulos menores do mapa, com especial interesse em polígonos cujos números de lados são primos. Particularmente o sétimo desses mapas harmônicos (H7) traz uma oposição exata entre Urano e Netuno, denotando as fortes correntes coletivas presentes no céu do dia 3 de maio e que foram claramente "captadas de súbito" (Marte-Urano) pelos trezentos estudantes, que nem sequer pretendiam ocupar a reitoria, a princípio. A "energia" apresentada pelo horóscopo da figura 1 era tão significativa que simplesmente não passou "batida" pelo coletivo naquele momento. Durante o mês de maio vários movimentos sociais irromperam, provavelmente sob alguns desses mesmos traços celestes do dia três, inclusive a oposição Urano-Netuno do mapa H7.

A imprensa tem relatado a presença de cardápios vegetarianos dentro da Ocupação, bem como a presença do movimento negro. Outra observação interessante relatada pela jornalista Laura Capriglione, da Folha de S. Paulo, é o hábito que os estudantes cultivam de levar as mães para visitarem a reitoria ocupada. Às vezes, irmãos mais novos, especialmente no dia das mães, nesse mês de maio, para o qual foi produzido, pelos estudantes-ocupantes, dentro da reitoria, um vídeo, divulgado no YouTube.

Será que essas idéias marcarão os novos traços do movimento estudantil? Os horóscopos apresentados aqui indicam que sim. Mas também não creio que se deva fazer muito alarde a esse respeito: a semente ainda tem muito que crescer e, daqui a algumas décadas, apenas uma análise sutil do que está acontecendo hoje será capaz de detectar que essa pequenina planta estava, nesse momento atual, começando a sentir a presença da luz e a se orientar no espaço. Acredito que quando a planta estiver mais desenvolta e suas folhas estiverem mais nítidas nós perceberemos uma renovação do próprio marxismo, que provavelmente será uma subversão de seus valores para os marxistas mais ortodoxos. Claro, não creio que esta será a única dimensão das implicações do crescimento dessa planta, apenas fiz um recorte de interesse.

Alguns ciclos astrológicos da Ocupação

No dia 16 de maio, quando a Lua em trânsito fizera oposição exata à Lua natal da Ocupação, indicando um momento crucial na trama dos eventos, um oficial de Justiça entregou aos estudantes o documento de Reintegração de Posse, solicitada pela universidade. Desde então os estudantes passaram a aguardar a "visita" do Choque da Polícia Militar, e, em frente à reitoria, o que antes eram dois carros da imprensa passaram a ser vários, e também vários furgões bem equipados de diversos setores da imprensa: rádio, impressos e da TV. Estava tudo pronto para o "show".

Ora, se a semicircunferência do ciclo lunar marcou um momento de alta tensão para o movimento estudantil, então seria de se esperar que a circunferência completa marcasse o resultado final de um ciclo e um momento de relaxamento nessa lógica. De fato, 27 dias depois, no dia 30 de maio, a Lua retornou ao ponto original do dia 3 de maio. E nessa data aconteceu justamente uma importante vitória do movimento estudantil: a publicação do Decreto Declaratório número 1, pelo governo Serra. Oficialmente foi apenas um "esclarecimento", mas todos os intérpretes de esquerda, da conjuntura efetiva da disputa política entre estudantes e governo, foram unânimes em reconhecer aí um grande recuo por parte de Serra, que, nesse documento, abriu mão (pelo menos por agora) de alterar a estrutura de funcionamento das universidades. É curioso observar que o estudo do movimento da Lua nos revela claramente quais eram as partes envolvidas na luta política em questão. Assim, esse estudo mostra-nos que a freqüente tentativa dos meios de comunicação de massa para banalizar o movimento estudantil, esvaziando o seu sentido político, é não apenas imbecil, mas mostra também que a imprensa de massa executa, em muitos casos, exatamente o oposto daquilo que ela promete: ao invés de informar, ela ou deforma ou faz a propaganda de seus interesses sob o pretexto de estar noticiando fatos. E, quem diria, a Astrologia, a quem atualmente se atribui pouca credibilidade "acadêmica", mostra-nos de forma simples e direta a verdadeira conexão dos fatos que, curiosamente, coincide com a leitura que a própria esquerda faz dos fatos que se sucederam. Não creio, no entanto, que leituras astrológicas favoreceriam sempre os pontos de vista da esquerda, mas, no ponto particular em estudo, esse fato é tão nítido quanto um céu sem nuvens. Por outro lado, a direita parece acertar, por exemplo, quando rotula o movimento na Ocupação de inflexível, como comentei anteriormente, falando de Saturno.

O Ascendente em Escorpião da Ocupação

Nos mapas astrológicos de países e nações, o Ascendente costuma revelar como sua população parece, digamos, aos olhos de um visitante. Os estudantes da Ocupação são, como diz a imprensa de direita, "um grupelho" de "falsos estudantes". Deixando de lado certos preconceitos, poderíamos nos perguntar: de que maneira parece a Ocupação aos olhos de um visitante? Já discutimos a imagem pública do movimento (casa 10), mas note-se que visitar pessoalmente a Ocupação é, do ponto de vista da Astrologia, diferente da "imagem pública", por exemplo, através da imprensa. Quando lemos mapas astrológicos de pessoas, de indivíduos, o Ascendente em Escorpião costuma indicar uma pessoa reservada, forte, firme, auto-suficiente, misteriosa, magnética. A Ocupação representa um espaço tão reservado que a imprensa foi proibida de entrar lá e o acesso foi controlado (palavra-chave de Escorpião): só entra com carteirinha de estudante. Os jornalistas que conseguiram furar o bloqueio relataram depois que não era tão fácil permanecer lá dentro. Os militantes de partidos políticos infiltrados para executarem os planos maiores de seus partidos também encontraram resistências, e houve toda uma campanha contra esse tipo de "manobras políticas". Pelo Ascendente em Escorpião e pela quadratura Sol-Saturno, podemos ver que os estudantes da Ocupação são muito sensíveis a qualquer forma de controle, manipulação (Escorpião) ou autoridade (Saturno). E é, de fato, bastante curioso observarmos um encontro que existe entre o Escorpião ascendente da Ocupação e o Saturno da reitora Suely Vilela.

O Escorpião na carta astrológica da reitora

A atual reitora da USP, Professora Suely Vilela, tem sido muito criticada pelos professores de direita da universidade. Alguns deles acreditam que a reitora deveria ter tido "pulso firme" para reprimir os estudantes ocupantes, forçando a chegada do Choque da Polícia Militar, o quanto antes. Os estudantes de esquerda, muitos deles, manifestam ódio pela reitora pelo simples fato de ela representar a autoridade que representa, o que também é um erro que infelizmente faz parte da "cegueira" tão freqüente no movimento: confunde-se a luta política com a luta personalizada, o que é lamentável.

A reitora Suely Vilela é farmacêutica de formação, seus estudos de pós-graduação e de livre docência dirigiram-se para o estudo de toxinas e de venenos de cobras e escorpiões. A relação astrológica aqui é direta e literal: parece-me que há séculos a tradição astrológica vem associando os venenos ao signo de Escorpião. Assim que li o currículo Lattes da reitora na internet, esperava portanto que esse signo pudesse talvez exercer importante papel em sua carta astrológica. Não foi encontrado nada que fosse assim tão notável, embora o desconhecimento do horário de nascimento não nos permita a análise completa. De qualquer forma, o que se encontrou será suficiente para verificarmos o rigor do vínculo que há entre o horóscopo da Ocupação e a posição dos planetas da reitora.

As fontes disponíveis não eram muito seguras, mas parece que a reitora nasceu em 22 de fevereiro de 1954, na cidade mineira de Ilicínea (o nome da cidade vem de Ílice, do latim Ílex, e se relaciona a certos nomes de plantas da região). A carta de José Serra (19 de março de 1942, 2h - São Paulo - SP) está disponível no sítio de Constelar e a data de nascimento de Pinotti (20 de dezembro de 1934) foi obtida de recente edição do Jornal do Campus da USP.


Figura 3
Sinastria: o mapa interno é da Ocupação. A carta externa é da Profª. Suely Vilela (reitora) - 22.02.1954, na cidade de Ilicínea - MG, sem horário, com a Lua ajustada para o meio-dia.

Verificamos, assim, a posição de Saturno na carta levantada para a reitora, no signo de Escorpião, o que é conveniente, já que Saturno é um planeta de alta vocação científica. A oposição Sol-Plutão também reforça os valores de Saturno em Escorpião, mas, face à carreira científica da reitora, podemos supor a importância de Saturno em seu horóscopo, a despeito de ignorarmos o horário de nascimento. Tudo isso se torna bastante curioso quando observamos que o Ascendente do mapa da Ocupação coincide com a posição do Saturno em Escorpião da reitora. Ora, como o Ascendente indica a presença física e o nascimento de um ser, concluímos que a Ocupação, no sentido físico do termo, é o que sensibiliza a autoridade (Saturno) da reitora. Por outro lado, é notável que os Saturnos tanto de José Serra quanto de Pinotti são afetados simultaneamente pela Lua da Ocupação. Ora, essa Lua indica, não a ocupação física, mas os próprios estudantes ocupantes. A leitura que se faz então é esta: a dor-de-cabeça da reitora surge (especialmente) com o próprio evento físico da ocupação, enquanto, para Serra e para Pinotti, o incômodo está nos estudantes. Temos aqui uma sutil e básica diferença da aplicação dos pontos de força entre as partes envolvidas no conflito, que também se encontra curiosamente desenhada com precisão pela comparação dos mapas astrológicos das partes envolvidas. Essa diferença, por ser tão básica, dificilmente seria ponto de indagação, dessa maneira, em outros tipos de análises (não-astrológicas), mas aqui acaba aparecendo de forma rigorosa, curiosa e com um jeito todo próprio da Astrologia. É curioso notar também que o mapa da reitora está mais envolvido com o mapa da Ocupação do que o mapa de Serra ou de Pinotti. Mas é, sem dúvida, bastante interessante observar que os mapas das partes envolvidas nos conflitos, estão longe de se relacionarem de modo arbitrário. Ao contrário: guardam uma relação precisa entre si.

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