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Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 176 :: Fevereiro/2013

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TÉCNICA ASTROLÓGICA

Prevendo temporais desastrosos
com o método das reiterações

Fernando Fernandes

Um grande desastre natural, com impacto duradouro sobre a vida da população afetada, pode ser antecipado com a análise de diversos mapas de retorno. Quanto maior a quantidade de evidências astrológicas apontando na mesma direção, maior a possibilidade de que a previsão se realize.

Nas regiões do mundo sujeitas a desastres naturais de grande porte, como as enchentes periódicas do litoral brasileiro ou os furacões anuais do Golfo do México, uma preocupação comum a meteorologistas e astrólogos é desenvolver uma metodologia capaz de distinguir antecipadamente as ocorrências corriqueiras daquelas realmente devastadoras. Tempestades, por exemplo, ocorrem todos os anos. Mas tempestades como a que afetou a Região Serrana de Nova Friburgo em 2011, ou como o dilúvio que caiu sobre o Rio entre 5 e 8 de abril de 2010, definitivamente não são ocorrências normais. Haveria como prever astrologicamente a possibilidade de sua ocorrência?

Sandy

Estragos da tempestade tropical Sandy, em 2012. Acontecimentos desta magnitude sempre podem ser previstos com o uso de mais de um mapa.

Na verdade, o que não faltam são métodos, e com os mais variados fundamentos: ativações de mapas nacionais e de cidades, cruzamento de mapas de ingressos e eclipses com projeções de Astrocartografia, antigas técnicas de Astroclimatologia etc. Mas aqui, como em outras áreas de Astrologia, vale a regra enunciada pelo velho Morin de Villefranche no século XVII: quanto maior a quantidade de evidências astrológicas apontando na mesma direção, maior a possibilidade de que uma determinada previsão se concretize. Trata-se de uma regra que poderíamos chamar de princípio das reiterações, e cuja utilização prática contemporânea está evidenciada em dezenas de trabalhos - muitos deles publicados em Constelar.

Um bom exemplo é a metodologia que Raul V. Martinez propunha para a análise de potenciais desastres naturais, e cujo exemplo de aplicação está no artigo sobre o temporal que assolou o Rio de Janeiro em abril de 2010:

a) Levantamento e análise da carta radical da cidade, país ou instituição coletiva onde ocorre o desastre, complementado, se necessário, por um trabalho de retificação.

No caso do Rio de Janeiro, é preciso lembrar que a fundação ocorreu ainda na vigência do antigo calendário juliano, que tem uma diferença de dez dias com relação ao calendário gregoriano, adotado a partir de 1582. Assim, é comum que o Rio de Janeiro, fundado num dia 1º de março, tenha seu Retorno Solar (ou seja, seu aniversário verdadeiro) por volta do dia 11 de março. O mesmo fenômeno ocorre no cálculo do Retorno Solar da cidade de São Paulo (fundada em 25 de janeiro pelo calendário juliano, que corresponde a 4 de fevereiro pelo calendário atual).

b) Levantamento da Revolução Solar (também chamada Retorno Solar) vigente para a época em que ocorre o desastre. Trata-se de um mapa levantado para o exato momento em que o Sol retorna à posição em que se encontrava na carta radical. Este novo mapa é analisado tanto de forma isolada quanto em relação ao mapa radical.

c) Levantamento da Revolução Lunar (ou Retorno Lunar) vigente na época do desastre. Trata-se de uma carta calculada para o grau e minuto exato de localização da Lua na carta radical. Como a Lua tem um ciclo muito rápido, ela retorna à posição radical em média a cada 28 dias.

d) Levantamento do mapa de retorno do regente do Ascendente vigente na época do desastre. No caso do Rio de Janeiro, cujo Ascendente é Gêmeos, calcula-se o retorno de Mercúrio à posição ocupada na carta radical. Na prática cotidiana, normalmente se utiliza apenas o mapa de Revolução Solar, mas é possível levantar a carta de retorno de todos os demais planetas, especialmente em Astrologia Mundial. Cabe observar, contudo, que os retornos de planetas muito lentos só fazem sentido quando estamos trabalhando com períodos de tempo muito extensos. Exemplificando: o Brasil, cuja independência ocorreu em 1822, ainda não passou pelo seu primeiro retorno de Plutão! Portanto, o levantamento da carta de retorno do regente do Ascendente só agrega informação realmente útil quando trabalhamos com os planetas mais rápidos.

e) Levantamento do Retorno do Ascendente. Como o Ascendente de determinado local avança um grau aproximadamente a cada quatro minutos, todos os dias, e uma vez a cada 24 horas, o Ascendente retorna ao grau e minuto que ocupava na carta radical. O mapa calculado para o Retorno do Ascendente pode agregar informações para a compreensão de um desastre, tragédia ou evento coletivo de qualquer natureza.

O que é preciso buscar

Em sua análise Raul Martinez dá especial importância a três fatores:

a) Ênfase por signo e elemento - Dos quatro mapas analisados, além da carta de fundação da cidade, três apresentam um stellium em Peixes, signo do elemento Água e naturalmente associado a chuvas, inundações etc. O último mapa - o do Retorno do Ascendente - apresenta Júpiter (excesso, exagero) em Peixes (águas) no Meio do Céu.

b) Reiteração de configurações - A mesma configuração se repete em várias cartas? Olho nela, pois pode ser uma chave para interpretar ocorrências pouco usuais. Por exemplo: tanto no Retorno Solar do Rio de Janeiro para 2010 quanto no retorno do Ascendente para a data da tragédia do morro do Bumba, encontramos oposições Marte-Lua. Marte é um significador essencial de violência, enquanto a Lua fala de povo, agrupamentos humanos (aplicando-se especialmente a pessoas comuns) e residências. Efetivamente, a violência das águas matou quase uma centena de pessoas, e desalojou milhares. A ênfase na casa 9 também é notável: no seu mapa de fundação, o Rio tem Marte na cúspide da casa 9, que Raul associa às forças da natureza. Lua e Vênus também se encontram nesta casa. Pois a Lua volta a aparecer na casa 9 em nada menos que três dos quatro mapas correspondentes ao período da tragédia! E mais: em duas dessas cartas, Marte é angular, ocupando o Fundo do Céu.

São Luís do Paraitinga

Uma terrível enchente quase varreu do mapa, há poucos anos, a cidade de São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba. Quantas reiterações são necessárias para prever um acontecimento tão impactante?

c) Atenção para o contexto - É preciso abrir o leque de possibilidades de interpretação e traçar as analogias aplicáveis à natureza do planeta. Um bom exemplo é Júpiter, que, por ser considerado um planeta benéfico, tende a ser esquecido como significador de desastres naturais e tragédias sociais. Contudo, como lembra Raul em seu artigo, Júpiter é antes de tudo um significador daquilo que é grande. Indica exagero, hipertrofia, sempre amplificando o que é indicado pelos planetas com os quais faz contato. No Retorno Solar de 2010, Júpiter rege a casa 8 (morte, entre outras possibilidades) e está em conjunção com Mercúrio, regente do Ascendente do mapa de fundação do Rio de Janeiro. Nos dois mapas seguintes, do Retorno Lunar e do Retorno de Mercúrio, está em conjunção com a Lua (o povo lidando com algo muito grande - chuvas de proporções diluvianas). Já no Retorno do Ascendente da data da tragédia do Morro do Bumba, Júpiter está simplesmente angular, na posição mais elevada da carta.

Uma palavra adicional sobre o Morro do Bumba: esta tragédia não ocorreu dentro dos limites do município do Rio de Janeiro, mas sim na vizinha cidade de Niterói. Não deveria, portanto, ser estudada com base nos retornos do mapa de Niterói, cuja fundação ocorreu em data distinta? Sim, certamente seria um procedimento correto. Contudo, temos visto, em significativa quantidade de casos, que o mapa de uma grande metrópole é tão potente quanto o tamanho de sua área de influência. Niterói, como parte do chamado Grande Rio, ou seja, como município integrante da região metropolitana, também responde ao mapa da capital fluminense. A distinção, aqui, é sutil e nem todos os astrólogos concordarão com ela, mas pode ser resumida no seguinte:

  • No caso de acontecimentos de natureza exclusivamente local, utiliza-se o mapa da fundação da cidade onde o acontecimento se deu. Assim, a vitória deste ou daquele prefeito nas eleições municipais de Niterói devem ser vistas no mapa da fundação daquela cidade, e não do Rio de Janeiro.
  • Já no caso de acontecimentos que afetam toda a região metropolitana, é perfeitamente cabível utilizar o mapa de fundação da cidade principal, no caso uma capital (literalmente: a cidade que é a cabeça da região, sua porção mais importante).

A mesma lógica leva muitos astrólogos mundanos a utilizar o mapa pessoal do governante para fazer previsões para todo o país.

Vale a pena utilizar este método?

Antecipar desastres naturais com o uso simultâneo de tantas técnicas é possível, mas não é muito viável na prática. Por tratar-se de um método baseado em reiterações, seria preciso procurar configurações de risco no mapa mais amplo (o do Retorno Solar da cidade) e, posteriormente, buscar confirmação nos mapas mais específicos: treze mapas de Retorno Lunar, um mapa de retorno do regente do Ascendente e... 365 mapas de Retorno do Ascendente! Evidentemente, esse tipo de pesquisa só se tornará factível quando tivermos softwares capazes de analisar a ocorrência combinada de configurações em múltiplos mapas, a partir de múltiplos argumentos de busca e com o uso de múltiplas técnicas. No momento, ainda não dispomos de um software tão poderoso, e não há astrólogos em número suficiente e com tempo suficiente para fazer o trabalho manualmente.

Por isso, metodologias baseadas em reiterações, como a sugerida por Raul, tendem a ser utilizadas apenas a título de busca de uma explicação astrológica posterior aos fatos.

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