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Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 84 :: Junho/2005 :: -

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MEMÓRIA DA ASTROLOGIA BRASILEIRA

Ademar, astrólogo e "filósofo natural"

Fernando Fernandes e Equipe de Constelar

Um rápido perfil de Ademar Eugênio de Mello (1947 - 2005), estudioso e conferencista que ajudou a elevar as pesquisas em Astrologia e Ufologia no Brasil a outro patamar de seriedade.

No dia 8 de maio de 2005, por volta das 16h30, o astrólogo, astrônomo, matemático e ufólogo Ademar Eugênio de Mello faleceu em Santo André, cidade onde vivia. No dia seguinte foi cremado em São Paulo. Ademar vinha sofrendo há anos de uma séria doença degenerativa. O agravamento de seu estado levou-o à progressiva perda da visão e a dificuldades de locomoção, o que não o impediu, porém, de continuar a fazer aquilo que o transformou numa referência para muitos colegas: promover a interface entre o conhecimento científico e os saberes chamados místicos ou esotéricos. Na palavra bem informada e esclarecida de Ademar, alguns temas que ninguém antes se atreveria a levar a sério ganharam densidade e importância no discursos das paraciências.

Foto obtida por Anne Heloise no congresso Astrologia para um Novo Ser, promovida por Valdenir Benedetti, em São Paulo, em maio de 2000. Lembra Anne que "foi a única vez em que eu pude ouvi-lo, e foi muito bom. Na época ele já estava cego, e teve o apoio da esposa para passar os slides enquanto ele
falava. Foi muito bom."

Ademar era um dos maiores conferencistas do circuito "alternativo" brasileiro. Presença habitual em congressos e simpósios, seu repertório de palestras era dos mais variados, podendo abranger da física quântica a complicadas comparações entre o calendário maia e as medidas da Terra. Todavia, é bem provável que sua maior contribuição tenha sido mais metodológica do que temática: Ademar tinha formação e perfil de pesquisador, além de conhecimentos enciclopédicos. Quando desenvolvia um tema, fazia-o com um rigor racional típico do mundo acadêmico, se bem que sem o ranço de ceticismo que costuma caracterizar as academias oficiais. Por isso mesmo, era capaz de utilizar uma lógica cartesiana para defender teorias nada convencionais em áreas como ufologia e vida após a morte.

O que ufólogos, astrólogos, parapsicólogos e outros estudiosos aprenderam com ele é que é possível - melhor ainda, é imprescindível - utilizar as ferramentas da pesquisa científica para estender os limites dos saberes que a própria ciência se recusa a admitir como válidos.

Em maio de 2004, já bastante adoentado, Ademar concedeu entrevista à revista UFO, da qual foi colaborador habitual. Eis um pequeno trecho da apresentação:

Ademar Eugênio de Mello é um personagem extraordinário e raro dentro do limitado elenco de pensadores da atualidade. Possuidor de uma inteligência brilhante e uma notável capacidade de síntese, alia tudo isso a um invejável conhecimento em física, matemática, astronomia, astrologia, religiões, civilizações antigas, cabala e vários outros assuntos, o que o torna um dos mais completos estudiosos nesses temas. Ao ser indagado sobre como consegue conciliar uma bagagem científica, racional e analítica a uma formação transcendental, respondeu: "Acho que captei o espírito do que se chama de filósofo natural, um pesquisador aberto a qualquer estudo. Nós não podemos ficar restritos nem ao campo das ciências nem aos conceitos puramente filosóficos ou religiosos". (UFO, edição 99)

Mesmo doente, Ademar não deixava de participar de congressos e jornadas por todo o país. Poucas semanas antes do falecer, tinha seu nome anunciado como conferencista do I Fórum Nacional Espírita (21 a 24 de abril, Curitiba). No cartaz do evento era apresentado da maneira habitual: "Matemático, Astrônomo, Astrólogo, um dos principais expoentes das paraciências no Brasil." O tema desta que foi, provavelmente, a última palestra que preparou, era "Como a Física Quântica pode gerar um modelo do Espírito Humano". E o mesmo prof. Ademar também estava programado para um workshop especial de dois dias, no Auditório do Hotel Paraná Suíte, com o tema "O carma planetário e o destino dos povos".

Ademar era um palestrante habitual em eventos no Paraná, estado que visitava com freqüência. Entre 1° e 4 de maio de 1997 já estivera na mesma Curitiba para falar sobre "As mudanças no comportamento do sol e campo magnético da Terra: as profecias e os extraterrestres". O evento em pauta era a V Conferência Internacional de Ufologia. Naquele mesmo ano, Ademar foi um dos signatários de um documento que resultou em campanha nacional cujos primeiros resultados começam a aparecer agora: a Carta de Brasília, onde os ufólogos dão como certa a existência de discos voadores, sua origem extraterrestre, bem como sua atividade no planeta Terra desde os primórdios da humanidade. Nessa carta, os participantes do fórum de Brasília afirmam "ter conhecimento dos programas secretos do governo brasileiro de pesquisa de Objetos Voadores Não Identificados e solicitam a abertura ao público dos arquivos oficiais brasileiros sobre o tema".

Alguns depoimentos

Waldemar Falcão:

Estive com ele no Encontro para a Nova Consciência em Campina Grande há poucos anos, e foi um intercâmbio maravilhoso, como sempre eram as intervenções do Ademar. (...) Embora triste pela ausência física dele a partir de agora, fico feliz por vê-lo liberto das limitações que a matéria lhe impunha já há alguns anos. (...) Esta temporada em Campina Grande para mim fica como a minha última imagem dele, sentado a meu lado na mesa de Previsões e expondo com o brilhantismo de sempre suas idéias e percepções da vida e de seus ciclos. (Waldemar Falcão)

Fernando Fernandes:

A primeira vez que vi Ademar foi em 1981, num seminário sobre ufologia que aconteceu no IBAM, no Rio de Janeiro. O tema da palestra era o calendário maia e as profecias a ele associadas. A primeira impressão não foi das mais animadoras: ao contrário dos outros palestrantes, Ademar não tinha nada de "alternativo". De cabelo curto e rosto barbeado numa época em que todos os outsiders tinham longas barbas e cabelos esvoaçantes, sua aparência lembrava mais um burocrata bem alimentado... ou seria um professor de física? De qualquer forma, era difícil imaginá-lo com aquela pastinha de documentos participando de vigílias ufológicas ou tentando decifrar antigos hieróglifos. Bastaram dez minutos de palestra para que a impressão mudasse completamente. Ademar não apenas já havia hipnotizado a platéia como semeava idéias que realmente descortinavam novos horizontes. E, até onde sei, continuou a fazer o mesmo tipo de semeadura pelos 24 anos seguintes.

Carlos Hollanda:

(Ao cobrir para Constelar o evento Astrológica, em sua versão de 1999, promovido em São Paulo pela Gaia. Este comentário saiu originalmente em Constelar n° 18, de dezembro/99).

Ademar apresentou-se na Astrológica com o tema Astrologia e Física Quântica. Após um agradecimento emocionado à platéia e aos amigos que o vêm ajudando a vencer uma grande crise, Ademar deu início a uma seqüência que quase hipnotizou a platéia. Sua palestra teve, sobre muitos, o efeito de desfazer dúvidas, acrescentar informações, confirmar suspeitas, dar certezas e, sem dúvida nenhuma, deixar a todos com um estado de consciência acima do que estamos acostumados. Desde o início, enfatizou a importância de termos uma explicação plausível aos ouvidos mais céticos a respeito do modo de funcionamento da Astrologia e, segundo demonstrou, a física quântica parece ser a mais indicada. Unindo doutrinas religiosas e sistemas filosóficos como as linhas espíritas, a Kabbalah, Yoga e tantas outras, ficou bastante claro que dentro em breve a arte e a ciência irão novamente se encontrar, e os astrólogos podem vir a ser o elo.

O aquariano Ademar Eugênio

Ademar Eugênio de Mello - 15.2.1947, Santo André (?), SP - horário desconhecido.

Ademar nasceu em 15 de fevereiro de 1947. A carta solar calculada para as 12h dessa data mostra os planetas distribuídos por oito signos - uma indicação de interesses amplos e variados. Os aspectos tensos Sol-Júpiter e Marte-Plutão falam tanto da ousadia de explorar temas pouco convencionais quanto da profundidade com que isso era feito. Plutão, em especial, parece ter papel de destaque nesta carta, já que se situa também no ápice de um Yod (dois planetas em sextil que fazem quincunces a um terceiro). Como o Yod é uma configuração de ajustamento pelo esforço e como Plutão ainda recebe a conjunção de Saturno em Leão, o retrato que fica de Ademar realmente é o do investigador disposto a buscar as raízes profundas do conhecimento. Por outro lado, a quadratura Vênus-Netuno fala de idealismo e da busca pelo transcendente. Tudo isso somado à curiosidade aquariana e ao sentido cósmico de Mercúrio em Peixes ajuda a explicar por que Ademar dedicou boa parte de sua vida a pesquisar o contato com outras dimensões da realidade.

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