Constelar Home
menu
Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 103 :: Janeiro/2007 :: -

Busca temática:

Índices por autor:

| A - B | C - D | E - F |
| G - L
| M - Q | R - Z |

Explore por edição:

1998 - 2000 | 2001 - 2002
2003 - 2004 | 2005 - 2006
2007 - 2008 | 2009 - 2010
2011 - 2013 |

País & Mundo |
Cotidiano | Opine! |
Dicas & Eventos |

PRESSÁGIOS 2007

A insustentável leveza do ano novo

Fernando Fernandes

O ano novo começa leve e com a marca esperançosa de Júpiter. Pouco a pouco o chamado da realidade mostrará que a verdadeira função de 2007 é preparar caminho para os acontecimentos de 2008-2010, quando viveremos alguns dos momentos mais decisivos das últimas décadas.

Previsões astrológicas de ordem coletiva são, antes de tudo, um trabalho de conjugação de várias técnicas, como eclipses, ingressos solares (mapas para o ingresso do Sol em Áries, em março, com uso das coordenadas geográficas da capital do país que se pretende analisar), ciclos planetários (conjunções, quadraturas e oposições de planetas lentos, entre si) e ativações de cartas nacionais. Cabe observar, todavia, que mesmo a aplicação conjugada dessas técnicas não garante que o astrólogo poderá chegar a resultados precisos, do ponto de vista factual. Ocorre que, sendo linguagem de cunho analógico, a Astrologia oferece, para cada configuração analisada, uma vasta gama de possibilidades de tradução. Assim, em vez de tentar antecipar fatos detalhados, cabe ao astrólogo estabelecer um quadro amplo e verossímil de possibilidades, traçando cenários coerentes e tentando captar o "clima" geral do período considerado.

Otimismo e tempestades

O ingresso de Júpiter em Sagitário, desde dezembro de 2006, e seu trígono com Saturno prometem para 2007 uma trégua no clima pessimista que se verifica no mundo desde o atentado às torres gêmeas do World Trade Center, em 2001. Contudo, isso não significa o desaparecimento das tensões hoje existentes, pois todo o primeiro semestre é marcado pela oposição Saturno-Netuno no eixo Leão-Aquário, a que se soma a quadratura Júpiter-Urano durante boa parte do ano. A desconfiança mútua entre o Ocidente e o mundo islâmico deverá persistir, assim como eventuais explosões de violência consubstanciadas em atos terroristas e conflitos localizados. Mas haverá no ar uma perspectiva mais amena, uma expectativa de crescimento econômico e uma tentativa de resgate da importância da diplomacia e das instituições multilaterais - o que inclui a própria ONU.

Contudo, permanece o vazio de lideranças capazes de atuar como referências políticas e éticas para o mundo. Sob este aspecto 2007 não verá emergir nenhum novo governante do porte de um Gorbachev, de um Nelson Mandela ou de um João Paulo II. Durante mais algum tempo ainda predominarão no comando das mais importantes nações do planeta figuras medíocres, extravagantes ou realmente perigosas, dando vida ao que há de pior no trânsito de Saturno por Leão. [Na foto, um governante que consegue ser tudo isso ao mesmo tempo: o ditador norte-coreano Kim Jong Il, em retrato oficial.]

A quadratura entre Júpiter (significador de raios e trovões) e Urano (significador de ventos), potencializada por eclipses e trânsitos de planetas rápidos, pode indicar fortes transtornos climáticos, com um aumento em todo o mundo de ventanias, furacões e tormentas, que tendem a manifestar-se de forma rápida, imprevisível e com efeito devastador. Como Urano ainda se encontra em Peixes, as regiões litorâneas serão as mais afetadas.

A oposição Saturno-Netuno sinaliza aumento de casos de contaminação ambiental, inclusive com comprometimento de reservas até agora consideradas intocadas. O risco para os "santuários naturais" aumenta após setembro, com o ingresso de Saturno em Virgem [1], e a crise ambiental passará a ter contornos realmente dramáticos a partir de 2008, com o ingresso de Plutão em Capricórnio.

A tônica das relações internacionais altera-se substancialmente a partir de novembro/dezembro de 2007, com a conjunção Júpiter-Plutão no último grau de Sagitário. Esta conjunção ativa todas as questões resultantes do fim da "cortina de ferro" e do desmembramento da antiga União Soviética. Pode-se esperar na Europa Oriental, assim como na região do Cáucaso e na Ásia Central, a ocorrência de alguns "acertos de contas" relacionados a fronteiras litigiosas e conflitos étnicos. A possibilidade de conflitos étnicos está, aliás, reforçada pela entrada de Saturno em Virgem a partir de setembro. Basta recordar que os trânsitos anteriores de Saturno por esse signo estiveram relacionados à eclosão de ondas de nacionalismo em diversas partes do mundo: no Irã, em 1979; na China, em 1949; na Turquia, em 1921; e em vários pontos da Europa (Bélgica, Grécia etc.) em 1830.

O ano de 2008 tende a ser, aliás, sob todos os aspectos, mais tenso, mais sombrio e mais perigoso do que o de 2007. O ingresso de Plutão em Capricórnio deverá trazer à tona dificuldades de toda ordem para as grandes potências, contribuindo para o esfacelamento do poderio americano e implicando sérios riscos para a unidade européia. Como o território da China abriga uma grande diversidade étnica e lingüística, as minorias deverão insurgir-se também naquele país, pressionando por maior autonomia política e maior liberdade de expressão cultural.

Assim, o período que se inicia a partir de 2008 e que se estende até 2013 deverá assistir a uma profunda reformulação da distribuição mundial de poder, ainda mais profunda do que aquela ocorrida entre 1988 e 1993, com a derrocada soviética. Se o atual trânsito de Plutão em Sagitário, iniciado em 1995, trouxe à tona escândalos e práticas condenáveis no seio de instituições regidas por esse signo, como a Igreja e o Poder Judiciário, a passagem de Plutão por Capricórnio ativará diretamente outro tipo de ambiente: as estruturas administrativas do Poder Executivo - a "máquina de governo", portanto - e o universo das corporações produtivas, especialmente os conglomerados de grande porte e fortemente hierarquizados.

Lembrando que Capricórnio é um significador de estruturas geológicas, a entrada de Plutão neste signo permite também prognosticar aumento de atividade sísmica nas áreas tradicionalmente instáveis do planeta, especialmente em torno do Japão.

Um ano uraniano para o Brasil

Todavia este significado geral não se aplica de forma idêntica ao Brasil, onde o ingresso de Plutão em Capricórnio ganha contornos muito particulares por ativar a conjunção Urano-Netuno na casa 11 do mapa da Independência. Como esta é exatamente a casa significadora do Congresso Nacional, a tradução do trânsito é: ou o Congresso promove, por iniciativa própria, uma profunda transformação em seu modus operandi ou os parlamentares eleitos em 2006 correm o sério risco de não terminar o mandato . Um trânsito de natureza semelhante - a quadratura de Plutão a Urano-Netuno da Independência - ocorreu durante o governo Médici, período em que o Congresso funcionou, na prática, sob a pesada tutela do Executivo. O auge do trânsito é o ano de 2009, mas seus efeitos já se farão sentir desde o final de 2007 - podendo até mesmo ser antecipados em decorrência do pesado mapa do ingresso solar de 20 de março.

Ingresso Solar 2007 para o Brasil - 20.3.2007, 22h07 - Brasília, DF - 047w55, 15s47.

Se trabalharmos com uma perspectiva de curtíssimo prazo, enfocando apenas os primeiros meses de 2007 para o Brasil, temos quatro mapas a considerar: o da posse de Lula e dos novos governadores, em 1º de janeiro de 2007; o do eclipse lunar de 3 de março; o do ingresso solar de 2007, em 20 de março; e a revolução solar do mapa do Descobrimento do Brasil, que neste próximo ano ocorrerá no dia 2 de maio.

A posse de Lula para o segundo mandato - já analisada em outro artigo - teve lugar em Brasília às 16h20min35s do dia 1º de janeiro de 2007 (horário de verão). Apenas para destacar alguns pontos principais, Lula assumiu sob um mapa onde Netuno, significador de preocupações sociais, mas também de ilusões e escândalos, aparece de novo como planeta mais elevado (tal como já ocorrera em 2003). Netuno está oposto a Saturno (a secura, o limite, a escassez) no Fundo do Céu, ângulo que representa não apenas o povo como também os grupos que constituem a oposição ao presidente. Teremos, pois, mais um mandato em que o governante máximo enfrentará uma oposição dura e restritiva, sempre empenhada na busca de novos indícios de corrupção. Como o mapa também apresenta a Lua, significadora do clima emocional coletivo, na casa 1 e oposta a Marte, o quadro de tensão torna-se ainda mais nítido, indicando uma opinião pública agitada, volúvel e impaciente, além de muito sensível às denúncias da imprensa, que viverá uma fase especialmente agressiva.

A ênfase na casa 8 destaca o orçamento público, a previdência social e a gestão da dívida pública como os grandes temas polêmicos do segundo mandato. De qualquer forma, o mapa mostra um governo confuso e travado, com pouca autonomia, que em alguns momentos tenta ser mais decidido e atuante e enfrenta por isso reações intensas.

Astróloga portuguesa vê crise no eclipse

A astróloga portuguesa Helena Avelar, praticante de Astrologia Tradicional, lembra que o eclipse lunar de 3 de março ativa em cheio o Sol da Independência do Brasil, indicando a possibilidade de um "eclipse" de figuras de autoridade no país (o Sol é significador de governantes, líderes). [3] É um momento em que a revelação de acordos de bastidores ou de conexões escusas envolvendo figuras poderosas pode mergulhar o país em (mais) uma crise. Acrescenta Helena que o ingresso solar de 20 de março não contribui para aliviar o quadro, pois mostra um ano em que a elite dirigente do país estará enfraquecida e enfrentando fogo cerrado. Basta observar que o regente do Ascendente será Marte (considerando regências tradicionais), que estará em Aquário na casa 4 fazendo oposição a Saturno na casa 10.

Eclipse de 3 de março de 2007 (círculo externo) ativando a carta da
Independência do Brasil: o Sol do país estará eclipsado e "uranizado".

Desafio ao poder constituído

Quando levamos em conta os planetas modernos nos mesmos mapas, o quadro de confronto revela-se ainda mais claro: no caso do eclipse de 3 de março, a configuração também envolve Urano, sempre um fator de turbulência. Já no mapa do ingresso solar, aquele Marte, regente do Ascendente, estará em conjunção com o sempre escorregadio e enganoso Netuno. A configuração traz à tona também a questão da segurança pública, que representará uma preocupação constante ao longo de todo o período (até março de 2008).

A revolução solar do Descobrimento do Brasil, em 2 de maio, sinaliza um ano de reiteração de um conflito tão velho quanto a própria colônia: a gestão do interesse coletivo em confronto com a preservação de privilégios de grupos poderosos.

Revolução solar de 2.5.2007 para a carta do Descobrimento do Brasil
(22.4.1500, 16h53 LMT, ao largo do Monte Pascoal, Bahia). A diferença de data deve-se
à mudança de calendário, do juliano, então vigente, para o gregoriano.
Observar Plutão, Júpiter e Vênus, todos significadores financeiros, envolvidos em
aspectação tensa, assim como a presença de Marte-Urano na casa 10.

O ponto em comum de todos os quatro mapas é a ênfase em Urano, planeta significador de mudança, turbulência e de ruptura com o status quo. Momentos excessivamente uranianos (e cabe lembrar que este planeta está, no momento, em oposição ao Sol da Independência do Brasil) não costumam ser confortáveis para o poder estabelecido, nem favorecem a estabilidade e a continuidade administrativa. Em situações extremas, Urano pode indicar boicotes, desobediência civil, assim como o risco de enfrentamentos armados e atos de violência. A chance de Lula não ser levado de roldão pela maré uraniana é assumir ele próprio um papel compatível com a natureza do planeta, o que implicaria liderar um amplo movimento de reformas com o objetivo de modernizar e moralizar o país, dando mais transparência à administração e mais efetividade aos gastos públicos.

NOTAS

[1] Virgem é um signo que, por analogia, rege reservas naturais puras, não contaminadas, enquanto Netuno é um significador de contaminação e de introdução de fatores artificiais e poluentes. Na alimentação, por exemplo, Virgem rege a comida natural, os produtos integrais (especialmente grãos), enquanto Netuno e Peixes guardam relação com os aditivos químicos de todo tipo. Saturno em Virgem trará, por um lado, a valorização da alimentação saudável e sua maior difusão; por outro lado, fragilizará suas fontes de produção.

[2] A mesma idéia já está antecipada no artigo Os deuses não gostam de pizza, em Constelar de janeiro/2006.

[3] O depoimento completo de Helena Avelar faz parte do CD de áudio do evento Presságios2007, produzido por Constelar.

Outros textos de Fernando Fernandes.

Comente este artigo |Leia comentários de outros leitores



Atalhos de Constelar 103 - Janeiro/2007 | Voltar à capa desta edição |

Presságios2007 - Previsões para o Brasil e o mundo
Fernando Fernandes - Presságios2007 | A insustentável leveza do ano novo |
Silvia Ceres - Presságios2007 | Uma panorâmica de 2007-2008 |
Viviana Rodriguez - Bolívia e Venezuela | Os poderosos chefões |
Raul V. Martinez - Presságios2007 | Éris na carta dos Estados Unidos |
Fernando Fernandes - O Brasil em 2006: sem avião e sem calcinha | O Brasil sem calcinha | O Brasil sem avião |

Edição anterior:

Equipe de Constelar - Que signo é regido por Éris? | Um pouco de mitologia |
Raul V. Martinez - Éris, novo regente de Touro? | Aplicando Éris em situações atuais | Éris no mapa de personalides | Um símbolo para Éris |
Marcelo "Cronos" Brasil - Comportamento | Gêmeos e o Império da Lógica |
Silvia Ceres - Astrologia e Filosofia | Confúcio ou o ideal de Libra |


Cadastre seu e-mail e receba em primeira mão os avisos de atualização do site!
2013, Terra do Juremá Comunicação Ltda. Direitos autorais protegidos.
Reprodução proibida sem autorização dos autores.
Constelar Home Mapas do Brasil Tambores de América Escola Astroletiva