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do artigo | Parte 2
Marte, sexualidade frustrada e atitudes distorcidas
A competitividade pela atenção começa
a funcionar como um distorcedor de Marte. Por isso, usamos Marte muitas
vezes como um agente de agressividade, competição, atitudes
distorcidas, tonus inadequado, sexualidade pervertida ou frustrada
e tudo mais, porque o Sonho do Planeta muitas vezes não tem a vibração
sintonizada com nossa Natureza Essencial.
O sonho exterior captura nossa atenção
e nos ensina em que acreditar, começando com a linguagem que utilizamos.
A linguagem é o código para entendimento e a comunicação
entre os seres humanos. Cada letra, cada palavra em cada linguagem é
um acordo. (...) Uma vez que se compreenda o código, nossa atenção
é capturada e a energia é transferida de uma pessoa para
outra.
Bem
demonstrado neste parágrafo o condicionamento de nosso Mercúrio.
Na verdade, toda a casa III está envolvida na questão: seu
regente, os planetas que estão lá, o signo da casa III etc.
Esquerda: capa da edição
americana do livro The Four Agreements, de Don Miguel Ruiz. Outras ilustrações
desta página são ampliações de detalhes da
capa.
Podemos considerar que, por ser a IX da VII , a casa III
corresponde ao "conhecimento do outro" e, por ser a VI da X,
corresponde ao método, aos rituais que o mundo externo utiliza
para se manifestar. Curiosamente, este método através do
qual o mundo cristaliza-se em nossa vida é o discurso, a palavra,
o mundo das idéias, os padrões de descrição
e elaboração mental da realidade. Isto torna o "mundo
exterior em nós" uma idéia, uma descrição.
Essas conotações da casa III mostram bem o
mecanismo da imposição e de como acabamos utilizando nossa
inteligência, discurso e capacidade de expressão como um
mecanismo condicionado para alimentar constantemente através das
explicações o Sonho do Planeta, que na verdade é
um grande discurso, um imenso blá-blá-blá.
Os acordos são estabelecidos, ou melhor, são
impostos à mente da criança, e só resta a nós
entender o mundo através dos códigos que nos foram impingidos.
Não foi sua escolha falar português.
Você não escolheu sua religião e valores morais -
eles já existiam antes de você nascer. Nunca tivemos a oportunidade
de escolher em que acreditar ou não acreditar. Nunca escolhemos
nem ao menos o menor desses acordos. Não escolhemos ao menos nosso
próprio nome.
É interessante observar que os valores que se estabelecem
em nosso ser Lunar, e que se expressam e são absorvidos através
de Mercúrio, contêm uma série de referências
e argumentos para se "auto-alimentarem".
Podemos perceber isto exatamente agora, quando nos perguntamos:
"quem disse que este D. Miguel está certo? De onde ele tirou
esta idéia maluca de Sonho do Planeta? Então não
existe realidade? Etc, etc..."
Os
contra-argumentos mercurianos, dentro do modelo do Sonho do Planeta, são
sempre negar qualquer evidência deste próprio sonho,
dizer que é coisa de maluco, que não é "científico";
e nesta contra-argumentação, percebemos o quanto a função
mercuriana é uma expressão, uma extensão da atividade
lunar, pois são os condicionamentos mais profundos e inconscientes
que oferecem os argumentos que utilizamos para justificar a manutenção
de qualquer coisa, até o sofrimento, até a acomodação
no estado de não sermos nós mesmos e sim o "desejo",
a ração, o alimento mantenedor do Sonho do Planeta, aquele
que foi sonhado há muito tempo antes de nós, e que nos continua
possuindo.
Quando crianças, não tivemos oportunidade
de escolher nossas crenças, mas 'concordamos' com a informação
que nos foi passada sobre o sonho do planeta por intermédio de
outros seres humanos. A única maneira de armazenar informações
é por acordo. O sonho exterior pode captar nossa atenção,
mas se não concordarmos, não armazenamos essa informação.
Assim que concordamos, 'acreditamos', e isso é chamado de fé.
Ter fé é acreditar incondicionalmente.
Somente acreditamos e fazemos este acordo porque a sobrevivência
física depende disto! Só nos é dada a ração,
o leite, o pão, o afeto, o reconhecimento, se aceitarmos o acordo,
e é assim que se subjuga a criança dentro de nós,
é assim que se condiciona a função lunar para que
ela seja uma expressão de um sonho que não é o nosso.
O dispositor da Lua (o planeta que rege o signo onde a Lua se encontra,
sua casa e signo) representa as condições e o mecanismo
de imposição de um modelo formativo da personalidade. São
os termos do acordo, as cláusulas do contrato que, se não
aceitarmos naquele momento, sugerem os primeiros castigos, as primeiras
perdas, a primeira dor. Só nos resta concordar então.
Crianças acreditam em tudo o que os adultos
dizem. Concordamos com eles, e nossa fé é tão forte
que o sistema de fé controla todo o nosso sonho de vida. Não
escolhemos essas crenças, e poderíamos nos ter rebelado
contra elas, mas não tivemos força suficiente para realizar
essa rebelião. O resultado é ceder às crenças
com nosso 'consentimento'.
As crianças acreditam, ou seja, dão um crédito,
porque elas não tem ainda conhecimento da mentira. A gente dá
um crédito quando não tem convicção de nada,
e a convicção é um estado de quem tem conhecimento.
Apenas quando temos "conhecimento" real de algo, podemos agir
com convicção, em vez de agir com fé.
Por isso, a maioria das religiões institucionalizadas
- aliás, a maioria das instituições, sejam econômicas,
políticas, familiares, sociais ou religiosas - tem interesse em
que as pessoas acreditem em seus dogmas e verdades, pois só com
fé a gente pode aceitar certas mentiras que, por exemplo, os políticos
e economistas contam para manter seu Sonho de Poder, uma das maiores características
do Sonho do Planeta. A mesma fórmula é usada com as crianças
por pais que acreditam neste sonho, que têm fé nele, pois
quem tem sabedoria, tem também convicção, e raramente
seria conivente com o sonho dos outros, com a ilusão.
Para rebelar-se é necessário o Conhecimento
das Leis Naturais, é necessário sair da ilusão do
Sonho do Planeta, do Maya, e agir com Convicção.
Para
isto a Astrologia pode ser muito boa. Mas infelizmente nós (astrólogos)
também fomos convencidos na infância de que o bom e o certo
é o Sonho do Planeta, e nossos conseqüentes Sonhos Pessoais.
Por isso a Astrologia acadêmica e "tradicional"
é apenas um instrumento para alimentar a grande ilusão e
manter-nos atrelados a ela, talvez até felizes dentro dela.
Todo o discurso astrológico é sustentado pelas nossas crenças,
pela idéia de que o que vemos e sentimos é a realidade verdadeira.
Aprendemos a acreditar que o mundo é o que nos descreveram na primeira
infância, e não concebemos outra possibilidade. Intuímos
que existem outras dimensões, que existe uma "realidade"
possível além de Saturno, além da estrutura visível
e palpável, mas insistimos em reduzir esta "realidade"
a denominadores comuns atrelados à manutenção do
Sonho do Planeta, e acabamos por usar a Astrologia como um recurso adicional
para reforçar este Sonho, em nós e nos outros.
Na domesticação de seres humanos, a
informação do sonho exterior é conduzida para o sonho
interior, criando nosso sistema de crenças. Primeiro a criança
aprende o nome das pessoas e das coisas: mamãe, papai, leite, garrafa.
(...) O sonho exterior nos ensina a ser um ser humano. Temos um conceito
completo sobre o que é uma "mulher" e o que é
um "homem". Também aprendemos a julgar: julgamos a nós
mesmos, julgamos as outras pessoas, julgamos os vizinhos.
Os conceitos que nós humanos desenvolvemos do que
é uma "mulher" ou um "homem", por exemplo,
são representados genericamente pelo Sol e pela Lua em nosso horóscopo.
Daí que tudo que dizemos sobre o Sol e a Lua em termos de descrição
de Pai, Mãe, masculino e feminino, está condicionado ao
que o Sonho do Planeta nos ensinou, está vinculado aos conceitos
de uma realidade que não é real. Daí que de pouco
ou nada servem - ou servem apenas à manutenção do
Sonho.
Mas
percebam como é complicado nos atrevermos a questionar as definições
que damos a Sol e Lua no horóscopo. Estamos tão submersos
no Sonho tão lógico e coerente que nos foi imposto que se
torna inconcebível e tremendamente arriscado nos atrevermos a afirmar
que talvez o Sol e a Lua possam ter outros significados além daquele
aceitável dentro do plano do Sonho. Quem se arrisca?
O "julgamento" que fazemos é na verdade
uma projeção do significado dos símbolos como eles
se manifestam em nós, vinculados aos condicionamentos. Isto serve
tanto para a descrição astrológica das configurações,
dos signos e símbolos no horóscopo, quanto para a percepção
que cada um de nós tem de si mesmo.
O Julgamento na verdade é uma projeção
de expectativas, e a manifestação do simbolismo astrológico
em nossa vida comum é manifestada e potencializada pela expressão
de expectativas representadas por esses mesmos símbolos. Isto cria
o mecanismo chamado "projeção".
O outro
e a separatividade
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