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Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 116 :: Fevereiro/2008 :: -

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ASTROLOGIA E SIMBOLISMO

Astrodramaturgia e o caso "Cinderela"

Eduardo Loureiro Junior

3. Resumo da estrutura narrativa

O processo inteiro pode ser resumido no quadro a seguir.

ASPECTOS ESTRUTURA NARRATIVA
Conjunção Mundo cotidiano: rotina
Semi-sextil (30º) Chamado: evento desestabilizador
Sextil (60º) Auxílio: orientação
Quadratura (90º) Passagem: início da mudança
Trígono (120º) Ventre: encanto com a mudança
Quincunce (150º) Caminho de provas: adaptação
Oposição Encontro: confronto
Quincunce (210º) Tentação: ajustes
Trígono (240º) Sintonia: percepção do todo
Quadratura (270º) Apoteose: concluindo a mudança
Sextil (300º) Bênção: antevendo um novo começo
Semi-sextil (330º) Fuga/resgate: diluindo o processo

Cabe observar que essa estrutura astrodramatúrgica vale mesmo quando o Sol não é um dos planetas envolvidos no aspecto, afinal cada personagem é o herói de sua própria aventura. Se a identificação e a transformação maiores referem-se ao Sol, isso não implica que os outros personagens permanecerão imutáveis. O mesmo vale para o mapa astral: embora o foco principal da transformação pessoal seja o Sol, as outras energias representadas pelos demais planetas também sofrerão modificação, bem como as pessoas em quem o cliente costuma projetar essas energias.

4. O mapa de Cinderela

Retrato do escritor Charles Perrault (1628-1703) pelo pintor Philippe Lallemand (1636-1716). Perrault é o autor de A Bela Adormecida, Cinderela e O Pequeno Polegar.

Aplicaremos agora o que foi exposto acima a um caso concreto. Uma criança a que nos coube fazer o mapa astral. Interpretando-o, descobrimos muitas correspondências com a história de Cinderela. Trataremos de expor tais correspondências baseando-se em três versões da história: a de Charles Perrault (2000), do séc. XVII, a dos irmãos Grimm (2003), do séc. XIX, e a de Walt Disney (1950), do séc. XX. Neste artigo, não enfatizaremos as diferenças entre as versões, em vez disso as compreenderemos como variações de uma mesma unidade simbólica.

O mapa astral de que trataremos é o seguinte.

O Sol encontra-se em Virgem (o signo do serviço e da purificação) e seus aspectos mais exatos são em relação à Lua (conjunção) e a Plutão (quadratura de 90º). O aspecto mais exato tanto da Lua quanto de Plutão é a quadratura entre eles. Logo vemos que a mãe acompanhará o herói durante toda a sua aventura (Lua conjunta ao Sol) e que essa relação será marcada por mudanças trazidas pela morte (Plutão em quadratura a Sol e Lua). Essas mudanças ativarão a função dramática do camaleão, possibilitando que a Lua se metamorfoseie. A mãe de Cinderela morre logo no começo da história, não antes de dizer à filha que se mantenha boa e piedosa e de prometer-lhe que, lá do céu, sempre velará por ela. A mãe camaleônica então se transforma numa madrasta terrível, embora dissimulada, que mantém o padrão virginiano obrigando Cinderela a conservar a casa sempre limpa. Interessante observar que, seguindo a lógica de Bettelheim (1980) em sua psicanálise dos contos de fadas, a madrasta é a própria mãe vista com olhos de ódio por uma filha ciumenta do pai.

Menina com mapa análogo ao de Cinderela
21.09.2006, por volta de 21h (-03:00)
Fortaleza, CE.

Próximo ao Sol, logo depois do limite da conjunção, encontramos uma conjunção Marte-Mercúrio em Libra, que bem descreve as duas irmãs postiças de Cinderela, caracterizadas por sua preocupação estética e pelo espírito aguerrido. Mercúrio tem seu aspecto mais exato em relação a Netuno (um trígono de 240º), na cúspide da X casa, e grande parte da comunicação na história gira em torno do sonho romântico da ascensão social, que as irmãs, principalmente, têm como certo. Sol, Lua, Marte e Mercúrio estão na quinta casa, a casa da expressão e, especialmente na versão de Walt Disney, isso é expresso pelos ensaios musicais empreendidos tanto pelas irmãs quanto pela própria Cinderela.

Do outro lado do Sol, no limite da conjunção, temos Vênus, cujo aspecto mais exato é um semi-sextil (de 30º) com Saturno na cúspide da 4ª casa. A autoridade é fria, ausente, embora tenha papel importante na história, seja personificado pelo Rei (que é quem cria a situação do baile) seja pelo pai que (com Saturno fazendo 330º em relação a Vênus), tenta resgatar a feminilidade da filha aprisionada aos serviços do lar (Vênus em Virgem na 4ª casa) em dois momentos. Primeiro ao perguntar às filhas o que queriam que ele lhes trouxesse da feira: as filhas da madrasta pediram vestidos enquanto Cinderela pediu um ramo de árvore (que plantaria no túmulo de sua mãe, onde lhe apareceria mais tarde uma pomba-falante). A segunda tentativa de resgate foi no final da história, quando o pai falou ao príncipe que tinha uma filha de um primeiro casamento que poderia experimentar também o sapatinho de cristal. Foi o reconhecimento do pai que resolveu a história a favor de Cinderela.

Netuno na 10ª casa, que é o foco para onde se dirige a historia, tem como aspecto mais exato uma quadratura (de 270º) com Júpiter na sexta. É um sapato que encaixa em um pé (Netuno) que fecha a mudança em relação à enorme quantidade (Júpiter) de tarefas (na casa 6) com que Cinderela tem que lidar.

Urano, regente da 10ª casa e situado nela mesma, tem seu aspecto mais exato com Júpiter, um trígono de 120º. Para realizar suas muitas tarefas, Cinderela conta com a ajuda de seus amigos marginais: passarinhos, ratos, cachorros. E esses mesmos amigos compartilham da ascensão social obtida por Cinderela: pelos encantos da fada-madrinha, eles são promovidos e se transformam em animais mais complexos ou mesmo em seres humanos.

O próprio objetivo da história como um todo, em associação com o Nodo Norte em Peixes na 11ª casa, parece ser o da criação de uma comunidade de fantasia em oposição à expressão individualizada de serviço (Nodo Sul em Virgem na 5ª Casa) do mundo cotidiano inicial.

E aqui termina nossa breve tentativa de associação entre Astrologia e Dramaturgia. Devido ao espaço reduzido, foram apresentados apenas rápidos delineamentos seja da proximidade teórica entre astrologia e dramaturgia, seja da comparação entre seus elementos. Também a apresentação do caso de exemplo restringiu-se a poucos pontos-chave da história de Cinderela, não se estendendo para a interpretação relativa ao destino da criança real. Queríamos, entretanto, deixar registrada uma introdução à Astrodramaturgia que, embora pequena, desse conta de sua totalidade essencial. Em futuros trabalhos, desenvolveremos a idéia com mais detalhes.

De todo modo, mesmo com essa rápida introdução, julgamos estar abrindo um caminho que será muito frutífero para a astrologia, tanto no que se refere à compreensão de sua simbologia quanto no que está mais ligado à prática cotidiana de interpretação.

REFERÊNCIAS

ARISTÓTELES. Poética. Coleção: Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fadas. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.
CAMPBELL, Joseph. O herói de mil faces. São Paulo: Pensamento, 1999.
CINDERELA. Direção: Clyde Geronimi, Wilfred Jackson e Hamilton Luske. Walt Disney Pictures, 1950.
PERRAULT, Charles. Cinderela. São Paulo: Rideel-Celebris, 2000.
GRIMM. A gata borralheira. São Paulo: Paulus, 2003.
PROPP, Vladimir. Morfologia do conto maravilhoso. Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 1984.
VOGLER, Christopher. A jornada do escritor - Estruturas míticas para contadores de histórias e roteiristas. Rio de Janeiro: Ampersand, 1997.

Ilustrações: cartaz do filme Cinderela, dos Estúdios Disney, e ilustrações de uma versão em espanhol da história de Cinderela no site da Universidade do Arizona.

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