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Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 116 :: Fevereiro/2008 :: -

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O ATENTADO QUE MATOU BENAZIR BHUTTO

Sangue no Paquistão

Carlos Hollanda

Saturno-Plutão e as desigualdades de quatro países

Dois outros Estados vivem sob tensões e "dinastias" semelhantes: Sri-Lanka e Bangladesh, sendo que este último fora dividido entre Índia e Paquistão quando a Inglaterra concedera a independência à Índia. O "Paquistão Oriental", tornou-se independente em 1971, passando a denominar-se novamente Bangladesh. Sua divisão ocorrera no momento da criação de Índia e Paquistão, o que faz com que partilhe várias das características da região, apesar de sua independência mais de 20 anos depois. Já o Sri Lanka, antigo Ceilão, tornou-se independente em 1948, após sua autonomia, de 1931. Aqui ainda temos a conjunção de Saturno e Plutão em Leão opostos ao Sol em Aquário do país (de 4 de fevereiro de 1948). A manutenção dessas "dinastias" políticas parece corresponder muito bem ao agrupamento de planetas em Leão que marca suas formações. A questão não passa por ter sido "bom" ou "ruim" perder a oportunidade de eleger a ex-premiê. Antes, deixa explícita a possibilidade de manutenção do quadro de desigualdade (Netuno) existente em todo o subcontinente, em compasso com a possibilidade de ocidentalização de costumes e industrialização, que poderia favorecer a muitos, é verdade, mas, na mesma proporção, poderia intensificar a já mencionada desigualdade devido aos próprios valores arraigados nas culturas de que falamos.

Falando em desigualdade, Quíron e Netuno em trânsito em Aquário estavam opostos à Lua em Leão no momento do atentado. É bem provável que ele acabe funcionando como um holofote sobre a ferida (Quíron) social, novamente chamando a atenção do mundo para a situação local. É igualmente provável que promova novas discussões sobre quem são as vítimas (Netuno) de fato, sob que ponto de vista o são e até que ponto a postura ocidentalizante, os olhares etnocêntricos (a casa 4 de qualquer um, bem como as tensões existentes no eixo Câncer-Capricórnio) e os interesses político-econômicos transformam um ocorrido como aquele numa cruzada onde todos, menos os economicamente mais poderosos, saem perdendo. E mais, onde uma proposta de diálogo e a coragem de enfrentar oposições violentas acabe se adequando a uma espécie de narrativa de sacrifício divino como em várias mitologias transformadas em base social. Tal coisa é um tanto comum, haja vista o mito "heróico-civilizador" que permeia, por exemplo, a sociedade norte-americana, com seus caubóis e o Destino Manifesto. Eles seriam associados, no imaginário e na literatura, a um processo que teria levado a "luz" (progresso, ciência) às "trevas" (a selva, os indígenas, o ambiente inexplorado, o Oeste etc.). Este é apenas um dos muitos exemplos de mitos entranhados nos discursos justificadores de várias culturas, apropriados, por sua vez, pelos Estados vigentes na condução do poder.

Voltando aos "gêmeos briguentos", Índia e Paquistão, em seu processo de formação eles possuem esse stellium crítico de Plutão, Saturno, Sol, Vênus e Mercúrio em Leão ativando a casa 4, justamente algo relacionado à posse de terras e demarcação de territórios.

No mapa solar de Benazir Bhutto, a tríplice conjunção Lua-Saturno-Netuno na casa 4 derivada já indica não só esta questão a respeito de territorialidade, mas diversos outros níveis desse problema, como, por exemplo, crises envolvendo figuras da família, seus antepassados, o pai. Este último, a propósito, também primeiro-ministro nos anos 1970, foi enforcado após ser deposto pelo ditador Zia-ul-Haq em 1979. De fato, naquele ano Plutão transitava pela casa 4 derivada do Sol de Benazir, já formando uma conjunção com o trio Lua-Saturno-Netuno.

Com a ênfase daqueles três fatores em Libra, seu ânimo guerreiro voltava-se para a mediação, custasse o que custasse, dos problemas relacionados às fronteiras físicas/territoriais (casa 4) ou às que dizem respeito aos modelos éticos, religiosos e jurídicos que a configuração pode representar. Tal mediação tenderia a favorecer o Ocidente. Disso decorre a tendência à construção da figura de mártir para a líder, que para olhos não plenamente envolvidos com o processo pelo qual vêm passando os países supramencionados, impressiona pelo carisma e pelo ar de "salvadora". Netuno, que é muito enfático no mapa radical de Bhutto, que estava, em trânsito, aplicando a oposição com seu Plutão radical no momento de sua morte e, no céu, recebia uma oposição da Lua, também é associado astrologicamente às ilusões, fantasias e idealizações indiscriminadas. Todavia, como não vê-la como uma potencial solução ou, ao menos uma atenuação, das tendências ditatoriais e das lutas territoriais às quais tende o Paquistão? Como, depois de governos autoritários e de constantes assassinatos políticos, não ser tentado a encarar a morte da líder como um mito de santo martírio?

A figura de Bhutto também fora envolvida em escândalos financeiros dos quais viria a ser inocentada. A situação confusa nesse quesito em sua figura política é outro item netuniano que marca sua trajetória. Corrupta ou não? Inocente ou culpada? Netuno, pois!

Carta interna: Independência do Paquistão; planetas no círculo externo:
carta natal (solar) de Benazir Bhutto

Comparando-se o mapa de Bhutto com o do Paquistão, o Marte do país, a zero grau de Câncer, permaneceria constantemente como uma zona de conflito e de estímulo a um comportamento combativo por parte da líder, talvez levando-a a lidar com freqüência indesejada com revoltas, atentados e guerras internas (seu Sol-Marte conjunto a Urano-Marte do Paquistão). Ele encontra-se conjunto ao Sol e ao próprio Marte radicais da mesma. Bhutto, no entanto, tinha Vênus sobre o Ascendente do Paquistão, indicando uma postura conciliadora, apesar de aguerrida na defesa de idéias. Conciliadora não apenas internamente, em questões políticas, territoriais e econômicas, mas, sobretudo, externamente, conforme indica seu Vênus oposto ao Júpiter do país e seu Júpiter na casa 1 paquistanesa. O grande problema é que isso mexia com interesses de oponentes (Júpiter na casa 7 do Paquistão, envolvido numa quadratura com o stellium em Leão) que não têm intenção de minimizar tão diretamente o problema fronteiriço da região. Bhutto, com seu Plutão conjunto ao Vênus paquistanês, desestimulava profundamente as noções sobre o lugar social ocupado pelas mulheres na sociedade em que vivia. Mais do que isso, ela deve ter sido um profundo incômodo, ao transformar tradições, repito, androcêntricas (Sol, Marte, Júpiter, Saturno) ao extremo, em modelos sugestivamente ultrapassados (Urano em Câncer em quadratura com Saturno em Libra no mapa radical de Benazir - tradições sendo "atropeladas"). Ela certamente representava uma ameaça (Plutão de Benazir) ao status quo (Saturno do Paquistão) político-religioso (Júpiter do Paquistão e Plutão de Benazir em quadratura com ele) da região. Igualmente, seu Sol e seu Marte conjuntos a Urano-Marte do Paquistão tendiam a estimular a comoção social e a gerar, como tem gerado desde seu retorno, em outubro de 2007, ao solo paquistanês, conflitos e dissidências, ainda que a idéia fosse a de unir (Libra) a coletividade para objetivos comuns e projetar o país internacionalmente como uma democracia (Júpiter da ex-primeira ministra na casa 1 do país). Dificilmente a líder fixar-se-ia em solo paquistanês sem deparar-se com ainda mais derramamento de sangue e ainda mais conflitos.

Carta interna: Independência do Paquistão; planetas no círculo externo:
carta da morte de Benazir Bhutto (27.12.2007)

Sobre o mapa do Paquistão, a oposição Marte-Plutão-Júpiter que está no mapa da morte de Benazir Bhutto também ativa o Marte do país, a zero grau de Câncer. Quíron, oposto a Plutão, Saturno e Vênus, assim como Netuno oposto ao Sol, que naquela manhã recebia a conjunção da Lua, confirma o surgimento de uma figura de mártir que tende a mobilizar volumosos grupos sociais a um conflito de grandes proporções. Gera-se o caos (Netuno) novamente sobre questões territoriais (casa 4 do Paquistão), sobre as já comuns tensões político-religiosas (Júpiter) de toda a região (Índia, Paquistão, Afeganistão e países próximos ao Oriente Médio), desestabilizando (Netuno-Saturno) e corroendo as frágeis bases democráticas do país (Netuno em trânsito oposto ao stellium da casa 4 paquistanesa). As figuras de poder central, sobretudo Pervez Musharraf, o atual presidente do Paquistão, vão-se desintegrando ante o potencial para o avanço da representada pela oposição Plutão-Marte que vem ocorrendo e se manterá até março de 2008. Esses sérios pontos de conflito, com possibilidades de intervenções internacionais, têm focos em agosto de 2008 (Marte quadratura Plutão) e em dezembro de 2008 (Marte conjunção Plutão), épocas em que esses planetas no mapa do atentado são reativados com aspectação tensa. A oposição Marte-Plutão, ambos em trânsito, em abril de 2006, em Karachi, também foi marcada por um atentado que matou cerca de 60 pessoas numa reunião no parque Nishtar, onde centenas de sunitas comemoravam o aniversário do nascimento de Maomé. Assim como no presente caso, Marte transitava pela conjunção Urano-Marte radical do país e Plutão, transitando em Sagitário, apresentou mais uma vez sua faceta destruidora sobre elementos religiosos, porém com conotações políticas. O impacto da violência que matou Benazir Bhutto, no entanto, é bem maior e suas repercussões parecem ser um tanto sombrias. Uma próxima ativação desse padrão Marte-Plutão-Urano pode resultar em novos atentados e conflitos cujo fim seria imprevisível.

Mapa da Independência do Paquistão - 15.8.1947, 0h00 (+5:30)
Karachi, Paquistão - 067e03, 24n52

Talvez venhamos a presenciar novos estouros em revoltas populares quando Marte fizer a conjunção com a Lua do Paquistão, por volta de abril e maio de 2008. Tumultos talvez possam ser vistos já em janeiro e fevereiro, durante a conjunção de Marte com Urano, provavelmente prolongando e dando maior intensidade às violentas manifestações ocorridas no dia do atentado e no do enterro de Benazir Bhutto. É curioso notar que o poder vigente no país em geral recorre a táticas ditatoriais e escusas para a manutenção do poder, em conformidade com a conjunção de Plutão-Saturno em meio ao stellium no qual se encontra o Sol (o rei, o presidente etc.). O poder parece sempre estar ameaçado por uma oposição muito poderosa em termos de carisma e apelo popular (o stellium na casa 4) que, não importa o quanto venha a ser massacrada, pode renascer das cinzas (Plutão) e voltar à carga. A dificuldade do governo também reside numa tendência a enfrentar contínuas incompatibilidades étnicas, religiosas e territoriais que marcam o Paquistão desde o momento de sua criação. Torna-se um problema de proporções astronômicas tentar manter coeso um povo com tantas divergências históricas e culturais, sobretudo se os governos, sejam eles quais forem, prosseguirem sua escalada de violência que no mapa do país é representada pela truculenta conjunção Marte-Urano, este último regendo o Meio do Céu aquariano, e pelo stellium leonino acompanhado de Plutão-Saturno em quadratura com Júpiter.

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