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Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 116 :: Fevereiro/2008 :: -

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O ATENTADO QUE MATOU BENAZIR BHUTTO

Sangue no Paquistão

Carlos Hollanda

O assassinato de Benazir Bhutto lança luz mais uma vez sobre as contradições e desigualdades do Paquistão e seus vizinhos, numa região do mundo marcada pelo ciclo Saturno-Plutão.

Benazir, a filha de Marte

Benazir Bhutto, a ex-primeira ministra do Paquistão, morta violentamente na manhã de 27 de dezembro de 2007, embora fosse alguém de formação diplomática e inquestionável idealismo político, era sobretudo uma guerreira. Seu Sol em Gêmeos, em toda sua eloqüência e capacidade difusora, veio ao mundo acompanhado de Marte, o ardente símbolo da ação e da auto-afirmação, pronto para enfrentar temerariamente os riscos. Primeira mulher a governar um país muçulmano, Bhutto tem a marca do pioneirismo, liderança e impulsividade típicos de uma conjunção Marte-Sol. Apesar de manter uma proposta de coesão e boas relações com o Ocidente, a tendência a enfrentar e a se dispor ao combate ideológico ou à defesa aguerrida dos modelos que defendia é bastante clara pelo modo como incomodava as posturas violentamente androcêntricas da sociedade paquistanesa e das demais ideologias radicais com as quais lidava. Tratava-se de uma mulher com posturas que, em culturas como as de seu país e de alguns países vizinhos, teriam sido consideradas cabíveis exclusivamente a homens. Benazir provava em todo momento que a coisa não era exatamente assim.

Seu horário de nascimento é bastante controverso, o que nos leva, por enquanto, ao uso de uma carta solar, situando o Sol como a cúspide da primeira casa num sistema de casas iguais. Nesse modelo as casas derivadas do Sol mantêm o simbolismo atribuído às casas astrológicas calculadas normalmente.

Benazir Bhutto, carta solar - 21.6.1953, horário não conhecido
Karachi, Paquistão - 067e03, 24n52

Embora esta forma de aproximação não possua a mesma precisão do mapa com horário, é suficiente para entendermos vários processos em jogo e para traçar algumas comparações entre o mapa da líder e o do Paquistão, conforme veremos adiante. De qualquer modo, acredito que seu Ascendente pode situar-se em Sagitário ou Capricórnio. Sagitário, haja vista seu rosto alongado, bastante freqüente em ênfases sagitarianas no mapa, bem como sua tendência a procurar um diálogo intercultural e internacionalizante. O dispositor, Júpiter, estaria, nesse caso, entre a sexta e a sétima casa, coisa que em ambos os casos acentuaria a predisposição às jornadas, política externa, questões ligadas à mediação entre crenças coletivas, religiosas ou não, e a política vigente. O mesmo Júpiter, regente do mapa, portanto, estaria conjunto a Aldebaran. Esta estrela reafirma o caráter guerreiro e, até certo ponto, "encrenqueiro" que já existe no mapa da líder paquistanesa. "Encrenqueiro", no sentido de não temer fazer o papel de provocador e possuir grande atração pelo debate (Gêmeos) com as forças às quais se opunha. Aldebaran, ali, sendo Júpiter o dispositor do Ascendente ou não, é um ponto de grande interesse na leitura do mapa de Bhutto. Por outro lado um Ascendente Capricórnio, situado mais ou menos entre 5 e 9 graus, estaria sobre a estrela Facies, a mesma que estava no Meio do Céu de John Lennon. Facies tanto pode ser o alvejador quanto o alvejado. É outra estrela que estaria de acordo com o modo direto e capaz de ferir ânimos alheios com o qual Bhutto se manifestava em seus discursos.

Morte de Benazir Bhutto - 27.12.2007, 11h39 (+05:00)
Rawalpindi, Paquistão - 073e04, 33n36

Especulações à parte, com o mapa solar os trânsitos se ajustam bem ao trágico ocorrido. Marte retrógrado está oposto a Plutão também em trânsito. Ambos tocam o Sol de Benazir Bhutto pela configuração. Seu Marte radical também é ativado por esses aspectos.

Trânsitos do momento da morte sobre a carta solar de Benazir Bhutto

Bhutto transforma-se em mártir (Netuno), justamente durante uma oposição geracional de Netuno em trânsito com o Plutão radical de 1953. Essa oposição, em casos como os de Bhutto, que se manteve por um bom tempo em situação de risco, costuma resultar em problemas graves à saúde, possivelmente apresentando algum tipo de sangramento interno ou externo. Este pode originar-se de ferimentos tanto quanto de úlceras que se rompem ou um AVC, obviamente sempre em casos onde há essa propensão pelo histórico individual. É, contudo, um momento no qual freqüentemente as situações que envolvem risco de morte podem ser vividas pessoalmente ou por via do contato com a morte no cotidiano, de modo que mexa com o estado de ânimo individual. O atentado pode corresponder também à sua aspectação. Esta, por sua vez, corresponde certamente ao nível de representatividade que a líder paquistanesa tinha perante grupos sociais oprimidos (Netuno) e políticas econômicas (Plutão), bem como o fato de parecer representar a ascensão de minorias (Netuno).

Zulficar Ali Bhutto, pai de Benazir, foi deposto em 1977 e enforcado em 1979, acusado de corrupção.

Como assim, "minorias", se na verdade ela pertencia a uma família de latifundiários e representava uma elite política que muitos classificam como uma espécie de dinastia feudal? Estamos falando, evidentemente, de uma construção midiática e de uma reiteração de padrões narrativos comuns às matrizes culturais do Ocidente, não exatamente dos modelos típicos da região. Estamos diante, mais uma vez, da figura do "salvador" (Netuno) e da "vítima" (Netuno), além da "princesa" ou "rainha" que retorna para tirar seu povo da opressão, mas que seria morta injustamente (Netuno) pelas forças do caos (Netuno) e do terror ou submundo (Plutão oposto ao Sol de Bhutto). O problema é que essa imagem que nós aqui no Ocidente enxergamos com estranha facilidade desconsidera o fato de que Benazir, apesar de todas suas prováveis qualidades, fazia parte dessa elite econômica e territorial que vem se mantendo no poder desde a criação dos dois Estados - leia-se Índia e o próprio Paquistão.

Saturno-Plutão e as desigualdades de quatro países



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