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Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 105 :: Março/2007 :: -

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ASTROLOGIA, MITO E COMPORTAMENTO

Plutão em xeque

Eugenia Maria Galeffi

Desnudamento e poder

O que é mais importante é que Plutão destrói e desintegra tudo aquilo que não serve mais, tudo aquilo que já está morto ao nosso redor e que, por força das circunstâncias, por apego ou por medo de mudar, continuamos a ter a nosso lado. Plutão "desnuda, deixando-nos no vazio mais absoluto" [7]. É preciso "transcender" o cotidiano conhecido com a ação de desnudar-se dos próprios conceitos, dos próprios valores, para poder trocar de casca, para poder renascer com outras vestes, outras cascas, rasgando os limites do inconsciente, expandindo a consciência e tornando-se brilhante. Todo esse processo causa muita dor. Muitas vezes é difícil compreender a mecânica da evolução, aceitando-a, conscientizando-se de que o processo geral evolutivo não deve deter-se diante dos processos individuais.

Plutão traz a "oportunidade" da transformação e muitas vezes deixa o indivíduo em um "beco sem saída" [8] sem muita opção de mudança, tendo que suportar tudo sem nada poder fazer.

Relevo em mármore: Hades e Perséfone no submundo.

Puiggros nos fala da total diferença da ação plutoniana nos indivíduos que a canalizam para o espírito em confronto com aqueles que a dirigem para o material. No primeiro caso, o indivíduo sofrerá a mudança de modo sutil, gradual e quase imperceptível, ao passo que a semente plutoniana no material trabalha sob a terra, silenciosa e de modo incessante para depois repentinamente irromper na superfície, "como um terremoto ou um vulcão", surpreendendo a todos que, desprevenidos, ficam sem reação [9]. Mas o mais importante de tudo isso é poder tomar decisões transcendentes para a vida futura, e isso vai depender do nosso processo de consciência. Vejamos em que medida.

Quando a pessoa obtém controle sobre si mesma e põe em prática as determinações detectadas pela sua consciência, ela adquiriu poder. E esse é o poder de transformação. De certo modo ela detecta o que vai encontrar se tomar certo caminho. O seu grau de conscientização vai lhe permitir antever e escolher de acordo com a sua consciência. Em outras palavras, podemos dizer que ela vai poder efetuar mudanças tanto na sua vida como no seu ambiente. Ela vai poder deixar morrer um lado do seu ser para que outro nasça. A sabedoria que se pode obter de tal situação traz luz para o caminho. A luz só é necessária se houver escuridão. E Plutão rege tanto a luz quanto a sombra e naturalmente o saber oculto. É bom lembrar que "o que é luz para o homem comum é obscuridade para o iniciado e o que é luz para o iniciado é obscuridade para o homem comum". [10]

Essa dualidade da luz e sombra, de yin e yang, é muito importante, pois, assim como construímos, podemos destruir. Cabe ao homem tomar "decisões transcendentes para a sua vida futura". [11]

Quando se dá um mergulho no próprio ser, a vitória desse empreendimento vai depender do mapa natal do cidadão, e se a pessoa não se deixa levar pelo vendaval e permanece lúcida, consegue ver abrir-se diante de si um campo de consciência que a autoriza a dirigir-se com segurança ao caminho da evolução. E o trabalho de Plutão é justamente o de "nos libertar por bem ou por mal, dos vínculos com a matéria que deixaram de ser úteis para o espírito". [12] E isso se deve à vontade, à vontade férrea de crescer e ultrapassar os limites. Daí o fato de Plutão ter um princípio ligado ao extraordinário, ao fantástico, ao milagroso.

Se alguém conseguiu ultrapassar os limites, através de uma experiência plutoniana, e conseguiu integrá-la ao seu modus vivendi ou mesmo à sua personalidade, sofreu uma mudança de forma profunda e conseguiu perceber que algumas leis básicas são elevadas à categoria de universais. Daí por diante, a pessoa, em relação ao grupo ao qual pertence, apercebe-se de tê-lo transcendido, mesmo continuando a fazer parte dele. Transforma-se em "unidade" não importando se os outros reconheçam ou não essa sua condição. Naturalmente isso só acontece se a energia plutoniana for utilizada de modo construtivo.

Essa prova é fundamental para a ação do nosso destino. Ela depende exclusivamente de nós, da nossa decisão de se abrir para o novo. A vida nos põe diante de uma encruzilhada: ou nos abrimos, ou fenecemos diante da situação. Uma vez ultrapassada a prova, "a felicidade inunda o coração e a mente se abre para um novo começo". [13]

É importante observar o fato de que se o poder da vontade, simbolizado por Plutão, tiver algum entrave, a presa vai ser vítima de todo tipo de obsessão. Caso contrário, ela vai ser livre para conseguir as maiores proezas, podendo tudo realizar. [14]

Plutão rege a nossa parte mais impura, que precisa ser burilada para se tornar uma preciosidade. Esse planeta nada faz senão nos mostrar o que está oculto e que guardamos a sete chaves. Muitas vezes não queremos demonstrar, mas essa parte é a que influencia nossa aparência exterior, a nossa máscara, e que muitas vezes não queremos nem ver para não nos assustarmos. Não nos damos conta desse fato. E é justamente nesse sentido que a influência de Plutão é benéfica, ou seja, ao obrigar-nos a sofrer a mudança ou deixar morrer a semente para que a planta possa crescer. Deve então ser modificado o que se "encontra em desacordo com o propósito interno real, transcendendo as circunstâncias temporais e ambientais" [15]. Para isso é necessário que esse propósito apareça bem claro na nossa mente para que possamos estar conscientes da revisão a ser feita. Se nos posicionarmos na direção correta, a ação de Plutão será benéfica. Claro que se fôssemos espíritos puríssimos não receberíamos a influência de Plutão nem de planeta algum e naturalmente não precisaríamos encarnar e tomar um corpo físico. Nesse sentido "Plutão constitui uma ajuda para a libertação dos vínculos com a matéria. Em contrapartida, para os poucos evoluídos, representa um cárcere no qual o espírito se consome e se embrutece". [16]

O ideal seria que cada ser se conhecesse completamente, como já diziam os gregos, e para tal devemos nos perguntar quem somos, de onde viemos e para onde vamos e obteremos uma resposta. Nesse caso Plutão poderá nos ajudar a aclarar essas zonas vazias da nossa mente. "Essa força tem uma qualidade regeneradora, mas, se todos os seus canais forem fechados, desviar-se-á pela linha de menor resistência, composta pelos hábitos". [17]

Os hábitos funcionam no automático, é necessário estar constantemente em estado de alerta, pois "…a parte positiva do homem não se manifesta até o momento em que este aprenda a refinar sua parte negativa: mas se o homem entra no confronto sem estar preparado, sucumbe ao animal que traz dentro de si". [18]

Lidia Fassio [19] nos lembra que os planetas agem em nossa vida baseados na lei junguiana de sincronicidade e que, por outro lado, os antigos já explicavam dizendo: "conforme acima, assim embaixo", ou seja, o que acontece no macrocosmos, por analogia é refletido no nosso microcosmos. Do mesmo modo, quando plantamos uma semente, aguardamos confiantes que a planta venha a florescer e crescer bem, assim como acontece com um filho. À medida que se cresce, esquece-se que cada um já tem seu motor interno, o Self (ou energia ou Deus) que está ligado ao motor externo, à energia cósmica, ao macrocosmos. E Plutão está ligado ao nosso motor interno e acoplado a Perséfone (masculino e feminino). O problema é não confundir o Self com o Eu, que, embora seja filho do Self, às vezes atrapalha na busca interna do Self, o qual tem a chave do nosso projeto interno. O Self possui uma espécie de vocação que, quando é entendida pela nossa consciência, nos dá a meta para a nossa vida.

De uma coisa estamos certos: Plutão é a alavanca que nos catapulta para o salto quântico dando-nos consciência do portal a ser ultrapassado para o outro mundo, o mundo maravilhoso que se abre diante de nós, constituído pelas nossas próprias riquezas interiores, valorizadas pela nossa própria ação, buriladas pela nossa vontade de manter a casa limpa.

[7] Ibidem, p. 31.
[8] Cf. Puiggros., op. cit., p. 32.
[9] Cf. Puiggros, op. cit., p. 34.
[10] Puiggros, op. cit. p. 39.
[11] Ibidem, p. 37.
[12] Ibidem, p. 41.
[13] Ibidem, p. 41.
[14] Cf. Puiggros., op. cit., p. 46.
[15] Ibidem, p. 51.
[16] Ibidem, p. 51.
[17] Ibidem, p. 53.
[18] Ibidem, p. 53.
[19] Lidia Fassio, no seu artigo Plutone e il destino, encontrado no Google.

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