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 Edição 87 :: Setembro/2005 :: -

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EM CIMA DOS FATOS

Agosto negro em Bagdá

Fernando Fernandes

Um mapa cheio de aspectos tensos e um boato sobre homem-bomba no meio da multidão. Resultado: Bagdá chora quase quase mil mortos.

Na manhã de 31 de agosto de 2005 milhares de peregrinos avançavam pelas ruas de Bagdá na direção da mesquita de Kadhimiya, onde está enterrado o Imã Moussa al-Khadhem, figura proeminente na história do xiísmo, seita muçulmana majoritária no Irã e no Iraque. Ocorre que no Iraque os xiítas passaram décadas submetidos à minoria sunita liderada por Saddam Hussein. Com a proximidade do referendo para aprovação de uma nova constituição, as diferenças entre xiítas, sunitas e curdos vinham-se intensificando: xiítas e curdos defendem a nova constituição, que dá maior autonomia às regiões controladas por cada etnia; já os sunitas rejeitam a carta magna que está sendo proposta, cujos termos impedem que, no futuro, os sunitas voltem a ter o mesmo poder da época de Saddam.

Um atentado de insurgentes sunitas contra a mesquita de Kadhimiya já havia acontecido nas primeiras horas da manhã, matando algumas pessoas. Mas o incidente não fora suficiente para diminuir o ardor religioso dos peregrinos xiítas que, entre cenas de autoflagelação, continuavam a rumar para a mesquita onde está enterrado um de seus principais mártires.

Ás 11h30 da manhã, hora de Bagdá, quando a multidão atravessava a pé uma ponte sobre o rio Tigre, alguém gritou que havia um homem-bomba misturado aos fiéis. O pânico tomou conta da multidão que, em desespero, tentou fugir em todas as direções. O resultado foram mais de 800 mortes e outros 400 feridos. A maioria das vítimas foi formada por mulheres, crianças e velhos que morreram pisoteados, asfixiados ou afogados no rio Tigre.

Início do tumulto em Bagdá - 31.8.2005, 11h30 (+04:00)
Bagdá, Iraque - 33n21, 44e25.

O mapa do evento mostra o Ascendente em Escorpião e seu regente clássico, Marte, em Touro e na casa 7 (uma dupla situação de exílio) recebendo uma série de aspectos tensos: em primeiro lugar, Marte é o ápice de uma quadratura T, configuração que envolve dois planetas em oposição (no caso, Mercúrio e Netuno) formando quadraturas a um terceiro (o próprio Marte). Além disso, Marte ainda é alvo de um duplo quincunce enviado por Vênus e Júpiter em Libra na casa 12.

Consideremos os elementos da tragédia: Mercúrio é um significador de pontes e de vias de transporte, em geral. O aspecto Mercúrio-Netuno tanto fala de uma via de transporte sobre a água (a ponte sobre o rio Tigre) quanto de comunicações confusas ou mentirosas (Netuno) e ainda exageradas (Mercúrio em Leão). Mercúrio em quadratura com Marte é um clássico aspecto associado a mentiras e roubos, enquanto Marte em quadratura com Netuno fala de ações desfocadas ou iniciativas caóticas, sem direção. Todo o morticínio foi desencadeado por um alerta mentiroso (o falso aviso sobre o homem-bomba), que induziu a multidão a tomar uma iniciativa equivocada (sair da ponte a todo custo). A situação de medo, que levou a que muitos fossem comprimidos e esmagados, é mostrada pela conjunção Lua-Saturno no início de Leão na 9 (a casa da religião e dos peregrinos), também em oposição aberta a Netuno na 4 (a casa do fim, do túmulo). Netuno, aliás, é o planeta mais angular nesta carta, falando de uma situação caótica, confusa, envolvendo multidões, religião, martírio e afogamento. Efetivamente, a multidão que avançava para a mesquita para celebrar um mártir - o Imã Moussa al-Khadhem - tornou-se ela própria mártir involuntária da insensatez que tomou conta do Iraque nos últimos anos.

Outro aspecto digno de nota é a oposição do Sol em Virgem a Urano em Peixes no eixo das casas 10 e 4, o qual, entre outros significados, fala dos conflitos entre a autoridade constituída e os grupos que lhe fazem oposição. Temos aqui, aliás, um dos elementos mais intrigantes deste mapa: os dois planetas da casa 10, Mercúrio e Sol, estão em recepção mútua (troca de domicílios, ou seja, o Sol, que rege Leão, está em Virgem, e Mercúrio, que rege Virgem, está em Leão); os dois planetas da casa 4, por sua vez, também estão em recepção mútua: Netuno, regente moderno de Peixes, em Aquário e Urano, regente moderno de Aquário, em Peixes. Este intrincado jogo de relações coloca os quatro planetas em contato entre si, dando maior riqueza de nuances à interpretação. O que se vê hoje no Iraque é um governo "serviçal" (um dos significados do Sol em Virgem) que se coloca como porta-voz (Mercúrio) de interesses americanos e sofre uma pesada oposição de grupos insurgentes. Estes reúnem a disposição fanática à auto-imolação (Netuno) e o uso mortal de táticas de guerrilha (Urano), uma das quais é a capacidade de disfarce (Peixes) que torna impossível distinguir um guerrilheiro de um cidadão comum. A conseqüência é o estado de permanente alarme em que vive a população, sempre atenta para o risco de um ataque suicida. Foi exatamente esse estresse acentuado sob o qual vive o iraquiano comum que funcionou como combustível para o pânico que levou de uma só vez tantas centenas de vidas.

É digno de nota também o fato de que os dois planetas tradicionalmente considerados benéficos, Vênus e Júpiter, estão juntos em Libra na casa 12, como a indicar que os caminhos da diplomacia e do entendimento estão, por ora, fora do alcance dos iraquianos.

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