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Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 85 :: Julho/2005 :: -

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UM OLHAR PERSPECTIVISTA EM ASTROLOGIA

Como confundir um cético

Uma vez que a pretensão desta coluna é convidar o leitor à reflexão, decidi iniciá-la apresentando a íntegra da minha proposta de trabalho para o I Encontro Nacional de Astrologia em Brasília, que ocorrerá em agosto próximo. Mas não encare as palavras a seguir como verdades absolutas ou incontestáveis - deste mal, estou vacinado contra.

A teoria astrológica

A teoria astrológica não se pauta necessariamente em um mecanicismo causalista (uma coisa causa a outra, ou seja: X passa pela casa Y e produz um efeito Z), mas na teoria da sincronicidade, teorizada pelo médico e criador da psicologia analítica, Carl Gustav Jung (foto) como uma forma de explicar a conexão entre dois eventos aparentemente "desligados" a partir de um ponto de vista mecânico, mas relacionados em significado.

O pensamento astrológico pode ser encarado como holográfico, e não mecanicista: o universo é visto como um grande holograma, e todas as coisas estão inter-relacionadas. Tudo é parte de tudo e, sendo assim, nesta perspectiva, o planeta não "causa" algo. Seria como um ponteiro de um relógio. O relógio não "faz ser" dez da noite, ele indica que são dez da noite. Se eu explodir o relógio, deixam de ser dez da noite? Claro que não. As horas independem dos ponteiros que as apontam. Do mesmo modo, se eliminarmos os sinais de uma estrada, a estrada não deixa de existir.

Os céticos, críticos e detratores da astrologia costumam fundamentar-se na idéia de "influência planetária", defendida por muitos astrólogos, para atacar a astrologia. Partem da fatal pergunta: "que influência é esta?" A resposta dos astrólogos não costuma ser lá muito feliz: costumam dizer que se trata de uma "energia ainda não descoberta pelo homem".

A astrologia pode ser considerada uma ciência? Depende do que consideremos "ciência" - termo que parece ter sido usurpado pelo ramo específico das ciências exatas, nos últimos cem anos. O que os críticos cientistas exatos parecem esquecer é que existem as ciências humanas, e que quanto mais humana é uma ciência, menos exata ela se torna. Vide a psicologia e a psicanálise, não menos ciências, apesar de não serem exatas, uma vez que versam sobre conteúdos psíquicos e simbólicos, que não podem ser analisados a partir de instrumentos mecânicos de mensuração. Defino e defendo a astrologia como uma ciência humana.

As ciências exatas e humanas são diferentes formas de aproximação da realidade. Cada uma destas áreas a seu modo nos permite um olhar, uma compreensão da realidade que nos cerca. O problema surge quando cada qual resolve "extrapolar" seus limites e tenta universalizar uma perspectiva. A encruzilhada em que a astrologia se encontra, mal vista pelo meio acadêmico moderno, se deve em grande parte pela base filosófica que nos move: o pensamento mítico sendo relegado a um plano secundário, substituído quase totalmente pelo pensamento racional.

Conforme nos lembra o psicólogo analítico Luigi Zoja, a diferença entre o pensamento mítico e o pensamento racional consiste no fato de que o pensamento mítico (no qual a astrologia se insere) se ocupa dos sentidos possíveis de uma experiência, dos significados internos, enquanto o pensamento racional se preocupa com as supostas "causa" de todas as manifestações perceptíveis pelos sentidos humanos.

Não nego, em absoluto, a importância do pensamento racional em nosso mundo. Graças à perspectiva exata da ciência tivemos assombrosos avanços na medicina, na química, na física. Nosso mundo tornou-se, graças às ciências exatas, um lugar que seria chamado de "mágico" por um camponês medieval. Mas isso não significa que tenhamos nos tornado melhores enquanto humanidade. Com brinquedos mais sofisticados, sim. Mas basta um mero olhar sobre o mundo ao nosso redor que qualquer pessoa, por mais cética que seja, concordará que diversas considerações psicológicas estão mais do que faltando. Daí a importância de valorizarmos as ciências humanas, que, com sua abordagem subjetiva, confere alma à realidade objetiva. E a astrologia está inserida neste contexto humano da ciência.

As ciências exatas, ao tentarem universalizar seu "modo de ver", incorrem no erro de se apegar ao pensamento mecanicista e causalista (tudo tem uma origem mecânica e todos os efeitos têm uma causa). O que não se encaixa neste modelo de pensamento é descartado. E os astrólogos, sob diversos aspectos, colaboram para sua própria detração, ao defenderem um pensamento mecanicista para um saber fundamentalmente simbólico. E o simbólico não é sinônimo de "anti-científico", até porque a teoria da sincronicidade, base fundamental do pensamento astrológico ("Aquilo que está em cima é como aquilo que está embaixo"), é perfeitamente explicada pela física quântica.

Ironicamente, as pessoas que primeiro perceberam que a mecânica quântica fornecia uma base epistemológica justa para se compreender técnicas ditas "místicas", tais quais o I Ching e a própria astrologia, não foi um esotérico ansioso por aceitação acadêmica, nem um astrólogo ansioso por aprovação social. Foram um médico psiquiatra chamado Carl Jung e um físico austríaco, Wolfgang Pauli.

Durante mais de vinte anos, o médico psiquiatra e o físico austríaco desenvolveram um modelo teórico para explicar as relações acausais entre eventos físicos e psíquicos, e a este modelo teórico Jung deu o nome de "sincronicidade" e o relacionou à indeterminação quântica.

Os céticos costumam criticar a astrologia apelando recorrentemente para a alegação de que a gravidade exercida por corpos distantes, como Plutão, por exemplo, é ínfima. Este argumento - desgastado, de tão usado - é constante em quase todas as publicações e ataques dos céticos contra a astrologia. Mas mesmo quem trabalha com a teoria da "influência" jamais disse que esta influência se tratava de "força gravitacional". Os "influencialistas" dizem que se trata de uma "energia não descoberta pela ciência". Particularmente não vou por este raciocínio, mas mesmo assim é preciso salientar que os "influencialistas" não falam em "gravidade".

A questão estatística

Muitos astrólogos, pretendendo defender a astrologia, pautam-se no trabalho do pesquisador francês Michel de Gauquelin. Gauquelin efetuou uma apurada pesquisa envolvendo 25000 mapas de nascimentos, agrupando chefes militares com destacada habilidade em sua área, exímios filósofos, campeões desportivos, atores, escritores, entre tantas outras atividades. A partir desta pesquisa estatística, inicialmente objetivando negar os fundamentos astrológicos (tendo sido contratado para esta finalidade pelo observatório de Paris), um surpreso Gauquelin se deparou com uma incidência assustadoramente alta de posicionamentos planetários que se repetiam numa taxa que ia muito além da mera casuística. Identificou, por exemplo, que uma taxa notável de militares apresentava o planeta Marte no horizonte leste no momento do nascimento, ou o mesmo planeta angulando o alto do céu.

Gauquelin (à esquerda) avançou com as pesquisas, investigando então o tema "hereditariedade astral". Partindo de um conjunto de 30.000 comparações de temas, o pesquisador afirmou que as crianças costumam nascer no momento da ascensão ou culminação do mesmo planeta que nascia ou culminava quando do nascimento de seus genitores, e essa tendência era ainda mais acentuada quando o planeta estava presente tanto no nascimento do pai como da mãe. Tais pesquisas foram avaliadas pelo comitê científico da Bélgica e consideradas como sendo válidas.

Algumas questões, contudo, devem ser levadas em consideração: o meio astrológico brasileiro peca em validar as pesquisas de Gauquelin sem repeti-las, e termina pecando por desonestidade intelectual nem sempre voluntária, mas não por isso menos perigosa. Quem repete as pesquisas chega a conclusões diferentes daquelas alcançadas por Gauquelin, o que nos leva a pensar: estava Gauquelin secretamente comprometido com um desejo de comprovar a funcionalidade da astrologia, de modo que "forçou" os resultados? A experiência demonstra que não: a despeito das repetições das pesquisas chegarem a resultados diversos dos alcançados por Gauquelin, todas as pesquisas estatísticas envolvendo astrologia nos remetem a resultados que estão muito acima da taxa de "mera coincidência". O problema é que estas pesquisas não se "confirmam", demonstrando apenas resultados elevados que variam demais de pesquisador para pesquisador.

Um exemplo que ilustra bem o fenômeno envolve a pesquisa envolvendo a homossexualidade masculina, realizada inicialmente pelo astrólogo norte-americano Karl Roberts e posteriormente repetida por mim, no Brasil.

Em contato com Roberts, no final da década de 90, deparei-me com um astrólogo entusiasmado. Ele havia levantado uma estatística envolvendo dois mil mapas de homens que se definiam como "homossexuais", e a partir desta estatística percebeu uma incidência de mais de 75% de mapas contendo aspectos angulares entre os planetas Vênus e Urano, a saber: quadratura (90° de distância angular entre os dois planetas), oposição (180° de distância angular) e conjunção (10° máximos de distância angular). Tais "aspectos" se repetem na ordem de quatro vezes ao ano, e duram alguns dias. Convenhamos, 75% é uma taxa muito alta para ser "mera coincidência".

Repetindo a experiência no Brasil



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