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Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 133 :: Julho/2009 :: -

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JÚPITER EM AQUÁRIO EM 2009

Zeus e Prometeu, a aliança possível

Tereza Kawall

Prometeu (Aquário) roubou o fogo dos deuses e foi punido por Zeus (Júpiter). Com Júpiter em Aquário, agora é a vez de Prometeu receber a visita de Zeus.

Zeus e Prometeu

A Astrologia é uma linguagem que usa uma série de símbolos para criar uma identificação entre o homem e o universo – seus pressupostos básicos estão fundados na idéia de que há uma correlação entre os movimentos cósmicos e os eventos terrestres, sejam coletivos ou individuais.

O Zodíaco na antiguidade era considerado como “a alma da natureza”, uma vez que os signos e os planetas expressam motivações, impulsos e padrões de comportamento humanos.

Nas eras homéricas essas imagens tomaram a forma de figuras personificadas como as divindades gregas: Zeus, Poseidon, Afrodite, Hércules, etc.

Como na tradição astrológica, também os mitos surgiram espontaneamente como imagens e representações coletivas em diferentes épocas e culturas e funcionam como um auto-retrato criativo da psique humana.  

Assim, os temas astrológicos e mitológicos estão intimamente entrelaçados, uma vez que os deuses e seus atributos encontram respaldo nos símbolos da estrutura zodiacal. Estas imagens ou padrões humanos são aquilo que a Psicologia Analítica de Carl Jung chamou de arquétipos ou experiências arquetípicas. Estas são universais, pertencem a toda a humanidade, constituem a memória arcaica do homem e são dotadas de extraordinário dinamismo psíquico.

Por exemplo, na mandala zodiacal o signo de Aquário é muito bem representado pelo titã (herói semidivino) Prometeu, aquele que tem o dom da antecipação, cujo intuito é libertar os seres humanos da sua natureza puramente instintiva e da submissão aos deuses.

Esse mito expressa um dilema crucial da consciência dos homens, que é a apropriação sem limites do conhecimento, o crescimento descontrolado, o progresso a qualquer custo, o domínio crescente da natureza pela tecnologia que está colocando a vida do planeta em risco. Não à toa, uma pergunta fundamental circula hoje de boca em boca: nosso processo civilizatório está de fato promovendo o bem estar e a felicidade humana?

Mito de Prometeu

Prometeu com o Fogo SagradoNa mitologia grega, os titãs eram gigantes que pertenceram às primeiras gerações das divindades da antiga Grécia.

Prometeu era um deles, filho do também titã Jápeto e da oceânida Clímene.

Seu nome significa “o que vê à frente”, ou o “previdente”. Tinha um irmão, Epimeteu, cujo nome significa “o que vê depois”, ou “o descuidado”. Um pensava antes de agir e era um estrategista, o outro agia antes de pensar, desfrutava o presente, era desprovido de reflexão.

Prometeu, por ter o dom da antecipação, sabia do resultado da grande batalha de Zeus contra seu pai Cronos, e oportunamente tornou-se seu aliado, orientando-o nas estratégias para vencer a guerra. Também ajudou Zeus durante o nascimento da filha Atena, que depois de dores terríveis saiu pela cabeça de seu pai. A deusa Atena, divindade ligada às estratégias da guerra, em agradecimento ensinou a Prometeu astronomia, matemática, arquitetura, navegação e outras artes.

Assim ele também passou a ensinar aos homens o que havia aprendido. Ao mesmo tempo, idealista e pretensioso, trabalhava para elevar o ser humano acima das origens instintivas, pois seu intuito seria torná-lo mais e mais semelhante aos deuses.

Inquieto, Prometeu torturava-se com a injustiça que percebia ao seu redor: por que só os deuses tinham o monopólio do conhecimento? Por que os homens deveriam contentar-se em viver eternamente dependentes dos poderes e dádivas divinas? Decidido a solucionar essa questão, Prometeu enganou Zeus. Num ritual de sacrifício, ele mata um boi enorme que foi dividido em duas partes: a primeira tinha as carnes cobertas pelo couro do animal e a segunda tinha apenas os ossos cobertos com a gordura do boi. Zeus, levado pelas aparências, escolheu a segunda parte, mas ao perceber que fora enganado tem um ataque de cólera contra o titã. Seu castigo não se fez esperar: privou os homens do fogo, gritando: “Deixe que eles (homens) comam a carne crua!”

Prometeu entrou imediatamente em ação. Com a ajuda e proteção de Atena, subiu ao Olimpo, a sagrada moradia dos deuses, acendeu uma tocha, tirando dela um pedaço de carvão em brasa, escondendo-o depois no tronco de uma árvore. A seguir, fugiu rapidamente para a terra com a chama sagrada, que entregou aos mortais.

ZeusAo saber do roubo do fogo, e novamente enganado, Júpiter aplicou em Prometeu um duro castigo. O titã foi acorrentado por Hefaistos, o deus ferreiro (para os romanos, Vulcano) a uma pilastra no monte Cáucaso, nos confins orientais do mundo. Como se não bastasse, uma águia enviada por Zeus diariamente devorava o seu fígado, e este voltava a crescer durante a noite. O flagelo continuaria assim, mês após mês, ano após ano, por toda a eternidade.

Implacável, Zeus também castigou duramente também os homens. Ordenou a seu filho Hefaistos que modelasse uma mulher em argila, que deveria ser bela e irresistível. Os quatro ventos sopraram a vida dentro dela e todos os deuses olímpicos a enfeitaram. Recebeu de Hermes o dom da palavra, a sensualidade de Afrodite, e o nome de Pandora, que significa “o presente de todos os deuses”. Foi enviada imediatamente a Epimeteu, que já havia sido avisado pelo previdente irmão para não receber nada que viesse de Zeus. Mas, irrefletido e impulsivo que era, não só se deixou encantar, mas também se casou com ela.

pandoraPandora trouxera consigo uma linda caixa, que seria o presente nupcial enviado pelos deuses. Na caixa estavam encerrados todos os males do mundo. Ao ser aberta pelo noivo, saiu da caixa, em forma de nuvem, toda sorte de pragas e calamidades, que atacou toda a humanidade com doenças, velhice, os vícios, os medos, a inveja, os horrores das guerras, a depressão, a solidão.

Apavorado, Epimeteu fechou a caixa, e lá no fundo ficou apenas a Esperança. E foi ela que impediu a humanidade de se destruir completamente.

Tempos depois, com a anuência do próprio Zeus, Hércules matou a águia e libertou o audacioso Prometeu. Mas é preciso lembrar: o titã nunca se arrependeu de seus feitos e nem de ter sacrificado sua própria liberdade em benefício dos homens.

Estas foram as punições de Zeus à humanidade e Prometeu em retaliação pelo roubo do fogo dos deuses. Na Grécia antiga, o mais grave pecado dos mortais era a hybris, ou o “descomedimento”, ou seja, a ousadia de enfrentar ou enganar os deuses e que acarretavam esses castigos.

O fogo sagrado

O fogo é o símbolo do espírito humano e das suas criações posteriores. Esse elemento foi fundamental para a evolução das civilizações. Permitiu ao homem cozinhar seus alimentos, forjar matérias-primas em artefatos da cultura, fazer armas, se proteger do frio – a fogueira sempre esteve ligada aos processos de socialização. Por analogia, temos a imagem do fogo como a luz, símbolo do progresso e da evolução da consciência. Sem o fogo, o homem estaria condenado a viver nas grutas ou cavernas e, portanto, na escuridão.

Prometeu representa o impulso pela vida civilizada, o anseio humano de avançar através da tecnologia; rebelde com causa, esse herói semidivino é o princípio humanizador evolutivo, a inteligência humana, que, ao desvendar os segredos da natureza, supostamente terá controle sobre ela. Prometeu abriu o caminho para que os homens pudessem alcançar o progresso e tudo o que chamamos de civilização; o fogo roubado dos deuses nunca foi devolvido, significando simbolicamente que o conhecimento uma vez adquirido nunca mais se perde.

Júpiter em Aquário

Com a passagem de Júpiter no signo de Aquário em 2009 poderíamos pensar que Zeus (ou Júpiter para os romanos) está agora na casa onde vive Prometeu (Aquário). Será esta uma visita de reconciliação? A mítica oposição poderá ser apaziguada? Abstraindo a partir do mito, cabem aqui algumas perguntas:

Poderiam o titã e o deus olímpico estabelecer agora um diálogo criativo e inteligente, uma vez que ambos são idealistas e arrojados? E se pudessem compartilhar saberes benéficos para os homens, sem radicalismos e sem punições divinas?

O caráter deste conflito, que é tão bem delineada pelo mito de Prometeu, certamente nos remete ao conflito de natureza versus progresso. No entanto, durante o atual ciclo de Júpiter, esse ciclo poderá ser encarado de maneira mais inteligente e conciliadora.

Conhecimento é poder, e a reflexão que se faz é: até onde ele deve ir?

Em nome do progresso e do desenvolvimento, nossa civilização – caracterizada mais que todas as outras pelo seu forte espírito “prometéico” – tem feito estragos incomensuráveis, e a ação humana contra a natureza nos últimos 100 anos foi devastadora. Seria essa a nossa hybris iluminista e cientificista pela qual estamos pagando um preço tão caro?

Se Prometeu quer a libertação humana através do conhecimento, Zeus neste signo certamente não fará oposição a ele, uma vez que, no contexto astrológico, Zeus (Júpiter) expande e põe em evidência as características simbólicas do signo em que está.

Aquário é o signo da fraternidade, da liberdade, da cooperação, da democracia, dos ideais e reformas sociais, da tecnologia, do mundo virtual, da democratização do conhecimento – hoje mais do que evidente com o advento da internet.

O saber hoje é generosamente compartilhado de forma instantânea. Organizações humanitárias e o terceiro setor ganham força e poder nos quatro cantos do planeta; ambientalistas e cientistas correm atrás de soluções para a crucial questão do aquecimento global.

O momento presente, portanto, e segundo indica a astrologia, poderá ser bastante auspicioso, uma vez que o conhecimento tecnológico tenderá a expandir o uso das energias alternativas, como luz solar, energia eólica, biomassa etc.

A abertura e interesse renovado pela medicina complementar, e a inclusão da dimensão espiritual nos conceitos de saúde mesmo dentro das universidades, são um fato real, e a medicina ortodoxa não pode mais omitir esses valores. Os extraordinários estudos com as células-tronco geram polêmicas e conflitos éticos para uns e esperanças renovadas para muitos outros.

Prometeu acorrentadoNão há como brecar ou impedir a evolução da ciência, mas a percepção de que ela precisa de limites éticos e não destruidores para o próprio homem já uma fato consumado. Pode a ciência desvendar os segredos e mistérios da natureza, gerar ou prolongar a vida impunemente? O progresso pode prescindir da degradação ambiental?

Haverá uma percepção cada vez mais clara de que os excessos do consumo desenfreado, o esgotamento dos recursos naturais e das matérias-primas, o aquecimento global, a ganância descomedida e irresponsável são parte de uma mentalidade que pede uma mudança radical e imediata por todos. Não é mais novidade que o processo civilizatório e suas promessas de bem-estar e felicidade não se cumpriram.

Todos sabemos que nossa hybris civilizatória é ecológica, moral e existencial, e o caminho para uma mudança desta trajetória já está sendo trilhado.

Voltando ao mito, podemos perceber que Zeus e Prometeu têm muito em comum, pois ambos são inteligentes e dotados de um espírito generoso. Júpiter em Aquário pode ser uma promessa ou esperança para o conhecimento avançar com mais sabedoria e visão de futuro. Os novos conhecimentos nos guiarão para uma saída nesse impasse planetário, físico e espiritual.

Nosso Zeitgeist prometéico nos avisa: somos a natureza, somos o nosso saber e as nossas próprias criações. Novos paradigmas surgem, e o que mais necessitamos agora são os valores de conexão, cooperação e inclusão. A ética e a justiça, sejam elas dos deuses ou dos homens, mais do que nunca podem e devem estar em comunhão.

O que há para ler

ZOJA, Luigi. História da Arrogância – Psicologia e Limites do desenvolvimento humano. Editora Axis Mundi, São Paulo, 2000.

GIANETTI, Eduardo. Felicidade. Companhia das Letras, São Paulo, 2002.

Complementos: signos de Terra e Barack Obama

Plutão em Capricórnio e Saturno em Virgem - O tempo astrológico é cronológico, mas sobretudo qualitativo. Na nossa “coreografia” cósmica de 2009, temos também a presença de Plutão e Saturno nos signos do elemento Terra, Capricórnio e Virgem, respectivamente. Simbolicamente, estes planetas indicam, de forma geral, o momento em que a necessidade de mudança ou transformação opera através de crises, rupturas, restrições e limitações. Indicam as áreas e os assuntos que devem ser reformulados de forma mais austera, madura e profunda, quando a realidade dos fatos não pode mais ser evitada. Não só a sobrevivência do planeta, mas a economia mundial estão em cheque, pedindo uma reflexão muito mais séria, que deve ser feita por aqueles que têm o poder político e econômico.

Barak Obama – Em seu mapa astrológico natal, Barak Obama tem Júpiter no primeiro grau de Aquário, e foi em janeiro de 2009 (6 de janeiro) que Júpiter avançou neste mesmo grau zodiacal. Isso pode indicar um fato auspicioso, na medida em que o atual presidente dos EUA está ele mesmo iniciando um ciclo pessoal de grande crescimento, visão, oportunidades e otimismo perante a vida. Assim, poderá fazer valer o seu compromisso de uma conduta mais inteligente, espírito mais livre, humanista e arrojado na política social e econômica, tanto no seu próprio país quanto no mundo todo. Ao pedir a participação de todos neste grande esforço, o presidente evoca o princípio aquariano de solidariedade e fraternidade.

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