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 Edição 119 :: Maio/2008 :: -

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ASTROLOGIA TRADICIONAL

Os Mistérios na Astrologia Helenística

Clelia Romano

Filhos na casa 10, ferimentos na casa 7 e fama póstuma na casa 5: a Astrologia Helenística, praticada na Antiguidade na região do Mediterrâneo, desenvolveu uma concepção sobre o significado das casas radicalmente diferente da visão contemporânea.

Este artigo tem como inspiração as palestras proferidas por Robert Schmidt (à esquerda), diretor do projeto Hindsight, durante o Vll Conclave de Astrologia em Cumberland, Maryland, em Julho/Agosto de 2007. Tal conclave teve como enfoque principal os Mistérios astrológicos e a forma como os gregos, sendo verdadeiros mestres no campo filosófico, acabaram por estabelecer um liame bastante profícuo entre a filosofia e a astrologia. De fato torna-se impossível falar de astrologia helenística sem adentrar no campo filosófico e na visão bastante elaborada da existência. Muitas vezes temos dificuldade em entender o pensamento helenístico, mas se deixarmos para trás nossa mente analítica e cartesiana, como já o fizemos quando nos tornamos astrólogos e acreditamos mais no símbolo que na mensuração fria das coisas, vislumbraremos o sentido do pensamento grego.

Vamos nos deparar com conceitos diferentes e aparentemente estranhos. As chaves secretas tinham como intuito forçar o interlocutor a pensar. Prepare-se, portanto, o leitor para idéias inquietantes.

Alguma dessas idéias tem relação com aspectos esotéricos que estão sendo revelados através de antigas inscrições descobertas há pouco e que contêm idéias muito novas. Uma dessas inscrições possui no final as seguintes palavras: "Ele, Trasyllus, descreve como Trimegisto falou".

O Mistério quanto às Casas Astrológicas

Os gregos tinham duas palavras para vida: - Zôo: a existência física; e Bios.
O Hõroskopos é a primeira casa e representa Zôo, a vida física. Esta vida recebe suporte da segunda casa.

As casas são divididas em angulares, pós-ascensionais e cadentes. As primeiras são chamadas de "pivots", ou pontos que funcionam como espécies de dobradiças em torno das quais a carta inteira gira. As casas a seguir, chamadas de pós-ascensionais, tem a função de manter a casa anterior. As seguintes são chamada cadentes ou inter-mundos, e sua função é destruir a casa anterior e servir de ponte para a próxima.

AlexandriaA astrologia helenística foi a primeira a descrever o Hõroskopos, ou ponto exato do grau do Ascendente, há cerca de um século antes do advento de Cristo. O Hõroskopos é um ponto de partida para todas as outras casas. No entanto, para os gregos, qualquer ponto, seja um Lot (da Fortuna, do Espírito e mesmo outros), seja um planeta, podem todos eles funcionar como a primeira casa sobre determinado assunto. Por exemplo, se o assunto for a mente ou a motivação, o Lot do Espírito serviria como Hõroskopos, caísse ele no signo que fosse. A partir daí se construía uma Carta. A descrição minuciosa deste virtuosismo na astrologia helenística é bem descrito na introdução de Robert Hand ao livro 2 da Antologia de Vettius Valens, tradução de Robert Schmidt. (ilustração: Alexandria, no delta do Nilo, mais importante centro de desenvolvimento da Astrologia no período helenístico)

Apesar de terem determinado o ponto exato do Ascendente, a hora, como Valens chamava, os gregos sempre usaram em suas delineações signos inteiros, os chamados "whole signs", para contrapor às casa dinâmicas. Digamos que o Ascendente ou Hõroskopos esteja a 22 de Câncer: a primeira casa vai do começo de Câncer até seu último grau. Se um planeta se encontrasse a 29º de Câncer, ele seria considerado como pertencente à primeira casa.

Até aqui não abordamos mistério algum, estamos falando simplesmente da astrologia grega como foi magistralmente ensinada por Vettius Valens. Mas, como dissemos acima, há um texto que sugere um outro sentido das casas, vistas em termos muito mais esotéricos do que estamos acostumados a encontrar em Valens. Esse texto diz que a vida é compartilhada entre as Casas Doze, Dez e Oito.

Ora, isso traz no mínimo muita perplexidade. Que tipo de vida pode-se viver na casa Oito, por exemplo, que é a morte, se a vida é restrita ao corpo? Por outro lado, como podemos imaginar que a Casa Doze, relativa ao confinamento, seja uma casa de atividade? Compreendemos sim que a Casa Dez o seja, pois é a vida que se vive sem restrições durante a fase adulta, ou seja, ela é " Práxis" e é ali que ocorre a ação e o que construímos no mundo. Mas que atividade há na morte e no confinamento, ou numa casa anterior à vida? Convido-os a esvaziar a mente e ouvir.

A Casa Doze, ao mesmo tempo em que é apoclima, ou seja, um "declínio" do que a casa anterior representava, uma volta atrás no sentido da vida representada pela Casa Um que é Zôo, tem também o sentido de uma preparação. Mas, para que o EU se prepara na casa doze? O que deduzimos é que a alma ali prepara o plano de sua Bios.

A astrologia grega não era reencarnacionista, mas utilizava muito a filosofia de Platão, e Platão acreditava na reencarnação. Nesse sentido podemos dizer que a Casa Doze é uma casa onde escolhemos a vida a ser vivida, onde escolhemos nossa "bios". Por essa razão trata-se de uma casa cheia de atividade e planejamento. Depois dela temos o nascimento, a primeira casa, o e o Hõroskopos.

Nem bem o ser vive as três casas que vão da 12 até o final da segunda, que sustenta a primeira casa, encontra o abismo da terceira casa. É uma iniciação e ele tem que pular. É então que ele vai para a Casa Nove, a oitava da segunda.
A primeira passagem de Saturno representa o adeus à primeira juventude: - o ser atinge sua maturidade, o que ocorre por volta dos trinta anos, da mesma forma e coincidente com o tempo que os gregos davam esotericamente às três primeiras casas que completavam o ciclo do final da primeira parte da vida.

Agora existe uma migração para a Casa Nove, uma casa cadente, onde o ser se prepara para seu "prime", ele encontra os subsídios e os ensinamentos para realizar seus atos na vida, um guia para tomar decisões. E assim preparado ele chega à Casa 10, onde tudo que é humano é feito, inclusive os filhos, para os gregos um acontecimento da Casa Dez.

A Casa Onze é o patronato, são os amigos e grupos sociais que ajudam e apóiam o nativo a sustentar sua posição. Da Casa Nove até a Onze decorrem mais trinta anos. É o período que vai dos 30 aos 60 anos. Vivida a Casa Onze, a alma passa por uma segunda iniciação: ela salta para a cadente Casa Seis, as doenças que a preparam para a morte, que se dará na Casa Sete. De fato, por ser o poente, uma casa oposta ao Ascendente, o significado da Casa Sete é de antagonismo à vida. Os próximos trinta anos de vida, desde que o nativo chegue a viver até essa idade, se passarão dentro dessa temática.

Mas, voltemos a nosso primeiro assunto: que tipo de atividade pode haver na Casa Oito? Esta casa é chamada de "letargia"e refere-se ao tempo em que a alma bebe da água do esquecimento. O que ela deve esquecer? Ela deve esquecer quem foi, esquecer sua "Bios".

Então vejamos: a partir da Casa Doze, preparação da vida, até a completa vivência da Casa Dois, é suposto que se passam os 30 primeiros anos de vida. Após essa passagem, que não por acaso ocorre à altura do primeiro retorno de Saturno, como dissemos, há um salto para os próximos trinta anos de vida, quando se vivem na máxima potência as benéficas Casas 9, 10 e 11. A seguir, temos a segunda passagem de Saturno, desta vez para um lugar pior, as doenças da Casa Seis, que prepara os próximos anos de vida e a morte.
Suponhamos que uma pessoa viva mais de noventa anos. Ela saltaria para a Oitava Casa a partir da Casa Oito, que é a Terceira Casa, cadente, mais uma casa preparatória, desta vez para o Hades e para a Casa Cinco, a fama póstuma.

Casa Três, a casa Inter Mundos



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