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Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 94 :: Abril/2006 :: -

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ASTROLOGIA E CULTURA BRASILEIRA

Vênus brasileira, uma dama
à beira do abismo

Valeria Bustamante

III - Netuno em Aquário Revela Vênus

O tempo passa, e mesmo um país precisa amadurecer através dos ciclos planetários. Netuno esteve conjunto ao Nodo Norte do Brasil na Casa XII, obviamente fazendo oposição ao Nodo Sul, e em breve se oporá a Vênus.

A Casa XII aponta para o difícil caminho da reclusão, do isolamento, e até da loucura, mas também aponta o caminho da síntese, da possibilidade de transcendência daquilo que é miúdo, tacanho. A Casa XII é aquele "lugar misterioso onde é até possível que haja multiplicação de pães e transformação de água em vinho" [6]. Atalane diz que o Nodo Norte na Casa XII nos cobra um distanciamento do mundo das pequenas dificuldades e manipulações que é a Casa VI. Claro que essa cobrança, partindo da Casa XII, dá medo, parece que, se não cumprirmos regras burocráticas e limitações servis, a punição divina estará nos "(...) esperando no sótão [7]". Nesse nosso estranho país, a punição muitas vezes esperou Vênus e outros servidores públicos não no sótão, mas em porões que representaram perfeitamente bem a face tenebrosa do Nodo Sul em Leão. Para nós, colônia tutelada, medo de punição vem de história real. Mas certas trilhas não precisam ser repetidas. Existe o caminho que evita os mesmos erros.

"A posição da casa do Nodo Norte na Casa XII mostra como o indivíduo pode libertar-se (...) realizando a missão pela humanidade para a qual ele foi destinado.[8]" Conseguimos vislumbrar qual é nossa missão no signo do Nodo Norte. O signo de Aquário é revolucionário e inclusivo, e nosso caminho, enquanto país, é a inclusividade e não a pasteurização imbecil, grande aliada do temor daquilo que é novo e diferente. E não temos por que temer a loucura, pois antes de tudo, Aquário é um signo fixo: ele não apenas sonha, ele constrói, desenvolve e distribui.

No poema As infibraturas do Ipiranga, Mario de Andrade contrapõe "orientalistas convencionais", poetas que só viam valor nas fórmulas consagradas de poesia, às "juvenilidades auriverdes", os poetas modernos. Em determinado trecho os "orientalistas" dizem: "aos maiores, serrote, aos menores, um salto, e a glorificação das nossas ovações". Essa frase pertence à nossa Vênus, mas as "juvenilidades auriverdes " em geral ignoram ovações, elas são, nas palavras do poeta, "a passiflora, o desejo, a loucura". É um tipo de loucura assim que nosso Nodo Norte espera de nós.

"(...) O Nodo Norte em Aquário aponta para um futuro de serviço à humanidade, onde o nativo assumirá um papel de "Aguadeiro", a fim de que seja um instrumento na cruzada pela evolução do mundo. Antes que possa fazer isso, precisa lidar com o enorme poder do Nodo Sul em Leão, (...) tendência de desprezar outras pessoas (...)" e de colocar "(...)a si mesmo e aos que estão próximos de si em pedestais (...)". [9]

Possa Netuno no Nodo Norte do Brasil desviar nosso olhar para a poesia lúcida, pois é importante, agora, "netunizar" nossa empáfia, esmaecer nossos limites rígidos, assumir a lucidez da loucura poética antes que fiquemos fisicamente enlouquecidos, ou bizarramente doentes. Porque Netuno, quando passa despercebido, nos pune por isso. Melhor se pudermos rever nossas falhas com sutileza netuniana para não termos que lidar com os efeitos estranhos do caos venenoso que elas, sob efeitos de Netuno mal louvado, podem produzir à nossa volta.

[6] Atalane, op. cit.
[7] Atalane, op. cit.
[8] Martin Schulman, op.cit.
[9] Martin Schulman, op.cit.

IV - Leve Vênus ao Cinema!

O trânsito de Netuno está fazendo imenso bem ao cinema nacional. Acho que ele está vivendo um momento ímpar. Com Netuno em Aquário, um cinema-espantosamente-novo tem tocado em pontos sensíveis do mapa do Brasil. É o momento certo de cada brasileiro levar a porção Vênus do Brasil que mora dentro de si ao cinema. Seria radical começar com "Sou Feia mas Tou na Moda", de Denise Garcia. Só o título já deixa qualquer Vênus com taquicardia. A diretora documentou artistas do funk carioca, exatamente o tipo de pessoa que Vênus pretende fingir que não existe, mas que está lá e tem algo a dizer. A segunda taquicardia poderia vir de "Quanto Vale, ou é por quilo?", de Sérgio Bianchi. O filme, nas palavras de seu site oficial, faz uma "analogia entre o antigo comércio de escravos e a exploração da miséria pelo marketing social". [10]

A seqüência perfeita seria conseguir o documentário "Capivara", de Karina Matos [11], sobre os sítios arqueológicos brasileiros no Piauí. Ele contrapõe o depoimento da Antropóloga francesa responsável pelo sítio (totalmente Casa IX) aos depoimentos de pequenos agricultores (totalmente Casa IV em Touro) que moravam na área dos sítios e que hoje são pessoas sem terra esperando indenização do governo. Além dos fatos concretos, além que é específico, um Astrólogo poderá ler ali sinais puros e cristalinos do mapa natal brasileiro.

Os antigos moradores do Parque reconhecem na Antropóloga uma invasora, uma estrangeira (Vênus de Casa IX), mas, por não terem a quem recorrer, esperam que ela providencie uma solução, tratam-na como a Vênus da Casa IV assentada na Casa VI, a dama poderosa que há de saber o que fazer. Isso ela não é. Ela é apenas Casa IX: pesquisadora, universitária e estrangeira. Cabe-nos perguntar onde diabos andará a Vênus de Casa IV que deveria ser a responsável por aquela população e aquela riqueza humana incrustada em cavernas. Em Paris, talvez?

Finalmente, para não ficarmos apenas castigando Vênus com reflexões dolorosas sobre si mesma, nada melhor que apresentar a ela um retrato do que ela poderia ser. O filme "Vinícius", de Miguel Faria Jr., é um exemplo que ela saberá entender, pois Vinícius era culto, diplomata, libriano, e era um poeta que seguia rigorosamente as regras do bem-escrever, ou seja, tinha todas as qualidades que essa Vênus almeja e glorifica. Talvez por isso mesmo, ele nunca teve medo de abrir caminhos e deixar passar talentos rumo ao sucesso. E embora se pareça mais com Dionísio, Vinícius foi para o Brasil uma excelente Vênus. Netuno, que deve ser muito amigo dele, está nos permitindo lembrar disso e, claro, nos inclinando a ter fé na possibilidade de um futuro semelhante.

Esse futuro não é uma abstração e tem muito brasileiro que está, na solidão da Casa 12, fortalecendo nosso Nodo Norte. Falta termos a consciência e o orgulho disso. Quem quiser saber do que estou falando, pode acessar o site inventores brasileiros. [12]

Para concluir, devo registrar que a mais perfeita encarnação do que a Vênus brasileira pode ser quando crescer foi a Doutora Nise da Silveira. Se algum candidato a Vênus quiser saber o que é abrir caminho para a beleza; o que é ser magnânima; o que é ser poderosa; o que é não ter medo de loucura; o que é servir; o que é partir para o essencial em vez de se perder em discussões sobre o acessório; o que é mostrar a grandeza de uma pessoa para o mundo e para si mesma; e o que significa tirar ouro da inesgotável mina leonina brasileira, basta se informar sobre sua obra.

Também existe um filme sobre essa obra. É uma trilogia de Leon Hirszman com os seguintes e significativíssimos títulos: Em busca do espaço Cotidiano, No Reino das Mães e A Barca do Sol. Mais Vênus brasileira, impossível.

[10] http://www.quantovaleoueporquilo.com.br/, consultado em janeiro/2006
[11] http://www.tvcultura.com.br/doctv/programas_16-capivara.htm, consultado em janeiro/2006
[12] http://inventabrasilnet.t5.com.br/indexn.htm, consultado em fevereiro/2006

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