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Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 173 :: Novembro/2012 :: -

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ASTROLOGIA E CINEMA

Rodrigo Santoro ilumina o Sol de Heleno

Vanessa Tuleski

O ator Rodrigo Santoro, ao dar vida no cinema a Heleno de Freitas, um jogador de futebol de trajetória trágica, ativou o eixo Leão-Aquário, forte tanto no mapa do ator quanto do personagem. Através de Santoro, o público teve a chance de conhecer melhor o antigo ídolo da década de quarenta, vitimado pela arrogância, paixão e vícios.

Heleno, cartaz do filmeSantoro e Heleno

Para brilhar no altar do sacrifício da vida de Heleno, um ator leonino: Rodrigo Santoro, cujo Sol está conjunto à estrela real Regulus (e oposto ao Sol de Heleno) e a Lua em Peixes, em quadratura com Netuno, oposição com Vênus em Virgem e quadratura com Marte em Gêmeos. Pronta para, por ofício (Vênus em Virgem), emprestar seu corpo e energia (Marte) a um jogador de futebol (Marte), sentir o que ele sentiu, simular o que ele viveu, misturar-se a ele (Peixes e Netuno) e sorver sua tragédia até o fim, 12 quilos mais magro de fome.

Para entender a missão de Heleno, eis que Rodrigo nasceu com o mesmíssimo Nodo Norte no apaixonado signo de Escorpião, a apenas 5 graus de conjunção do seu protagonista.

Segundo dados fornecidos pela astróloga Hanna Opitz em Mapas do Brasil, Rodrigo Santoro nasceu às 23h55 de 22.8.1975, com Ascendente em Touro e Meio-do-Céu em Aquário. O site Ego Astral, em matéria de 2007, corrobora esses dados ao também atribuir a Santoro um Meio-do-Céu em Aquário. Nesta hipótese, a casa dez do ator estaria alinhada ao Sol, Mercúrio e Urano de Heleno, em uma profunda ressonância com o personagem interpretado.

Rodrigo foi Heleno, e seu Júpiter em Áries de casa doze (o atleta guardado dentro dele) compreendeu o desejo de grandiosidade do Júpiter/Netuno em Leão de Heleno, enquanto sua Lua em Peixes teve compaixão pela atormentada Lua em Escorpião do ídolo botafoguense, pela forma como ele se destruiu e  se desmilinguiu em vícios e mau comportamento.

Rodrigo Santoro

Rodrigo Santoro - 22.8.1975, 23h55 (-03:00) - Petrópolis, RJ - 043w10, 22s30.

A ferida do individualismo exacerbado

O filme Heleno foi lançado em 2012, quando Netuno acorda o Urano pisciano de Heleno e Urano transita em quadratura com Plutão natal, ficando também conjunto a Quíron em Áries, tocando, a meu ver, em um outro ponto nevrálgico deste mapa.

As provocações de Heleno, suas confusões, muitas vezes encobrem a lástima maior para uma pessoa dedicada a uma paixão: a impossibilidade de concluir sua missão, seja por ser barrada por fatores fora de controle ou, quando as oportunidades chegam, por formas tortuosas e inconscientes de autossabotagem.

Como exemplo do primeiro caso, temos, na década de 40, o auge da carreira de Heleno, o cancelamento de duas Copas do Mundo. Contabilize-se também na conta do azar o diagnóstico tardio da sífilis, que agravou o temperamento já destemperado do atleta, e de tal forma pisciana que não era possível distinguir muito bem o Heleno doente do são. 

Em 1950, quando a seleção brasileira disputaria uma final histórica no novo e portentoso Maracanã, um Heleno ainda mais rebelde pelos anos de fama, farra e abuso de éter e lança-perfume, deixou de ser escalado por motivo de indisciplina. Há um elemento muito trágico em uma pessoa tão apaixonada deixar de participar do evento máximo daquilo que ela pratica. 

Aqui vemos Quíron no individualista signo de Áries em quadratura com Plutão, que representa o poder. Quíron é a ferida, que, no caso de Heleno, era causada pela absoluta recusa em se render ao poder e ao sistema (Plutão), como se pudesse estar sempre independente de tudo, brilhando pela sua própria estrela.
Quíron em Áries: sempre no começo, sempre reiniciando, e nunca concluindo. A máquina que cria e destrói a si mesma (Quíron em Áries em quadratura com Plutão), em um processo compulsivo e inconsciente. O herói ferido (Quíron) por suas próprias mãos (Áries).

Heleno de Freitas em forma

O jogador era conhecido pela postura física impecável, dentro e fora dos campos

Bem se vê no mapa de Heleno que o elemento Fogo dotou-o regiamente de vitalidade, carisma e autoconfiança, tão necessários a um atleta. Que Júpiter e Netuno em Leão lhe legaram um presente em forma de talento. Mas que tudo isto consumiu-se no fogo da vaidade (Leão), imprudência e imaturidade (Áries). Uma mistura linda de talento e idealismo, mas para a qual faltava a sustentação da Terra ou do bom senso de Saturno. Neste elemento, além de Vênus, Heleno tinha Saturno retrógrado em Virgem, que imprimiu nele técnica e precisão, mas nenhuma habilidade estratégica para além dos campos. Era um gigante (Júpiter) em meio a pigmeus, com a total imprudência de lembrar-lhes sempre disso.

O fado do reinício (Quíron em Áries) e da ausência de conquistas finais também aparece sutilmente no fato de que, apesar de ter feito duas centenas de gols pelo Botafogo, o time só se sagrou campeão estadual depois que ele foi vendido ao Boca Juniors de Buenos Aires, sendo que mais tarde não quis mais receber o jogador.

Heleno de Freitas também foi contemporâneo da conclusão do maior estádio brasileiro. No entanto, só pisou nos gramados do Maracanã por 25 minutos, já desfocado e alquebrado pela doença, terminando por ser expulso por colegas de time a quem ofendeu. Assim, o talento não se sagrou na vitória e no reconhecimento finais. 

Heleno emociona porque coloca lado a lado, inclusive na sua montagem, ascensão e queda, força e fragilidade, gênio e ingenuidade.

Disse seu filho: “Se meu pai parasse de jogar, morreria. Quando ele acabou para o futebol, também acabou para a vida”.

Heleno: abençoado pela vida (Júpiter), amaldiçoado por si mesmo e eternizado por sua própria tragédia.

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