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Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 144 :: Junho/2010 :: -

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DEBATE ASTROLOGIA X UNIVERSIDADE

Os infiltrados: astrólogos tomam de assalto

a universidade

Entrevista

Torres de marfim e operários do conhecimento

Magritte

Helena Avelar: "Astrólogos que não dão consultas são apenas teóricos. É como ser jardineiro e nunca ter tocado numa planta... Esse medo de sujar as mãos com a prática da Astrologia é de fato um esnobismo."

CONSTELAR - A nova safra de astrólogos-filósofos não parece muito interessada em atender clientes ou em dar cursos. Os que ainda se aproximam da prática, normalmente têm uma forte atração pelos métodos tradicionais, preferindo, por exemplo, Plotino a Liz Greene, ou Vettius Valens a André Barbault. Não haveria aí uma certa dose de esnobismo intelectual? Ou seria uma espécie de álibi? Algo do tipo: "Não, eu não sou um astrólogo qualquer, como esses que andam por aí, sou um pesquisador envolvido com a arqueologia do saber..."

CARLOS HOLLANDA - Não vejo, de forma alguma, como esnobismo a atitude desses pesquisadores. Para traçar-se um estudo acadêmico sobre alguma coisa é preciso estabelecer um recorte epistemológico, um recorte temporal, entre outras circunscrições cabíveis à metodologia científica. Hoje, dentro do que tem sido possível oferecer ao mundo acadêmico em termos de Astrologia, é bem interessante trabalhar sobre as raízes do que se entende por ela, não a apresentando como algo válido logo de cara, isto é, não entrando de sola num ambiente que oferecerá sérias e justificáveis resistências. E digo justificáveis porque o paradigma não se adequa àquilo no que a Astrologia se baseia. Isso implica pesquisar aqueles que legaram esse saber, entender as razões que os levaram a produzir algo na área, como eles produziram e o que exatamente. Isso não exclui estudos sobre a prática contemporânea, é claro. Está aí o trabalho do Luis Rodolfo Vilhena, mas note que é um estudo antropológico sobre a prática e seus praticantes num setor da sociedade, não sobre a Astrologia e suas aplicações, ou possível validade do ponto de vista científico. Esse seria, talvez, o papel de um livro sobre "A correspondência dos aspectos astrológicos com Marte na vida dos torneiros mecânicos do ABC paulista nos anos 1960". Entretanto, falar sobre as origens constitui uma espécie de pedagogia que pode vir a preparar o terreno para uma discussão mais sóbria em torno do assunto futuramente.

HELENA AVELAR - Os “astrólogos” que não dão consultas e que não praticam algum ramo da Astrologia não são verdadeiros astrólogos, são apenas teóricos. É como ser jardineiro e nunca ter tocado numa planta... ou ser cozinheiro sem nunca ter entrado na cozinha. Esse “medo de sujar as mãos” com a prática da Astrologia é de fato um esnobismo.

CRISTINA MACHADO - Não posso falar por todos, mas este não é o caso dos astrólogos-acadêmicos que conheço, cada qual com a sua história. Eu me interessei pela Astrologia antiga muito antes de entrar na faculdade, quando ainda estudava na Astroscientia. Tive e ainda tenho dificuldade de atuar como astróloga muito mais por um motivo existencial do que propriamente intelectual: tenho medo de influenciar a vida e as decisões dos outros, sobretudo porque se costuma associar a Astrologia a um "saber superior". Apesar de ter sido arrebatada pela Astrologia na adolescência (e amor de adolescente você sabe como é!), eu tenho questões sérias com a sua prática, pois, para mim, se ela não pode ser um instrumento de liberdade, então não me interessa. Quando entrei na faculdade, a única coisa que eu queria era tentar enveredar por uma área que me permitisse fazer a conexão com a Astrologia. Pensei em estudar Filosofia da Linguagem, Estética, Filosofia Antiga, mas acabei tendo um encontro com a Filosofia e História da Ciência que foi extremamente produtivo. No doutorado, à Filosofia e História da Ciência agreguei também a Tradução, que é minha área de atuação há quase duas décadas. Acabei virando uma acadêmica e gostei. Acho que posso contribuir muito mais com a Astrologia por meio das minhas aulas, escritos e pesquisas do que propriamente atendendo. Mas esta é a minha história, não é melhor nem pior que nenhuma outra.

CARLOS HOLLANDA - Numa pós-graduação, o pesquisador demanda muito de seu tempo. Nem sempre é possível conciliar uma pesquisa como essa com os atendimentos e cursos. É um investimento de vida e também financeiro, já que livros são caros aqui no Brasil e há também as contas, a alimentação etc. Isso sem contar com o tempo dedicado às aulas, às entrevistas (quando há trabalho de campo, em pesquisas culturais) e eventos ou publicações acadêmicas das quais é preciso participar para divulgar a pesquisa e vitaminar o currículo Lattes. Se o pesquisador pode contar com uma bolsa de estudos para custear essa empreitada ele certamente poderá se aprofundar melhor. Se não, ele terá que trabalhar com alguma coisa que não o distancie tanto de sua pesquisa. Ou ele atende ou ele encontra meios de dar aulas em universidades. Acontece que para dar atendimentos de um modo que valha a pena financeiramente, é preciso que ele tenha formado uma clientela. Isso se forma ao longo de vários anos, é um trabalho de grão em grão, bem lento. A melhor propaganda continua sendo a de boca a ouvido, isto é, aquela que é feita pelo cliente que gostou do trabalho e indicou outro. Então não vejo muita saída, exceto se o sujeito tem um respaldo financeiro muito bom e não precisa nem da bolsa nem de qualquer trabalho. Aí ele atende se quiser e quando quiser, muito embora seja mais interessante que ele se mantenha realizando sua pesquisa. Creia, não é um passeio fazer algo assim.

Em tempo: muitos dos astrólogos-filósofos que conheço não têm atendido porque têm investido maciçamente em suas carreiras acadêmicas, o que vejo como uma vitória para quem enfrenta as resistências que são comuns em empreitadas assim.

ALEXEY DODSWORTH - No meu caso isso não confere, pois continuo atendendo, muito embora bem menos do que atendia até 2004. Os motivos que me levam a quase não atender e quase não dar cursos são bem mais simples: em primeiro lugar, porque não tenho tempo mesmo. Faço mestrado em Filosofia ao mesmo tempo em que curso o bacharelado em Astronomia e Astrofísica. Ajuda o fato de ambos os cursos serem na Universidade de São Paulo, ou seja, fisicamente próximos, mas mesmo assim são intelectualmente distantes  –  fico mudando de canal mental o dia todo: de Filosofia para Laboratório de Física, de Cálculo Diferencial e Integral para Ética e Política. Que tempo eu poderia ter pra atender? Depois de um dia inteiro assim, a única coisa que eu quero saber é de assistir Os Simpsons, jogar playstation e ler uma revista em quadrinhos, pra neutralizar o excesso de “papo sério” que tenho o dia inteiro. Em segundo lugar, graças ao site Personare, já faz um bom tempo que não preciso atender para sobreviver. Vivo de direitos autorais de tudo o que escrevi para o site, e vivo bem. Eu brinco dizendo que sou financiado por uma bolsa astrológica que me permite só estudar, e não precisar trabalhar. Mas eu ainda atendo, principalmente clientes antigos, muito mais para não perder a mão e para ajudar. Adoro dar cursos de Astrologia. Só não tenho tempo atualmente.

CARLOS HOLLANDA - Há, no entanto, aqueles que escolhem a Astrologia antiga ou clássica para estudos acadêmicos devido às próprias preferências em termos de linha ou prática. São aqueles que optaram por serem astrólogos no modelo clássico, respeitando rigorosamente as regras legadas pelos antigos, sem "contaminações" de olhares psicológicos, ou metafísicos demais, do esoterismo do século XX. O curioso é que aquela Astrologia é de base absolutamente metafísica. Tudo nela parte de concepções cósmicas inaceitáveis para a ciência vigente. Conceitos como dignidades, estado celeste, correspondência, tudo isso é impossível e não-vigente. O problema todo, como disse desde o início, é que esses conceitos, quando aplicados direitinho, funcionam que é uma beleza. Se para eles é mais fácil transitar por esse viés, então não vejo como esnobismo, mas como um recorte bem estruturado. O que não pode acontecer é se pensar que a única Astrologia verdadeira é aquela tida como clássica, até porque hoje isso é impossível de aplicar totalmente e porque mesmo ela é um grande amálgama de inúmeras práticas e concepções (egípcias, mesopotâmicas, gregas, árabes, hindus... só para citar as que me recordo no momento). Não há mais como descartar totalmente o papel da subjetividade na construção das próprias experiências, e isso devemos à Psicologia, entre outros saberes mais recentes. Aliás, se formos falar com uma linguagem típica dos astrólogos antigos, ninguém conseguirá entender. Um bom astrólogo é aquele que consegue se comunicar direito, que se faz entender, que dá sentido e que torna o que lê inteligível em sua época. Toda a linguagem antiga acaba tendo que ser readaptada. Obviamente isso não invalida a astrologia clássica, nem é para isso que serve minha observação, mas é preciso repensar a noção que procura desqualificar outras formas de praticar uma arte que já na origem é multifacetada e permeável por outros olhares.

EDIL CARVALHO - Se sou um dos astrólogos-filósofos desta nova safra, então sou uma exceção: clinico e leciono. Há anos. E se encontro dificuldades em fazer as duas coisas, ora é por conta da demanda acadêmica, ora é por conta dos compromissos já assumidos com a Astrologia. Creio que o mesmo deva acontecer com os outros aqui chamados de “astrólogos-filósofos”. E se eles preferem usar as técnicas que tem por referência astrólogos antigos, eu me pergunto: por que não? Porque não conhecer as técnicas que fazem parte da própria tradição e história da Astrologia e contar única e exclusivamente com a interpretação própria da Astrologia moderna? Aliás, porque uma coisa tem que ser feita à revelia da outra? E se há algum esnobismo por parte deste astrólogo-filósofo que usa uma técnica de interpretação tradicional, isto deve ser creditado na conta da sua personalidade, por mais que o estudo e o esforço nesta direção tenham, por consequência geral, a vaidade. Desse modo, a vaidade e o esnobismo não parecem ser um atributo exclusivo destes que estudam técnicas tradicionais: tem astrólogo que só estudou e conhece a Astrologia moderna, e é esnobe.

HELENA AVELAR - Por outro lado, já não considero esnobe aquele que opta por estudar os clássicos, em detrimento de obras contemporâneas. O edifício teórico-filosófico (e prático) da Astrologia pode ser encontrado nas obras antigas, não nas atuais. Grande parte da Astrologia atual tem por fundamento as opiniões pessoais dos praticantes, o que constitui uma base muito instável para construir uma imagem séria e acadêmica da Astrologia.

Riscos reais e riscos imaginários

O Nome da Rosa, Umberto EcoCONSTELAR - O famoso romance de Umberto Eco O Nome da Rosa, que depois virou filme, gira em torno de uma biblioteca de mosteiro onde secretamente se preserva uma obra de Aristóteles considerada perdida - e uma obra que, entre outros assuntos, trata de conhecimentos astrológicos! A universidade brasileira ainda não tem um pouco daquele clima repressivo e conspiratório do mosteiro do romance? Qual o risco de um professor-astrólogo, como o Marcus Reis ou o Carlos Hollanda, aparecer envenenado no banheiro da Reitoria? 

HELENA AVELAR - Pelo que me recordo do livro (que é bem mais profundo que o filme), os problemas giravam em torno de um livro perdido de Aristóteles, que falava sobre o riso, o humor. Esse era um elemento destabilizador na sociedade clerical, pois destruía o medo e restituía ao Homem o seu sentido de autonomia face ao divino, pondo assim em causa as hierarquias.

EDIL CARVALHO - A repressão que a Astrologia sofreu ao longo da história é algo para se pensar, e forma um estudo sem dúvida fascinante; mas houve momentos em que esta repressão foi episódica e jamais maciça, visto que ela gozava de prestigio e boa reputação. Creio que valha a pena pensar em ambas as ocorrências, isto é, tanto nos momentos em que ela foi reprimida, quanto nos momentos em que ela foi enaltecida, e nos fatores responsáveis por isso. Creio que teríamos boas surpresas em relação a este tipo de reflexão e estudo – e eis outra sugestão para um próximo evento astrológico.

CARLOS HOLLANDA - Acho que ainda tem um pouco daquele clima sim, muito embora meus colegas astrólogos-acadêmicos possam divergir para mais ou para menos nesse quesito. 

ALEXEY DODSWORTH - Não consigo achar o ambiente acadêmico tão fechado assim. Pelo menos na USP não é. Ora, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), um dos mais conceituados professores (meu orientador, o Renato Janine Ribeiro) é assumidamente um simpatizante da Astrologia, e uma de suas palestras mais apreciadas se chama “Agir com Astrologia” (está disponível na internet). No Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas, todo mundo sabe que o Amâncio Friaça é um grande conhecedor de Astrologia, e que inclusive já deu aulas sobre o tema. Algumas pessoas às vezes estranham, especialmente no caso do Amâncio por ele ser um cientista, mas, como ele divide muito bem as coisas – afinal, Astrofísica é Astrofísica, e Astrologia é outra coisa! – não vejo ninguém implicando. Eu mesmo sou representante de classe do curso de Astronomia, e todo mundo sabe que sou astrólogo. Pra esconder algo assim, eu teria que contratar um hacker para invadir o Google e apagar meu “passado esotérico sombrio”. Alguns cientistas até me pedem pra fazer mapa astral! Até hoje, ninguém implicou. Especialmente no caso da Astrofísica, algumas pessoas até estranham e me pedem esclarecimentos sobre Astrologia, e se vê bem que aquilo que elas conhecem sobre o assunto se limita a horóscopos de jornal. Estas pessoas não são tacanhas, paranóicas, nem burras ou preconceituosas. Pelo contrário, parecem-me bem abertas ao diálogo, ninguém quer matar o astrólogo. Elas podem não acreditar em Astrologia, mas é inegável que Amâncio seja um dos professores mais respeitados do Instituto, e eu mesmo jamais sofri preconceito. Sei que tem gente que me acha estranho, mas isso não é ofensa, é fato. Eu sou estranho! Como eu poderia ficar ofendido por ser chamado de uma coisa que deveras sou?

CONSTELAR – Ok, mas vocês acabaram não respondendo: qual o risco de um professor-astrólogo, como o Marcus Reis ou o Carlos Hollanda, aparecer envenenado no banheiro da Reitoria? 

CRISTINA MACHADO - Espero que nenhum, pois amo os meus amigos Marcus e Hollanda, e gostaria de vê-los sempre sãos e salvos. Brincadeiras à parte, o meio acadêmico, como qualquer outro, tem seus problemas, mas não diria que "clima repressivo e conspiratório" seja um deles.

ALEXEY DODSWORTH - Risos... acho muito improvável! É claro, sempre há um ou outro espírito obtuso que tem ódio da Astrologia, mas esse aí nem pode se dizer um cientista, e é indigno da minha mais remota atenção. A verdadeira ciência não é o espaço das respostas absolutas, é o espaço da investigação. E rechaçar a Astrologia fazendo o estilo “não conheço o assunto e mesmo assim não gosto” está longe de revelar um genuíno espírito científico. O espírito do genuíno cientista é aberto para novas possibilidades, explicações, experimentações. Gente preconceituosa é indigna de receber este título.

EDIL CARVALHO - No centro de estudos de filosofia antiga da UFRJ, ao qual estou filiado, não noto nenhum clima repressivo e conspiratório, nem tampouco nenhuma purpurina ou endeusamento – o que é muito bom, como disse, pois a sobriedade permite um diálogo mais sereno sobre o tema astrológico quando ele vem à baila. Mas se assassinarem o Marcus Reis e o Carlos Hollanda eu vou ficar muito triste!! No entanto, não acredito numa repressão de tal porte. Há repressões menores, ouvi dizer, e nem por isso menos graves – mas não é o que até então vem ocorrendo comigo.

HELENA AVELAR - Apesar do que disse anteriormente, não considero que na minha universidade (pelo menos na faculdade de História) exista um clima repressivo nem conspiratório. Pelo contrário, os professores têm sido bastante acessíveis, mesmo tendo em conta as questões ligadas à Astrologia.

Além disso, ainda não encontrei ninguém envenenado no banheiro! (risos)

CARLOS HOLLANDA - Aparecer envenenado eu duvido muito, mas ter que debater um bocado, isso acredito sim. Mas se nos puserem para enfrentar o debate será a melhor coisa que já aconteceu num meio como esse, pois o mais comum é a rejeição total e irrestrita ao debate, ou melhor, ao diálogo.

Tetrabiblos
Carlos Hollanda: "Não chegamos a uma conclusão sobre se a proposta é dominar o mundo ou se é apenas sermos bons professores. Eu tenho fortes preferências pela segunda opção." Ao lado: capa do Tetrabiblos, tema da tese de Cristina Machado, em edição espanhola.

CONSTELAR - Como anda aquela confraria secretíssima de que alguns de vocês fazem parte, a Academia Celeste? Vocês se apossaram do Simpósio do Sinarj de 2004, apresentaram uma fantástica produção teórica e depois sumiram de cena como grupo. Afinal qual a proposta? O alvo de vocês é o poder no meio astrológico ou na universidade?

CARLOS HOLLANDA - Não vejo a Academia Celeste como algo secreto ou tão exclusivista. Participamos mais ou menos quando há interesse e quando temos alguma novidade para contar em torno de conquistas acadêmicas ou dúvidas teóricas. A maior parte do grupo ou talvez a parte mais atuante é justamente a dos graduandos, graduados e pós-graduados em Filosofia. De vez em quando dou meus pitacos, mas a produção maior parece ser mesmo a deles.

CRISTINA MACHADO - Continuamos vivos, em contato e produzindo, mas sem nenhuma proposta formal ou institucional, apenas seguir estudando a Astrologia de maneira séria e em articulação com o meio acadêmico, cada um na sua área e interagindo na medida do possível. Só de sabermos da existência um do outro já é um grande alento.

EDIL CARVALHO - Vou creditar o título de “confraria secretíssima” a uma ironia amável contida na pergunta. Nunca fomos secretos e temos até um site onde nos propomos a divulgar nossa produção – e isto quando ela é feita. A nossa “fantástica produção teórica” se revelou em função de um evento que permitiu a sua emergência: os simpósios do Sinarj. Depois tudo praticamente se extinguiu – exceto os laços de amizade que foram formados. Por isso, não sumimos de cena como grupo – a cena mesma acabou. Daí, desaparecemos. Ademais, o título de “grupo” dado para nós, por mais desejável que fosse e seja, é apenas uma ficção: não produzimos todos em grupo, não nos reunimos todos com a frequência necessária para levar qualquer propósito e objetivo adiante: conversamos, trocamos e-mail com informações e só, o que já parece ser muito no presente momento. Não há, pois, um grupo, muito embora haja um Marcus Reis e uma Cristina Machado tentando a duras penas levar adiante uma pesquisa belíssima que envolve a tradução do Tetrabiblos e a cosmologia antiga. Por isso, quando tivermos formado um grupo forte e coeso - caso isto venha mesmo a ocorrer -, saberemos e descobriremos o poder que uma situação como esta aufere – e daí nem precisaremos responder a esta pergunta.

CARLOS HOLLANDA - Não chegamos a uma conclusão, pelo menos ao que me consta, na minha correria habitual, sobre se a proposta é dominar o mundo ou se é apenas sermos bons professores. Eu tenho fortes preferências pela segunda opção. E se isso implica sermos astrólogos dentro do meio acadêmico, tanto melhor, pois poderemos falar sobre esses assuntos com base epistemológica promovendo o quanto possível o diálogo, ao contrário do que vem ocorrendo hoje na maior parte do tempo.

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Entrevista realizada por Fernando Fernandes, editor de Constelar. Os entrevistados responderam por e-mail e não conheciam as respostas dos demais. As respostas de Helena Avelar foram traduzidas do português de Portugal para o vernáculo.

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