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Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 142 :: Abril/2010 :: -

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PERFIL ASTROLÓGICO

Ney Matogrosso, um Plutão que não se dobra

Tereza Kawall

Sol e Lua: dualidade Leão e Escorpião

O Mapa natal indica pelos signos do Sol e da Lua, Leão e Escorpião, uma tensão, um conflito, um antagonismo separação entre seu eu pessoal e sua personalidade artística:

Assim, há um aspecto que é contraditório, porém complementar, que é a persona leonina que peita o mundo, se expõe, é ousado e não teme o confronto. E tem um outro lado, mais introspectivo, que fica igual a um caranguejo na praia, correndo para se enfiar na toca.

Esses dois mundos se auto-regulam, a vida externa, o assédio, muita gente, mídia, palco e os amigos, bem escolhidos, sua casa, seu santuário.

Conflitos de personalidade

“No início comecei a achar que sofria de dupla personalidade; era bipolar ou algo assim. No palco eu interpreto, estou fazendo um espetáculo e fora dali eu sou o Ney, uma pessoa comum... algumas pessoas imaginam que eu fico em casa maquiado e vestido com o figurino. Já me perguntaram até como eu fazia para tomar banho devido à quantidade de acessórios que eu supostamente usaria.”

Revista Top Magazine, p. 77.

“No transcorrer da minha vida, perdi esse medo. O tempo foi passando, e vi que aquilo lá é uma manifestação artística exaltada e que não tenho nenhuma necessidade daquilo na minha vida particular. Não preciso daquilo para viver.”

Revista Rolling Stone, p. 65.

Ney, mais que um cantor, é um artista. Mercúrio está no signo de Câncer, na casa doze, o que reforça a necessidade de introspecção, e uma acentuada intuição, um feeling muito apurado para ouvir seus próprios sentimentos e mergulhar em si mesmo.

Uma fértil imaginação, uma mente que se deixa levar pela subjetividade, pelo sonho, seja a memória emocional, cheiros, sensações, cores e sons. Muitas decisões acertadas podem chegar por aspectos não racionais ou lógicos.

Mercúrio faz trígono com a Lua e um sextil com Netuno, e aqui vemos uma grande sensibilidade visual ou imaginativa, da qual desfrutam os poetas, escritores, fotógrafos e cineastas – saber jogar com a imagem, a fala, a luz, o movimento, música e assim provocar uma emoção, uma sensação corporal e anímica.

Júpiter está em Gêmeos, na casa onze, setor das amizades, da consciência social, da cooperação, das associações livres, abertas e progressistas, voltadas para a liberdade, para o futuro. Há uma curiosidade por muitos assuntos diferentes, uma abertura para todos os tipos de pessoas, das mais simples às mais complicadas.

Júpiter está em sextil ao Sol, o que faz de Ney um amigo generoso que se dispõe a ajudar de várias formas os seus eleitos. Este aspecto também sugere muita fé, disposição seguir adiante nas horas duras, uma confiança em algo maior que guia seu destino, muita vitalidade e capacidade de mudar as coisas quando é preciso.
A percepção do que é justo ou injusto está bem evidenciada, e se tiver que brigar para defender a si ou alguém, ninguém vai detê-lo.

Zeus da mitologia grega era um símbolo de benevolência e generosidade, mas todos podiam ver no céu seus momentos de ira, que eram os seus rompantes em forma de raios e trovões fortíssimos.

Júpiter tem um belo sextil com Marte, em Áries, e aqui este aspecto também fala de brigar pelo que se quer, impor a sua vontade, não mandar recados, não deixar barato, a luta pelo espaço, isso é meu, meu direito. Não se deixar agredir nem ser passado para trás. Marte, na mitologia grega, é o deus das batalhas e das guerras. Representa o desejo, a vontade, a imposição do eu, ou seja: Ney é bom de briga, iniciativa, e de execução.

Não aceitar a autoridade, briga com o pai que era militar:

“Ele foi contra e disse que se eu saísse nunca me daria um tostão e eu disse: ‘Não se preocupe, jamais lhe pedirei, não quero nada além de minha liberdade, quero descobrir o que é o mundo’. Eu tinha uma consciência clara a esse respeito, sabe?

Saímos na porrada. Ele me deu um soco na cara, me jogou atravessado dentro de uma banheira, quando veio em cima eu chutei o saco, queria pegar o ovo assim por baixo, ele caiu lá na porta. Foi quando me expulsou de casa, aos 17 anos”

Revista Caros Amigos, p. 31.

Sobre o período da ditadura e sobre os militares:

“Eu os odiava. E os desafiava sendo uma pessoa completamente contrária ao que era permitido ser. Virei um hippie, eles detestavam hippie, odiavam cabelo comprido, calça apertada, aquelas boconas. Odiavam tudo. E eu era isso tudo. Era doidão, puxava fumo”.

Revista Caros Amigos, p. 31.

Ney nasceu durante a Segunda Guerra, (1941) faz parte de uma geração que contestou a família, a moral, a religião, a política de uma forma ultra radical.

Secos e Molhados SempreO Grupo Secos e Molhados surgiu no início dos anos 70. Foi uma experiência musical arrebatadora, em termos visuais e artísticos, o repertório era riquíssimo, com poemas musicados. Ney com sua dança sensual e presença mais que extraordinária, enlouquecia o público. Sua voz de soprano, poderosa e afinada, abriu portas para outros artistas, levantou a polêmica em torno da homossexualidade.

Nesta fase inicial, Ney pintava seu rosto em preto e branco, inspirado nas máscaras do teatro japonês kabuki.

Segundo ele, isso era fundamental para se proteger das pessoas, pois não queria ser reconhecido nas ruas. Mas mergulhou, como muitos, nas águas do mundo psicodélico dos anos 60 e 70, usufruindo à larga o bordão: “sexo, drogas e rock and roll”.

O primeiro disco da banda vendeu mais de um milhão de cópias.

Momento histórico

Importante lembrar também que, no cenário político, vivia-se um Brasil que estava debaixo dos horrores da repressão da ditadura militar.

Este texto é da Liz Greene, que fala a respeito de tendências históricas e próprias de cada geração, que correspondem aos grandes ciclos planetários. Discorre também sobre personalidades que estiveram particularmente sintonizadas com forças coletivas (caso do Ney):

“Penso que as conjunções representam uma responsabilidade que pertence a um determinado grupo de geração e que esse grupo irá eleger um porta-voz que expressará o seu significado.

Passei muito tempo pensando a respeito do grupo Saturno-Urano nascido entre 1941 e 1943. O que lhes aconteceu? Quem são eles? O que este grupo (geração) fez com a sua conjunção? A primeira coisa que me ocorreu foi que este grupo constituiu a base de toda a geração hippie. Uma das primeiras vozes desse enorme movimento cultural que transformou muitas coisas nas duas últimas décadas foi Bob Dylan, que é um do grupo Saturno-Urano.

Dylan, Joan Baez, e os Beatles formaram a vanguarda da um movimento que expressou uma ideologia política através da música. Isso, eu acredito, é próprio de uma conjunção Saturno-Urano trígono Netuno. A combinação de música com política foi muito mais que um simples modismo. Transformou estilos de vida de uma maneira irrevogável. As atitudes religiosas e morais mudaram totalmente, assim como as formas de relacionamento para com seu próprio país...

Esse grupo Saturno-Urano estava não só dando voz a uma ideologia, como também expressando a fantasia e os sentimentos espirituais de Netuno. Foi por isso, eu acredito, que esta combinação de política, drogas, e música teve um resultado tão grande.

A coisa mais característica não é um cantor ter se tornado popular; isso acontece todos os dias. O mais importante é que algumas pessoas expressaram atitudes que se alastraram como um incêndio na floresta”.

(Texto de Liz Greene em Os planetas exteriores, p. 51, Ed. Pensamento).

Nestes trechos de entrevistas, vemos o poder dos planetas transpessoais na vida do artista, seja no plano pessoal, familiar, social. Ney já intuía ser uma canal de expressão para algo maior que ele; nunca aceitou limitações ou restrições de nada ou ninguém.

Rebelde e libertário:

“Sou da geração hippie, que cresceu dentro do contexto do rock. Adorava aqueles cantores enlouquecidos dos anos 60, os Rolling Stones, Led Zeppelin, The Who. Entendia perfeitamente a estética, entendia o que via. E gostava mais dos Stones do que dos Beatles”.

Rolling Stone, p. 62.

“Era um mundo de loucura. Eu ignorava e pisava no acelerador. Mas sou transgressor na minha essência e vou continuar transgressor enquanto vivo estiver. Porque vou sempre olhar para a realidade e vou sempre me manifestar contra o que não me agradar”.

Rolling Stone, p. 65.

Ser um artista, um canal ou veículo de expressão:

“Adquiri essa consciência de ser um canal, e se existe algum mérito meu, é de, conscientemente, procurar ser um bom canal.
Naquele momento de ditadura no Brasil, quando me manifestei daquela forma com os Secos e Molhados, estava obedecendo a uma voz interior que me dizia: “vai por aí”, mas não era consciente.

Claro que quando a coisa se manifestou, vi no que estava mexendo, sabia em que país estava vivendo, tinha consciência, mas não premeditei que seria assim. Apenas ouvi uma voz que dizia: “Faça”, e fiz. Seja, manifeste a sua verdade”, e manifestei, contrariando todas as possibilidades, a mentalidade, os preconceitos que comandavam a época. Mas foi uma coisa intuitiva, eu não tinha informação clara”.

Revista Meditação, p. 7.

Outro aspecto muito forte relacionado a essa conjunção de Urano e Saturno em Touro fazendo trígono a Netuno em Virgem: vemos o apelo para uma ideologia, uma ruptura entre o velho e o novo, que realmente acarretou uma mudança de paradigmas da época.

Mas Saturno representa os limites, as regras, o valor do trabalho, a perseverança, a disciplina, e a seriedade que se propõe quando falamos no binômio liberdade com responsabilidade. Netuno são os sonhos e os mais altos ideais, e Saturno traz a força de concretização e realização para que eles aconteçam. A rebeldia usada com a consciência. Diz Ney:

Disciplina:

“Mas entendi na vida, quando fui viver sozinho, que só dependia de mim, não tinha a quem recorrer e só tinha isso, a disciplina, apesar da extrema liberdade em que vivi e vivo. Todas as descobertas e todos os interesses, satisfiz tudo. Se as drogas me interessaram, eu usei. Mas até com as drogas fui disciplinado. Tinha uma coisa assim: o meu físico tem que ser preservado porque é ele que me mantém aqui, é meu aparelho, meu corpo. Embora na loucura, tinha essa consciência de que, por mais que fosse, tinha que haver um limite.”

Revista Caros Amigos, p. 31.

Espiritualidade e Drogas

NeyNetuno é também o planeta da transcendência, do invisível, dos místicos, da devoção,dos sonhos, assim como da loucura e das drogas, tudo o que possibilita um estado alterado de consciência, ou uma fuga da realidade. Diz Ney:

“Não uso sempre. Prefiro as drogas que me deixam reflexivo, hipersensível de verdade... Não sou maconheiro. Uso quando me interessa, para me esclarecer. Sempre usei drogas para me abrir a percepção. Quando tenho uma questão, uma dúvida, uso maconha como uma terapia, em cima da problemática. E aí aflora, porque a resposta está dentro de mim. Vira um facilitador dessa aproximação. Mas é muito eventual”.

Rolling Stone, p. 62

Plutão como regente de Escorpião e da oitava casa pode manifestar uma familiaridade com os temas relacionados à morte, e ela passou bem perto dele, uma vez que o artista perdeu inúmeros amigos, levados pela AIDS.

Sobre a morte:

“Acho que a morte nos joga em uma sintonia diferente. Não é o fim da linha. Se pudesse escolher, gostaria de me observar no momento em que deixasse o plano físico. Queria cruzar a fronteira consciente, como os yogues, sem nenhum medo, para desfrutar bem a experiência”.

Revista Bravo, p. 34

Sobre a morte súbita:

“A morte súbita é o seguinte: a gente não tem essa proximidade com a idéia. Eu tenho, já passou por perto de mim muitas vezes. Ela levou mais de 80 por cento dos meus amigos. E eu penso nessa possibilidade sim...

Quando falo da morte súbita não quero que me pegue muito em débito. Claro que em dia, 100 por cento, pode ser que eu não esteja. Não quero estar com nada amarrado dentro de mim, não quero ter ódio dentro de mim, não quero ter dúvidas de nenhuma espécie, sabe? Quero fazer meu trânsito por aqui liberadinho.”

Revista Caros Amigos, p. 35.

Amor pela natureza:

O mapa de Ney tem muito dos elementos Fogo e Terra; Saturno e Urano estão em Touro e Vênus está em Virgem, o que, entre outras coisas, geralmente é promessa de forte ligação com a terra, amor pela vida mais natural, proximidade com animais, pássaros, água, terra e plantas.

Quando criança, brincava com lagartos, corujas e cobras. E também sempre usou e abusou de adereços de cena feitos com elementos naturais, como couro, chifre, pedras, cipós, penas, peles, sementes, conchas, etc.

Conta ele:

“Tenho uma reserva ambiental, que só libero para pesquisa. Não quero turista passeando lá dentro. Está a uma hora do Rio. São 148 hectares de mata atlântica, é um morro com muitas nascentes de águas puras que você pode por na boca e beber: como deveriam ser todas as águas”.

Revista Caros Amigos, pág 31.

“A Terra é uma organismo vivo, eu me relaciono com ela com respeito, amor, porque ela permite até que a gente a agrida... Ela nos oferece tudo, é um planeta amoroso, dadivoso. É o Sol que permite tudo isso, sem ele não aconteceria a vida aqui. É um equilíbrio tênue e perfeito”.

Revista Meditação, pág 9.

Ney é daquelas pessoas cujos antagonismos e contradições de uma forma ou outra são instigantes. De uma lado a loucura e a transgressão, de outro a seriedade, a timidez, a observação que nasce no silêncio. A afirmação da individualidade e da autonomia, e ao mesmo uma visão de mundo aberta para o entendimento do mundo, das pessoas e suas necessidades. A vontade de provocar para poder liberar os outros em direção a si mesmo.

Sobretudo, Ney é um velho sábio, de alma ancestral, onde também habita um jovem rebelde e inquieto, pronto para o que der e vier, para viver, para morrer, todos os dias, se necessário for.

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