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Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 89 :: Novembro/2005 :: -

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ASTROLOGIA E ANTROPOLOGIA


Aquário: amigo é coisa pra se guardar

O que é a amizade? O que a define? Para Carlos Hollanda, a experiência da amizade reúne características típicas de Aquário e dos três planetas que mais se relacionam com esse signo: Urano, o regente moderno; Saturno, o regente tradicional; e Mercúrio, que ali teria sua exaltação. Além de traçar inesperados paralelos entre os mecanismos de Aquário e de Virgem, Hollanda analisa a passagem de Urano por Aquário, entre 1995 e 2003, e as possibilidades relacionadas à entrada de Urano em Peixes, a partir de 2003.

Muitas pessoas com Aquário e Saturno evidentes no mapa não raro são capengas na arte de demonstrar sentimentos. É bastante curiosa essa manifestação aquariana: gostar muito das pessoas, mas sublimar ou dissimular esse afeto. Mais ainda quando se tem a Lua nesse signo do elemento Ar, que não é tradicionalmente um posicionamento grande coisa para o astro das emoções e do apego. Talvez, como indicam os astrólogos que trabalham no estilo de Alan Oken e Alice Bailey, esse seja um bom posicionamento do ponto de vista do espírito. A capacidade de resistir ao apego faz com que o sujeito consiga agir desapaixonadamente se assim for necessário.

Sabemos que uma amizade é construída e cimentada com o tempo. Tempo, em grego Cronos, é Saturno, na astrologia. Saturno é o regente tradicional de Aquário. Quanto maior for o tempo de uma amizade que é cultivada com a compreensão dos dilemas humanos do amigo, mais resistente ela será. Será uma fortaleza inexpugnável a qualquer ataque, a qualquer alteração de humor. Outra curiosidade do símbolo: a idéia de fraternidade. Ora, frater, de onde se origina a palavra, quer dizer irmão. Não é por acaso que Mercúrio está exaltado em Aquário: ele é o planeta que rege Gêmeos, signo simbolicamente relacionado aos irmãos. E quantas vezes chamamos aquele amigo muito querido de irmão! Queremo-lo perto, tão perto quanto um parente de sangue, só que melhor, pois este irmão nós escolhemos de livre e espontânea vontade.

Falamos de irmãos da alma, pessoas a quem escolhemos e por quem somos escolhidos para integrar uma espécie de família cósmica sem obrigações de autoridade, embora com obrigações morais implícitas nesse flexível compromisso de compreensão mútua.

O amigo verdadeiro não briga, dá um tempo. Ele aconselha e dá bronca, critica e elogia com intensidades variadas, mas não se arvora numa condição de superioridade. E não é que todas essas coisas fazem parte do simbolismo de Aquário? É claro que isso só descreve seu lado mais brilhante e bonito, mas é Aquário. E nas pessoas com ênfase em Aquário vamos encontrar mais ou menos o mesmo comportamento, ou pelo menos a idealização de uma sociedade cujas regras tenham como foco a idéia de fraternidade. "Ah, mas eu conheço aquarianos bastante egoístas que pouco se importam com as outras pessoas." Isso é muito possível, mas basta reparar no discurso dos aquarianos aparentemente contrários ao simbolismo do signo e será possível enxergar aquele idealista reprimido ou decepcionado, que não encontra forças em si mesmo para agregar pessoas em torno de um ideal.

Mercúrio de Gêmeos e Mercúrio de Virgem

Falamos de Mercúrio como regente do signo de Gêmeos, mas esse planeta também é regente do crítico e analítico Virgem. A exaltação de um planeta num signo diz muito acerca do mesmo. Aquário também traz consigo não a praticidade do Mercúrio de Terra de Virgem, mas sua visão crítica acerca da realidade. Dificilmente a ênfase em Aquário coincidirá com um comportamento conformista, não importa o grau de instrução do indivíduo. Tudo é passível de questionamento. Se algum modelo de conduta não tiver uma explicação razoável, o impulso básico aquariano é o de rebelar-se, o que pode também acontecer de forma sutil, em distúrbios do sono, colapsos nervosos e coisas do tipo. Muitas pessoas com essa ênfase acabam criando para si mesmas problemas de saúde por agüentar demasiadamente, por força de necessidades financeiras, regras aplicadas sem bom senso numa empresa. E o aquariano rebelar-se-á criticando o sistema ou disseminando (algo relativo à exaltação de Mercúrio) um modelo alternativo. Às vezes a explicação razoável existe e é aceita pela maioria das pessoas. No entanto, a mercurial necessidade de experimentação e o sentido inovador do Aquário acabam por promover novos paradigmas, especialmente quando ele resolve usar o lado mais prático de sua exaltação (Mercúrio, regente de Virgem) e põe em prática aquilo que idealiza.

Algumas correntes de pensamento em astrologia, especialmente as mais tradicionais, não consideram Mercúrio exaltado em Aquário. No entanto, podemos encontrar astrólogos do final do século XIX e do início do século XX, como Sepharial e Max Heindel, além de Nicholas Devore, mais tarde, que afirmam esta exaltação. E ela é perfeitamente lógica, se levarmos em conta o comportamento disseminador de ideologias do tipo aquariano, entre outros atributos mercuriais.

As inovações atribuídas a Aquário são uma espécie de dissociação da identidade que o passado construído pelos nossos pais e avós estabeleceram. Aquário, como seu oposto, Leão, vive o constante dilema da identidade reiterada. Fazer as coisas de um jeito diferente é como afirmar a si diante do que pode ser visto como monotonia e repetitividade das tradições.

Por coincidência, faço uma pausa na produção deste artigo e pego uma revista que está sobre a mesa. Chama-se Crescer e contém matérias sobre gravidez, medicina e psicologia infantil para orientação de pais. Abro-a ao acaso e encontro um excelente editorial de Rosely Sayão a respeito (que sincronicidade!) da amizade, indicando os benefícios do incentivo dos pais ao desenvolvimento nos filhos da capacidade de fazer amigos. Seu lado educativo inclui o surgimento gradual da independência com relação aos pais e o fortalecimento da auto-estima (algo que remete ao oposto de Aquário: Leão). Bingo! Com o que leio posso preparar o terreno para a abordagem final deste artigo sobre Urano em Peixes.

O ideal aquariano ou uraniano (em alusão ao regente moderno de Aquário) é exatamente o que encontro na página 4 do exemplar (ano 9 - N° 103) que tenho à mão. A descrição de amizade no subtítulo diz o seguinte: "solidariedade, lealdade, cooperação, respeito pelo jeito de ser de cada um...". Acrescentaria ainda a igualdade, conceito tão propalado nos ideais da Revolução Francesa (Liberdade, Igualdade, Fraternidade). Os três conceitos tratam ao mesmo tempo de formas de dissociação do indivíduo de sua dependência com relação aos pais, patriarcas ou autoridades, e de um relacionamento entre indivíduos diferenciados, mas unidos pela igualdade de direitos e pelo respeito mútuo. Em tese isso seria uma espécie de amadurecimento da idéia de igualdade expressa no simbolismo geminiano dos irmãos, quando temos a desigualdade entre pais e filhos e seu contraponto na união dos não privilegiados pela autoridade. No caso da família, os irmãos; no caso da sociedade, as confrarias, que transferem a autoridade para uma força superior, e os amigos, que se amparam mutuamente ante adversidades (e as adversidades, curiosamente tinham em Saturno um dos símbolos do Pai, um referencial para análises astrológicas medievais). Há ainda os sindicatos, que pelo menos idealmente têm a função de unir os mais fracos para obter uma confrontação de igual para igual com quem tem mais poder. Infelizmente a idéia de exercer um cargo de autoridade e a necessidade cultural de se chegar ao topo de uma hierarquia costumam levar muitos idealistas a recriarem sem perceber a relação de poder e subordinação que tanto lutaram para superar.

Quando o poder é centralizado em torno de uma ou de poucas figuras, estabelece-se novamente a relação mitológica do Pai que reprime o Filho e deste que desafia e castra o Pai. Quando um grupo de pessoas que deseja instaurar uma nova ordem (onde todos teriam direitos iguais) resolve cercear a liberdade de escolha, centralizar, e arvorar-se no direito de julgar e punir aqueles com quem não concorda, esse grupo acaba por tornar-se desigual, hipocritamente contrariando toda a ideologia professada. E é tipicamente aquariana essa relação hipócrita de luta pelo poder. Estamos sempre vendo repetir-se o lado mais negativo do mito da castração do Pai pelo Filho, quando este último resolve assumir, com todas as nuances, o lugar do primeiro. A humanidade ainda tem que apanhar bastante de si mesma para compreender que esse padrão repetitivo visto no mito ficaria mais positivo se a castração ocorresse internamente, isto é, se o Filho, dependente, castrasse a figura que o reprime e domina em sua psique. Desse modo ele renuncia ao poder e passa a assumir a direção de seus próprios atos, sabendo que todos os outros seres humanos precisam realizar esse drama arquetípico dentro de si mesmos a fim de, como as crianças do artigo da revista Crescer, respeitar o jeito de ser de cada um. Também é característica aquariana dois extremos de comportamento do tipo:

1- "Eu não interfiro na sua vida, nem te encho a paciência para fazer o que eu quero, portanto, não faça isso comigo, senão eu faço alguma coisa que vai te deixar em choque na frente de todo mundo."

2- "Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço" (este último bastante explorado por Liz Greene em Os Astros e o Amor - ed. Pensamento).

Antropologia da Amizade



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