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Um olhar brasileiro em Astrologia
  Edição 105 :: Março/2007 :: -

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MITOLOGIA E COMPORTAMENTO

Os mitos de cada signo
e os trânsitos de Plutão

Eugenia Maria Galeffi

Uma visão de cada signo a partir dos mitos gregos e das ativações provocadas pelo trânsito de Plutão. Os trânsitos deste planeta definem características geracionais que aqui são vistas não pelo enfoque da Astrologia Mundial, mas sim a partir de uma perspectiva comportamental e espiritualista.

Em relação aos signos, vamos ver de que forma Plutão age. Dizem que um planeta não afeta uma pessoa até que essa vibre na mesma sintonia. Como não faz muito tempo que tal planeta entrou em Escorpião, seu signo regente, esse é, pois, o último signo para o qual são aventadas hipóteses. De resto, seria ficção adivinhar o que vem por aí, sabe-se porém que grandes mudanças chegarão para afetar a humanidade. [Cf. Puiggros, p. 61-62.]

Para que possamos melhor entender a relação de Plutão com cada signo, vamos recordar os pontos cruciais de cada um.

O TRÂNSITO DE PLUTÃO PELOS SIGNOS
SIGNO PERÍODO O quadro ao lado mostra os últimos ingressos e saídas de Plutão de cada signo, a partir de Áries. Como Plutão sempre passa uma parte do ano retrógrado, as mudanças de signo podem durar várias anos. Por exemplo: em 1937 Plutão entrou em Leão pela primeira vez, depois retrogradou para Câncer e só ingressou em Leão de forma definitiva em 1939.
Áries 1822-1853
Touro 1851-1883
Gêmeos 1882-1914
Câncer 1912-1939
Leão 1937-1958
Virgem 1956-1972
Libra 1971-1984
Escorpião 1983-1995
Sagitário 1995-2008
Capricórnio 2008-

Áries

Nota do editor: as referências ao comportamento dos signos, a seguir, dizem respeito a seus traços arquetípicos, e não necessariamente às características individuais, até porque ninguém vive exclusivamente o seu signo solar em estado puro.

Áries, com seu desejo de dominar os outros, é provido de coragem e audácia mas que pode se tornar obstinação se encontrar obstáculos inesperados aos seus intentos. É um tipo que se inflama por uma coisa e depois a deixa de lado. É preciso muita paciência e bondade para desarmá-lo. E é no embate com sua "sombra" representada pelo signo de Libra, seu oposto, assim como na ânsia de demonstrar seus dotes sexuais, de afirmar sua superioridade real ou não, que ele encontra seu limite.

Do ponto de vista mitológico, vamos recordar o comportamento de Jasão (da era de Áries, justo em 2000 a. C), que partiu atrás do tão cobiçado Velocino de Ouro e, ao obtê-lo na ilha de Cólquida e casar com Medéia, filha do rei Eetes, após um tempo, abandonou-a para ir procurar outra, atirando, assim a sua ira mordaz. [Medéia, para se vingar de Jasão, envenena seus dois filhos.]

Plutão em Áries significa a regeneração e um novo ciclo que tem um período de 250 anos. "Pioneiros, mártires e reformadores, líderes de qualquer causa, obcecados pelo valor pessoal, estão sempre dispostos a derrubar todos os obstáculos que se anteponham à sua vontade, que não reconhece limites". [Puiggros, op. cit., p. 63.]

Touro

Já o signo seguinte, Touro, não aspira dominar a qualquer custo, embora se mostre inflexível ao proteger o que possui, agindo contra as forças que querem privá-lo do seu bem-estar, mas com diplomacia. Costuma agir com firmeza e constância, mostra estabilidade mesmo no ambiente em que vive.

À direita: o Minotauro da ilha de Creta em luta com Teseu (cerâmica grega do período clássico).

Na mitologia, Touro, no seu aspecto terreno, está relacionado na verdade a três figuras. Ao próprio Minotauro, a Afrodite e Hefesto. Recordemos como: com a ajuda de Posídon, Minos se torna rei de Creta com a condição, porém, de sacrificar o touro que o próprio Posídon lhe presenteia em sinal de submissão. Minos, por sua conta, em vez de sacrificar o touro divino, troca-o por um mortal e fica com aquele dado pelo deus do Mar. Posídon se ofende com tal atitude e, para se vingar, pede a ajuda de Afrodite, que prontamente arma das suas [Afrodite é a responsável pela guerra de Tróia quando faz Paris apaixonar-se por Helena], faz com que Pasífae, a mulher de Minos, se apaixone pelo touro. E assim nasce o Minotauro, corpo de homem e cabeça de touro, que se nutre de carne humana e que representa os desejos irrefreáveis do signo (e do monstro) satisfeitos até que Teseu, filho do Rei de Atenas, com a ajuda de Ariana, filha de Minos e Pasífae, entra no labirinto e mata o Minotauro, encontrando o caminho de volta, graças ao famoso fio. O signo de Touro é pacífico, não como Áries, que tem no seu imaginário o poder fálico através da figura do bode, mas se lhe permitirem mandar no Eu, ele pode levar à destruição. Hefesto, filho de Hera e marido de Afrodite, é o ferreiro do Olimpo, forja as armas para todos os deuses: os raios de Zeus, o capacete invisível de Plutão, o escudo mágico de Minerva, representando, assim, a parte positiva do signo.

Por outro ângulo, em Touro a casca da semente se rompe e as coisas começam a se materializar, a sair das profundezas para a superfície, assim como Perséfone que volta à terra. De um lado, as idéias concebidas tornam-se matéria concreta e duradoura, de outro, tanto o lado sensual como artístico do signo se acentuam fazendo com que a beleza da forma seja enfatizada assim como o desejo de prazer [Cf. Puiggros, op. cit. p. 65.]. O lado negativo de Plutão pode ser notado pela acuidade da sensualidade, narcisismo, ânsias incontroláveis e compulsivas.

Gêmeos

O geminiano é ágil e tem um temperamento nervoso, de fato ele se agita facilmente, mas tem o poder de se acalmar, do mesmo modo. Ele não teme desvelar seus segredos mais íntimos. É generoso e humano em relação ao próximo e tem horror à violência. Adora viajar, pois não suporta as coisas habitudinárias. Por esse tipo de propensão ao movimento, é extremamente inconstante com as pequenas coisas da vida cotidiana. Geralmente só aprende depois de muito sofrer.

Na mitologia, lembramos os famosos gêmeos Castor e Pólux, filhos de Zeus e de Leda, que depois da sua união com o deus se transforma em cisne. Ambos são guerreiros e muito unidos, mas Castor é humano enquanto Pólux é divino. Mas com a morte de Castor, seu irmão vai negociar com Zeus. Os dois conseguem ser tão hábeis na negociação que obtêm o dom de se tornarem imortais alternadamente: quando um se encontra no estado imortal, o outro é mortal e vice-versa. O mito explica justamente a polaridade do signo: intelecto e emoção, o masculino e o feminino, o consciente e o inconsciente. Eles são o exemplo de gêmeos bons, mas sua sombra é representada pelos gêmeos Rômulo (luminoso) e Remo (obscuro), filhos de Marte, na mitologia romana, que brigam vorazmente pelo território que vai culminar na morte dos dois, causada por Remo que, na tentativa de matar o irmão, cai ele próprio vítima do seu crime. Vários outros mitos mundiais podem ser exemplos para esse signo, como Caim e Abel e a própria Afrodite e Ártemis. O deus Hermes, ou Mercúrio, para os latinos, é o emissário das mensagens entre os deuses, e entre os deuses e os homens, é também símbolo da alquimia medieval e representa as conexões e integrações: é o responsável pela transformação da substância, pois ele une os opostos representando a meta do signo de Gêmeos.

Por ser um signo de Ar, portanto, relacionado com a mente, a ação de Plutão se torna impessoal, desapegada e livre para eliminar hábitos, preconceito e ignorância. Há uma universalização do conhecimento. As novas técnicas e descobertas difundem-se rapidamente a partir da Primeira Guerra Mundial. A regeneração da mente é a marca fundamental de Plutão no signo de Gêmeos, que através dos meios de comunicação, como os periódicos, transporte e aviação, expande sua forma de pensar. Alguns até se apercebem mais claramente das mudanças e já têm uma visão de como será a sociedade do futuro. Esses, conseguem aproveitar a oportunidade do planeta para libertar-se da dispersão e da inutilidade.

Câncer

Como signo feminino, Câncer é o domicílio da Lua. Por esse motivo é considerado aos olhos dos outros como uma pessoa singularizada e até mesmo original. Fechado por timidez e vaidade, é mutável psiquicamente e a imaginação tem uma parte importante na sua vida. Possui uma capacidade de adaptação como ninguém; é cortês e mesmo não sendo demasiadamente sociável, pode ser um ótimo companheiro de viagem. A propósito dessa sociabilidade, quando se dá conta que ultrapassou os limites da sua fortaleza, dá meia-volta e bate em retirada para o seu espaço; é aí que ficam claras as suas bruscas mudanças de humor.

O poder da Mãe Terra é cultuado desde as mais antigas religiões, pois essa força matriz tanto dá quanto tira a vida. Na mitologia grega, temos exemplos como o de Gaia, a esposa de Urano, que é obrigada a evitá-lo para salvar seus filhos, o de Hera (imagem à esquerda), mãe terrível que se alia a um enorme caranguejo com Hidra para derrotar seu filho, Hércules, golpeando-o nos tornozelos para não enfrentá-lo diretamente. É a sombra da mãe devoradora que está disposta a tudo enfrentar para não perder o predomínio sobre a sua cria. O colo materno é a união dos dois opostos, masculino e feminino. Da mesma forma para a criança, a mãe é poderosa, fonte de alimento, aquela que dá e recebe amor. De fato, o canceriano sensível nunca vai esquecê-la. Riccardo Garbarino nos faz lembrar que no mito da Mãe vive sempre um consorte que ao mesmo tempo é seu filho e seu amante. [Riccardo Garbarino, in http://guide.dada.net/]

Plutão em Câncer geralmente tem forte tendência ao passado, pela sua imagem protetora e convencional, sem querer encarar o novo. A geração que viveu o período entre as duas guerras mundiais experimentou a segurança do círculo familiar. A permanência de Plutão em Câncer - como diz Puiggros - "barrou literalmente todo esse esquema tradicional, e as pessoas dessa geração - na qual freqüentemente ocorrem intensos vínculos e cega obediência à família e à nação - sofreram uma trágica desilusão quando, no decorrer de sua vida, se viram afastadas tanto de uma como de outra, obrigadas a cortar o cordão umbilical com a concha protetora por elas representada". [Puiggros, op. cit. p. 68.]

Leão

Leão, domicílio do Sol, signo masculino, não é excessivamente espiritual, mas geralmente possui uma concepção da vida bem definida, em que se reflete sua nobreza de caráter. Ao lado do sentido de liderança, regido por uma energia fora do comum, nota-se um orgulho extremamente forte. É excessivamente impulsivo, o que faz com que cometa graves imprudências. Enquanto não cede à própria presunção, tem horror à violência e faz tudo para evitar os contrastes e o conflito. Sente-se feliz somente quando se sente independente.

Na mitologia, lembremos que Leão é a criatura que Hércules derrota em uma de suas doze fadigas. Esse arquétipo, assim como os de touros, dragões e monstros de várias espécies, que são mais arcaicos, transformam o conceito de uma simples luta para um significado mais amplo, como por exemplo o da batalha da evolução do Eu com suas raízes mais primitivas. O fato de Hércules colocar a pele do Leão abatido sobre os ombros, tornando-o seu semelhante, derrota as paixões flamejantes. É o que Jung chama de processo de individuação, ou seja, o processo pelo qual o homem se torna si mesmo, "a essência íntima da personalidade, uma viagem que dura a vida inteira.." [Riccardo Garbarino, op. cit., e também www.split.it/users/riccardo]

A geração que tem Plutão em Leão faz-se consciente de sua individualidade. É o momento da colheita, pois Leão faz trígono com Áries. O segmento da sociedade assim caracterizado "transgrediu todas as regras e se erigiu como líder de si mesma." [Puiggros, op. cit. p. 69.] Leão, regido pelo Sol, acentua o ego. Desse modo, a geração dos teenagers dos anos sessenta e setenta deixou uma marca profunda na história da humanidade.

Virgem

Quanto ao signo de Virgem lembremos o que o seu arquétipo nos traz, do ponto de vista mitológico e simbólico: uma aura de inocência e pureza. Perséfone, na relação com a mãe Deméter, aguarda, alheia aos perigos, a responsabilidade da vida adulta. Com a surpresa do seu rapto da parte de Hades, explicada atualmente como um trânsito de Plutão, que significou sua morte e depois seu renascimento, evento de extrema importância por ter mudado completamente sua vida. No entanto sua relação com Hades se concretiza em Dionísio. É o preço que a filha tem que pagar para se tornar mãe, ao mesmo tempo ser amante e sem deixar que sua integridade interior se abale.

Perséfone sendo seqüestrada por Hades, na impressionante escultura de Bernini.

Segundo Riccardo Garbarino há uma estranha relação entre a energia de Plutão, ou seja, a energia de Escorpião e a de Virgem, que vai além da freudiana fase anal, e que se pode definir como "atração fálica pela virgindade que ainda paira sobre certas partes da nossa sociedade". [Riccardo Garbarino, op. cit.] De fato, se analisarmos o significado da palavra Virgo no latim, no sentido de independência, vamos perceber essa outra acepção da palavra que, na figura mitológica, está representada pela deusa Ártemis, retratada como deusa da fertilidade, com vários seios e que nutre a todos, de modo auto-suficiente, sem "medo de perder-se nos outros, consorte de tudo o que é vivo". O signo de Virgem quer dizer "o indivíduo que é dono de si mesmo e está integrado consigo mesmo". Este signo, de fato, como sexto do zodíaco, em síntese, resume as experiências dos outros cinco estados anteriores da experiência individual: possui "a capacidade de impor-se de Áries, a construção da estabilidade de Touro, a curiosidade e a comunicação de Gêmeos, o enraizamento de Câncer e a criatividade de Leão". Virgem é o signo da transmutação, lembrando a alquimia medieval à qual está ligado, pois ele pega a matéria virgem e a transforma, naturalmente em algo de útil, e nisso é lembrada a figura do deus Hermes, o Mercúrio dos alquimistas, na sua forma feminina. O perigo está em cair na "síndrome do saber".

Por outro lado, "a Água de Escorpião flui positivamente sobre a fecunda Terra de Virgem". [Puiggros, op. cit., p. 71,72.] É uma geração que teve a oportunidade de presenciar uma modificação nos conceitos de saúde. Assiste-se a novas idéias sobre a Medicina. Proliferam-se as curas alternativas e retorna-se ao natural, ao genuíno, às velhas receitas, assim como se procura rejeitar tudo o que é químico, dando-se importância ao corpo e a tudo o que é saudável, como fazer caminhadas, ioga e outros exercícios que indicam uma invejável qualidade de vida.

As décadas de 70 a 90: Plutão em Libra e Escorpião



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