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Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 120 :: Junho/2008 :: -

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EM CIMA DOS FATOS

Isabella Nardoni e os polígamos do Texas

Carlos Hollanda

O caso da menina Isabella Nardoni, que comoveu o Brasil ao ser atirada do 6º andar de um edifício, é parte de uma teia mais ampla que inclui violência contra menores, a epidemia de dengue de março/abril de 2008, a crise no sistema de saúde e até a questão dos biocombustíveis. A chave está nos trânsitos de Saturno, Netuno e Plutão.

Uma das maneiras de verificarmos a localização de pontos importantes como o Ascendente num mapa radical é observarmos os trânsitos que ocorrem sobre tais focos e as circunstâncias correlatas sincrônicas aos acontecimentos concretos. No que se refere ao mapa astrológico do Brasil, mais precisamente o que convencionou-se denominar “o mapa do Grito do Ipiranga”, parece que as controvérsias a respeito do momento de independência da instituição encontram-se em cheque.

Com Netuno transitando muito próximo ou, conforme diferentes versões de horário, exatamente sobre o Ascendente do Brasil, eis que nos vemos ante uma epidemia nacional de dengue e um questionamento internacional sobre a ética e a validade da massificação dos biocombustíveis. Esta última questão afeta profundamente a política econômica do governo Lula e a proposta de disseminação das tecnologias ligadas à área de produção de energia limpa e reciclável, pois alguns sustentam que isso levará à planificação do plantio em larga escala, privilegiando as grandes empresas e ampliando a fome pela redução da produção de alimentos.

dengueNetuno é regente de combustíveis, sobretudo os gasosos. Quanto à dengue, nada mais de acordo: Netuno é um indicador de vulnerabilidades, de toxicidade e, como regente de Peixes, signo oposto a Virgem (significador de higiene, saneamento, cuidados com o corpo e prevenções gerais para manutenção da saúde individual e pública), representa precisamente o contrário: a situação de perda de referenciais nesses campos. Na posição em que se encontra no mapa radical do Brasil, fica claro que a epidemia e a tendência ao alastramento indiscriminado da doença não se restringe ao Estado do Rio de Janeiro.

De qualquer modo, como nunca podemos explicar uma tendência ou ocorrência através de um único fator, vale dizer que a observação de outros ciclos coletivos, não necessariamente vinculados de forma direta ao mapa do país, se mostra muito útil e mais consistente. Partindo desse princípio, recordo que ainda em dezembro de 2007, ao fazer previsões astrológicas para o coletivo, no evento “Presságios 2008” (realizado por Constelar na Casa de Francisco de Assis, Rio de Janeiro, em 08.12.2007), apontei o potencial de crises no sistema de saúde de várias partes do mundo, em especial na América do Sul. A questão foi levantada em função do trânsito de Saturno. Por onde esse planeta passa, temos manifestações como estruturações e busca de solidez nos campos de atuação que o signo em voga rege. Da mesma maneira, aquilo que está mal estruturado, precário, demasiadamente envelhecido e sofrendo descaso tende à ruína. Com Saturno transitando em Virgem, amplia-se o potencial para essa ruína no sistema de saúde. Incêndios em hospitais (ver o HC de São Paulo), tanto quanto a superlotação e morte de pacientes em hospitais públicos despreparados para situações como a atual, assim como o descaso dos poderes públicos com o saneamento e prevenção contra o mosquito transmissor são manifestações típicas. Essa faceta do sistema sanitário e de saúde ruiu. Tal fator, combinado com Netuno no Ascendente do Brasil, sugere algo que realmente acabou fugindo ao controle.

Entretanto, as particularidades da crise que ocorre no Brasil se explica pelo acréscimo de, no mínimo, um terceiro fator: Plutão transitando em Capricórnio. Esse elemento vai atuar tanto no âmbito da epidemia de dengue quanto no da violência contra crianças que a mídia subitamente destacou. O problema da violência de pais contra filhos, seqüestros, estupros, torturas e outras barbaridades similares não é recente e tem raízes e repercussões profundas na sociedade. Entretanto, foi somente com a passagem, o início dela, de Plutão por Capricórnio que essas atrocidades vieram à tona. Esta é a chave: “vir à tona”. É o fator plutoniano em ação. Mas de que forma seu trânsito em Capricórnio poderia relacionar-se com questões ligadas à infância? Como, se Capricórnio é uma representação justamente da maturidade, da responsabilidade, da estruturação que vem com o tempo etc.? Acontece que estamos falando da ativação do eixo Câncer-Capricórnio, sendo Câncer um fator profundamente ligado à infância, à família e à territorialidade. É um equívoco, comum no processo de interpretação astrológica, analisarmos um trânsito apenas em sua manifestação direta, isto é, no signo pelo qual passa. É preciso, no entanto, pensar o sistema astrológico como um conjunto, e os signos não como fatores isolados, mas como eixos de significado: a mesma essência, mas com dois extremos opostos de manifestação. Não só a violência contra crianças, que tem atualmente sua principal atenção voltada para o caso Isabella Nardoni, assassinada, atirada do 6º andar de seu prédio após sofrer esganadura, mas também a dengue atinge a população infantil praticamente na mesma proporção em que atinge a população adulta. Em algumas regiões são as crianças as principais vítimas da doença.

Entre as notícias relacionadas a problemas de abusos contra a infância temos a da própria visita do Papa aos EUA, com duras críticas aos padres pedófilos. Ainda nos EUA encontramos as seguintes manchetes:

“Crianças de 9 anos elaboram plano para ferir professor, diz polícia norte-americana”

O departamento de polícia da cidade de Waycross, Geórgia, EUA, divulgou que um grupo de crianças da Center Elementary School, a maioria com 9 anos de idade, planejava ferir seu professor.

De acordo com o tenente Dwayne Caswell, o plano foi descoberto quando um estudante foi pego com uma faca na escola. A polícia apresentou à imprensa local uma sacola com itens como algemas e uma fita adesiva, que seriam usadas no suposto ataque.
(fonte: ig.com.br – 08/04/2008)

“Texas: sobe para 159 nº de crianças resgatadas de seita”

mães polígamas conduzidas pela justiça texana

O Serviço de Proteção a Menores do Estado do Texas aumentou hoje para 219 o número de pessoas - sendo 159 crianças - retiradas de um rancho de uma seita poligâmica no Texas (EUA). A Polícia fez uma busca no templo do local, que fica na cidade de Eldorado, enquanto funcionários do Estado evacuaram 36 mulheres e crianças. Nos dias anteriores as autoridades tiraram outras 183 pessoas do rancho.
(fonte: terra.com.br – 06/04/2008)

O problema da territorialidade do eixo Câncer-Capricórnio também é evidente, mormente se pensarmos em termos de reativação de outros ciclos históricos. No princípio do século XX Plutão passou por Câncer, precisamente na época dos nacionalismos exacerbados, da crise do liberalismo e do redimensionamento de fronteiras, este último ocorrendo da forma dramática que conhecemos nos grandes conflitos mundiais. De 2008 em diante, Plutão fará oposição com suas localizações em Câncer na época das duas grandes guerras e da crise econômica. Ao longo de abril algumas publicações de grande porte no Brasil abordaram a crise do chamado neoliberalismo e as intervenções do Estado na economia do país mais liberal do planeta, os EUA. Desde o princípio de 2008 vemos eclodir pequenos conflitos fronteiriços na América do Sul e algumas disputas político-territoriais entre Argentina e Uruguai, Brasil, Colômbia, Venezuela, Equador.

Novamente recordo o que mencionei no evento Presságios 2008. Ali também indiquei a possibilidade de invasões do MST, de crimes relacionados ao “interior”, à territorialidade, ao verificar os potenciais dos nodos lunares no mapa do presidente Lula. Como representação de um poder central, os fatores de seu mapa indicam instâncias sociais e territoriais da instituição que governa. Plutão em trânsito vem ativando seu eixo nodal, e eis que o MST promove manifestações e invasões em vários Estados. Igualmente, há o problema da demarcação das áreas indígenas e da política indigenista, criticada por um general e abordada por Lula na Imprensa, demandando uma série de questionamentos sobre ingerências do governo em questões territoriais.

Apesar de Saturno e Plutão estarem em signos de Terra, portanto em trígono por elemento, ambos, por onde passam, revelam os já mencionados potenciais de ruína (Saturno) e de pulsões de morte ou perdas que alteram profundamente as circunstâncias e expectativas (Plutão). De fato, essas não constituem suas únicas expressões, havendo, sem dúvida, manifestações correspondentes a seus simbolismos que são extremamente desejáveis para a manutenção da vida e do equilíbrio natural ou sociocultural. Todavia, é bastante comum que o ser humano, em especial na coletividade, passe a expressar a faceta mais luminosa do símbolo seguidamente à conscientização daquilo que falta, daquilo que se encontra em estado precário e, portanto, passível de perda e ruína. Só então é que são tomadas medidas para atenuar a intensidade do processo que, afinal, é inevitável e necessário – é preciso haver, na natureza, desordem e desagregação para que os esforços ordenadores a elas se combinem e gerem o estado de “organização”, que é comum à vida e a tudo o que constitui o universo como o conhecemos. Organização, assim, é ordem-desordem simultaneamente num sistema vitalístico e autocompensador.

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