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Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 13 :: Julho/1999 :: -
[Republicado em Novembro/2007]

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ASTROLOGIA CLÁSSICA

Kepler, astrólogo

Raul V. Martinez

Anotações feitas por Kepler, em figura astrológica construída por ele, mostram que utilizava uma espécie de profecção, onde cada signo é percorrido em sete anos. Este estudo aplica o mesmo processo à figura de nascimento do grande astrônomo-astrólogo, para a data da morte.

Johannes Kepler (ou ainda Keppler, Khepler, Kheppler ou Keplerus, à moda latina) foi concebido em 16 de maio de 1571, às 4h37 da manhã, e nasceu em 27 de dezembro, às 2h30 da tarde, após uma gravidez que durou 224 dias, 9 horas e 53 minutos. As cinco diversas grafias do nome são todas dele, como são também os números que dizem respeito à concepção, gravidez e nascimento, registrados num horóscopo feito para si próprio. [Do livro de Arthur Koestler, Os Sonâmbulos, página 153, edição da Ibrasa, São Paulo, 1961.]

O horóscopo citado, a Carta Astrológica de Kepler, consta da página 670 e seguintes do vol. VIII da Johannis Kepleri Astronomi Opera Omnia, edição de Ch. Frisch, Frankfurt e Erlangen, 1858-1871.

Para Koestler, o contraste entre o descuido acerca do nome e a extrema precisão das datas e horários reflete, desde o início, um espírito para quem a realidade essencial, a essência da religião, da verdade e da beleza, continha-se na linguagem dos números. Mas, possivelmente para Kepler, que buscava compreender a harmonia e a música das esferas, conforme princípios pitagóricos, esses valores numéricos eram apenas elementos essenciais para seus estudos astrológicos.

Kepler iniciou a carreira com a publicação de almanaques com previsões e terminou-a como astrólogo da Corte do duque de Wallenstein. Em seu primeiro calendário profetizou entre outras coisas uma onda de frio e uma invasão pelos turcos. Seis meses depois dizia a Michael Maestlin: "A propósito, até agora as previsões do calendário estão se revelando corretas. Há, nesta terra um frio jamais conhecido (...) Quanto aos turcos, em 1º de janeiro devastaram toda a região de Viena a Neustadt, ateando fogo a tudo e levando prisioneiros e bens". [Johannes Kepler, Gesammelte Werke - W.v.Dick e M.Gaspar, Stuttgart, 1948.]

Kepler não aceitava as charlatanices associadas à astrologia. Acreditava na possibilidade de uma nova e verdadeira astrologia, como ciência empírica. "A crença no efeito das constelações se deriva em primeiro lugar da experiência, tão convincente que só pode ser negada por gente que nunca a examinou." [Johannes Kepler, op. cit.]

Na Harmonice Mundi trata da alma, da astrologia e da ação coordenada de raios invisíveis, provenientes dos astros, que atuam sobre a Terra, influindo também sobre a vontade dos seres humanos [1]. Esta influência, segundo ele, teria origem na preexistência de uma relação harmônica entre fenômenos exteriores, a faculdade psíquica que os percebe e a alma. Explica a influência astrológica sobre o homem pelas correspondências com protótipos universais. Dessa forma, Kepler foi um precursor das teorias psicológicas atuais que admitem arquétipos. Também foi um dos primeiros a procurar explicar, em termos astrológicos e astronômicos, o fenômeno celeste que poderia ser associado à Estrela dos Reis Magos, indicativa do nascimento de Jesus. Sabendo que Herodes morreu no ano 4 antes de nossa era, constatou que pouco antes houve um agrupamento planetário, em Peixes, signo que representa os judeus [2] e que pode ser associado ao advento do cristianismo. Esse stellium, essa estrela, podia ser visto por aqueles que possuíam conhecimentos das posições planetárias, como os Reis Magos [astrólogos], mas não podia ser percebido pelos demais [3].

O fundador da astronomia moderna, divulgou suas duas primeiras leis em 1609, no livro Nova Astronomia. A primeira delas afirma que os planetas descrevem elipses em torno do Sol, que é um de seus focos. A outra diz que a velocidade de um planeta varia de tal forma que uma linha imaginária, ligando esse astro ao Sol, varrerá superfícies de mesma área em tempos iguais. Mais adiante descobriu sua terceira lei: os quadrados dos tempos das revoluções são proporcionais aos cubos dos eixos maiores das órbitas elípticas. Com isso abriu o caminho para Newton - que também praticava astrologia - estabelecer os princípios da gravitação universal.

No site da Universidade da California estão as fotografias da frente [imagem ao lado] e do verso [imagem abaixo] de uma carta astrológica construída por Kepler há cerca de 400 anos. Na parte da frente da figura estão anotadas direções simbólicas [1° por ano], para o Sol e o MC. A direção do Ascendente parece que foi obtida a partir do MC dirigido dessa forma. No verso, em quatro colunas: para o Sol, MC, Asc e Lua, estão anotadas profecções - com equivalência de 7 anos de vida/signo [no lugar de 1 ano/signo, como admitia Ptolomeu]. As figuras reproduzidas, com partes não legíveis, devem ser previamente ampliadas, para melhor visualização.

Nessas profecções, se os astros e pontos da carta astrológica percorrem os 30° de cada signo em 7 anos, em um ano eles percorrem 30° divididos por 7 = 4°,2857. Como é usual em direções, Kepler devia admitir a orbe de 1° para aspectos envolvendo profecções. Ou seja, o intervalo de tempo equivalente a essa orbe correspondia a mais ou menos 3 meses. Talvez, quando o MC, Ascendente, Sol ou a Lua participassem, considerasse orbe um pouco maior.

Uma publicação da IBM, De repente, o amanhã chegou [1970], sobre a chegada do homem à Lua, diz que "Kepler revelou-se um daqueles gigantes que ajudaram a nos conduzir à Lua. A um tempo cientista e místico, Kepler procurava a música das esferas celestiais que descrevesse o universo". Para ele, que buscava essa harmonia, possivelmente a profecção baseada no número 7 - número dos dias da criação, soma do 3 [da Trindade Divina] e do 4 [a Quadruplicidade das Qualidades Primitivas, geradoras de Tudo], era a que melhor concordava ou se harmonizava com o 12 [número dos Signos] - gerado pelo produto dos mesmos 3 e 4. Além disso, o percurso de todo Zodíaco, dessa forma, em 7 x 12 = 84 anos, também apresentava outra concordância, pois o 8 e o 4 também somam 12.

No mesmo site há um texto de Barbara McKenna, que informa que Hans Hannibal Hutter von Hutterhofen, para quem Kepler construiu essa carta astrológica, era um nobre austríaco. O nascimento ocorreu no dia 20 de setembro de 1586, às 5 horas da tarde. Na figura aqui apresentada, Viena foi admitida como sendo o local do nascimento. O sistema de casas é o Regiomontanus, o mesmo utilizado por Kepler.

Fig.01 - Hans Hannibal - 20.9.1586, 17h LMT - Viena, Áustria - 016e20, 48n13.

A seguir está a figura com os valores obtidos por Kepler. O original sofreu algumas alterações, que aparecem com tinta mais escura. Essas alterações não foram consideradas aqui.

- As múltiplas rasuras, no original, além de incorreções, indicam tratar-se de algo que foi feito às pressas, com um certo descuido - talvez seja apenas um rascunho. Mas a análise dessas figuras [frente e verso] fornece a forma utilizada por Kepler nessa leitura astrológica - o que é particularmente importante.

- Na casa I está anotada uma Estrela de Áries, cujo nome começa com E. Sua longitude na época, com dois dígitos, parece ser 18° ou 28° desse signo. No décimo oitavo grau não há estrela anotada nas relações astrológicas consultadas. No vigésimo oitavo grau estava a estrela El-Scheratain, ou Sharatan, hoje perto do quarto grau de Touro. Kepler pode ter anotado essa estrela, de natureza Marte-Saturno.

Notas do Editor:

[1] A questão de por que os corpos celestes podem explicar eventos humanos mereceu, ao longo dos séculos, diversas teorias. A visão de Kepler, que atribui aos planetas raios invisíveis, tende a ser usada por cientistas - especialmente astrônomos - como um argumento contra a Astrologia, com base no princípio de que corpos tão distantes não poderiam afetar os seres humanos mais do que as radiações produzidas por objetos próximos (como o próprio corpo do obstetra na hora do parto). Por esta razão, ganhou força no século XX a noção de que a relação entre eventos celestes e terrestres não é de causa e efeito, mas sim de sincronicidade. Contudo, os últimos avanços da física quântica tendem a trazer nova luz sobre a questão e, eventualmente, revalidar algumas teorias anteriores ao século XVIII. (Nota do Editor)

[2] A questão da regência de povos, nações e etnias é controversa. Há astrólogos que atribuem ao povo judeu uma regência capricorniana; para outros, ainda, seria ariana. Rex E. Bills, em The Rulership Book, atribui os seguintes significadores astrológicos: Escorpião, e secundariamente Áries e Peixes, para a Judéia; Saturno e Júpiter para o povo judeu; Virgem para a cidade de Jerusalém e Áries para o Estado de Israel, acrescentando, como outras possibilidades, Aquário, Gêmeos, Leão, Libra e Touro! (Nota do Editor)

[3] Raul Martinez refere-se aqui ao fato de que, por exemplo, uma conjunção de Júpiter, Saturno e Marte poderia passar relativamente despercebida aos olhos de homens comuns e pouco afeitos à observação do céu. Apesar de visível a olho nu, não seria um fenômeno notável, nada que se parecesse com a brilhante Estrela de Belém representada na tradição religiosa. Contudo, astrólogos não deixariam de considerar tal conjunção um fenômeno significativo.

O mapa de Kepler e as profecções



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