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Cipriano Castro, o ditador que tentou afrontar multinacionais e levou a pior.

 

 
 
 
ASTROLOGIA MUNDIAL

Caracas! Um dia, três presidentes!

Fernando Fernandes

 

Como as potências européias cobram seus empréstimos

Uma das mais sérias crises econômicas da Venezuela ocorreu em dezembro de 1902, quando estava no poder o ditador Cipriano Castro. A dívida externa atingira níveis insustentáveis, provocando um bloqueio de navios de guerra italianos, alemães e ingleses aos portos venezuelanos. Plutão estava em Gêmeos, transitando sobre o stellium da casa 7 do mapa da Venezuela, em oposição a Urano, em trânsito na 1. Em 1903, Júpiter, em trânsito na 4, em Peixes, passou sobre Plutão radical e completou uma quadratura minguante com Plutão em trânsito. É um aspecto muito revelador e também um dos que melhor confirma o mapa da Independência. Há que observar também o paralelismo entre as duas quadraturas - a de 1811 e a de 1903 - apenas com a inversão dos signos.

Mapa interno: Independência da Venezuela. Planetas no círculo externo: dezembro de 1902 - início do bloqueio naval aos portos do país. Em destaque, as ativações de Plutão e Urano em trânsito a Saturno e Júpiter radicais, além de Saturno em trânsito presente na cúspide da casa 3 (transportes, inclusive portos).

Foi esta configuração, somada à oposição de Plutão em trânsito a Saturno radical, que criou as condições para a ascensão ao poder de Juan Vicente Gómez e o começo de seu longo e sanguinário governo.

Quando Gómez toma o poder, em 19 de dezembro de 1908, Plutão ativava a oposição Saturno-Mercúrio no eixo 1-7 e Netuno na 8 transitava sobre o Sol radical. Os trânsitos parecem indicar que a Venezuela passava por um período de depressão, indefinição, crise na identidade nacional e extrema fragilidade política. A ascensão de Gómez foi antecedida por escândalos, desmoralização de outras lideranças nacionais e ausência de um projeto político-partidário bem delineado. O Legislativo já vinha de uma fase de enfraquecimento (Mercúrio é regente da 11) e o radicalismo de uma proposta caudilhista e carismática, simbolizado pelos aspectos de Plutão e Netuno, encontrou campo livre para manifestar-se.

Vamos aos fatos: desde o início do século Gómez era vice-presidente e comandante das forças armadas no governo do ditador Cipriano Castro. Em várias ocasiões Gómez assumira a presidência interinamente, por curtos períodos. O governo Castro vinha sofrendo de todos os males típicos das administrações venezuelanas, que eram a corrupção e o forte endividamento externo. Exatamente por causa das dívidas o país passara pela humilhação de um bloqueio de seus portos por navios dos países credores, em 1902. Longe de serem resolvidos, os problemas aumentaram nos anos subseqüentes. Numa tentativa de reduzir o endividamento, o ditador Cipriano Castro iniciou várias ações judiciais contra multinacionais norte-americanas, sempre questionando os lucros excessivos que tais empresas retiravam do país.

Juan Vicente Gómez assume a presidência sob fortes ativações do mapa do país. Observe-se a ênfase em Plutão e na casa 8.

Em 1908, em meio à tensão da situação econômica Cipriano Castro adoece e deixa o governo nas mãos de Gómez. Este apressa-se em fazer um acordo secreto com os Estados Unidos, que lhe garante apoio político e militar em troca da suspensão das ações judiciais iniciadas por Castro. Em 19 de dezembro, Gómez toma o poder num golpe de estado e encarcera os defensores do antigo ditador. Em 27 de dezembro - apenas oito dias depois - uma esquadra americana chega e ancora seus navios em La Guaira, na costa venezuelana. Durante vários meses os navios continuariam ali, dando sustentação ao novo ditador.

Este suporte do exterior mostra que a figura de Gómez representava segurança para os interesses do capital estrangeiro. Não fosse assim, não passaria 27 anos no poder. E - diga-se de passagem - jamais foi deposto: morreu de velho, quase sempre com apoio americano. O apoio só não foi completo porque Gómez se recusou a envolver a Venezuela na Primeira Guerra Mundial, ao lados dos Estados Unidos. Os americanos, como forma de pressão, chegaram a propor ao ex-ditador no exílio, Cipriano Castro, apoio para uma invasão do país. Entretanto as negociações não prosperaram e a sonhada invasão nunca aconteceu.

Este fato deixa bem claro que as tentativas de interferência norte-americana nos negócios internos da Venezuela jamais deixaram de existir. A Venezuela sempre foi vista como uma extensão natural do "quintal" americano que se estendia pelo Caribe e América Central. A política americana ne região jamais se pautou por princípios éticos, mas pela defesa pura e simples de interesses estratégicos de natureza econômica ou militar (a garantia de navegação pelo Canal do Panamá, por exemplo). No caso presente, da tentativa da deposição de Hugo Chávez, não foi diferente. Um fato curioso, diga-se de passagem, é que o Sol radical dos Estados Unidos, do 4 de julho de 1776, está em conjunção com o Sol de 5 de julho da Venezuela.

Gómez era um camponês mestiço, nascido em San Antonio de Táchira, na região andina, em 24 de julho de 1857. Vindo praticamente do nada, fez fortuna como latifundiário antes de entrar na política. Seus biógrafos o descrevem como uma pessoa dura, fria, capaz de provocar nos subordinados uma sensação de temor e deles obter obediência cega. Era um homem de resultados:

Ele tinha a surda energia dos animais da família dos felinos, das serpentes e dos touros de combate. Olhos de pálpebras pesadas, quase adormecido, rosto e corpo em completa imobilidade. Então, repentinamente, vinha a ação fulminante. Depois, de novo o repouso, a letargia, e não se via mais nada da ação, exceto seus resultados... (ROURKE, Thomas - Gómez, Tyrant of the Andes).

Gómez: o mapa de um tirano com muita sorte

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