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A CARTA DE FUNDAÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS
O mapa do império americano

Fernando Fernandes


A análise da carta da independência americana revela um país beligerante e pouco disposto a transigir nas relações internacionais.

Sendo o país do ocidente com maior número de astrólogos em atividade, é natural que os Estados Unidos tenham uma multiplicidade de mapas de nascimento, cada um justificado pelas mais variadas teorias. A Declaração de Independência aconteceu em 4 de julho de 1776 (Filadélfia, Pensilvânia), mas o horário é bastante controverso. Muitos astrólogos americanos identificam o país com um improvável Ascendente em Gêmeos, o que exigiria que a declaração tivesse sido aprovada em plena madrugada. Mais próximos da verdade histórica estão os que defendem um Ascendente entre Escorpião e Sagitário, sendo que este último signo descreve muito da imagem que os Estados Unidos têm de si mesmo e que passam para o resto do mundo. Mesmo entre os defensores do Ascendente em Sagitário há divergências. Adotamos aqui o horário de 16h50 LMT, já utilizado, aliás, em diversos artigos publicados em Constelar. Contudo, os atentados terroristas de 11 de setembro parecem reforçar a hipótese do horário de 17h09m45, com o Ascendente em 13º08' de Sagitário. Neste caso, o país viveria agora o trânsito de Plutão pelo Ascendente e de Saturno pelo Descendente, uma ativação angular totalmente concordante com os acontecimentos recentes.

A hipótese das 16h50 faz este Ascendente recuar cinco graus, para 8º14' de Sagitário, o que o deixaria em oposição quase exata a Urano radical, enquanto Netuno estaria a apenas três graus do Meio-Céu. Como a diferença entre as duas hipóteses não é muito significativa, qualquer dos dois horários permite uma abordagem básica do modo de ser americano. O que se altera são, principalmente, as datas de vencimento de progressões, direções e trânsitos envolvendo os ângulos.

Sagitário no Ascendente mostra um país movido por grandes ideais de justiça. O Judiciário é o poder mais respeitado nos Estados Unidos, e Hollywood tem um filão inesgotável de lucros em filmes que retratam tribunais, juízes, advogados e julgamentos. Júpiter, regente do Ascendente, encontra-se exaltado em Câncer, na casa 7, já em conjunção com a cúspide da 8. Este posicionamento coloca em questão um forte sentimento patriótico, uma valorização do lar e da própria história, do patrimônio territorial e uma atitude de desconfiança em relação a tudo que não faça parte do quadro de referências familiares. Como Sol, Vênus e Mercúrio também estão no defensivo signo de Câncer, e como Urano ocupa o Descendente, casa da relação com "os outros", a atitude americana frente ao mundo é predominantemente isolacionista.

Declaração de Independência dos Estados Unidos - 4.7.1776, 16h50 LMT - Filadélfia, Pensilvânia - 39n57, 75w10.

Urano não é um planeta de acordos, e sua posição na casa dos relacionamentos mostra pouca disposição do país para estabelecer relações duradouras com estranhos ou fazer concessões. A política externa norte-americana, belicosa e inspirada por fortes motivações de protecionismo econômico, testemunha tal atitude. Cabe observar que o agressivo Marte também está na casa 7 e em Gêmeos, signo duplo e significador de movimentos rápidos. Em conflitos externos, os americanos sempre tiveram mais sucesso em ataques fulminantes - especialmente por via aérea, perdendo terreno quando tiveram de enfrentar longas situações de confronto em terra, como na guerra do Vietnã.

Marte está em quadratura com Netuno em Virgem no Meio-Céu. Sobre esta e também sobre a quadratura Sol-Saturno já escrevemos em outro artigo:

Por trás de tantas manifestações bélicas, está uma atitude defensiva e desconfiada em relação ao resto do mundo (Sol, Mercúrio, Vênus e Júpiter em Câncer, signo da pátria e do instinto de autoproteção) e uma crença idealizada na missão do país como paladino da liberdade e da justiça (Ascendente em Sagitário, Lua em Aquário e Netuno em conjunção com o Meio-Céu). Já a presença de Plutão na casa 2 em oposição a Mercúrio na 8, casa que também hospeda o Sol da carta americana, consubstancia os fortes interesses corporativos da plutocracia - as grandes empresas com interesses econômicos em toda parte e os fabricantes de armamentos. O duro pragmatismo com que são conduzidos os interesses ianques aparece na quadratura do Sol a Saturno, sendo Sol o regente da 9, e na já citada oposição de Mercúrio a Plutão, sendo Mercúrio o regente da 7. Estas duas casas, em conjunto, explicam muito das atitudes de um país em relação aos "outros".

A visão idealizada do próprio destino e do papel a exercer no mundo faz do patriotismo americano uma espécie de sentimento místico (Netuno angular) e obsessivo (Plutão oposto a Mercúrio). Freqüentemente, os interesses americanos são usados por dirigentes locais como sinônimos de interesses de toda a humanidade. É um discurso tão amplo e salvacionista quanto o dos países muçulmanos que os Estados Unidos vêem com tanta desconfiança. Neste ponto, americanos e muçulmanos compartilham um traço fundamental, como veremos mais adiante.

A oposição Mercúrio-Plutão expressa também o padrão de dirigente máximo que os americanos apreciam: presidentes duros, firmes, determinados, capazes de levar adiante seus projetos com a tenacidade canceriana somada à rigidez de propósitos plutoniana. Um presidente que dialoga armado com ogivas nucleares (chamadas, eufemisticamente, de "armas de dissuasão"), eis o que faz a população do país sentir-se segura. Com Netuno e Saturno também afetando a casa 10, temos uma alternância de arquétipos contraditórios: ora surgem os presidentes charmosos e imbuídos de uma generosa visão de futuro, falsa ou verdadeira, ora é a vez dos conservadores de cabeça dura, muitos vindos do interior e apresentando-se como defensores dos valores mais genuínos da tradição. Como Saturno rege a casa 2, os presidentes de estilo saturnino normalmente governam em estreita aliança com as grandes corporações que movimentam a economia do país, uma das mais poderosas, é bom não esquecer, é exatamente o complexo industrial-militar.

Cada nova guerra ou intervenção no exterior alimenta os lucros de centenas de indústrias de armamentos, suprimentos, veículos de terra, mar e ar, num ciclo de auto-alimentação que leva a política externa norte-americana a assumir posições altamente equívocas em nome da defesa dos bons negócios. Foi assim que os Estados Unidos ajudaram financeiramente e armaram até os dentes o Iraque de Saddam Hussein, quando este enfrentava o Irã numa guerra entre vizinhos; foi assim também que os recursos americanos estiveram por trás da derrubada do governo do Afeganistão e da ascensão da radicalíssima milícia talibã.

Este é o pano de fundo. Vamos ver agora que ativações rondam, neste momento de crise, o mapa dos Estados Unidos da América.

O drama visto no mapa em movimento

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