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O ATENTADO AO WORLD TRADE CENTER
Mercúrio, mensageiro da morte

Fernando Fernandes


Mercúrio em Libra no Ascendente em trígono com Saturno: um aspecto que, à primeira vista, não sugere um atentado terrorista de trágicas conseqüências. Mas Mercúrio, o mensageiro celeste, estava a serviço de configurações bem mais sinistras.

Terça-feira, 11 de setembro, 8h45 da manhã, horário de verão da costa leste americana. Este foi o momento em que o primeiro avião seqüestrado chocou-se contra a torre sul do World Trade Center, em Nova Iorque. O mapa mostra Mercúrio colado ao Ascendente Libra, em trígono e sextil respectivamente com Saturno em Gêmeos e Plutão em Sagitário. Aparentemente, uma configuração inocente. Mas Mercúrio - o mercador, o mensageiro, o intermediário, o agente, enfim - é regente de Virgem na nebulosa casa 12, que guarda aquilo que não pode ser mostrado, ou que não se quer ver. Mercúrio rege também a casa 9, das grandes distâncias, das culturas estrangeiras e também das religiões e concepções filosóficas. Mercúrio bem aspectado significa, neste mapa, que havia um recado a ser dado, e que os mensageiros conseguiram transmiti-lo com sucesso. O recado era sinistro: vinha de muito longe, talvez de outro continente (casa 9) e trazia à luz uma ameaça de grupos que se sentem excluídos (casa 12) da ordem imposta pelas potências hegemônicas.

Choque do primeiro avião com o World Trade Center - 11.9.2001, 8h45
(-04:00) - Nova Iorque, EUA - 40n45, 73w57.

O Sol, junto à cúspide da casa 12 (aquilo que está à margem da sociedade - terroristas, inclusive), é regente da casa 11 - projetos e esperanças. Está em órbita de quadratura com Saturno na 9, regente da 4 (significadora do chão, da pátria, da terra natal, das raízes e também da segurança emocional).

Saturno simboliza estruturas. Regendo a 4, representa os alicerces, seja do indivíduo, seja da nação. Um projeto secreto e aterrorizante, consubstanciado em uma liderança oculta (Sol na cúspide da 12), acabara de sacudir os alicerces da nação mais rica do mundo. Literalmente, o mapa fala de esperanças (casa 11) eclipsadas (casa 12).

Saturno também simboliza construções, que são estruturas físicas, e, entre estas, as torres e fortificações. O Pentágono, quartel-general do poderio militar americano, tem analogia com um castelo medieval. O World Trade Center era constituído por uma dupla torre, expressão mais do que evidente de Saturno em Gêmeos.

Um terceiro significado de Saturno são as estruturas administrativas - a administração pública, a burocracia, a estabilidade e respeitabilidade das instituições. E o último conceito saturnino que aqui nos interessa é a segurança, entendida como a estrutura de defesa que indivíduos e instituições erigem como proteção contra os riscos da relação com o entorno. Na medida em que a segurança é posta em cheque, surge o medo, outro conceito saturnino. Como resposta ao medo, surge um comportamento de supercompensação, normalmente traduzido sob a forma de rigidez e inflexibilidade, mais dois assuntos regidos por Saturno.

Em oposição a Saturno está Plutão, um planeta invisível que, por analogia, rege processos igualmente invisíveis. Plutão rege Escorpião, simbolizando, entre outras possibilidades, a eliminação súbita e inexorável de estruturas aparentemente estáveis. A possibilidade da destruição em massa é associada a este planeta, sendo significativo que a descoberta de Plutão, no início dos anos 30, tenha ocorrido ao mesmo tempo em que se realizavam as primeiras experiências que levariam ao desenvolvimento das armas nucleares. Plutão é também uma expressão do poder manipulador - aquele que não se vê, mas está sempre presente, como o Grande Irmão do 1984, de George Orwell. Ainda mais: Plutão rege conteúdos arcaicos, que estão nas profundezas do inconsciente ou que se escondem, de forma insuspeita, nas entranhas da aparente civilização.

Muitos dos ingredientes dos acontecimentos de 11 de setembro têm analogia direta com Plutão. Fanáticos de comportamento obsessivo, dispostos a morrer por uma causa, ou por um líder, lembram atitudes típicas de épocas anteriores aos tempos de liberdade de pensamento e de expressão. Nossa mentalidade admite que haja fanáticos deste tipo em lugares remotos, "atrasados", ainda não alcançados pelas luzes da modernidade. Mas vê-los eclodir na cidade-síntese de tudo que o progresso tecnológico e a cultura de vanguarda puderam criar é assustador.

A oposição Plutão-Saturno aparece no eixo das casas 3 e 9 do mapa, exatamente a do comércio, das comunicações e das viagens de qualquer natureza. Aviões de passageiro - veículos de transporte, enfim - foram utilizados como arma de destruição em massa ao serem dirigidos contra edificios da alta administração e torres comerciais (Saturno em Gêmeos). Plutão rege, na carta, a casa 2, dos valores e dos bens móveis. O objetivo dos ataques foi a afirmação de valores plutonianos, implicando a noção de destruição e transformação radical de estruturas, ou ainda a sabotagem do sistema financeiro internacional, que Nova Iorque tão bem corporifica.

O mesmo eixo casa 3-casa 9 também apresenta uma agressiva oposição Marte-Lua. Marte rege a casa 7, dos inimigos declarados, e está em Capricórnio, signo de sua exaltação. A Lua, por ser regente do Meio-Céu, simboliza autoridades e dirigentes. O próprio presidente dos Estados Unidos, portanto. Mas a Lua é também uma significadora essencial de gente comum, e as mais de dez mil pessoas provavelmente mortas na bola de fogo em que se transformaram as torres gêmeas e o Pentágono são testemunhas eloqüentes da agressividade desta oposição da Lua ao planeta do fogo.

Uma última oposição é a que coloca em confronto Vênus em Leão e Urano em Aquário. Vênus rege o Ascendente, fator de máxima importância no mapa de um evento. Vênus em Leão pode exprimir - neste mapa, pelo menos - e exibição orgulhosa e ostentatória da beleza, do bem-estar, do conforto de uma sociedade próspera e poderosa. Urano são os atos súbitos, que ferem como um raio; são os aviões e tudo que vem do ar; são os comportamentos excêntricos e os objetos erráticos; é a surpresa e o despertamento.

O aspecto guarda total analogia com o caráter súbito e ousado dos ataques aéreos (Urano na casa 5, a dos riscos assumidos como confirmação do valor pessoal). Nova Iorque, a Grande Maçã (Vênus regendo o Ascendente), viu surgir do ar a destruição fulminante. Para a cidade, era um corte súbito nos projetos e esperanças (Vênus na cúspide da 11); para os terroristas, era o fim de uma espécie de jogo cheio de adrenalina onde o sacrifício pessoal ganhava ares de suprema bravata.

Choque do segundo avião com o World Trade Center, transmitido ao vivo para todo mundo - 11.9.2001, 9h03 (-04:00) - Nova Iorque, EUA - 40n45, 73w57.

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