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SEQÜESTRO DE ÔNIBUS NO RIO DE JANEIRO
Pânico no Jardim Botânico

Fernando Fernandes
Início | Parte 5

Um ano e meio depois: o Rio em junho de 2000

Fazer previsões para uma cidade é sempre um exercício de alto risco, devido à própria natureza dos símbolos astrológicos: a mesma configuração permite várias leituras, infindáveis alternativas de tradução, e às vezes a previsão se realiza de forma surpreendente, envolvendo variáveis que jamais foram cogitadas pelo astrólogo. Foi o caso, por exemplo, das múltiplas possibilidades de Plutão, muito enfatizado no mapa da eleição de Garotinho. O simbolismo dos dutos situados abaixo da superfície estava muito claro, o que nos levou a pensar em túneis e no emissário submarino. Os problemas com a rede de esgotos vieram a concretizar-se, gerando sucessivas crises ambientais que praticamente impediram, por exemplo, que cariocas e turistas freqüentassem as mais conhecidas praias cariocas durante o verão. Por toda parte, estranhas e assustadoras manchas coloriram a água do oceano, e houve também uma ocorrência de graves proporções envolvendo a mortandade em massa dos peixes da Lagoa Rodrigo de Freitas, área nobre da Zona Sul (e bem próxima do local onde o ônibus foi seqüestrado no Dia dos Namorados).

Contudo, a plena realização do sentido plutoniano veio em escala gigantesca na noite de 18 de janeiro de 2000, quando um duto da Petrobrás, enterrado no fundo lodoso da baía de Guanabara, deixou escapar uma enorme quantidade de óleo, no maior acidente ecológico já registrado em águas cariocas. Não se sabe ao certo o momento em que o acidente começou: ao que tudo indica, o vazamento do óleo da refinaria Duque de Caxias iniciou-se por volta da primeira hora da madrugada, mas a constatação só teve lugar entre 5h e 5h30 da manhã e o alerta geral foi dado apenas às 9h45.

O desastre ambiental ocorreu apenas três dias antes de um eclipse lunar, no dia 21 de janeiro (21.01.2000, 2h39 HV, Rio), cujo mapa mostra exatamente Plutão na casa 1, a três graus do Ascendente, que está, por sua vez, em oposição ao Netuno no Ascendente do Rio O desastre ambiental antecede o eclipse em três dias, correspondendo ao trânsito da Lua pela 7 do Rio, em quadratura com Plutão radical.

Já no mapa do desastre ambiental, considerando o horário de 1h para o início do vazamento, o Ascendente é Escorpião. Os dois regentes são Marte em Peixes, na 5, e Plutão, na 2, ambos em quadratura e ativando três planetas do mapa da fundação da cidade: Lua e Plutão em Peixes e Netuno em Gêmeos no Ascendente.

Eclipse Lunar - 21.1.2000 - 2h39 - Rio de Janeiro, RJ - 22s54, 43w15

Este conjunto de significadores - o insidioso Plutão, o enganoso Netuno, os aquáticos signos de Escorpião e Peixes - descreve com clareza um acidente que começa na profundeza das águas escuras do fundo da baía, na calada da noite, e só é descoberto muitas horas depois, quando as proporções da mancha de óleo já eram calamitosas e a fauna e flora marinhas encontravam-se irremediavelmente comprometidas.

Outra previsão tinha por alvo a questão da segurança pública e a necessidade de reestruturar a polícia e a guarda municipal, especialmente no que se refere aos serviços de inteligência. Pois bem: há alguns meses, um dos homens-chave da política de segurança, indicado pelo PT, partido aliado de Garotinho, denuncia a existência de uma "banda podre" na polícia. Garotinho, considerando as denúncias uma quebra de hierarquia, afasta o auxiliar, abrindo uma crise em seu governo. Enfrentando pesadas acusações, o governador acaba perdendo o apoio do PT, que rompe a aliança. Neste episódio, como em outros, Garotinho revelou sua faceta instransigente e dura, pouco flexível a negociações. Por diversas ocasiões, o governador anuncia uma total reestruturação da polícia, que não chega a concretizar-se. Em episódios críticos, as forças policiais apresentam uma atuação desastrada, sendo que a morte da refém Geísa é apenas o episódio mais recente.

Quanto à questão das doenças infecto-contagiosas, não houve um novo surto de dengue, mas, em compensação, ressurgiu uma doença que parecia totalmente eliminada desde o início do século: a febre amarela, com registro de alguns casos nas áreas florestais da cidade (o mosquito transmissor é o mesmo da dengue). Numa significativa analogia, a febre amarela foi erradicada por Oswaldo Cruz na primeira década do século XX, quando Plutão transitava na casa 1 do Rio de Janeiro, para ressurgir agora, quando Plutão atinge a casa 7. Portanto, é o Plutão de 1999 em oposição ao Plutão do tempo de Oswaldo Cruz e ambos em quadratura ao Plutão do tempo de Estácio de Sá.

A questão sanitária não chegou a servir de pretexto, mas mesmo assim várias favelas acabaram invadidas e ocupadas em operações militares. Em diversos episódios, tais operações provocaram a morte de inocentes, segundo os moradores (ou de traficantes, segundo o governo do estado), aumentando a tensão social e provocando explosões de violência.

Sem dúvida, o Rio de Janeiro vive um clima plutoniano, prefigurado nos trânsitos atuais e no mapa da própria eleição do governador. A violência urbana sofreu uma escalada. Acontecimentos como o seqüestro do ônibus em plena rua Jardim Botânico provocam mais impacto por tratar-se de área nobre e em função da cobertura da TV. Mas são apenas a faceta mais visível e mais chocante do cotidiano da cidade.

Desastre ambiental da Petrobrás - 18.1.2000 - 1h - Baía da Guanabara, RJ - 22s54, 43w15

Plutão e o ovo da serpente


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