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Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 84 :: Junho/2005 :: -

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A GUERRA DA IUGOSLÁVIA NOS ANOS 90

Milosevic, o leão predador

Fernando Fernandes

Estilos oriental e ocidental de lidar com a diversidade étnica

O que se verifica na antiga Iugoslávia é um choque de dois modelos de autonomia nacional já antecipado profeticamente na década de trinta pelo historiador Arnold Toynbee, na obra L'Homme e L'Occident: de um lado, a visão ocidental de que a cada nacionalidade deve corresponder uma unidade política (o conceito de Estado Nacional); de outro, a visão oriental de que a cada nacionalidade deve corresponder um determinado conjunto de direitos, liberdades e prerrogativas. Mas qual a diferença?

No países da Europa Ocidental, como França, Inglaterra e Holanda, constituir um Estado Nacional não chegou a representar uma dificuldade incontornável, já que a cada nacionalidade correspondia uma base territorial contínua e claramente definida. Já na Europa Oriental, assim como no Oriente Médio, a tradição sempre fora a da constituição de impérios multiétnicos, em que diversas etnias compartilhavam o mesmo território, diferenciando-se cada uma pela adoção de uma atividade econômica e de uma função social exclusiva, que muitas vezes se traduzia por leis próprias.

Em Constantinopla, capital do Império Bizantino (que depois passou a ser capital do Império Otomano com o nome de Istambul), era exatamente assim: conviviam na mesma metrópole dezenas de nacionalidades, como se fossem camadas de um bolo que, apesar de superpostas, não se confundiam. A cidade tinha bairros gregos, armênios, búlgaros, italianos, judeus e assim por diante, sendo que cada grupo preservava sua língua, costumes, religião e formas de organização social e dedicava-se a uma atividade econômica específica. Era difícil ver, por exemplo, um armênio agricultor, já que tal atividade era quase uma exclusividade dos turcos da Anatólia. A diferenciação chegava ao ponto de afetar a aparência dos bairros da cidade, já que cada etnia deixava sua marca na adoção de uma arquitetura e de um padrão urbanístico inconfundível.

Tal modelo de mistura étnica no mesmo território estendeu-se por todas as regiões dominadas por bizantinos e turcos. Foi o que aconteceu também na Iugoslávia. Quando a Europa Oriental começa a importar o conceito ocidental de Estado Nacional (em que cada povo ocupa um território contínuo e tem um governo próprio), a impossibilidade de transplante do modelo revela-se de imediato, pois a realidade presente era (e ainda é) a da descontinuidade territorial: na Bósnia, por exemplo, uma cidade pode ter maioria sérvia e minoria croata, enquanto a cidade vizinha tem maioria muçulmana e minoria sérvia. Kosovo é uma província de maioria albanesa, o que não significa que não haja também uma forte presença sérvia. A única forma de promover a formação de um Estado Nacional nos moldes ocidentais é através da limpeza étnica, seja pelo transplante forçado de populações, seja pelo genocídio, puro e simples. O mesmo problema já ocorrera quando da divisão do Industão britânico em dois países independentes, Índia e Paquistão: a delimitação de territórios levou a uma guerra civil com massacres de ambos os lados, em que foram assassinados dez milhões de hindus e muçulmanos num curto período de dois anos.

Esta longa introdução permite entender com mais clareza o mapa do presidente Slobodan Milosevic, um dos protagonistas da guerra que se desdobrou em 1999 entre as forças da OTAN e do governo sérvio.

O mapa de Milosevic

Slobodan Milosevic, ex-homem forte do regime iugoslavo e defensor intransigente da política de limpeza étnica, é um indivíduo teimoso: cinco planetas (Sol, Lua, Mercúrio, Plutão e Saturno) estão em signos fixos, assim como o Ascendente.

A ênfase em Leão dá a Milosevic uma tendência a agir em grande estilo, um toque imperial, um caráter centralizador e uma vocação para a ação dramática.

Slobodan Milosevic - 20.08.1941 - 20h, GMT - Pozarevac, Iugoslávia.
44w37, 21e11

A conjunção aplicativa Saturno-Urano na casa 1, da identidade, torna Milosevic um porta-voz dos valores do ciclo iniciado pela conjunção exata destes dois planetas, ocorrida em maio de 1942 no último grau de Touro, poucos meses depois do nascimento do líder sérvio. Este ciclo, que se prolonga até 1988, caracterizou-se em todo o mundo por uma forte dose de protecionismo econômico em que a palavra de ordem era a substituição das importações, com o conseqüente fortalecimento das economias nacionais. Tal tendência pode ser verificada no Brasil, por exemplo, através da criação de indústrias de base, como a Companhia Siderúrgica Nacional, no primeiro governo de Vargas, e a Petrobrás, no segundo governo, assim como pela implantação da indústria automobilística no governo Juscelino.

Outro traço típico do período é a emergência de grandes blocos políticos e a divisão do mundo em áreas de influência ideológica: finda a guerra, surgem de um lado a OTAN, reunindo os Estados Unidos e os países da Europa Ocidental, e do outro, o Pacto de Varsóvia, agrupando os países socialistas da Europa Oriental sob infuência soviética. Se bem que a Iugoslávia sempre tenha tentado exercer no cenário internacional o papel de país não alinhado, é inegável que o regime forte do Marechal Tito e a proximidade com os outros países do Pacto de Varsóvia funcionaram como entraves para a desagregação da unidade iugoslava.

A nova conjunção Saturno-Urano de 1988 marca o início do colapso do império soviético: nos três anos seguintes, desaparecerem a própria União Soviética, o Muro de Berlim e a unidade do Pacto de Varsóvia. O clima de fragmentação cria as condições para um novo surto de nacionalismo, que dá origem a uma série de países independentes, como as repúblicas Tcheca e Eslocava, a Ucrânia, a Croácia e a Eslovênia. Toda a crise iugoslava, incluindo a guerra civil na Bósnia, desdobra-se neste quadro de relações internacionais inaugurado com a conjunção Saturno-Urano.

É interessante notar que esta conjunção de 1988 cai na cúspide da casa 9 de Milosevic (uma casa relacionada com leis, religião, ideologias e relações internacionais) e ativa por quadratura Vênus, regente do Ascendente taurino do ex-líder sérvio, no último grau de Virgem.

As fotos oficiais mostravam Milosevic posando diante de quadros que lembram a grandeza sérvia do passado.

A impessoalidade e a frieza com que Milosevic conduziu o desalojamento e o extermínio de minorias étnicas no território da antiga Iugoslávia têm a ver diretamente com a conjunção Lua-Plutão em Leão, que forma quadratura quase exata ao Ascendente. Esta conjunção ocupa a casa 4, da ancestralidade, sendo a Lua a própria regente desta casa (Fundo do Céu em Câncer). Em conseqüência, Milosevic traduz de forma dramática (Lua em Leão) o orgulho étnico de sua condição de Yug (eslavo do sul), resgatando do passado remoto a visão de uma Sérvia forte, guerreira e unificada. Plutão, por sua vez, dá a este sentimento um toque arcaico, irracional e selvagem: é como se, através de Milosevic, irrompesse outra vez a horda dos bárbaros eslavos que saíram das profundezas das estepes no início da Idade Média para desestabilizar e destruir a refinada presença bizantina nos Bálcãs.

Saturno, regente do MC e posicionado na casa 1, em Touro, complementa o quadro de rigidez, fazendo quadratura com a conjunção Sol-Mercúrio em Leão. É um aspecto de dogmatismo e inflexibilidade, que esconde um toque de insegurança pessoal (Saturno na 1) sob o disfarce do uso teatral e totalitário do poder.

Do ponto de vista da teoria dos modelos planetários, o mapa natal de Milosevic é uma taça, ou seja, um padrão de distribuição onde os dez planetas apresentam-se concentrados em aproximadamente metade da mandala, enquanto a outra metade permanece vazia. O ponto focal deste modelo é o chamado planeta-guia, aquele que "puxa" os demais no sentido horário. Em outras palavras, o primeiro do grupo de dez a atravessar o Ascendente na data do nascimento. No caso, quem desempenha este papel é Marte, não apenas enfatizado por ser o planeta-guia como também por ser o único a ocupar o hemisfério Sul (acima do Ascendente), o que lhe dá um destaque excepcional.

Marc Edmund Jones e Robert Jansky definem como elementos constitutivos da psicologia da taça um alto grau de auto-suficiência, um sentido de missão e de defesa de causas, a percepção da própria importância, um bom senso de timing e de oportunidade, uma grande capacidade para agir sob situações de tensão e um comportamento de "tudo ou nada". A taça tem uma característica de tensão e de resistência que encontra analogia nos signos fixos, exatamente os que predominam na carta de Milosevic.

Outra classificação possível é o leque, modelo de distribuição planetária em que nove planetas situam-se nos limites de um trígono enquanto o décimo ocupa algum lugar da área aberta. Este planeta - que é Marte, no caso de Milosevic - funciona como a haste que movimenta todo o restante do leque, ou o planeta-alavanca de onde partem as motivações e ações do indivíduo.

Tanto na taça quanto no leque, muitas características de personalidade, assim como o modelo de atuação do indivíduo, podem ser observados a partir da natureza do planeta principal (planeta-guia ou planeta-alavanca). Sendo Marte, temos o quadro de um homem combativo, agressivo, empreendedor e disposto a lutar pelos seus objetivos. É o protótipo do guerreiro.

Marte está em Áries, seu signo de domicílio, na casa 12 do inconsciente, do comportamento anti-social e da sintonia com as grandes correntes coletivas subliminares. Com este Marte, é como se Milosevic pudesse estabelecer uma sintonia com a agressividade latente no nacionalismo sérvio, uma espécie de patologia social que se traduz por séculos de sentimento de anulação e de limitação, e que acabou por explodir nos anos 90 num exercício exacerbado de afirmação do próprio poder.

Milosevic e a batalha de Kosovo



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