IGREJA CATÓLICA, DOS PRIMÓRDIOS AO NOVO PAPA

Os santos e os brutos:
a Igreja de Urano e Plutão

Fernando Fernandes

 

Que mapas utilizar para contextualizar a eleição do novo papa? Afinal, quando começa a história da Igreja Católica e do papado? Este artigo rastreia os três remotos momentos em que o Catolicismo se estrutura e mostra por que o novo ocupante do trono de São Pedro poderá ser um tipo radical e inflexível.

Para entender a eleição do papa que sucederá João Paulo II no trono do Vaticano é preciso relacionar o momento atual com a história do papado, de forma a obter-se uma perspectiva mais ampla e contextualizada. Alguns astrólogos vêm traçando paralelos entre os mapas dos principais candidatos e o da criação do moderno Estado do Vaticano. Trata-se de uma boa linha de investigação?

A atual status do Vaticano como um Estado independente resultou de um acordo entre o papa Pio XI e o ditador fascista que então governava a Itália, Benito Mussolini. Na verdade não foi uma criação, mas uma restauração, já que a Igreja, durante séculos, gozou de autonomia política com jurisdição sobre extensos territórios. Tal situação só fora modificada durante o século XIX, quando os acontecimentos decorrentes das guerras napoleônicas e da unificação italiana reduziram drasticamente a importância da Igreja como potência política e econômica.

Reconhecimento do Estado do Vaticano pela Itália fascista - 7 de junho de 1929, 11h CET - Roma. Este é apenas um mapa subsidiário para entender a eleição do novo papa, mas vale observar a posição de Netuno junto ao Ascendente e de Júpiter junto ao Meio-Céu, exatamente os dois regentes de Peixes, signo que melhor expressa a natureza do Cristianismo.

Assim, a (re)criação do Estado do Vaticano teve, antes de tudo, efeito diplomático, significando o reconhecimento pelo governo italiano da existência da Santa Sé como um poder político autônomo. O mapa do Vaticano não explica a enorme importância da Igreja Católica, nem a primazia do papa - o antigo Bispo de Roma - sobre as demais autoridades eclesiásticas. Para entender tais questões é preciso ir mais longe.

Tradicionalmente os católicos remetem o início do papado ao ministério do apóstolo Pedro, que, três décadas após a morte de Jesus, deslocou-se para Roma para pregar o Evangelho e liderar a nascente comunidade cristã. Contudo, o apostolado de Pedro e seus sucessores era exercido de forma clandestina, já que o Cristianismo, que não contava com o reconhecimento oficial, passou a ser objeto de terríveis perseguições. Pouco a pouco, porém, o crescimento da comunidade cristã - inclusive entre os soldados do império - levou a uma convivência mais pacífica com as autoridades públicas, até que, no ano 312, o Imperador Constantino, inspirado por visões místicas antes de uma batalha contra seu rival Maxêncio, decidiu incorporar símbolos cristãos ao estandarte do exército que comandava. Vitorioso, fez publicar no ano seguinte o Edito de Tolerância (ou Edito de Milão), pelo qual concedia aos cristãos plena liberdade de culto. Daí em diante estava aberto o caminho para a transformação do Cristianismo em religião oficial.

Constantino

Em 323 o imperador Constantino professa publicamente sua conversão ao Cristianismo. Em 325, realiza-se o Concílio de Nicéia (cidade da Anatólia, atual Turquia). É o primeiro concílio ecumênico da Igreja, tendo sido convocado pelo próprio imperador. O encontro reúne aproximadamente trezentos bispos, fixa os principais dogmas da fé e condena as primeiras heresias. Pode-se considerá-lo como o ato de fundação da Igreja Católica como a conhecemos hoje. Contudo, faltava ainda transformá-la em religião oficial do Império. Isso só vem a ocorrer em 380, por decreto do imperador Teodósio, que logo no ano seguinte convoca o Concílio de Constantinopla.

Quando se fecha o século IV, já temos então uma igreja organizada e oficial. Faltava apenas consolidar sua hierarquia, com a definição da primazia de uma única autoridade eclesiástica sobre todas as demais. Isso só vem a acontecer em meados do século seguinte, como nos informa Carlos Hollanda:

O primeiro papa que pode ser considerado com tal título, segundo Ferdinand Lot, em O fim do mundo antigo e o início da Idade Média, é Leão Magno, ou Leão I, que passou a ter soberania (principado, "primaz" - primeiro) sobre os outros bispos. Isso ocorre entre 440 e 461 d.C., durante seu "governo" no Império Romano do Ocidente.

Uma questão notável sobre Leão Magno são seus esforços para impedir ou mitigar os efeitos da invasão dos hunos e dos vândalos em Roma, com acordos entre ele e o próprio Átila, em 452, e com uma ida ao acampamento dos Vândalos para negociar com Genserico, em 455, uma invasão que não fosse marcada pela tortura dos romanos ou pelo incêndio da cidade. Nesse último caso ele deu azar: os vândalos saquearam
Roma, deixando em pé somente as basílicas.

Teodósio

Contudo, pode-se argumentar também que o conceito da primazia de Roma já estava presente desde o Concílio de Constantinopla, convocado por Teodósio em maio de 381 (data ignorada), cujas discussões já focalizam um problema que afetará a Igreja Cristã durante muitos séculos, até sua cisão em 1054:

Outra resolução aprovada pelo Concílio dizia respeito à sede episcopal de Constantinopla. Estabelecia-se a precedência do bispo na Nova Roma (Constantinopla) sobre os outros patriarcas da Igreja Oriental, mas abaixo do bispo de Roma. Vemos aqui estabelecida uma nova hierarquia entre as igrejas e o lançamento das bases que servirão posteriormente para as aspirações ecumênicas do patriarca de Constantinopla. [GIORDANI, Mario Curtis. História do Império Bizantino. Vozes, Petrópolis, 1968.]

Um último passo no processo de constituição do poder da Igreja foi a aliança entre o papado e o reino dos Francos, no século VIII. Como parte de um acordo de mútua proteção, em 756 o rei Pepino, o Breve, faz extensas doações de terra à Igreja, semente do futuro poder temporal do papa. Mas o grande ato simbólico que fixa esta aliança é a restauração do conceito de um Império Romano capaz de unir política e religiosamente toda a Cristandade. O momento que simboliza tal restauração é a coroação de Carlos Magno pelo papa, na noite de Natal do ano 800. Pode-se considerar este o último dos grandes mapas-matrizes da Igreja Católica.

Coroação de Carlos Magno - 25.12.800, 0h LMT - Roma, Itália.

Tal como a carta da (re)criação do Vaticano, em 1929, trata-se de um mapa com ênfase em fatores piscianos: Júpiter e Lua estão em conjunção em Peixes enquanto Netuno é o planeta mais destacado, pela sua posição no Ascendente.

Veremos a seguir, com mais detalhes, os mapas de três momentos marcantes da formação da Igreja Católica, que foram a definição do Credo, a oficialização da Igreja Católica e a ascensão ao poder de Leão I.

"Creio em Deus Pai...": em Nicéia, está nascendo a Igreja Católica

Atalhos de Constelar 82 - abril/2005

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