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A América de George Bush como uma superpotência
paranóica, sempre em guarda contra inimigos reais ou imaginários,
já estava prefigurada no mapa de estréia do desenho
animado As Meninas Superpoderosas, de 1998. As três
heroínas do jardim de infância permitem também
lançar luz sobre a personalidade e as motivações
de Condoleezza Rice, mais poderosa auxiliar do presidente.
A arte - mesmo em suas manifestações
mais óbvias e previsíveis - tem a capacidade de antecipar
processos sociais que muitas vezes ainda sequer ganharam qualquer
outro canal de expressão. Antes de eclodir no plano da manifestação
visível, necessidades e expectativas coletivas emergem no
imaginário, revelando-se aqui ou ali na pele de um personagem
de ficção, na temática de um filme de sucesso,
nos trejeitos de um herói das histórias em quadrinhos.
O processo hoje vivido pelos Estados Unidos, país
em constante estado de guerra desde 2001, parecia difícil
de antever durante os anos do governo de Bill Clinton e suas alegres
estagiárias. Mas os sinais estavam todos lá. Agora
George W. Bush entra em seu segundo mandato sob um clima de sombrias
expectativas. E muitas das iniciativas da administração
Bush estarão centralizadas nas mãos da nova Secretária
de Estado, Condoleeza Rice. Uma forma de compreendê-la é
analisar seu mapa de nascimento. Mas, para entender exatamente o
contexto que fez com que uma mulher como Condoleeza chegasse tão
alto e tão longe, a melhor resposta pode estar nos desenhos
animados que nossas crianças assistem.
O mapa de Condoleeza
Condoleeza Rice, a toda-poderosa Secretária
de Estado do segundo mandato de George W. Bush, nasceu no dia 14
de novembro de 1954, às 11h30, em Birmingham, Alabama. Sua
família, de origem pobre e enfrentando um ambiente hostil,
supervalorizava a educação como alavanca de ascensão
social. Assim, Condoleeza foi estimulada desde cedo a dedicar-se
aos estudos. A influência familiar ajuda a compreender por
que ela cumpriu uma brilhante carreira acadêmica, tornando-se
uma especialista em ciências políticas. Condoleeza
dedicou-se em especial ao estudo de assuntos soviéticos,
chegando a dominar a língua russa. Na adolescência
já era uma ávida leitora de bons textos além
de razoável instrumentista, a ponto de ter pensado seriamente
em tornar-se uma pianista profissional. Seu nome, aliás,
deriva da expressão da linguagem musical con dolcezza, ou
seja, com doçura.
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| Condoleeza Rice, 14.11.1954,
11h30 (CST) - Birmingham, Alabama - 33n31, 86w48. |
Condoleeza jamais se casou, se bem que tenha chegado
a ficar noiva de um jogador de futebol. Aos 26 anos já acumulara
um título de mestre e outro de doutora, o que a credenciou
a dar aulas na Universidade de Stanford. Em pouco tempo galgou diversas
posições na estrutura universitária, até
chamar a atenção de um dos conselheiros do ex-presidente
George Bush (pai do presidente atual). Assim, em 1989 ela passou
a integrar o staff presidencial. Daí em diante a história
é conhecida: sempre ligada ao clã dos Bush, ela foi
nomeada por Bush filho em 22 de janeiro de 2001 para o cargo de
conselheira para assuntos de segurança nacional. Após
o atentado terrorista de 11 de setembro de 2001 sua figura tornou-se
bastante conhecida, ganhando cada vez mais espaço junto ao
presidente.
Em 16 de novembro de 2004, já reeleito, o
presidente indicou-a como substituta de Colin Powell à frente
da Secretaria de Estado. Três dias depois Condoleeza teve
de submeter-se a uma intervenção cirúrgica
para a retirada de tumores benignos no útero. A posse solene
(com juramento) no novo cargo deu-se apenas em 26 de janeiro de
2005, numa cerimônia fechada, e repetiu-se dois dias depois,
numa cerimônia pública. Trata-se da primeira mulher
negra a ocupar posto tão elevado.
Condy Rice (como é conhecida na imprensa americana)
tem o Meio-Céu em Escorpião, em conjunção
com Sol e Vênus e em quadratura com Marte na 1 em Aquário.
Saturno na 9, também em Escorpião, também participa
do quadro de aspectações tensas. Sem dúvida
é o mapa de uma mulher dura, controladora e controlada, autodisciplinada
e fortemente voltada para a vida pública. Trata-se de uma
workaholic, com 5 planetas em casas de Terra (a sexta, da
rotina laboral, e a décima, da carreira) e uma forte necessidade
de gastar energias em atividades produtivas. Seus interesses intelectuais
estão muito voltados para questões de política
externa e de conflitos culturais, o que pode ser observado pela
presença de Mercúrio-Netuno na 9 em quadratura com
os planetas da casa 6. Além do mais, Júpiter, planeta
mais angular do mapa, é também um significador natural
de assuntos estrangeiros.
Além da quadratura com Marte, a conjunção
Sol-Vênus forma uma outra quadratura, ainda mais dramática,
com Plutão na casa 7. É digno de nota, aliás,
o Sol em Escorpião recebendo simultaneamente a quadratura
dos dois regentes deste signo, além de estar conjunto a uma
Vênus em exílio. Toda a configuração
envolvendo Plutão, Marte, Sol e Vênus ajuda a entender
por que Condoleeza - uma mulher considerada atraente - abriu mão
de uma vida pessoal mais rica para dedicar-se exclusivamente às
grandes questões da administração pública.
A configuração fala de gosto pelo poder e de vontade
férrea, além de uma grande dureza para com os próprios
sentimentos (especialmente por causa da quadratura Plutão-Vênus).
É, enfim, uma guerreira em pele de mulher, e uma guerreira
que pode ser absolutamente impessoal (Sol-Plutão, Marte-Saturno)
caso considere que as circunstâncias assim o exijam.
Ao tomar posse como Secretária de Estado,
Condoleeza tinha seu Marte progredido em 21°55 de Peixes, formando
trígono com o Sol natal. Saturno em trânsito, simultaneamente,
formava trígonos ao Sol, a Vênus e ao Meio-Céu.
Outro trânsito importante era o de Netuno sobre Marte na casa
1, lembrando que o Netuno natal está na casa 9, significadora
de culturas distantes e países estrangeiros. Os planetas
envolvidos falam, portanto, de uma pessoa que vive um momento de
aumento das responsabilidades pessoais e da carga de trabalho (Saturno-Sol),
ao mesmo tempo em que amplia o horizonte do próprio poder,
vinculado a questões militares e a assuntos exteriores.
Por que os Estados Unidos estão entregando
tanto poder nas mãos dessa mulher que carrega as marcas de
Marte e Plutão? Docinho, Lindinha e Florzinha provavelmente
têm a chave da resposta...
Os bebês de proveta
de um estranho casal
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