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TÉCNICA ASTROLÓGICA

Princípios de Astrocartografia

Raul V. Martinez

 

Neste artigo, Raul V. Martinez faz uma apresentação técnica dos conceitos e métodos de duas modernas especializações da Astrologia, a Astrocartografia e o Espaço Local (Local Space).

Conceitos Preliminares

A esfera celeste é a esfera cujo centro é o centro da Terra e cujo raio é suficientemente grande, de forma a se poder desprezar, com relação a ela, a órbita que a Terra descreve em torno do Sol. Nessa esfera, a partir de seu centro, são projetados todos os elementos do Universo. O eixo terrestre coincide com o eixo em torno do qual se processa o movimento diurno dos corpos projetados na esfera, agora chamado eixo do mundo; o equador terrestre está no mesmo plano do equador celeste. Os planos dos meridianos terrestres determinam na esfera celeste círculos máximos que recebem o nome de Círculos Horários ou Círculos de Declinação.

Nota de Constelar: se você não tem familiaridade com esses conceitos, não se assuste: as ilustrações, na seqüência do artigo, vão ajudar em muito a compreensão.

O Horizonte de um Lugar, na esfera celeste, é o círculo máximo cujo plano é tangente a superfície da Terra nesse ponto considerado. Dessa forma, o ponto simétrico, com relação ao centro da Terra, possui o mesmo Horizonte.

Foi o advento dos computadores pessoais que permitiu a criação e o uso das técnicas astrocartográficas atuais - uma com o nome genérico de "Astrocartografia" (ACG) e a outra chamada de "Espaço Local" ou das "Linhas Azimutais". Essas técnicas podem ser utilizadas separadamente, ou em conjunto, uma complementando a outra.

Programas que transformam um sistema de coordenadas astronômicas em outro contribuíram para o surgimento das linhas do espaço local, na forma como são conhecidas agora. Michael Erlewine, um dos criadores do Blue*Star e do Win*Star, foi pioneiro na apresentação dessas linhas. Já a idéia de traçar linhas ACG, que mostram em mapas geográficos onde os astros estão fortalecidos nos horizontes e nos meridianos, foi de Jim Lewis. Ambos autores são norte-americanos.

Embora de outra natureza, as linhas dos eclipses solares sobre mapas terrestres - principalmente suas linhas centrais - são as formas mais antigas e conhecidas de linhas astrocartográficas.

Linhas de Astrocartografia (ACG)

Para cada astro (ou ponto da esfera celeste), em determinado instante, a astrocartografia (ACG) considera, inicialmente, duas linhas na superfície da Terra: uma, a do meridiano que passa pelos locais onde esse astro está culminando ou anticulminando, e outra, a que passa pelos locais da Terra onde ele está nascendo ou se pondo em seus horizontes. Essa segunda linha, como a do meridiano, também é um círculo máximo da Terra, pois:

 

- na esfera celeste, todo plano que passa pela reta "Astro-Terra" é um plano do horizonte onde esse astro está nascendo em um dos hemisférios que ele determina na Terra e se pondo no outro;

- a cada um desses planos celestes correspondem dois planos de horizontes terrestres, que tangenciam a Terra em pontos opostos;

- no conjunto, esses pontos de tangência estão em uma circunferência, com centro no centro da Terra.

A primeira linha astrocartográfica, a meridiana do astro (ou do ponto da esfera celeste), pode ser dividida em duas partes, uma onde o astro culmina e a outra onde anticulmina - ou seja, a linha meridiana do astro pode ser dividida na linha meridiana de seu Meio do Céu (MC) e na linha meridiana de seu Fundo do Céu (FC).

A segunda linha astrocartográfica, a dos horizontes terrestres, onde o astro (ou ponto) está nascendo ou se pondo, também pode ser dividida em duas partes - uma, a que contém os lugares onde está nascendo, chamada de linha dos ascendentes, e outra, a que contém os lugares onde o astro está se pondo, chamada de linha dos descendentes.

Eis um exemplo de imagem astrocartográfica - um astrocartograma - calculado para o momento exato do atentado a trens suburbanos que matou 201 pessoas em Madri, no dia 11 de março de 2004. Observe que há duas linhas que se cruzam perto de Madri (o cruzamento, ou paran, está indicado por uma seta vermelha). Uma delas é a linha meridiana do Meio do Céu de Plutão, que avança para o Atlântico e passa entre a Inglaterra e a Irlanda. Isto significa que todos os pontos ao longo desta linha apresentavam, naquele momento, mapas com Plutão no Meio do Céu. A segunda linha, que também corta o centro da Inglaterra e o extremo noroeste da França, é a dos Descendentes de Júpiter. Todos os pontos ao longo desta linha apresentavam, naquele momento, mapas com Júpiter na cúspide da casa 7, em oposição ao Ascendente. O mapa do atentado em forma convencional foi publicado na edição de março/2004. A segunda seta vermelha, que aponta para Síria e Iraque, mostra o trajeto da linha dos Ascendentes de Marte (em branco, quase invisível). O envolvimento da Espanha na Guerra do Iraque foi a causa que motivou o atentado. (Nota de Constelar)

As linhas astrocartográficas normalmente são apresentadas sobre mapas de países, ou de regiões, ou ainda sobre representações da superfície da Terra. Os locais por onde passam as linhas astrocartográficas de um astro são associados a significados desse astro na carta astrológica. Esses locais, por estarem ligados a meridianos e a horizontes, onde o astro está fortalecido, reúnem melhores condições para exteriorização ou concretização de fatos indicados por ele, e pelos respectivos "ângulos" da carta astrológica (Ascendente, Meio do Céu, Descendente e Fundo do Céu). Essa carta pode ser de nascimento, ou de retorno, ou de trânsitos, direções, horária, eletiva, de lunação, de ingresso etc. Esses locais, admitem certa orbe - de até dois graus da superfície terrestre, cerca de 220 km.

As linhas astrocartográficas podem auxiliar em relocações e no estudo de questões que envolvam lugares onde haja maiores possibilidades de ocorrência de acontecimentos indicados em carta astrológica, ou por configurações particulares - como conjunções de planetas lentos, por exemplo.

Parans

 

Atalhos de Constelar 71 - maio/2004

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