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Sedna, o planetóide recém-descoberto
além da órbita de Plutão, ganhou o nome de
uma deusa esquimó mutilada e traída que simboliza
a iminência do desastre ambiental que ameaça nossos
oceanos. Conheça o triste mito da mulher que se casou com
um cão, foi esfaqueada pelo pai e carrega caranguejos nos
cabelos.
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Em 15 de março de 2004 astrônomos americanos
confirmaram oficialmente a descoberta de mais um planeta - ou planetóide
- no sistema solar, que recebeu o nome de Sedna. A classificação
de planeta parece, em princípio, pouco apropriada, seja pelas
reduzidas dimensões (menor do que Plutão e pouco maior
do que Quaoar, descoberto em 2001), seja pelo ainda insuficiente
volume de informações sobre a órbita desse
longínquo e gélido corpo celeste. Entretanto, por
menor que seja e por menos que se saiba sobre ele, Sedna é
o mais importante objeto encontrado desde a descoberta de Plutão,
em 1930. E mais: descobertas de corpos celestes costumam coincidir
com a ampliação dos horizontes civilizatórios,
como se cada novo planeta representasse a emergência de um
novo processo na consciência humana.
Novos planetas no céu,
mudanças na Terra
| DESCOBERTA |
QUANDO
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CORRELAÇÕES |
| Afirmação do Heliocentrismo
(Copérnico, Galileu e Kepler) |
De 1543 a 1611
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Absolutismo monárquico
Mercantilismo
Racionalismo
Cientificismo
Cristandade dividida: católicos x protestantes |
| Urano |
1781
|
Revolução Industrial
Ascensão social da burguesia
Afirmação do capitalismo e da livre empresa
Revoluções americana e francesa
Enciclopedismo |
| Netuno |
1846
|
Socialismo utópico e
Manifesto Comunista
Organização do proletariado
Progressiva substituição do carvão pelo
petróleo na indústria
Movimentos nacionalistas e étnicos
Anestésicos |
| Plutão |
1930
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Nazismo e Fascismo - Estado
autoritário e anulação da individualidade
Desemprego em doses maciças
Desenvolvimento da energia nuclear
Propaganda a serviço do poder
Cultura de massa |
| Quaoar |
2001
|
Nova modalidade de terrorismo
Confronto entre civilizações
Guerra tecnológica com motivações arcaicas
(Estados Unidos x Talibãs) |
| Sedna |
2004
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Distúrbios climáticos
inéditos
Aprofundamento do confronto entre civilizações
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Desde a antiguidade, considerava-se que Saturno representava
o limite entre nosso sistema e o restante do universo. Tanto na
visão geocêntrica quanto heliocêntrica, Saturno
era o último planeta visível, o mais distante, a fronteira
final. O progressivo avanço científico permitiu a
descoberta de Urano, em 13 de março de 1781, pelo astrônomo
inglês William Herschel. Tudo quanto Urano passou a simbolizar
tem relação com as grandes questões sociais
daquele momento histórico, em que a Revolução
Industrial preparava terreno para a Revolução Francesa
e a afirmação do estado burguês. A descoberta
de Netuno acontece em 23 de setembro de 1846, num período
em que o socialismo e os movimentos de massa ganham terreno. Já
Plutão, descoberto em 1930, entra em cena no momento da ascensão
do nazi-fascismo e dos avanços com a energia nuclear.
Nesta seqüência é possível,
então, contextualizar eventos mais recentes, como as descobertas
de Quaoar e Sedna. Considerando que os novos corpos celestes sempre
expressam desafios emergentes, basta observar o que vai pelo mundo
no momento em que Sedna se revelou aos astrônomos. A conclusão
é bastante óbvia: Sedna coincide com os alertas mais
dramáticos já emitidos pela natureza e pelos cientistas
encarregados de monitorá-la.
A temporada de inverno 2003/2004 foi a mais fria
já registrada nos Estados Unidos e na Europa desde o século
XIX. Nova Iorque, por exemplo, viu-se às voltas com um clima
semelhante ao do Labrador, no litoral canadense, muito mais ao norte.
As mortes pelo frio surpreenderam a França e países
vizinhos. Enquanto isso, a desertificação se espalha
pelo Rio Grande do Sul e pela região subsaariana, na África,
em contraste com as enchentes que fazem transbordar açudes
no nordeste brasileiro. E se alguém ainda duvidada de que
algo está errado, o ciclone - ou furacão? - que atingiu
o litoral de Santa Catarina na madrugada de 28 de março acabou
de tirar as últimas dúvidas.
O Pentágono sabe muito bem o que está
acontecendo. No dia 9 de fevereiro a revista americana Fortune
publicou matéria divulgando o relatório Climate
Collapse, The Pentagon's Weather Nigthmare (Colapso Climático,
o Pesadelo do Pentágono) em que resume as conclusões
do estudo sobre as mudanças climáticas no mundo encomendado
pela agência americana de defesa. Em 22 de fevereiro a revista
britânica The Observer publica nova matéria
sobre o mesmo tema, desta vez com grande repercussão em todos
os meios de comunicação de massa. Jamais os cientistas
foram tão enfáticos. As previsões, absolutamente
sombrias, ultrapassam em gravidade até mesmo as preocupações
dos grupos ambientalistas, freqüentemente acusados de fazerem
tempestade em copo d'água. Desta vez, aliás, não
se trata de copo d'água, mas sim de toda a água do
planeta.
Segundo o estudo do Pentágono, a Terra está
próxima do ponto de ruptura em que o clima pode modificar-se
repentinamente. Um cenário bastante plausível é
que isso venha a acontecer entre 2010 e 2020, como resultado do
aquecimento global e do conseqüente derretimento das geleiras
do Ártico. A água doce liberada das geleiras, somada
ao aumento do volume de chuvas em outras regiões, reduziria
a salinidade da Corrente do Golfo, tornando-a menos densa. Assim,
a corrente deixaria de ser submarina e ficaria retida na superfície,
sem forças para alcançar as regiões do Atlântico
Norte e da Europa Ocidental. Os efeitos seriam o congelamento de
boa parte dos países europes, como Inglaterra, Holanda e
França. Icebergs seriam vistos até mesmo em Portugal.
A temperatura cairia em média três graus em todo o
Hemisfério Norte. Seria uma mini-idade do gelo.
Paralelamente, a temperatura estaria subindo nas
áreas tropicais. Em muitas regiões do planeta haveria
mais chuvas e inundações. As mudanças no habitat
natural provocariam a extinção de até metade
das espécies hoje existentes, com drástica redução
no estoque disponível de alimentos. Os efeitos seriam terríveis
para a economia e as comunidades humanas. Países superpovoados,
como Japão e Coréia, teriam hordas famélicas
prontas a invadir vizinhos com áreas desocupadas, como a
Rússia. Um quarto da população mundial poderia
morrer em conflitos bélicos, desastres naturais ou simplesmente
de fome.
O estudo do Pentágono considera perfeitamente
possível esse cenário apocalíptico e vai direto
ao ponto ao apontar a futura necessidade de defender militarmente
os Estados Unidos contra multidões de imigrantes miseráveis
e desesperados.
Toda essa discussão acontece exatamente entre
a descoberta de Sedna, em novembro, e a divulgação
da notícia, em março. E, seja por coincidência,
seja por uma escolha intencional dos astrônomos, o nome do
novo planetóide remete a uma divindade do Ártico cujo
mito põe o dedo na ferida mais sensível da tragédia
ambiental. Vejamos o mito e suas conexões astrológicas.
Sedna, a mulher do marido-pássaro
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