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ASTROLOGIA, ASTRONOMIA E MITOLOGIA

Sedna, a deusa mutilada

Fernando Fernandes

 

Sedna, o planetóide recém-descoberto além da órbita de Plutão, ganhou o nome de uma deusa esquimó mutilada e traída que simboliza a iminência do desastre ambiental que ameaça nossos oceanos. Conheça o triste mito da mulher que se casou com um cão, foi esfaqueada pelo pai e carrega caranguejos nos cabelos.

Em 15 de março de 2004 astrônomos americanos confirmaram oficialmente a descoberta de mais um planeta - ou planetóide - no sistema solar, que recebeu o nome de Sedna. A classificação de planeta parece, em princípio, pouco apropriada, seja pelas reduzidas dimensões (menor do que Plutão e pouco maior do que Quaoar, descoberto em 2001), seja pelo ainda insuficiente volume de informações sobre a órbita desse longínquo e gélido corpo celeste. Entretanto, por menor que seja e por menos que se saiba sobre ele, Sedna é o mais importante objeto encontrado desde a descoberta de Plutão, em 1930. E mais: descobertas de corpos celestes costumam coincidir com a ampliação dos horizontes civilizatórios, como se cada novo planeta representasse a emergência de um novo processo na consciência humana.

Novos planetas no céu, mudanças na Terra

DESCOBERTA
QUANDO
CORRELAÇÕES
Afirmação do Heliocentrismo (Copérnico, Galileu e Kepler)
De 1543 a 1611
Absolutismo monárquico
Mercantilismo
Racionalismo
Cientificismo
Cristandade dividida: católicos x protestantes
Urano
1781
Revolução Industrial
Ascensão social da burguesia
Afirmação do capitalismo e da livre empresa
Revoluções americana e francesa
Enciclopedismo
Netuno
1846
Socialismo utópico e Manifesto Comunista
Organização do proletariado
Progressiva substituição do carvão pelo petróleo na indústria
Movimentos nacionalistas e étnicos
Anestésicos
Plutão
1930
Nazismo e Fascismo - Estado autoritário e anulação da individualidade
Desemprego em doses maciças
Desenvolvimento da energia nuclear
Propaganda a serviço do poder
Cultura de massa
Quaoar
2001
Nova modalidade de terrorismo
Confronto entre civilizações
Guerra tecnológica com motivações arcaicas (Estados Unidos x Talibãs)
Sedna
2004
Distúrbios climáticos inéditos
Aprofundamento do confronto entre civilizações

Desde a antiguidade, considerava-se que Saturno representava o limite entre nosso sistema e o restante do universo. Tanto na visão geocêntrica quanto heliocêntrica, Saturno era o último planeta visível, o mais distante, a fronteira final. O progressivo avanço científico permitiu a descoberta de Urano, em 13 de março de 1781, pelo astrônomo inglês William Herschel. Tudo quanto Urano passou a simbolizar tem relação com as grandes questões sociais daquele momento histórico, em que a Revolução Industrial preparava terreno para a Revolução Francesa e a afirmação do estado burguês. A descoberta de Netuno acontece em 23 de setembro de 1846, num período em que o socialismo e os movimentos de massa ganham terreno. Já Plutão, descoberto em 1930, entra em cena no momento da ascensão do nazi-fascismo e dos avanços com a energia nuclear.

Nesta seqüência é possível, então, contextualizar eventos mais recentes, como as descobertas de Quaoar e Sedna. Considerando que os novos corpos celestes sempre expressam desafios emergentes, basta observar o que vai pelo mundo no momento em que Sedna se revelou aos astrônomos. A conclusão é bastante óbvia: Sedna coincide com os alertas mais dramáticos já emitidos pela natureza e pelos cientistas encarregados de monitorá-la.

A temporada de inverno 2003/2004 foi a mais fria já registrada nos Estados Unidos e na Europa desde o século XIX. Nova Iorque, por exemplo, viu-se às voltas com um clima semelhante ao do Labrador, no litoral canadense, muito mais ao norte. As mortes pelo frio surpreenderam a França e países vizinhos. Enquanto isso, a desertificação se espalha pelo Rio Grande do Sul e pela região subsaariana, na África, em contraste com as enchentes que fazem transbordar açudes no nordeste brasileiro. E se alguém ainda duvidada de que algo está errado, o ciclone - ou furacão? - que atingiu o litoral de Santa Catarina na madrugada de 28 de março acabou de tirar as últimas dúvidas.

O Pentágono sabe muito bem o que está acontecendo. No dia 9 de fevereiro a revista americana Fortune publicou matéria divulgando o relatório Climate Collapse, The Pentagon's Weather Nigthmare (Colapso Climático, o Pesadelo do Pentágono) em que resume as conclusões do estudo sobre as mudanças climáticas no mundo encomendado pela agência americana de defesa. Em 22 de fevereiro a revista britânica The Observer publica nova matéria sobre o mesmo tema, desta vez com grande repercussão em todos os meios de comunicação de massa. Jamais os cientistas foram tão enfáticos. As previsões, absolutamente sombrias, ultrapassam em gravidade até mesmo as preocupações dos grupos ambientalistas, freqüentemente acusados de fazerem tempestade em copo d'água. Desta vez, aliás, não se trata de copo d'água, mas sim de toda a água do planeta.

Segundo o estudo do Pentágono, a Terra está próxima do ponto de ruptura em que o clima pode modificar-se repentinamente. Um cenário bastante plausível é que isso venha a acontecer entre 2010 e 2020, como resultado do aquecimento global e do conseqüente derretimento das geleiras do Ártico. A água doce liberada das geleiras, somada ao aumento do volume de chuvas em outras regiões, reduziria a salinidade da Corrente do Golfo, tornando-a menos densa. Assim, a corrente deixaria de ser submarina e ficaria retida na superfície, sem forças para alcançar as regiões do Atlântico Norte e da Europa Ocidental. Os efeitos seriam o congelamento de boa parte dos países europes, como Inglaterra, Holanda e França. Icebergs seriam vistos até mesmo em Portugal. A temperatura cairia em média três graus em todo o Hemisfério Norte. Seria uma mini-idade do gelo.

Paralelamente, a temperatura estaria subindo nas áreas tropicais. Em muitas regiões do planeta haveria mais chuvas e inundações. As mudanças no habitat natural provocariam a extinção de até metade das espécies hoje existentes, com drástica redução no estoque disponível de alimentos. Os efeitos seriam terríveis para a economia e as comunidades humanas. Países superpovoados, como Japão e Coréia, teriam hordas famélicas prontas a invadir vizinhos com áreas desocupadas, como a Rússia. Um quarto da população mundial poderia morrer em conflitos bélicos, desastres naturais ou simplesmente de fome.

O estudo do Pentágono considera perfeitamente possível esse cenário apocalíptico e vai direto ao ponto ao apontar a futura necessidade de defender militarmente os Estados Unidos contra multidões de imigrantes miseráveis e desesperados.

Toda essa discussão acontece exatamente entre a descoberta de Sedna, em novembro, e a divulgação da notícia, em março. E, seja por coincidência, seja por uma escolha intencional dos astrônomos, o nome do novo planetóide remete a uma divindade do Ártico cujo mito põe o dedo na ferida mais sensível da tragédia ambiental. Vejamos o mito e suas conexões astrológicas.

Sedna, a mulher do marido-pássaro

Navegando no fundo do oceano:

Novos planetas no céu, mudanças na Terra
Sedna, a mulher do marido-pássaro
Sedna, mulher do cão e mulher-esqueleto
Traduzindo o mito astrologicamente
Sedna e o alinhamento de maio de 2000
Outras opiniões sobre Sedna

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Ciclone em Santa Catarina... a culpa é de George Bush!
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