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A
HISTÓRIA DA ASTROLOGIA NO BRASIL |
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Episódio 1
"Domingo, 13 enero, 1492. No salió de este puerto por no hacer terral com que saliese. Quisiera salir por ir a otro mejor puerto, porque aquél era algo descubierto, y porque quería ver en qué paraba la conjunción de Luna con el Sol, que esperaba a 17 de este mes, y la oposición de ella com Júpiter y conjunción Mercurio y el Sol em opósito con Júpiter, que es causa de grandes vientos." Diario de Colón Para um país que tem sua trajetória gravada por severas conjunções, oposições e quadraturas de Saturno, e uma extensão quase continental, é um sério desafio tentar rastrear as pegadas da Astrologia em sua história, mesmo que ela se ache contida no breve espaço de quase cinco séculos. E muito mais difícil se torna ainda a tarefa se o objetivo é resumi-la. Naturalmente, não poderemos abranger e citar aqui tudo e todos que contribuíram para que o mais antigo saber humano se enraizasse com tamanha força em Pindorama - na terra das palmeiras - pelo que apelo à generosidade dos leitores e ao perdão antecipado de notórios e anônimos, indivíduos ou grupos que porventura me escape aqui registrar. É preciso também esclarecer que as publicações, escolas e eventos aqui listados obedeceram a um critério de pioneirismo e de pontuação da história da Astrologia. Em qualquer lugar, no espaço e no tempo, onde surgiram agrupamentos humanos, manifestou-se também algum tipo de simbolismo que refletisse a íntima correspondência que há entre os movimentos do céu e os acontecimentos na vida humana e terrestre. Para sermos fiéis a esta visão, teríamos que iniciar a história da Astrologia no Brasil contando alguma coisa da uranografia dos índios brasileiros, sobre a qual muito pouco ou quase nada se conhece, talvez porque a principal base de transmissão de seus mitos seja a tradição oral, e também porque, em nosso país, as pesquisas antropológicas são carentes de recursos. Basta dizer que não foi um antropólogo, mais sim o médico Francisco Carlos Pessoa Faria que conseguiu, após trinta anos de pesquisas, analisar o significado da itaquatiara (pedra lavrada ou inscrição rupestre) da pedra do Ingá, na Paraíba. Ali, numa área de trinta metros quadrados, todas as constelações zodiacais encontram-se devidamente representadas, sendo que a situação equinocial do Escorpião permite supor que as inscrições sejam anteriores a 2100 a. C. Na Serra dos Caiapós, há um sítio arqueológico descrito no livro O Enigma de Paraúna, de autoria de Alódio Tovar, que, além de construções megalíticas, abriga uma gruta onde é possível reconhecer símbolos cosmológicos semelhantes aos da astrologia mesopotâmica - e gravados há mais de dez mil anos, segundo medições arqueológicas. As décadas de setenta e oitenta foram palco, aliás, de uma chuva de especulações sobre o significado de outros sítios ainda quase inexplorados: de São Raimundo Nonato, no Piauí, a Botucatu, em São Paulo, passando por todo Planalto Central e pela Chapa Diamantina. Espeleólogos, grupos de pesquisa ufológica e místicos das mais variadas origens anunciavam descobertas que, de alguma forma, sempre apontavam para conhecimentos astronômicos pré-históricos bem mais amplos do que os reconhecidos pela comunidade acadêmica. Talvez como fragmento reminiscente desses saberes arcaicos, os índios do Xingu atiram flechas para espantar a onça mítica que vem engolir o Sol e a Lua nos eclipses. E nisso, se igualam a chineses e hindus que se referem a um dragão alado que devora os luminares.
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