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ASTROLOGIA MUNDIAL

Enfim, o mapa do Talibã

Fernando Fernandes

 

Quase um ano depois do atentado ao World Trade Center, finalmente surge o mapa da emergência do Talibã como força política. Sintomaticamente, o mapa do Talibã tem um Mercúrio tão enfático quanto o do ataque à primeira torre do WTC.

O Talibã não tem um mapa, mas diversos mapas - e, bem de acordo com o mistério que ronda esse movimento, todos sob suspeita. O mais confiável parece ser o da tomada de Cabul, em 27 de setembro de 1996, analisado pelos astrólogos portugueses Helena Avelar e Luís Ribeiro em artigo para o site Urania, de Barbara Abramo, também reproduzido no Espaço Astrologia, de Portugal. Baseados nos relatos da imprensa da época, a dupla situa o início do regime dos talibãs quando estes "passaram a controlar Kabul e se estabeleceram como a principal força militar e política no Afeganistão". Quanto ao horário, informam:

Segundo os relatos noticiosos da época, a ocupação de Kabul terá começado cerca de 1 hora da manhã do dia 27 de Setembro de 1996, com a tomada do palácio presidencial. A conquista ficou finalmente assegurada duas horas mais tarde, pouco depois das 3 da manhã. Este parece, aliás, ser o momento mais marcante do processo.

O mapa daí resultante, na análise dos dois astrólogos portugueses, dá conta claramente da natureza intolerante, repressiva (especialmente quanto às mulheres) e ao mesmo tempo nebulosa e obscura do regime instaurado pelos talibãs quando assumiram o controle de todo o país. O artigo é excelente e constitui leitura obrigatória. Contudo, Helena Avelar e Luís Ribeiro admitem, quanto ao Talibã, que

não existe nenhuma referência conhecida ao nascimento deste movimento. Sabe-se apenas que terão surgido em 1994, como resultado da confusão interna no Afeganistão. Não dispomos, portanto, do "mapa natal" da formação deste grupo islâmico.

O que este artigo propõe é que existe, sim, um mapa que pode ser considerado o da primeira aparição do movimento talibã, e - mais importante - reconhecido pelos próprios talibãs. A base de referência que utilizaremos é o artigo An Introduction of the Taliban, escrito em 2000 (antes da notoriedade provocada pelo ataque ao World Trade Center) por Kawun Kakar, do Institute for Afghan Studies, uma entidade que reúne estudiosos e pesquisadores do país refugiados no exterior. Diz Kakar:

O ciclo de violência, destruição e caos da era Mujahideen criou as condições para a ascensão do puritanismo talibã. Há várias versões de como um pequeno grupo de talibãs, liderado pelo Mulá Muhammad Omar, assumiu o controle de áreas nos arredores de Kandahar em 1994.

A chamada era Mujahideen é quase um sinônimo de caos e fragmentação política no Afeganistão. Seu início mais remoto é o ano de 1973, quando Mohammed Daud Khan, primeiro-ministro indicado pelo rei em 1953, rebela-se contra a monarquia e lidera um golpe que proclama a república. Imediatamente grupos rivais manifestam desacordo em relação ao novo governo e partem para a resistência armada. Estas diversas facções, sempre resistentes a um governo centralizador, sempre voltadas para a afirmação de suas respectivas etnias e sempre intransigentes quanto à defesa das tradições islâmicas, é que constituirão a essência do movimento Mujahideen.

Sucessivas invasões transformaram Cabul, a capital afegã, numa cidade em ruínas. No furor da destruição, às vezes só as mesquitas são poupadas.

Entre 1973 e 1979, o clima político no Afeganistão é cada vez mais instável, até que o líder marxista Hafizullah Amin dá um golpe e sobe ao poder, apoiado pela União Soviética. Um contragolpe leva ao assassinato de Amin e, em represália, a União Soviética invade o Afeganistão em 1979, com 80 mil soldados, tanques e armamento pesado. Só sairiam de lá em 1989, depois de dez anos de desgaste. Com a invasão soviética, a resistência mujahideen só fez intensificar-se. A guerrilha nas montanhas minou as bases do poder soviético e levou a superpotência a bater em retirada do Afeganistão, numa derrota tão significativa quanto a dos americanos no Vietnã.

Com os russos fora do país, o Afeganistão mergulhou de vez no caos. Não havia mais qualquer possibilidade de um governo central. Facções inconciliáveis disputavam o poder, levando o país a fragmentar-se em províncias onde imperava o vale-tudo das lutas étnicas. A era Mujahideen, no sentido estrito, vai de 1992 até o momento em que o talibã assume o poder, em 1996. Nesses anos de ausência de uma autoridade central formaram-se as condições ideais para a emergência de um núcleo de poder caracterizado pelo mais estrito radicalismo.

Chacina na estrada: o Talibã entra em cena


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