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QUATRO DÉCADAS DE ASTROLOGIA

Waldyr Bonadei Fücher

Entrevista registrada por Daniela Buono

 

Estudioso de astrologia há quase 40 anos, o professor Waldyr Bonadei Fücher fundou em 1975 a Escola Regulus, em São Paulo, considerada uma das mais reconhecidas instituições de astrologia, pioneira em especialização nas áreas vocacional e empresarial (o nome Regulus foi adotado em 1980). Leonino com Ascendente em Touro, 76 anos, o professor Waldyr esteve na Astrológica 2002 para responder uma sessão de perguntas da platéia. Confira os principais assuntos da entrevista.

Regulamentação da profissão de astrólogo

PLATÉIA - O Sr. é favorável ou contrário à regulamentação da profissão de astrólogo?

FÜCHER - Absolutamente favorável. Vejo uma possibilidade de moralização da profissão e mais responsabilidade ao astrólogo.

PLATÉIA - Como o Sr. avalia as controvérsias a respeito da regulamentação?

FÜCHER - Eu nem leio tudo para não ter um ataque nervoso... as discussões que li são inócuas! Astrólogo que ataca a regulamentação me faz duvidar de sua qualidade profissional. A regulamentação é muito importante. Agora, quando alguém questiona o assunto sem conhecer astrologia, uso o seguinte provérbio árabe: "Os cães ladram, mas a caravana passa." Quantas e quantas vezes a astrologia já foi atacada, mas continua sobrevivendo?

PLATÉIA - Dizem que não há profissionais suficientes para regulamentar a profissão...

FÜCHER - Fiz uma consulta a um advogado que conhecia muito bem Brasília e suas tramitações que me disse: "Para vocês terem a profissão reconhecida, não é uma questão de qualidade, mas de quantidade". Mas isso foi há 25 anos. Há sim uma enorme quantidade de astrólogos...

PLATÉIA - Como o Sr. avalia a atual posição da astrologia na sociedade brasileira?

FÜCHER - Seria necessário fazer uma pesquisa, mas tenho certeza de que ela está sendo cada vez mais respeitada. Por isso é importante defender a boa astrologia.

PLATÉIA - A comunicação de massa pode ajudar?

FÜCHER - Claro. O próprio Omar Cardoso fez isso. Ele despertou o povo para a astrologia. Se você leva algum conhecimento ao público, isso já é válido. Claro que há de se separar o joio do trigo, pois sempre haverá bons e maus profissionais... entre médicos e advogados também é assim.

PLATÉIA - O que o Sr. acha do horóscopo de jornal?

FÜCHER - Isso é folclórico, bom para dar ânimo às pessoas. E é uma forma de levar o conhecimento, embora precário, da astrologia. Para fazer previsões mais efetivas deveria-se utilizar os decanatos de cada signo. Mas o trabalho iria triplicar.

PLATÉIA - O Sr. percebe alguma mudança no objetivo das pessoas que procuram cursos de astrologia hoje?

FÜCHER - Antigamente as pessoas procuravam astrologia por curiosidade, as vezes não tinham o que fazer à tarde... mas isso mudou. Muitas pessoas que nem pensavam na profissão de astrólogo começam a pensar: "Puxa, vai ser regulamentada!"

PLATÉIA - Como fica a astrologia cármica com a regulamentação? Não ficaria vinculada à religião?

FÜCHER - Desde que não se mencione o termo, fica implícito. Eu faço interpretações para pessoas normais, que não sabem o que é carma, e cito fatores cármicos sem dizer que é uma interpretação cármica.

PLATÉIA - A astrologia chinesa e demais astrologias orientais também deveriam estar na regulamentação federal?

FÜCHER - Eu repito sempre: a astrologia oriental serve para os orientais. Pra nós não serve. Quem nasceu na China é porque tinha que nascer na China... eu sou bastante nacionalista, embora universalista também. Devemos adaptar a astrologia às nossas condições para termos mais resultados. Eu persigo este objetivo.

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