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ASTROLOGIA MUNDIAL

Caracas! Um dia, três presidentes!

Fernando Fernandes

 

No espaço de pouco mais de 24 horas, três presidentes estiveram no poder na Venezuela. O golpe mal-sucedido só foi reconhecido pelos Estados Unidos... exatamente como já acontecera com a própria Venezuela em 1908 e pode acontecer com outros países latino-americanos. Os trânsitos na carta norte-americana mostram que a disposição para interferir nos negócios alheios está no auge.

Em meados de abril, ficou difícil entender o que acontecia na vizinha Venezuela. Enormes manifestações de rua pararam o país. O povo mais humilde de Caracas ainda defendia o presidente Hugo Chávez, mas a classe média, o empresariado e os meios de comunicação pareciam querer vê-lo pelas costas. Finalmente, o golpe. Chávez está preso e o empresário Pedro Carmona é o novo presidente. Mas enquanto os jornais de 13 de abril ainda apresentam a biografia do novo mandatário, as TVs e os sites de notícias na Internet já dão conta de que Carmona renunciou e o vice de Chávez, Diosdado Cabello, acaba de assumir como presidente. Mais algumas horas, o próprio Chávez retorna em triunfo. Três presidentes em apenas um dia. Não é à toa que Caracas, nome da capital da Venezuela, já havia virado gíria brasileira, com o valor de uma exclamação de espanto.

Mas por que o tempo ficou tão quente na Venezuela? E Chávez, por que divide tanto as opiniões? Ainda mais grave: os Estados Unidos foram o único país que se apressou em reconhecer o governo golpista de Pedro Carmona, que ficou apenas 27 horas no poder. Apenas (mais) uma gafe do governo Bush? Ou a confissão de culpa de uma interferência proposital? E... é possível analisar tais questões astrologicamente?

Analisando o mapa da Venezuela

A Venezuela teve pelo menos três momentos que podem ser considerados como marcos do início de uma vida autônoma como entidade política: a Declaração de Independência, em 1811; a Batalha de Carabobo, em 1821; e a extinção da união com a Colômbia, em 1829. A independência da Venezuela foi mais um processo, longo e cheio de alternativas, do que um evento circunscrito a um momento determinado. Entretanto, os próprios venezuelanos definem a assinatura da Declaração de Independência como o momento que melhor simboliza a ruptura do país com a Espanha. O ato ocorreu às 15h do dia 5 de julho de 1811, às 15h LMT, o que faz da Venezuela um país com o Sol em Câncer em oposição à Lua em Capricórnio, enquanto o Ascendente ocupa o vigésimo-sétimo grau de Escorpião.

Assinatura da Declaração de Independência da Venezuela - 05.07.1811, 15h LMT - Caracas, Venezuela - 10n30, 66w56.

A oposição Sol-Lua repete o mesmo aspecto e inclusive os mesmos signos da carta radical da Argentina, mas o eixo ativado é o das casas financeiras (2-8), que já se revela, desde a primeira análise, como muito importante na carta do país. Como a casa 8, que contém o Sol, guarda analogia natural com Escorpião, e como é exatamente Escorpião o signo Ascendente, a impressão inicial se reforça.

Para que esta carta se revele eficaz, é preciso que expresse claramente alguns elementos da história venezuela, tais como:

a) a base econômica representada pela extração do petróleo;
b) a dependencia do país à atividade de exportação (novamente o petróleo);
c) a instabilidade econômica decorrente das oscilações do preço do barril de petróleo no mercado mundial;
d) a definitiva separação de caminhos políticos de Venezuela e Colômbia, em 1829, quando se deu o fim da "Grande Colômbia" (união dos dois países e do Equador sob um mesmo governo, vigente desde 1819);
e) a sangrenta ditadura de Juan Vicente Gómez, de 1908 a 1935;
f) a descoberta das jazidas petrolíferas no subsolo do Lago Maracaibo, no início do governo de Gómez.

O primeiro fato significativo é que tanto Urano, regente da 4, quanto Marte, co-regente do Ascendente, estão na 12, indicando uma tendência para a exclusão do povo na gestão do Estado. Na prática, a Venezuela passou de uma ditadura a outra desde sua independência até a ascensão ao poder de Romulo Bettancourt. O outro regente do Ascendente, Plutão, está presente na 4 em Peixes, um símbolo adequado para as jazidas de petróleo do Lago Maracaibo. Veja-se que Netuno, dispositor de Plutão e co-significador do petróleo, está na 1.

A Lua na 2 é indicadora de instabilidade na economia, com muitos altos e baixos em conseqüência das oscilações do comércio internacional (a Lua é regente da casa 9). A oposição Lua-Sol indica que, apesar do ingresso de divisas decorrente da exportação do petróleo, a dívida externa e os desequilíbrios orçamentários são problemas crônicos. Como o Sol, presente na 8, é o regente da 10, do poder executivo, é possível deduzir uma longa história de crises políticas decorrentes da má administração das finanças públicas. No que diz respeito à popularidade e sustentação política do presidente, o fator econômico parece ser ainda mais determinante na Venezuela do que em outros países da América Latina. Não por acaso, esta Lua de casa 2 é dispositora do Sol.

Outra possibilidade de interpretação do aspecto é a tensão estrutural entre a vontade política do poder executivo e as contingências da política externa. Questões fronteiriças, problemas com imigração/emigração e acordos econômicos internacionais são outros focos de possíveis riscos à estabilidade do governo.

Alguns dados: a Venezuela tem uma secular disputa territorial com a Guiana e enfrenta sérios problemas com a entrada (legal e ilegal) de imigrantes da vizinha Colômbia.

A separação da Colômbia, em 1829, é um marco importante na história venezuelaba e está representada por três trânsitos sobre o mapa da Independência: Saturno na casa 9 em oposição a Urano na 3 (ativação do eixo das relações com países vizinhos, definição de fronteiras, que se define aqui como um movimento de isolamento, de individualização do território); Plutão na casa 5 quadrando a Lua natal na 2, regente da 9 (desintegração de uma aliança que, evidentemente, já era instável desde sua origem); e Júpiter na casa 1, ativando Netuno e depois Saturno. Júpiter parece desempenhar o papel de gatilho do sentimento nativista, mas o fenômeno da separação foi, em si, de natureza basicamente saturnina.

A desintegração da "Gran Colombia" confirmou no plano institucional o que já era visível em termos geográficos e culturais: a vocação de uma Venezuela caribenha, voltada para o litoral, bem diversa da Colômbia voltada para o interior (até hoje, a maioria da população colombiana vive na região andina, no centro do país).

Júpiter, regente da 2 e presente na 7, é outro significador da dependência ao exterior, seja porque a riqueza que vem do petróleo sofre uma drenagem e acaba caindo em mãos estrangeiras, seja porque sua administração é determinada por interesses do capital transnacional (ou sofre forte interferência destes). Observe-se que Júpiter está em quadratura com Plutão, aspecto que se relaciona com a plutocracia e o uso da força para imposição de uma política monopolística. É suficiente notar que o aspecto Júpiter-Plutão da carta da Venezuela é a quadratura crescente do ciclo iniciado pela conjunção Júpiter-Plutão em Peixes, em 1808. Foi o ano do auge do bloqueio continental determinado por Napoleão contra a Inglaterra, o que levou o imperador francês a invadir a Espanha e Portugal, iniciativa que teve influência direta no processo de independência das colônias ibero-americanas. A Venezuela também sofreria seu "bloqueio continental" no início do século XX.

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