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Parte da Fortuna, vocação
e prosperidade
| A Parte da Fortuna no mapa astrológico,
conforme tenho visto em inúmeras pesquisas sobre a vocação,
sucesso pessoal e material, é um indicador bastante claro
dos caminhos para o êxito. Marca o desenvolvimento potencial
de profissões e do contentamento com a atividade desempenhada.
Isso, é claro, se visto em suas associações
com o restante do conjunto do mapa. O signo, a casa, os aspectos
que recebe e as condições do dispositor da Parte
da Fortuna levam a inferir certas diretrizes a tomar na busca
por prosperidade, inclusive as ocupações mais
ou menos facilitadas e os modos de atribuir valor comercial
ao que se faz. Por que valor comercial? Em função
de seu vínculo com a atividade lunar, sabendo-se que
a Lua é representativa da moeda de uso corrente, do trocado,
do valor de compra e venda, mas principalmente do fluxo e
refluxo da economia de mercado. |
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Uma administração bem feita das finanças
leva em conta as marés da economia, mantendo uma relativa
constância nas reservas de recursos e providenciando um anteparo
para crises. Este é um dos modos de romper com a escravidão
à idéia de destino.
Para Ptolomeu a Parte da Fortuna sempre indicava
um ponto de prosperidade material e financeira. Já para Jean-Baptiste
Morin, a Parte da Fortuna não era obrigatoriamente um ponto
de boa fortuna, podendo até mesmo ser nociva, de acordo com
as condições do seu dispositor (o planeta regente
do signo no qual se encontrava), ou quando a própria Parte
da Fortuna e seu dispositor estivessem aspectados tensamente por
planetas maléficos (Saturno e Marte, por exemplo).
O que tenho visto, contudo, se assemelha mais à
visão de Ptolomeu. Aspectos tensos não são
indicadores de infortúnios irremovíveis, quando dirigidos
à Parte da Fortuna. É verdade que eles simbolizam,
e na prática constatamos isso, a necessidade de trabalho
duro e de esforços consideráveis para superar um empecilho.
É verdade que uma quadratura de Saturno com a Parte da Fortuna
pode representar um processo de prosperidade lento e que requer
muita disciplina. Mas nada disso quer dizer que a situação
de bem-estar deixe de ser alcançada sob quaisquer circunstâncias.
Culturalmente esta é a idéia incutida em nossas mentalidades,
especialmente se viemos de um ambiente social desprovido de recursos:
"não pode"; "não deve"; "não
é capaz". É isso que as elites dominantes, em
seu histórico esforço de controle ideológico,
querem que se pense. É a manutenção do status
quo e um incentivo à imobilidade social que mantém
a maioria das populações conduzida como gado. Mas
uma vez que se tenha ainda que uma vaga noção dos
próprios potenciais, e uma vez que um ou mais passos sejam
dados em direção a eles, não importa a dificuldade,
é possível atingir um patamar mais satisfatório.
A Parte da Fortuna é um dos significadores
astrológicos mais contundentes de que a mobilidade social
é não apenas possível, mas essencial e natural.
Sair de um estado de opressão para chegar a um estado de
satisfação é uma busca inerente ao ser humano.
Encontrar uma via de acesso à satisfação pessoal
e material é um direito, e é para isso que a Parte
da Fortuna aponta.
A noção de Roda da Fortuna, com seus
altos e baixos, ocorre com maior freqüência quando o
indivíduo não está conscientizado desses ritmos
naturais e socioculturais ou quando é acometido do que os
gregos chamavam de hybris. A hybris era o orgulho
ou arrogância que cegava o mortal que acreditava poder igualar-se
aos deuses. É algo semelhante ao que acontece tanto a líderes
como Mussolini e Napoleão quanto a cidadãos comuns
que se tornam ícones de popularidade e em pouco tempo são
relegados ao ostracismo.
A Fortuna como benefício ou como miséria
dependerá da conscientização individual. Ela
pode representar tanto o elemento "fortuito" ou destinado,
de onde parte sua etimologia, e a respeito do qual nada se pode
fazer, ou pode ser de fato um orientador para o êxito. No
primeiro caso o indivíduo deixa-se levar pelas marés
da vida, acreditando não ter o poder de interferir positivamente
em seu desenvolvimento. Ele iria de acordo com o vaivém da
Roda, com o sobe e desce do destino, ora sendo bem sucedido, ora
sendo esmagado pelo infortúnio que, segundo ele, não
pode controlar. No segundo caso, o indivíduo usa as circunstâncias,
sejam elas prósperas ou adversas, a seu favor, tendo em mente
que boa parte dos insucessos resultam de erros de julgamento e não
de uma força que o impele à desgraça. Mesmo
esses erros de julgamento podem ser usados como alicerces para uma
nova ascensão, desta vez mais segura e harmoniosa com a natureza
e a sociedade.
Conhecer a necessidade de proporção
e de equilíbrio, ao invés de levar ao topo da Roda
e, conseqüentemente, a uma nova e grave descida, leva o indivíduo
ao centro da Roda, a um ponto de estabilidade dinâmica. Neste
ponto a adaptação a novas circunstâncias e a
ética evitam que haja necessidade de "descida"
para que outro possa subir. Não haverá, obviamente,
um estancar do processo de mudanças no mundo que nos rodeia.
Haverá, contudo, um seguir o fluxo até que as condições
estejam propícias a uma nova fase de crescimento.
Em suma, a Parte da Fortuna (não a Roda)
no mundo de hoje e no contexto cultural em que vivemos, segundo
o que pude observar até agora, é indicador de mobilidade
social tanto quanto de prosperidade. Manter ou não manter
uma situação próspera ou pelo menos relativamente
estável depende muito de um processo de conscientização
dos próprios potenciais, isto é, de um certo grau
de autoconhecimento.
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Hollanda.
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