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ASTROLOGIA URBANA

Curitiba, uma cidade-Touro

Fernando Fernandes

 

Em 29 de março deste ano, a capital do Paraná comemorou oficialmente seu 309° aniversário. Mas a história de Curitiba começa ainda antes daquela distante manhã de 1693. Neste artigo, contamos uma parte da história e da identidade astrológica da cidade que é a mais européia das capitais brasileiras.

De Curitiba a São Francisco do Sul são apenas 176 km, que podem ser cobertos hoje em pouco mais de duas horas. Mas, no início do século XVI, não havia europeu que se aventurasse serra acima, pelas encostas íngremes. Enquanto o litoral catarinense virava parada obrigatória para espanhóis, franceses e portugueses, o planalto curitibano continuava a ser território exclusivo dos silvícolas.

Desde 1516, quando espalha-se na Europa a notícia da descoberta das minas de prata da região andina pelos espanhóis, os portugueses estavam inquietos para tentar a mesma sorte. Foi esta a razão que levou o rei D. João III a enviar para cá a expedição de Martim Afonso de Souza, em 1530. Depois de passagens pelo Nordeste e pelo Rio de Janeiro, Martim Afonso chegou a Cananéia em 12 de agosto de 1531. Lá tomou contato com um personagem misterioso, cujo verdadeira identidade jamais foi desvendada. Era conhecido apenas como o Bacharel de Cananéia, e sabe-se que chegara ao Brasil como degredado, muitos anos antes (talvez em 1505). O Bacharel era um verdadeiro rei em sua região, vivendo cercado de mulheres e índios escravizados.

Seu genro, um certo Francisco de Chaves, também conhecia as histórias sobre a prata dos incas e prometeu a Martim Afonso que, se lhe dessem homens e munição, poderia voltar dentro de dez meses carregado de metais preciosos. Com autorização de Martim Afonso de Souza, Francisco partiu de Cananéia em 1* de setembro de 1531, com o capitão Pero Lobo e 80 homens armados até os dentes: eram quarenta espingardeiros e quarenta besteiros (atiradores de flechas) que constituíam, para os padrões da época, um respeitável corpo de guerra. A tropa tomou o caminho do Peabiru - uma trilha conhecida pelos índios, que passava nos arredores da atual Ponta Grossa e seguia para oeste, no rumo do Paraguai. Tudo inútil: quatro meses depois, toda a expedição foi destroçada pelos índios na travessia do rio Paraná.

Partida de Pero Lobo e Francisco Chaves - 01.09.1531 - 6h10 - Cananéia, SP - 25s00, 47w55

O horário da partida da expedição é desconhecido, mas tudo indica que tenha ocorrido pela manhã, logo ao nascer do Sol, como era o costume na época. Neste caso, o Sol estaria junto ao Ascendente, em Virgem, fazendo quadratura a Saturno próximo ao Meio-Céu e oposição a Netuno junto ao Descendente. Tais aspectos não são indicadores de um final bem sucedido: temos aí o quadro de uma iniciativa (Sol conjunto ao Ascendente) equivocada (oposição a Netuno) e sujeita a todo tipo de atrasos e obstáculos (quadratura a Saturno).

Júpiter em Libra, na cúspide da 2 e regendo a casa 4 - que indica o desfecho da situação, ou seu resultado final - formava uma oposição com Marte em Áries na 8 (morte). Aspectos tensos Júpiter-Marte são típicos de empreendimentos arriscados, precipitados e guiados pelo excesso de confiança. Na travessia do rio Paraná,

receberam-nos os índios da região com fingidas mostras de amizade, propondo-se dar-lhes passagem em suas canoas. Para esse efeito, trouxeram-nas furadas, mal tapadas de barro as fendas e aberturas. De sorte que, já no meio do rio, retiraram o barro, com o que se alagaram as canoas e, assim, dos portugueses, os mais se afogaram ao peso das armas que levavam, e alguns que apanharam vivos mataram-nos a flechadas e nenhum sobrou.

Francisco de Chaves e Pero Lobo buscavam ouro e prata. Encontraram apenas a turbulência das águas e as flechas dos nativos. A presença de Mercúrio, regente do Ascendente, na 12, a oposição Sol-Netuno no eixo 1-7 (aspecto de engano e ingenuidade) e o benéfico Júpiter sofrendo a oposição de Marte na 8 e a quadratura de Plutão explicam o trágico fim da empreitada.

A região permanece inexplorada por mais algumas décadas, se bem que jamais deixe de despertar a curiosidade dos portugueses. Em 1548, por exemplo, uma expedição visita Superagui e troca informações com o aventureiro alemão Hans Staden, que ali naufragara. Staden, aliás, de volta à Europa, seria o autor de um dos primeiros e mais interessantes relatos de viagem sobre o Brasil, baseados, em parte, em sua experiência no litoral paranaense.

O capitão das canoas de guerra funda Paranaguá

Atalhos de navegação neste artigo:

Introdução
O capitão das canoas de guerra funda Paranaguá
Matheus Leme, o possante de peças
As cidades de Gêmeos-Peixes e as cidades do contra
O dia da fundação: Ascendente Áries?
O dia da fundação: Ascendente Gêmeos?
As marcas taurinas de Curitiba
Urano, Júpiter e imigrantes europeus


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