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REVISITANDO O (VERDADEIRO) QUINTO DOS INFERNOS
Dom Pedro I e Collor:
A História se repetiu?

Carlos Hollanda


Não há dois governantes brasileiros com mais semelhanças mútuas do que o Imperador Pedro I e o ex-presidente Fernando Collor. Os paralelismos estão na vida e no mapa dos dois personagens, e se estendem também a seus auxiliares diretos, Chalaça e PC Farias.

Quando predominava a concepção positivista e cientificista, os pesquisadores perseguiam meios de confirmar a existência de "leis" da História. Buscava-se uma forma de enquadrá-la no paradigma newtoniano das ciências, que exigia que para um estudo ser considerado científico era preciso que houvesse uma possibilidade de repetição dos fenômenos observados. Assim, se um experimentador usasse os mesmos parâmetros e repetisse as circunstâncias da primeira experiência, o resultado deveria ser o mesmo. Acontece que a História não pode ser repetida como uma operação matemática ou como um experimento de Física. A História não apenas é cumulativa, como funciona ciclicamente e é descontínua, ou seja, não é possível, em tese, prever seu desenrolar com detalhes como o faria um químico com a combinação de duas substâncias. Neste último caso, pela experiência, sabe-se o que sucederá com a mistura, mas a História, dizem os historiadores modernos, é irrepetível.

Algumas consequências de atos do momento podem até ser previsíveis, mas não raro as previsões esbarram em elementos que não podem ser considerados linearmente, como uma grande descoberta aqui ou uma grande perda acolá. Isso condena qualquer padrão que o pesquisador deseje atribuir aos eventos históricos. Não sendo linear, seria impossível levar a cabo uma hipótese de repetição de eventos, até porque o caráter acumulativo das experiências das sociedades produz circunstâncias antes inexistentes. É o caso dos transportes pelo ar, das armas nucleares, capazes de dizimar populações inteiras em segundos, e, hoje, da clonagem, que representa a possibilidade de extensão do período de vida humano pela reposição de órgãos. Isso sem contar a possibilidade inusitada de um clone humano viver e experimentar, com o mesmo material genético de alguém bem mais velho, uma sociedade cujo contexto é completamente diferente de seu original.

Mas há um detalhe que os historiadores, por força do pensamento acadêmico dominante, não consideram ou considerariam um verdadeiro absurdo, se alguém lhes apontasse. Os ciclos de fato se repetem! Não de forma idêntica, mas através de paralelos muitíssimo curiosos, todos com tempo definido para tornarem a ocorrer. A isto podemos atribuir a roda de ascenção e queda de impérios, como o persa, o grego, o macedônico, o romano. Em nossos tempos o cajado está com império norte-americano, cuja hegemonia jamais foi igualada em toda a História, mas ele é o que é: um império. Como tal depende de um processo expansor que talvez venha a consumir a si mesmo como ocorreu com os anteriores. Sem entrar em mais delongas filosóficas a esse respeito, vamos exemplificar a questão dos ciclos recorrentes com certos traços da própria História do Brasil e com a comparação entre alguns eventos da vida de duas personalidades muito marcantes para o país: o ex-presidente Fernando Collor e o Imperador Dom Pedro I.

Fernando Collor e D. Pedro I: paralelismos marcantes nas respectivas trajetórias políticas.

Em primeiro lugar, o céu do momento da Independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822, contava com uma conjunção entre Urano e Netuno em Capricórnio. 167 anos depois, a eleição de Collor se passou durante a formação da conjunção dos mesmos planetas no mesmo signo! As semelhanças entre acontecimentos também são muitas, para que sejam consideradas meramente curiosidades. Durante a época da Independência o país passava por uma bela crise institucional que desembocou no rompimento com Portugal e com a permanência do Príncipe Regente em território brasileiro. Durante a conjunção, a partir de 1989, e durante alguns dos anos 90 do século XX, o Brasil vivia sua primeira eleição direta para presidente da República, após a vergonhosa ditadura que expatriou tantas mentes importantes quanto torturou e matou insanamente. Se verificarmos bem, ambos os períodos marcavam o fim de uma espécie de opressão, embora não estivessem livres de jogadas políticas que mantivessem o poder nas mãos de uma elite dominante. A fase intermediária entre o rompimento com Portugal e a proclamação da Independência tem alguns paralelos no processo de passagem gradual da ditadura para uma democracia onde o voto popular elegia o supremo mandatário. Mas nada é tão contundente quanto os eventos que envolvem a vida política de dois governantes em épocas tão diferentes. Os acontecimentos que marcaram seus governos e também suas vidas, naturalmente tiveram reflexos na vida de toda a população. Entretanto, isso não quer dizer que as reviravoltas políticas e sociais de cada uma das duas épocas deixariam de ocorrer caso eles não estivessem no poder. O ciclo coletivo associado aos planetas geracionais é análogo a este desencadear de processos desestruturadores, especialmente se é um aspecto como a conjunção Urano-Netuno no hierárquico e institucional signo de Capricórnio. É bem provável que houvesse um outro processo seletivo das populações em termos de hierarquia que gerasse descontinuidades semelhantes no processo histórico.

Mas as esperanças dos cidadãos brasileiros foram depositadas, em ambas as épocas, nas figuras do então Imperador e do então presidente eleito pelo voto popular. O governo de Pedro I, no entanto, durou muito mais do que o de Collor. O primeiro reinou por cerca de 10 anos, enquanto o segundo não passou de dois anos e meio. Mas mesmo assim alguns eventos referentes à política de cada um, bem como circunstâncias de suas vidas foram estranhamente semelhantes. Na seqüência do artigo, vamos ver alguns detalhes.

Comparando Pedro I com Collor


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