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PREVISÕES EM DEBATE
De volta às origens ou
Previsão astrológica:
por que não?
Américo Ayala Jr.

A previsão astrológica é essencialmente menos "científica" do que as previsões de economistas e tecnocratas?

Introdução

Enquanto lê este artigo, é possível que você esteja pensando em buscar seu filho no colégio dentro de uma hora, ou que às 5 horas tem um cliente para atender, ou que à noite vai ao cinema ("Será que vai chover?"). Sua mente pode vagar, inclusive, por horizontes mais distantes ("Não, não vou ao cinema; preciso estudar para aquela prova de sexta-feira"). E pode percorrer futuros cada vez mais distantes ("No verão que vem vou estar 5kg mais magro").

E assim por diante, ampliando mais e mais a escala do tempo. O futuro está sempre condicionando o seu presente.

Por mais que alguns apregoem que o importante é desfrutar do presente, como o meio mais equilibrado de compatibilizar os momentos de infelicidade com aqueles felizes, potencializando estes últimos, tenho a percepção de que, ao contrário, vivemos permanentemente no futuro.

Possivelmente esta forma de comportamento esteja vinculada ao princípio filosófico do Hedonismo, inerente ao ser humano, a sustentar que todo o bem está no prazer, o que nos levaria a olhar para o futuro como um "painel de oportunidades", no sentido de nos deslocarmos sempre para situações e ambientes que nos pareçam mais agradáveis, menos desfavoráveis ou mais prazerosos que o presente.

Bolsa de valores: os analistas que tentam entender a lógica das cotações usam ferramentas científicas de avaliação?

A inquisição acadêmica

E esta foi, historicamente, a abordagem da Astrologia; o prognóstico foi, sempre, a sua grande âncora, desde seus primórdios, até fins do século XVII. Desde os tempos mesopotâmicos até seu ostracismo, quando a Terra deixou de ser o centro do universo (portanto a Astrologia "tinha" de estar errada), a Astrologia foi ferramenta de previsão. Mais, sempre em intimidade com o poder, seja do rei, seja do papa, seja de poderosos em ascensão ou de políticos. Ao longo destes três séculos, perdeu sua auréola de respeitabilidade, ganhando conotações de variadas gradações, dependendo do crítico, que ainda hoje vão da bruxaria à crendice desimportante, por mais que este corpo de conhecimento milenar tenha sido cultivado por homens de estatura intelectual muito acima da média daqueles que se permitem criticá-la sem tê-la estudado.

Mas não existe mentira ou falsidade que insista em permanecer atual por 40 séculos! Entre luzes, brilhantes umas, de menos brilho outras, uma grande figura surge na história da Astrologia moderna, proporcionando-lhe um revigoramento que há muito não experimentava: C. G. Jung (o pós-freudiano a quem nunca seremos suficientemente agradecidos), em contraponto ao mundo científico de então, expõe-se ao dizer que "se as pessoas cuja instrução deixa a desejar têm julgado que podem fazer troça da Astrologia, considerando-a como uma pseudociência há muito liquidada, essa Astrologia, remontando das profundezas da alma popular, volta hoje a apresentar-se às portas das nossas universidades, que deixou há três séculos". (1)

Além de Jung, dois outros grandes personagens na história recente da Astrologia conseguem apresentá-la à sociedade com uma nova abordagem: Dane Rudhyar e Charles Carter, cada um a seu modo, trazem enormes contribuições. Pouco a pouco "a velha senhora" adquire uma roupagem respeitável, e passa a ser percebida como psicológica e humanista. Ainda que muito lentamente, a Astrologia volta ao convívio da intelectualidade, da qual nunca se deveria ter afastado.

A humanidade perdeu muito com esta separação.

Uma interpretação que se poderia dar (e não a única, evidentemente, e muito menos a "melhor") para o abandono - ou perda de prestígio - da previsão como ferramenta legítima do saber astrológico estaria no fato de a Astrologia, a partir de Jung, ter "comprado" seu reingresso nos meios acadêmico-intelectuais menos radicais utilizando-se de uma roupagem mais comportamental, o que teria possibilitado uma aceitação menos hostil de parte de segmentos que antes a combatiam. Terá sido este um instrumento para legitimar o seu retorno?

A ciência e a validação da previsão


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