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ASTROLOGIA EMPRESARIAL
A Astrologia das Empresas
e dos Recursos Financeiros
Carlos Hollanda

No passado, astrólogos auxiliavam reis a preservar ou ampliar seus territórios. Hoje, astrólogos ajudam empresários a fazer bons negócios. Mas, em consonância com o enfoque contemporâneo, também podem ajudar o profissional a encontrar seu espaço no mercado de trabalho e a melhorar o relacionamento entre as organizações e a comunidade em que atuam.

A utilidade da Astrologia não se restringe à situação de consulta individual. Ela também tem muito a dizer sobre vocação, bem-estar psicológico ou material, capacidade de produzir e gerir recursos financeiros, status, expectativas da coletividade, ciclos de desenvolvimento pessoal ou corporativo... Enfim, uma série de temas cruciais para a sociedade contemporânea, o que a torna uma ferramenta útil para vários segmentos de público, tais como:

1) Empreendedores e microempresários;
2) Profissionais de Recursos Humanos;
3) Administradores de Empresas;
4) Profissionais autônomos;
5) Astrólogos com clientela empresarial;
6) Quem deseja descobrir vias de acesso mais flexíveis para uma vida financeira melhor;
7) Quem deseja dar os primeiros passos para conhecer suas vocações;
8) Quem deseja aperfeiçoamento ou mudanças profissionais;
9) Quem deseja melhorar as relações no ambiente de trabalho;
10) Quem não tem medo de se esforçar para conquistar um lugar ao sol.

Entretanto, nem sempre o astrólogo que faz palestras ou dá cursos leva em conta toda esta variedade de enfoques e de públicos. Assim, acaba contribuindo, de forma não intencional, para reforçar a noção incorreta de que a Astrologia é uma linguagem descompromissada com as questões do "mundo real". Para quem pensa assim - surpresa! - é bom dar uma olhadinha no novo tipo de cliente que vem buscando as consultorias astrológicas, ou o novo tipo de estudante que mergulha na literatura especializada: a maioria não se parece nem um pouco com o estilo "hippie sobrevivente dos anos sessenta".

Neste artigo, veremos algumas abordagens da Astrologia Vocacional e Empresarial, que também será tema de um dos próximos cursos do Sistema Astroletiva de Ensino. E vamos começar discutindo um tema controvertido, que é o significado do trabalho, do ponto de vista astrológico e cultural.

Cultura do sofrimento x cultura do bem-estar

Ter uma gorda conta bancária sempre é ótimo, além de ser algo que sempre ajuda um bocado numa sociedade como a nossa, movida a talões de cheque. Contudo - e não se trata apenas de filosofia barata - ser feliz não depende única e exclusivamente da quantidade de posses. Na vida profissional a satisfação com aquilo que se faz também é muito importante, pois os resultados sociais daquilo que desempenhamos irão, com certeza, repercutir em nossa vida pessoal.

A vida profissional não está, como muita gente acredita, dissociada da vida pessoal. Ela integra um conjunto facilmente visível no mapa astrológico e que não pode ser separado ou "desligado" quando não estamos no ambiente da empresa. Simplesmente faz parte, assim como o fígado e os intestinos fazem parte do organismo. Se esses órgãos forem removidos sem substituição adequada, o sistema inteiro desaparece. A vida profissional e o preenchimento de uma vocação fazem parte de nossa identidade, especialmente na cultura brasileira, onde, quando somos apresentados a desconhecidos, citam nosso nome e o que fazemos. As denominações profissionais possuem tanta importância que, desde tempos imemoriais, muitos sobrenomes derivam de ocupações. É o caso de Taylor (alfaiate), Farmer (fazendeiro), Evangelista (pregador do evangelho), Cavalcanti (cavalgador ou criador de cavalos) etc. Hoje em dia, se não somos "alguma-coisa-profissional", somos "ninguém", tal a importância que se dá hoje a uma ocupação.

Escrevemos esta matéria durante a passagem do Sol em Virgem, no ano de 2001, mais precisamente no dia 6 de setembro (véspera da data da Independência do Brasil). Isso lembra algo óbvio, mas importante: a esmagadora maioria da população trabalha. Por muitos séculos trabalhar foi considerado uma atividade indigna, vil, coisa que somente "pessoas de classe inferior" ou escravos deveriam fazer. No Brasil do século XIX, quando Irineu Evangelista de Souza, o futuro Visconde de Mauá, tinha menos de 10 anos de idade e ainda era um caixeiro (uma espécie de office boy da época), trabalhar era uma espécie de tabu. As pessoas de "classe" não trabalhavam, isso era coisa de escravos. Os outros caixeiros faziam o possível para que não fossem vistos realizando esforços físicos, o que os igualaria aos escravos de que tanto queriam diferenciar-se. Para as pessoas daquela época, o "chique" era ter alguém que fizesse as coisas por elas.

Projeto de um engenhoso aparelho do século passado para torturar escravos rebeldes ou preguiçosos. Trabalhar era vil, mas não trabalhar era um crime.

Tanto no Brasil quanto em várias partes do mundo, e em diferentes épocas, o trabalho, cuja etimologia vem de tripalium (instrumento de tortura composto de três paus), sempre deu a idéia de sofrimento. Trabal, em latim, significa trave, sugere obstáculo, impedimento, o que também remete a uma analogia com o símbolo de Saturno em suas facetas menos favoráveis. Podemos notar que desempenhar uma atividade como trabalho sempre foi considerado um infortúnio. Para constatá-lo em termos astrológicos, basta ver o significado que antigamente era dado aos significadores profissionais. Na Idade Média, por exemplo, os adjetivos atribuídos à casa 6 e ao signo de Virgem eram os piores possíveis. A casa 6 era classificada como "desgraçada", como "casa das doenças" e não como "a casa dos cuidados com a saúde e equilíbrio físico". Era "desgraçada" porque revelava onde estavam os pontos fracos do corpo e riscos que poderiam fazer com que nossa "máquina" orgânica ficasse impossibilitada de produzir.

Não produzir alguma coisa, não servir ao nobre ou fidalgo poderia até acarretar castigos. No entanto, não raro a saúde ficava debilitada por causa da própria atividade insalubre que muitas pessoas desenvolviam para seus senhores. A casa 6 é a casa da vassalagem. O signo de Virgem está associado culturalmente àquele que se submete, àquele que obedece ordens por não ter outra alternativa, por precisar servir para obter sustento, por não ter nascido em berço de ouro e nem na nobreza. Virgem também está associado, em se tratando da tradição religiosa judaico-cristã, a "lavrar a terra de que Adão fora tomado", a "ganhar o pão com o suor do próprio rosto". Enfim, tais conotações há milênios indicam sofrimentos e castigos, inclusive na relação da casa 6 com sua casa oposta, a casa 12. Ambas são análogas à condição de escravidão por dívidas, muito comum nas sociedades antigas, como em Esparta, Roma ou Assíria. Ainda hoje encontramos circunstâncias bastante simétricas ou análogas à condição de escravidão por dívidas em trabalhadores compelidos a excessos sobre-humanos ou eternamente vítimas do subemprego.

Podemos perceber o mesmo processo também quando ampliamos nossa visão para uma escala macro e entendemos que o Brasil, por exemplo, precisa pagar sua dívida externa (ou seria "dívida eterna") a seus credores "FMIdalgos". Em escala menor, isso ocorreu durante a chegada dos imigrantes europeus pouco antes e logo após a abolição da escravatura. Muitos imigrantes acabaram sendo forçados a trabalhar para saldar dívidas que jamais terminavam.

Júpiter e Saturno: da boa vida à gestão da escassez


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