|
|
|
|||
|
8) Homem, 45 anos, vários planetas em Escorpião na casa 10, sendo que um deles é Vênus em quadratura com Plutão-Júpiter na 8: sedutor, competente, bem relacionado, saiu-se muito bem de alguns fracassos na area de produção artística e hoje dirige uma empresa no interior. Ponto forte: excelente negociador. Absolutamente frio. Blefa olhando nos olhos do interlocutor e consegue recursos do nada. 9) Homem, 53 anos, Ascendente em Libra, Vênus em Aquário, na 5, oposição a Plutão em Leão na 11. Passou quase dez anos indeciso entre se separar ou não. A mulher sugeriu a separação várias vezes. Frases: "Ela que tome a iniciativa, eu não vou tomar. É duro, mas dá pra agüentar mais um pouquinho. Tenho que pensar nas crianças." 10) Mulher, quase 60 anos, Ascendente em Escorpião, Plutão em Leão no Meio-Céu em conjunção com Vênus. Namorava um solteirão bem mais velho, de mais de setenta anos. Como o namorado estava incapacitado sexualmente, não havia relacionamento físico. Contudo, ela não acreditava no que considerava ser apenas "uma desculpa", e importunava-o telefonando fora de hora e aparecendo de surpresa nos lugares que ele freqüentava. Cansado de tanta insistência, ele encerrou o relacionamento. Mais do que de depressa, ela contratou um detetive para segui-lo e descobrir "se ele não tinha uma namorada secreta". O aspecto tenso do planeta pessoal com Plutão, em seis dos casos acima, está associado a relacionamentos desiguais e, às vezes, à própria supressão da possibilidade de um relacionamento. Quando as coisas fluem, alguém se sente bem no papel de protetor, outro no de protegido. Há um relato de estupro e vários de rispidez sexual no relacionamento com o parceiro. Todos parecem estar sempre repetindo o mesmo padrão. Os relatos mais doloridos são os de mulheres. Apenas uma dessas pessoas assume ser ciumenta. Os três homens com o aspecto têm uma vida profissional muito ativa e tendem a diminuir a importância dos relacionamentos em sua vida. Dois trabalham com o aspecto de forma ativa, o terceiro sofre-o passivamente (a "plutoniana" é a mulher, é ela que, segundo ele, controla e manipula). Lua-Plutão em cartas de mulheres costuma corresponder ao exercício de um papel matriarcal controlador e sufocante.
Nenhuma dessas dez pessoas pode ser considerada "leve". Todas transmitem muita energia ou muita intensidade. Todas têm dificuldade para relaxar. Em todas, há alguma forma de fixidez, de rigidez ou de paralisia. Os relacionamentos tendem a seguir o rumo, até a última gota. Os rompimentos são bruscos apenas na aparência. Na verdade, só acontecem depois de longos impasses. Todas adorariam levar as coisas menos a sério. As que tiveram vida sexual mais variada insistem que o faziam como busca (do orgasmo, do "homem que me ature") ou como autoflagelação ("eu tento levar a sério e quebro a cara, é preferível ficar sozinha"). Todas tem uma espécie de marca registrada: o cenho franzido, que vai deixando vincos na testa com o passar dos anos. Agora, um caso raro de casamento durável e, segundo o casal, bem sucedido: ele tem 60 anos, Vênus/Plutão na 1 em oposição a Saturno na 7. Ela tem 53, Vênus/Plutão na 1 em oposição a Júpiter na 7. Ela tem Capricórnio na 7 e ele, Saturno. Ele tem Sagitário na 7 e ela, Júpiter. Pura simetria. Os dois parecem formar um sistema um equilíbrio. Não competem entre si, mas atuam juntos e protegem-se mutuamente. Frase típica da esposa: "Ele é barra-pesada." Frase típica do marido: "Ela não é facil." Frase típica dos filhos: "Aqueles dois não tomam jeito." E a família toda se adora. Outro casal especial: ambos passaram dos 40 anos. Ele tem o Sol em oposição com Plutão. Ela, Sol em quadratura com Plutão, estando este planeta num dos ângulos do mapa. Têm um escritório e dividem o mesmo espaço de trabalho, o que os leva a passar muito tempo juntos. Discutem em qualquer lugar, em altos brados, e na frente de qualquer pessoa. Acusam-se mutuamente de todos os defeitos plutonianos. E ficam chocadíssimos quando alguém de fora acha que o casamento está em risco. Aí, unem-se de imediato para abrir uma discussão com o estranho e convencê-lo de que uma boa briga é a melhor prova de um casamento saudável. Jamais concordam em nada, exceto quanto ao fato de que o casamento deles é o mais politicamente correto do universo. Nota: todos os plutonianos citados neste artigo (exceto o "revolucionário" da América Central, cujo contato foi perdido há mais de dez anos) concordaram em ser utilizados como exemplo, com a condição, naturalmente, de que seus nomes não fossem revelados nem divulgados seus dados de nascimento. Você jamais saberá quem são (há muita gente, aliás, com as configurações referidas neste artigo). Se agissem de forma diferente não seriam plutonianos. Um secreto prazer dos filhos deste planeta é manter esqueletos no armário. É preservar o anonimato correndo o risco calculado de serem descobertos. Nos últimos anos, com a explosão da Internet, plutonianos encontraram um novo prazer: povoar as salas de chat e as listas eletrônicas sem deixar rastros. Foram eles que inventaram os nicknames, as senhas complicadas e a criptografia. Purificar-se através da catarse e ao mesmo tempo proteger-se de olhos indiscretos são duas artes típicas de Plutão. Outros artigos de Fernando Fernandes.
© 1998-2002 Terra do Juremá Comunicação Ltda. |