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RETIFICANDO
UMA CARTA NATAL
O
mistério do nascimento
de Jango Raul V. Martinez
Quando realmente nasceu João Goulart, presidente do Brasil de 1961 a 1964? Era ele um filho ilegítimo de Getúlio Vargas? Utilizando técnicas de retificação de cartas natais, Raul V. Martinez confirma a adulteração da certidão do ex-presidente e chega a conclusões surpreendentes. Esta é a primeira parte do artigo completo, cujo final estará na edição 38 de Constelar. João Belchior Marques Goulart, ou Jango Goulart, nasceu em São Borja (RS), terra dos Vargas, no dia 1º de março de 1918 - conforme consta de seus documentos pessoais. Ou no dia 1º de março de 1919, conforme afirma o Almanaque Abril 2000. Seu pai, Vicente Goulart, foi amigo e companheiro de infância de Getúlio. Embora continuasse morando em São Borja, Getúlio só veio a conhecer o filho do amigo no final de 1945. Depois disso, surgiu entre eles, Getúlio e Jango, intensa amizade, a ponto de o ex-presidente sair de casa, após ter voltado para São Borja, apenas para ir visitá-lo. Mais marcante ainda da importância dessa amizade é o fato de Getúlio ter deixado com Jango, pouco antes do suicídio, a única cópia assinada de sua carta-testamento, talvez temendo que o original não fosse divulgado pelos militares que o estavam depondo do governo. No arquivo de dados de Marcello Borges consta: "Correm rumores de que Jango seria filho natural de Getúlio e que a data de seu nascimento (1º de março de 1918) é incerta." Como exemplo desses rumores, um professor do Instituto de Artes da Unesp (SP) contou ao autor deste texto que em certa ocasião teve por companheiro de viagem um são-borjense, que afirmava com toda convicção que Jango era filho de Getúlio; que Getúlio, já casado, teria engravidado a jovem mãe de Jango, na época em que ela trabalhava como empregada em sua casa; e que, para resolver o sério problema, o amigo Vicente Goulart concordou em assumir a paternidade da criança que iria nascer, casando com a moça, mediante algumas condições. Possivelmente uma dessas condições teria sido a de que Getúlio se mantivesse afastado da mãe e do futuro filho.
Referências Do livro de Herculano Gomes Mathias, Getúlio Vargas, publicado pela Editora Tecnoprint, do Rio de Janeiro, em 1983: Em São Borja já o menino Getúlio teve como companheiros de infância, Gedeão do Nascimento, uma espécie de pajem, e Vicente Goulart, filho de um estancieiro vizinho dos Vargas. Em 1947 Getúlio volta para São Borja: Regressou então a São Borja e lá se deixou ficar, praticamente esquecido durante muitos meses. Os amigos de outrora não apareciam com tanta freqüência. De casa se afastava, em geral, para visitar um vizinho, João Belchior Goulart, filho de Vicente Goulart, um de seus amigos de infância. Sobre Getúlio, pouco antes de suicidar-se: Atravessa o corredor e vai a seu pequeno gabinete no terceiro andar. Apanha uma das cópias da carta que havia assinado durante a reunião ministerial. Dera uma cópia a João Goulart, a outra ficara naquele gabinete. Do jornal O Estado de S. Paulo de 7 de dezembro de 1976: Jango - apelido familiar com que se popularizou durante toda vida - só conheceu Getúlio Vargas em 1945, depois da deposição do ditador a 29 de outubro. Do jornal Folha de S. Paulo de 17 de novembro de 1987: Alzira Vargas do Amaral Peixoto (...) que completa 73 anos no próximo dia 22 ocupou o cargo de auxiliar de gabinete (1937-1945) de seu pai, sendo na verdade uma super-assessora de Getúlio. Ou seja, Alzira nasceu em 1914, bem antes de Jango ter nascido. Sobre o ano de nascimento de Jango O Almanaque Abril 2000 afirma que Jango nasceu em 1919 e não em 1918: João Goulart - Político gaúcho (01/3/1918-6/12/1976). Presidente da República de 1961 a 1964. João Belchior Marques Goulart, também conhecido como Jango Goulart, nasce em São Borja, em 1919. Seu pai diminui essa data em um ano quando o filho conclui o secundário com apenas 16 anos, idade insuficiente, na ocasião, para ser aceito em qualquer faculdade. Forma-se em direito com 20 anos, portanto em 1939. Ainda na faculdade conhece Manuel Antônio Vargas, ou Maneco, como era apelidado o filho de Getúlio Vargas. A amizade entre os dois se estreita quando termina o Estado Novo e o ex-presidente volta à cidade natal, a mesma São Borja. Começa a partir daí sua participação na política. Elege-se deputado federal à Constituinte, em 1946, pelo Partido Trabalhista Brasileiro, o PTB de Vargas. Em 1950 coordena sua campanha à Presidência. Ocupa o Ministério do Trabalho de Vargas entre 1953 e 1954. Nos anos seguintes é eleito vice-presidente nas chapas de Juscelino Kubitschek e de Jânio Quadros. Em 1961, quando Jânio renuncia, uma conspiração militar tenta impedir sua posse, e só assume por causa da mobilização popular a favor da legalidade, organizada por seu cunhado Leonel Brizola. Governa no início com poderes limitados pelo regime parlamentarista, pois a direita teme suas posições, particularmente em relação às reformas de base. Acaba destituído pelo golpe militar de 1964. Cassado e exilado, morre na Argentina de ataque cardíaco.
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