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ASTROLOGIA E HISTÓRIA
O movimento do Sol pelos signos
e os padrões arquetípicos das
estações do ano
Angela Schnoor

Os signos do zodíaco podem ser entendidos como a expressão do relacionamento das primeiras comunidades agrícolas com os ciclos da natureza, no suceder das estações do ano. Esta vivência consubstanciou-se em padrões arquetípicos, profundamente enraizados nas bases de nossa civilização.

Nos primórdios da civilização, quando o homem abandonou a vida nômade, como caçador, orientado pela noite e pelos ciclos lunares, e começou a se tornar sedentário, cultivando o solo e iniciando o período agrícola na história da humanidade, teve necessidade de observar a trajetória do Sol e sua relação com a Terra.

Partindo desta relação, organizou suas percepções baseadas em períodos distintos a partir de certas peculiaridades. As observações, tanto da natureza quanto dos seres que viviam em estreita dependência da terra e das transformações a que todos estavam sujeitos, vieram a tornar-se o conceito do que hoje chamamos de estações do ano.

Os temores, os sentimentos, os comportamentos aprendidos e introjetados em cada ser humano a partir destas experiências, permanecem até hoje em nós através da memória genética universal, que o Dr. Carl Gustav Jung denominou arquétipos do inconsciente coletivo e que aparecem, também, sob uma denominação que existe há milhares de anos: os signos do zodíaco.

A percepção dos comportamentos que ainda hoje repetimos, dentro dos moldes primevos, torna-se nítida se observarmos a passagem do sol através dos meses do ano sob a ótica da percepção individual destes períodos, da forma como se encontram inscritos na mandala astrológica de cada nascimento.

21/03-ÁRIES-20/04

A passagem do sol por Áries, primeiro signo zodiacal, representa o início de um novo ciclo anual: o ponto vernal ou equinócio da primavera. O sol está recomeçando a sua trajetória de regenerador dos frutos da terra.

Neste signo do fogo gerador, existe a animação, a impaciência e a impulsividade infantil diante de tudo pelo que se espera há algum tempo (os três meses anteriores, do inverno). É a hora de, em primeiro lugar, arrancar tudo que é velho e que possa impedir o nascer dos novos brotos.

Depois, as sementes encharcadas com a água do degelo (ocorrido com o sol em Peixes) começam a despontar, até que, no 19º grau do signo, temos a supremacia da luz sobre as trevas do inverno e o florescimento esperado se inicia. Sentimos então, o ímpeto e a alegria dos começos. A criatividade vem com o renascer da vida.

Neste momento o velho é deixado para trás. Estamos prontos para novas conquistas.

Touro: com a segurança da primavera a meio, a rotina torna-se prazerosa. (Ilustração ao lado e seguintes: detalhe de um calendário medieval belga, autor anônimo).

21/04-TOURO-20/05

No Touro, signo do elemento Terra, da estabilidade da primavera, encontramos o sol se firmando e, então, acontece o enraizamento das sementes em sua vida nova.

A terra, verdejante, está florida, a suavidade primaveril invade os campos com cores e odores, onde a beleza natural encontra seu esplendor, fazendo esquecer as agruras do inverno.

Podemos ter então a consciência da constância, da segurança e o conforto da certeza do alimento. Encontramos prazer na rotina e, onde havia a impaciência ariana, aparece uma certa lentidão, pois já não há mais pressa: as raízes se prendem ao solo em busca de permanência e nutrição. A terra precisa do tempo certo para gestar seus frutos. É o momento de produzir e de reter.

Estabilidade, conforto e segurança são sentidos nesta parte do ciclo vital. Podemos tomar consciência do apego e da sensualidade que afloram.

A natureza em ebulição: Gêmeos e Câncer

O auge do ciclo da vida: Leão e Virgem
As mudanças do outono: Libra e Escorpião
O inverno que retorna: Sagitário e Capricórnio
O fim do ciclo: Aquário e Peixes


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