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SEGREDOS DA ASTROLOGIA ORIENTAL
Onde está o Dalai?
Marcello Borges

Utilizando recursos da pouco conhecida Astrologia Tibetana e material extraído das leituras de Edgar Cayce, o paranormal americano que "via" as vidas passadas de seus consulentes em estado de semi-inconsciência, Marcello Borges levanta intrigantes especulações sobre usos pouco convencionais da Astrologia, citando, entre outras, as encarnações anteriores de Jesus Cristo e do escritor Paulo Coelho.

Tibete e Índia

Na edição do Bardo Thodol organizada por Evans-Wentz, encontramos muitas referências a uma estranha forma de astrologia: a do mapa da morte, expressão usada como contrapartida a mapa natal.

Entre os tibetanos, o tsi-pa ou lama astrólogo calcula o mapa fatal tomando por base o momento da morte. Estudando esse mapa e seguindo as regras estabelecidas por um livro especial, ele diz quem pode chegar perto do falecido, tocá-lo e carregá-lo, a melhor maneira de dispor do corpo, a duração e forma do funeral e o tipo específico de ritual que deve ser lido em benefício da alma do morto. O lama também indica o tipo de espírito maléfico que causou a morte; eles acreditam que nenhuma morte é natural, e que todas ocorrem em virtude da ação de um dos inúmeros demônios da morte.

O tsi-pa também diz quais as cerimônias que devem ser realizadas para exorcisar o espírito maléfico da casa do morto, as precauções necessárias para lhe garantir uma boa reencarnação, o reino do pós-vida ao qual está destinado (temporariamente, suponho, como nas viagens da alma das leituras de Edgar Cayce), e a região da terra e o tipo de família onde irá reencarnar.

No século 8 de nossa era, Padma-Sambhava, o famoso guru que introduziu o budismo tântrico no Tibete, ordenou que muitos dos livros tântricos fossem traduzidos do sânscrito para o tibetano. Alguns foram preservados em mosteiros e outros escondidos em diversos lugares secretos. Evans-Wentz diz que Padma-Sambhava deu a alguns de seus discípulos o poder ióguico de reencarnar em um momento apropriado, tal como determinado pela astrologia, para poderem recolher esses textos ocultos.

Essa técnica de usar o mapa da morte como modo de prever a morada (ou loka) planetária onde o recém-falecido irá permanecer por algum tempo, bem como a região geográfica do planeta onde irá reencarnar após essa estadia, é uma das possíveis explicações para o misterioso modo como os altos sacerdotes tibetanos conseguem encontrar o lugar onde o Dalai e outros lamas escolhem seu novo lar terreno, sua nova família e corpo. O filme O Pequeno Buda, de Bertolucci, e a comédia de Eddie Murphy, O Rapto do Menino Dourado, retratam as técnicas usadas pelos lamas para confirmar se estão mesmo diante da reencarnação procurada - identificação de objetos pessoais do falecido lama, reconhecimento de pessoas e lugares etc.

A Astrologia Tibetana, com recursos bem diversos daqueles utilizados no Ocidente, é um conhecimento aplicado na identificação de casos de reencarnação. Foto: a Potala, centro do lamaísmo tibetano.

Pérsia

Os persas também desenvolveram uma sofisticada forma de astrologia. Seus sacerdotes, os magi ou magos, dedicavam-se ao culto a Zoroastro; eram vegetarianos, reencarnacionistas e conheciam muitos sistemas de previsão astrológica (a palavra mago significa sábio). Em uma de suas leituras, Cayce disse que a melhor versão da astrologia era a praticada na Pérsia. De fato, um dos textos mais antigos e respeitados da astrologia hindu - que, como Cayce dizia, é a herdeira daquela praticada na Pérsia, a "melhor de todas" -, o Brihat Jataka, define astrologia em termos que não deixam dúvidas quanto à sua natureza espiritual: "A ciência da astrologia é chamada Hora Sastra (...) e fala dos resultados das boas e más ações feitas pelos homens em seus nascimentos prévios" [grifo meu].

Jesus e a Astrologia

Cayce também disse que, em uma de Suas encarnações, Jesus teria sido Zend, pai de Zoroastro. Isso ajudaria a explicar o que teria levado os "três reis magos" a atravessar centenas de quilômetros de deserto para levar presentes finos a um judeu recém-nascido em Belém: afinal, tratar-se-ia da reencarnação de Zend.

Cayce não é o único a fazer esse tipo de comentário. Os evangelhos apócrifos (não incluídos na Bíblia) Árabe e Armênio da Infância afirmam que, "quando o Senhor veio a este mundo em Belém (...) os magos vieram do Oriente a Jerusalém, tal como Zoradascht (Zoroastro) tinha previsto". Quando Herodes questionou-os acerca do conhecimento desse nascimento especial, eles disseram que seus ancestrais haviam deixado um testemunho escrito, e que sua palavra se cumpria naquele nascimento. Se Jesus realmente teve uma encarnação como Zend, pai de Zoroastro, essa profecia - e a longa viagem que fizeram - é perfeitamente compreensível.

Interessante observar que Jesus, na qualidade de discípulo essênio, teve uma educação mística bastante abrangente. Estudou no monte Carmel, onde foi estabelecida uma escola de profetas na época de Elias. Nessa escola, ensinava-se astrologia, numerologia, frenologia e reencarnação. Depois, Jesus foi aperfeiçoar-se na Pérsia, na Índia e no Egito. Neste país, ele e João Batista foram iniciados em uma cerimônia na pirâmide. O principal objeto de estudo de Jesus nessa viagem foi a astrologia, segundo a leitura 2067-11 feita por Cayce. Duas fontes independentes de Cayce falam do contato que Jesus teria mantido com esses países: o The Aquarian Gospel of Jesus the Christ, transcrito dos registros acáchicos por Levi (onde se lê que Ele também esteve no Tibete), e Jesus viveu na Índia, de Holger Kersten, que explora a possibilidade de Ele ter sido inclusive enterrado (!) na Índia.

O ponto é mostrar que Ele, tanto na vida como Zend como na encarnação seguinte, em que foi Jesus, teve contato profundo com a ciência astrológica do Oriente Médio, conhecendo portanto as técnicas que poderiam indicar aonde Ele estaria voltando.

Relação entre mapas de nascimento e de morte


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