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SEQÜESTRO DE ÔNIBUS NO RIO DE JANEIRO
Pânico no Jardim Botânico

Fernando Fernandes


O seqüestro de um ônibus do Rio de Janeiro, com cenas de tortura e violência transmitidas ao vivo pela TV para todo o país, coloca em evidência a fase plutoniana que vive hoje a cidade e conecta-se, via Saturno, Vênus e Marte, às chacinas da Candelária e de Vigário Geral, ocorridas em 1993.

O assaltante entrou no ônibus em frente ao Hospital da Lagoa. Uma pessoa que estava no ponto do ônibus viu a arma e chamou uma viatura da PM que estava próxima. Na ponto seguinte, os policiais pararam o ônibus. "Se atirar, mato ela", gritou o assaltante. Eram 14h20 do dia 12 de junho de 2000. Nas intermináveis quatro horas e meia seguintes, sete passageiros, tomados como reféns, viveram o terror. "Isto aqui não é um filme", gritava a todo momento o assaltante, fugitivo de uma delegacia no subúrbio e que dizia chamar-se Sérgio. Na verdade, Sandro de Oliveira, 22 anos (ou 21, conforme algumas fontes), um dos sobreviventes da chacina de menores da Candelária, em 1993. Geísa Firmo Gonçalves, uma professora primária de 20 anos, servia de escudo ao assaltante, que chegou a enfiar-lhe o cano da pistola na boca enquanto o ônibus era cercado por tropas de elite da polícia. As emissoras locais de TV passaram a transmitir o drama ao vivo, em rede nacional, enquanto canais internacionais, como a CNN, colocavam flashes no ar a todo momento. A rua Jardim Botânico, área nobre da Zona Sul, ficou interditada e, aos poucos, um enorme engarrafamento começou a formar-se no túnel Rebouças, o maior da cidade, que desemboca nas proximidades.

Passavam das 18h30 quando Sandro, que insistia em receber duas granadas, duas pistolas, um carro e mil reais, decidiu soltar um dos reféns, um deficiente físico. Alguns minutos depois, saiu do ônibus pela primeira vez, sempre mantendo como escudo a refém Geísa. Enquanto negociava com três policiais, um quarto, vindo de trás, irrompeu com uma submetralhadora e disparou três tiros... na refém? Ou em que direção? A verdade é que Sandro foi desarmado, agarrado e jogado ileso num camburão. Chegou morto ao hospital, sem sinal de balas e vítima de asfixia praticada durante o transporte. Geísa também morreu, não se sabe ao certo por causa dos tiros do policial ou de Sandro, que teria ainda conseguido disparar seus últimos três cartuchos, segundo a versão oficial divulgada no dia seguinte. Sérgio e Geísa, caindo ao chão sob uma savaivada de tiros, formaram o casal mais macabro do Dia dos Namorados.

O assaltante toma os primeiros reféns - 12.6.2000, 14h20 - Rio de Janeiro - 22s54, 43w15 (Fonte: O Globo, Rádio CBN e O Dia. O Jornal do Brasil dá 14h25.)

O mapa do início da situação, calculado para as 14h20, quando os policiais interceptaram o ônibus e Sandro fez o primeiro refém, mostra o Ascendente em 6°19' de Escorpião, em conjunção com a Lua na 12, a 4°55' do mesmo signo. Marte, o regente clássico de Escorpião, está na casa 8, em conjunção com o Sol e Vênus. A casa 8 é, aliás, a mais ativada desta carta, e morte é um dos seus significados tradicionais.

No mapa da fundação do Rio de Janeiro, Mercúrio no final de Peixes é o regente do Ascendente Gêmeos. Este Mercúrio está em quadratura com Marte, regente clássico do Ascendente do seqüestro do ônibus. Mas o regente moderno de Escorpião é Plutão, que está na casa 2 do mapa do assalto, formando oposição ao Ascendente do Rio de Janeiro. Estas duas ativações já mostram com bastante ênfase por que a metrópole fundada por Estácio de Sá em 1565 estava fadada a tornar-se o centro das atenções da mídia em 12 de junho de 2000.

Plutão do seqüestro ativa por conjunção também o Urano na cúspide da 7 do mapa natal da cidade - a casa dos inimigos abertos e dos conflitos.

A Lua do seqüestro avança para uma quadratura com Netuno na casa 4, a do resultado final da situação, em Astrologia Horária. Este Netuno rege a casa 6, a dos funcionários públicos (inclusive policiais), trabalhadores e do pessoal subalterno, em geral. A quadratura, que ficou exata durante as quatro horas do cerco ao ônibus, já indicava que o seqüestro não iria terminar bem. O desfecho seria uma situação confusa, caracterizada por erros - e eles estiveram presentes por toda parte: houve erro de estratégia, erro de pontaria, erro de armamento (metralhadoras nunca foram armas indicadas para enfrentar um seqüestrador agarrado a um refém) e desinformação quanto ao que realmente aconteceu.

Fundação do Rio de Janeiro - 1°.3.1565, 11h50 LMT - Rio de Janeiro - 22s54, 43w15

O mapa de um tiro que erra o alvo


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