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Barbara Abramo dá o fio de Ariadne
para quem pretende enfrentar os incríveis labirintos
da mitologia grega.
Sobre bibliografia de mitologia, grega principalmente, há
muita coisa hoje em dia traduzida para o português.
Há bons dicionários de mitologia grega - um
deles editado pela Difel; há duas traduções
cuidadosas editadas pela Cultrix de um dos maiores pesquisadores
em mitologia grega, Karl Kerenyi, que todo mundo precisaria
ler; há a tradução primorosa do grego
arcaico do J. A. A. Torrano, um rapaz - agora nem tanto
- que dá aulas na Letras da USP, que traduziu a Teogonia
do Hesíodo, uma das fontes primárias mais importantes
sobre mitologia grega - um livro pequeno e barato.
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Pra uma vista de olhos mais ampla, isto é,
com relação a outras mitologias que não a grega,
é legal a Enciclopédia de Mitologia da Larousse
editada pela Hamlyn, em 1970, mas precisa entender bem inglês
pra aproveitar o livro. Uma série legal - que não
sei se ainda se encontra por aí, é a Mitologia
e Arte, de quatro volumes, de um francês chamado René
Menard, e a edição que eu tenho é de 1965;
é bem explicadinha, conta as histórias todas, e me
parece que sua base principal é Kerenyi e Otto - outro feríssima
que só tem em alemão, inglês e francês.
Uma fonte legal é também a Ilíada, de
Homero. Há muitas traduções por aí,
mas uma das melhores é da Difusão Européia
do Livro, cuja tradução conserva os Cantos originais.
De forma geral, a fonte mais importante para uma
boa compreensão é mesmo Kerenyi, que teve a
paciência de ler os autores gregos e latinos no original e
escrever a mais completa mitologia grega; um dos livros é
Os Deuses Gregos e o outro é Os Heróis Gregos.
Depois que li os dois, agora, já adulta, entendi que todo
o resto saiu dele, inclusive o famoso Campbell. A enciclopédia
de mitologia da Hamlyn abarca com cuidado quase todas as mitologias
existentes no mundo, com ilustrações e fotos. É
uma aquisição respeitável e não é
cara, diante dos preços dos livros editados no país.
Finalmente, na última década têm
surgido boas traduções de Eurípides,
Ésquilo e Hesíodo, três grandes
da literatura e da tragédia, cujas referências à
mitologia não são apenas literárias, mas descrevem
bem o caráter, a cosmologia e a cosmogonia gregas. Pra dar
uma sapeada em como os junguianos usaram a mitologia grega
- e algumas outras mitologias - pra explicarem a teoria dos arquétipos
na formação das comunidades, nada como História
da Origem da Consciência, editada pela Cultrix, do Erich
Neumann. A meu ver, ele força um pouco a barra, mas é
interessante ver o modo de amplificar a mitologia pra entender certos
comportamentos, padrões de desenvolvimento humano, sua história
social de produção de arquétipos, por assim
dizer. No lado feminino, tem a maioral, Jean Shinoda Bolen,
que pegou e analisou todas as entidades femininas. A edição
é de uma editora católica, não é um
livro fácil de encontrar, mas é fundamental na linha
mitologia-Jung.
Há também Roberto Sicuteri,
um junguiano que escreveu um livro sobre o mito da Lilith muito
bem feitinho. Não li nada dele além deste livro da
Lilith, que me parece bem interessante. A Lilith já vem de
uma outra linhagem, passa ao largo da mitologia grega - que tem
outra figuras assemelhadas a ela, mas em tríades.
Ultimamente tenho lido o Zechariah Sitchin,
cujo objetivo na vida, desde os sete anos de idade, é provar
que os sumérios - de onde vem nosso antigo ofício
- descendem de ETs. Mas não desistam agora: no primeiro livro
de uma série de quatro, ele desenrola o resultado de sua
pesquisa filológico-semântico-histórico-arqueológica,
onde prova e comprova que a raiz de mitologias gregas e etruscas
está na Suméria. Estou achando curioso, muito bem
achado e até certo ponto espantoso. Sitchin tem aquela preocupação
acadêmica de provar tudo o que fala, o que me acalma a cabeça,
por meus vícios acadêmicos pessoais de tentar dizer
coisa com coisa e provar argumentação bem amarrada
em cima de conceitos claros. E dando fontes: secundárias
e primárias. Acho que é uma boa indicação
pra mitologia, mas não sei se tem em português. Comprei
pela Amazon Books, que se acessa pela Internet. Até agora,
neste primeiro livro, Sitchin mostra como, a partir da decodificação
da língua suméria mais arcaica - a linear B - foram
então compreendidas 25 mil tabuletas em argila, escritas
em caracteres cuneiformes, onde não apenas está toda
a série de ciclos Saros - cuja invenção ou
descoberta alguns historiógrafos de Astrologia atribuem aos
egípcios - mas também desenhos que ilustram o sistema
solar com dez planetas. É, eu disse dez mesmo, Plutão
incluso!
É assombroso e pode ser interessante
para os estudiosos da mitologia grega, porque ele discorre sobre
uma outra raiz, uma outra origem, que remonta aos sumérios.
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Abramo.
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