|
Você pode não lembrar
do nome. Mas certamente conhece bem mais do que meia dúzia
das músicas desse capricorniano de humor fino, irônico
e irreverente.
|
|
| Lamartine
era magro, esquelético, ossudo como todo filho de Saturno.
Casou-se apenas aos 47 anos (outra característica saturnina)
e só então ganhou um pouco de peso... |
Lamartine
Babo nasceu no Rio de Janeiro, no dia 10 de Janeiro de 1904. Cresceu
no bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio, na mesma região onde
tinha sede seu clube de coração, o América
F.C., também fundado em 1904. Em 1960, quando o América
foi campeão pela última vez, Lalá não
fez por menos: desfilou em carro aberto pelas ruas da cidade vestido
de diabo.
Lamartine
não tocava nenhum instrumento nem conhecia teoria musical,
o que não o impediu de criar melodias que caíram para
sempre no gosto popular.
Foi
o rei das marchinhas carnavalescas, a maioria composta nos anos
30 e 40. São dele, entre outras, obras-primas como "O
Teu Cabelo Não Nega", "Linda Morena", "Cantores
do Rádio" (com João de Barro e A. Ribeiro), "Marcha
do Grande Galo", "A-E-I-O-U" (com Noel Rosa) e "Grau
Dez" (com Ary Barroso), além das cantigas juninas "Chegou
a Hora da Fogueira" e "Isto É Lá com Santo
Antônio".
Mas
isso não é tudo. Lalá também é
autor de músicas de outros gêneros, como "No Rancho
Fundo" (com Ary Barroso), "Lua Cor de Prata", a belíssima
"Serra da Boa Esperança" e a conhecida valsa "Eu
Sonhei que Tu Estavas Tão Linda". Um artista versátil,
enfim.
Feio,
magérrimo e de voz fina, Lamartine compensava tudo isso com
uma incrível verve. Tinha eterna disposição
para brincadeiras e trocadilhos, muitos dos quais ajudam a compor
o humor nonsense de suas músicas.
Como
se não bastasse, Lamartine continua sendo cantado a cada
domingo de futebol no Maracanã. São dele os hinos
do Flamengo, Botafogo, Fluminense e Vasco, exatamente os principais
clubes cariocas. Mas mesmo os torcedores de outros clubes reconhecem
que o mais bonito de todos os hinos é aquele cuja letra afirma
que "a cor do pavilhão é a cor do nosso coração".
Não é preciso dizer que é o hino do América,
clube de coração de Lalá.
|
|
Poucos
compositores obtiveram, como Lamartine Babo, um lugar tão
perene na memória popular. Mas hoje pouca gente lembra
que os autores de "No Rancho Fundo", do hino do Flamengo
e de "O Teu Cabelo não Nega" são a mesma
pessoa. |
|
|