2002 Terra do Jurem
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2004:
Centenário do nascimento de Lamartine Babo

Você pode não lembrar do nome. Mas certamente conhece bem mais do que meia dúzia das músicas desse capricorniano de humor fino, irônico e irreverente.

Lamartine era magro, esquelético, ossudo como todo filho de Saturno. Casou-se apenas aos 47 anos (outra característica saturnina) e só então ganhou um pouco de peso...

Lamartine Babo nasceu no Rio de Janeiro, no dia 10 de Janeiro de 1904. Cresceu no bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio, na mesma região onde tinha sede seu clube de coração, o América F.C., também fundado em 1904. Em 1960, quando o América foi campeão pela última vez, Lalá não fez por menos: desfilou em carro aberto pelas ruas da cidade vestido de diabo.

Lamartine não tocava nenhum instrumento nem conhecia teoria musical, o que não o impediu de criar melodias que caíram para sempre no gosto popular.

Foi o rei das marchinhas carnavalescas, a maioria composta nos anos 30 e 40. São dele, entre outras, obras-primas como "O Teu Cabelo Não Nega", "Linda Morena", "Cantores do Rádio" (com João de Barro e A. Ribeiro), "Marcha do Grande Galo", "A-E-I-O-U" (com Noel Rosa) e "Grau Dez" (com Ary Barroso), além das cantigas juninas "Chegou a Hora da Fogueira" e "Isto É Lá com Santo Antônio".

Mas isso não é tudo. Lalá também é autor de músicas de outros gêneros, como "No Rancho Fundo" (com Ary Barroso), "Lua Cor de Prata", a belíssima "Serra da Boa Esperança" e a conhecida valsa "Eu Sonhei que Tu Estavas Tão Linda". Um artista versátil, enfim.

Feio, magérrimo e de voz fina, Lamartine compensava tudo isso com uma incrível verve. Tinha eterna disposição para brincadeiras e trocadilhos, muitos dos quais ajudam a compor o humor nonsense de suas músicas.

Como se não bastasse, Lamartine continua sendo cantado a cada domingo de futebol no Maracanã. São dele os hinos do Flamengo, Botafogo, Fluminense e Vasco, exatamente os principais clubes cariocas. Mas mesmo os torcedores de outros clubes reconhecem que o mais bonito de todos os hinos é aquele cuja letra afirma que "a cor do pavilhão é a cor do nosso coração". Não é preciso dizer que é o hino do América, clube de coração de Lalá.

Poucos compositores obtiveram, como Lamartine Babo, um lugar tão perene na memória popular. Mas hoje pouca gente lembra que os autores de "No Rancho Fundo", do hino do Flamengo e de "O Teu Cabelo não Nega" são a mesma pessoa.
 
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